Capítulo 20

Pov. Bella

Algumas semanas depois...

Cheguei em casa depois de um plantão de quarenta e oito horas e desabei sobre o sofá. Eu estava exausta. Dormiria por uma semana sem nenhum problema.

Tirei meus tênis de qualquer jeito e me ajeitei nas almofadas do sofá. Eu dormiria ali mesmo. Depois de um cochilo eu teria forças para tomar banho e comer alguma coisa. Antes não.

Eu já estava quase dormindo quando escutei um barulho estranho vindo da cozinha. Abri os olhos a contragosto e tentei identificar a fonte do barulho que interrompera o meu sono sem que eu precisasse me levantar.

E é claro que isso seria impossível, uma vez que tinha uma parede bem a minha frente. Portanto, o jeito era me levantar e ir até lá.

Como eu estava apenas de meia, meus passos não fizeram barulho algum. Assim, o casal de adolescentes que se pegava na minha cozinha não foi alertado da minha presença, o que possibilitou que eu os flagrasse tão agarrados que seria impossível saber onde um começava e o outro terminava.

Sofia estava sentada sobre o balcão, enquanto Tommy encontrava-se no meio de suas pernas, segurando-a pela cintura. Era possível que uma das mãos do garoto estivesse quase dentro da blusa da minha filha. Mas, eu preferia não ter certeza deste fato.

− Boa tarde, meninos. Está meio quente aqui, não é? – Eu ironizei, e tive que segurar o riso quando Sofia bateu com a cabeça no armário ao se afastar abruptamente do namorado, que derrubou uma banqueta em seu pé.

Eles me encararam pálidos.

Acho que minha filha e meu enteado não me esperavam em casa àquele horário.

− Mãe? Você já chegou? – Sofia falou, me olhando amedrontada e eu ergui a sobrancelha em sua direção.

− É, cheguei. E ainda bem que eu cheguei, não é? Como vai, Antony? – Eu falei, sendo o mais irônica que consegui e Tommy enrubesceu, limpando a garganta em seguida.

− Eu estou bem, Bella. Eu vim estudar álgebra com a Sofia.

− Sério? E estava procurando o valor de x dentro da garganta dela? – Eu perguntei, indo até a pia para conseguir um pouco de água e Sofia arfou, arregalando os olhos em minha direção.

− Mãe! Nós estávamos mesmo estudando matemática. – Ela protestou rubra e eu revirei os olhos.

­− Claro que estavam.

− Eu te peço desculpas pela cena que você presenciou, Bella. Acho que nos empolgamos. Mas, Sofia e eu realmente estudamos a tarde toda. Estávamos apenas nos despedindo. – Antony murmurou sem jeito e eu fiz uma careta.

Se as despedidas já estavam assim, imagine como não seriam os outros beijos.

Eu tremia só de pensar.

− Certo. Então, já que se despediram, você deve ir para casa. Está tarde e seu pai deve estar preocupado. Além disso, já é hora do toque de recolher da senhorita Sofia Swan. – Eu declarei e minha filha teve a ousadia de me lançar um olhar irritado. – Não me olhe desse jeito, senhorita. Fui eu que te peguei aos beijos com o namorado na minha cozinha. Sou eu quem deveria estar irritada.

− Mãe, esse negócio de castigo já está cansando. Mary Jane já está com um nariz novo em folha e ninguém fala mais sobre a bolada. Eu já estou enclausurada em casa há um mês. Não aguento mais olhar para as paredes desse apartamento.

− Olhe para o teto, então. O castigo continua. Agora, se despeça de Tommy, pois ele está de saída. Mas, mantenha a despedida apenas em um selinho. Já tivemos saliva demais para um dia. – Eu declarei e ela bufou, mas fez o que eu pedi.

− Você podia ter sido menos irônica, mãe. Tommy e eu não estávamos cometendo nenhum crime. – Sofia reclamou depois que o namorado foi embora e eu bufei.

− Claro que não! Vocês estavam apenas se engolindo na minha cozinha. Se eu demoro mais alguns minutos para chegar provavelmente eu estaria me tornando uma avó em pouco tempo.

− Não seja exagerada, mãe. Foi só um beijo. Aposto que na minha idade você também se agarrava com seus namorados quando meus avós não estavam por perto.

− É... Você tem razão. E me tornei mãe aos dezesseis anos. Sofia, um pouco de prudência e cautela não faz mal a ninguém. Porque vocês estavam sozinhos aqui? Pensei que Lara fosse te ajudar com álgebra.

− Mãe, Lara sabe matemática tanto quanto eu. Ou seja, nada. Tommy se ofereceu e eu aceitei, pois tenho prova amanhã. E como não posso sair de casa, pois você me trancou em uma prisão perpétua desde o incidente com o nariz de Mary Jane, ele veio até aqui. Mia estava com ele, mas tia Rosalie a buscou há pouco para levá-la ao balé. Ficamos sozinhos por pouco tempo. Você saberia de tudo isso se ouvisse alguns dos milhares de recados que eu deixei pra você no celular. – Ela falou e eu bufei, indo até minha bolsa e resgatando meu celular que estava descarregado desde Deus sabe quando.

− Fiquei sem bateria. O hospital estava uma loucura e eu não tive tempo de carregá-lo. Mas, isso não justifica a cena que eu presenciei na cozinha, senhorita Sofia Swan. – Eu declarei e ela revirou os olhos, deixando-se cair sobre o sofá.

− Tommy e eu somos namorados. Não era o que vocês queriam? Que ele e eu nos entendêssemos? Pois muito bem. Acontece que namorados se beijam. Foi isso que você viu na cozinha. Beijos. Algo completamente normal. Aliás, algo que você e Edward vivem fazendo. Mia já flagrou vocês de agarramento uma centena de vezes. Eu e Tommy também. – Sofia declarou e eu enrubesci.

Ela tinha razão quanto a isso, uma vez que Edward e eu quando estávamos perto um do outro não conseguíamos manter nossos lábios afastados. Beijá-lo era um vício difícil de resistir.

− Sofia, eu só quero que você seja prudente. Não cometa as mesmas loucuras que eu, meu amor. Sua vida será bem mais fácil se você ouvir os conselhos de sua velha aqui. – Eu declarei, me sentando ao seu lado e ela suspirou, vindo se aninhar em meu colo e, naquele momento, eu desejei que ela fosse um bebezinho outra vez, para que eu pudesse mantê-la em meu colo eternamente.

− Eu odeio brigar com você, mamãe. E você não é velha. – Ela murmurou e eu sorri, beijando seus cabelos.

− Eu também odeio brigar com você, minha princesa. Mas, entenda que estar sozinha com Tommy aqui não é algo muito inteligente se considerarmos o quanto somos regidos por nossos hormônios ferozes e loucos por sexo. – Eu declarei e ela riu.

− Mãe, você sabe que se você e Edward se casarem, Tommy e eu ficaremos inevitavelmente sozinhos, não é? Então, eu sugiro que você confie em nós e no poder que temos em controlar nossos hormônios. – Ela declarou e eu suspirei.

Eu já tinha pensado nisso. Não que Edward e eu estivéssemos cogitando um casamento por enquanto, mas se isso viesse a acontecer, Tommy e Sofia viveriam sob o mesmo teto e, como ela sabiamente colocou, ficariam sozinhos em alguns momentos.

− Eu confio em vocês, amor. São nos seus hormônios e no ímpeto adolescente de vocês que eu não confio. Eu sei como o nosso corpo responde a um amasso como aquele que presenciei na cozinha. – Eu falei e ela enrubesceu, fazendo uma careta.

Sofia sabia bem as quais respostas corporais eu me referia. E isso estava me preocupando além da imaginação.

− Filha, acho que chegou o momento de temos a conversa. – Eu declarei e ela ficou ainda mais rubra, o que quase me fez rir.

Quase, pois falar sobre o início da vida sexual da minha filha não era um assunto que provocaria risos em ninguém. Muito menos em mim.

− Mamãe, nós já conversamos sobre sexo. Várias vezes. Eu sei perfeitamente bem de onde vêm os bebês e o que os casais fazem quando estão sozinhos e nus em um quarto ou em qualquer outro lugar que prefiram. Está tudo bem. Acredite em mim. Tommy e eu começamos a namorar agora e não estamos falando sobre transar. Então, fique tranquila, por favor. Eu sou virgem e continuarei assim por um bom tempo. Prometo.

− Sofia, não é essa a questão. Eu quero apenas que quando você resolver dar esse passo na sua relação com Tommy que tenha confiança e liberdade para falar comigo a respeito. Quero que você se proteja e que haja com maturidade a respeito de todo o que envolve sexo.

− Eu prometo te contar tudo, mamãe. Fique tranquila. Agora, porque você não vai tomar um banho? Vou preparar uma massa para nós. – Sofia ofereceu se levantando do meu colo e eu ri da sua tentativa de me subornar com seus dotes culinários para que eu me esquecesse da cena que presenciei na cozinha.

− Oferta aceita. Mas, eu ainda vou demorar a me esquecer do beijo que presenciei naquela cozinha, senhorita. – Eu declarei e ela revirou os olhos.

− E quanto ao meu castigo? Já faz quase um mês, mãe.

− O confisco da sua mesada continua. Mas, você está livre para andar por aí, sair com Lara e Tommy. Só pelo amor de Deus, não se meta em mais confusões, Sofia. – Eu declarei e ela deu um gritinho, se jogando em meus braços mais uma vez.

− Obrigada, mãe. Obrigada. Você é a melhor. – Ela falou empolgada, beijando meu rosto em vários lugares e eu ri.

− Eu sei que sou um máximo. Agora, vá preparar a minha comida antes que eu mude de ideia.

Depois do banho eu comi uma deliciosa macarronada na companhia da minha filha linda, que me colocou por dentro das últimas fofocas da escola e da casa do meu irmão.

Assistimos alguns episódios na nossa série favorita e quando estava prestes a me deitar liguei para o meu namorado lindo, descobrindo que ele teria que viajar a trabalho.

− Sério? E quanto tempo vai durar essa viagem? – Eu perguntei emburrada e ele suspirou.

Cinco dias. Tenho uma infinidade de reuniões e audiências para participar. E Bella... Eu queria te pedir um favor.

− Favor? Pode falar.

− Minha irmã viaja amanhã para a casa dos meus pais. Os pais de Emmett ficarão com as Candyce e Ethan, mas eu não tenho cara de pedir para que eles fiquem com os meus filhos também. Emmett irá viajar comigo e... Bem, será que você não poderia ficar com os meus filhos? Ou pelo menos com Mia? Eu procurei por uma babá, mas não encontrei assim em cima da hora.

Ficar com os filhos dele por cinco dias?

Cuidar de Mia e Antony como uma mãe faria?

Bella?

− Claro... Eu fico com eles sim. Pode trazê-los. Mia pode ficar com Sofia enquanto eu estiver no hospital e se surgir algum plantão, peço para que Alice venha dormir com eles.

Eu não quero te atrapalhar, amor, muito menos te sobrecarregar. Não pediria algo assim se realmente não estivesse precisando.

− Fique tranquilo, Edward. Tommy e Mia não irão me atrapalhar. Só que terei que ficar de olho no casal Tofia. Peguei eles se agarrando na cozinha hoje. Estou seriamente preocupada com a possibilidade de me tornar avó antes dos 35 anos. – Eu declarei e Edward gargalhou.

Por isso que Tommy chegou em casa tão assustado. Ser flagrado pela sogra em um amasso com a namorada é uma experiência traumática demais. Mas, eu vou conversar com ele para que isso não se repita. Também não estou a fim de me tornar avô. Sou jovem e bonito demais para isso. – Edward falou e eu revirei os olhos para o seu ego gigante.

− Sim, Edward Cullen, você é lindo. E gostoso. E eu estou com saudades. Não acredito que você vai viajar sem que a gente faça amor. – Eu falei manhosa e ele gemeu.

Nem eu acredito nisso, amor. Eu estava planejando uma noite maravilhosa para a gente na sexta. Mas, no fim de semana já estarei de volta e vamos matar toda essa saudade que nos consome. Vamos fazer amor à noite toda e de todas as maneiras. Seja paciente, minha linda.

− Eu serei. Prometo. Mas, acho que terei que usar uns brinquedinhos que tenho guardado bem no fundo do meu armário. – Eu murmurei e ele grunhiu.

Brinquedinhos? Bella, não vai me dizer que você esconde brinquedinhos sexuais aí no seu apartamento? Pelo amor de Deus, mulher! Não faça isso comigo. Só de te imaginar nua, usando brinquedinhos, eu tenho vontade de ir para sua casa imediatamente.

− Venha. Posso usá-los pra você. – Eu provoquei e ele gemeu desalentado, o que me fez sorrir.

Você será minha morte certa, Isabella Swan. Eu tenho uma pilha de papéis para ler, relatórios para terminar e estou aqui com uma enorme ereção pensando em você e em seus brinquedinhos. Se não fosse o dever me chamando, eu iria mesmo para sua casa nesse instante. Nem que fosse a pé.— Ele declarou e eu ri.

− Você trabalha demais, Cullen.

Você também, senhorita Swan. Temos que tratar o nosso workaholismo com urgência. Mas, agora eu tenho que desligar, amor. Amanhã, antes de viajar, deixo meus filhos aí na sua casa.

− Ótimo. Assim, poderei te dar pelo menos um beijo de despedida.

Muitos beijos de despedida, Bella. Até amanhã, meu amor.

− Até amanhã, Edward. Eu te amo. – Eu falei, desligando o celular e desabando sobre os travesseiros, dormindo imediatamente.

No dia seguinte, Sofia e eu estávamos tomando café quando a campainha tocou. Ela me olhou confusa e foi atender a porta, ficando ainda mais confusa quando encontrou o trio Cullen acompanhados de malas enormes.

− Bom dia, Sofia. Vim trazer minhas encomendas para sua mãe. Antony e Mia te farão companhia até sábado. – Edward falou, beijando o rosto da minha filha que me encarou assustada.

− Oi, Sofia. Posso dormir no seu quarto? – Mia perguntou, se agarrando às pernas da minha filha que sorriu e abraçou a pequena.

− Claro que pode. Meu quarto é todo seu, princesa.

− Antony fica na sala. E nada de expedições noturnas até o quarto das garotas. Ele já foi avisado. – Edward falou e Tommy enrubesceu, lançando um olhar mal-humorado ao pai.

− Sejam bem vindos, crianças. Deixem as malas aqui na sala. Depois encontraremos um lugar melhor pra elas. Tomem café, escovem os dentes e peguem os materiais. Dentro de vinte minutos estaremos saindo para a escola. – Eu declarei, já me agarrando ao pescoço do meu namorado, que sorriu e beijou meus lábios de leve.

− Você fica incrivelmente sexy no modo mãe autoritária. Se não fosse o meu voo que decola em menos de duas horas, eu certamente te arrastaria para o seu quarto após enviar nossos filhos para a escola de táxi.

− Não me tente, Cullen, ou eu te arrasto mesmo para o meu quarto. – Eu falei, ajeitando sua gravata e ele sorriu. − Você sempre viaja tão bonito e cheiroso assim? Quantas mulheres você encontrará nessas reuniões e audiências? – O meu ciúme perguntou e Edward riu, beijando meu pescoço.

− Muitas mulheres. Mas, nenhuma delas me interessa. Fique tranquila, meu anjo. Eu só tenho olhos pra você.

− Sei. E pra onde você está indo, Cullen?

− New York. E por falar em ir, já deu minha hora. Eu volto no sábado. Sentirei saudades.

− Eu também. Trate de me ligar todos os dias.

− Sim, Dra. Swan. – Ele falou, beijando meus lábios e eu retribuí de bom grado.

Depois que se despediu dos filhos, Edward foi para o aeroporto e eu segui com minha tropa para a escola.

Mia sentou-se no banco da frente, quanto Tommy e Sofia se divertiam no banco de trás com algo no celular durante todo o caminho.

Como hoje eu estava de folga, aproveitei o tempo livre para ir ao dentista, ao supermercado e à lavanderia.

Deixaria o salão de beleza e a manicure para o sábado, que é quando teria o meu namorado lindo de volta.

Almocei com Alice, que ficou me perturbando o tempo todo para saber detalhes do meu namoro com Edward.

− Como se você não soubesse o que namorados fazem quando estão sozinhos, Alice. – Eu falei, revirando os olhos para sua curiosidade e ela bufou.

− Claro que eu sei. Seu irmão e eu somos ótimos em fazer coisas quando estamos sozinhos e nus. Você sabe bem disso. – Ela declarou e eu fiz uma careta ao me lembrar do quando meu irmão e minha cunhada podiam ser barulhentos na hora do sexo. – Mas, o que quero saber é o quanto você está gostando dos momentos que passa com ele. E claro, o quanto ele é bom de cama.

− Edward é maravilhoso, Alice. Estar com ele é sempre ótimo. E claro que gostoso daquele jeito ele só podia ser magnífico na cama. – Eu declarei e ela riu, batendo palminhas, o que me fez rir também.

− Ele é melhor do que qualquer um com quem você já esteve? Melhor do que Jacob? – Alice perguntou e eu sorri presunçosa.

Claro que Edward era melhor.

Não havia comparação, aliás.

− Muito melhor do que qualquer um. Jacob não chega nem aos pés dele. Em nenhum aspecto, aliás.

− Por falar em Jacob... Ele esteve em Forks por esses dias. O chefe Swan contou à Jasper. Voltou para um evento de família e andou perguntando sobre você. – Minha cunhada falou e eu respirei fundo, perdendo imediatamente a fome.

Falar em Jacob nunca me faria bem. Ele era uma parte do passado que eu fazia questão de esquecer. Embora ele fosse o progenitor da pessoa mais importante da minha vida, ele não merecia ser lembrado, pois fazia parte da pior espécie de homem que já pisou no planeta Terra.

− Ele que fique bem longe de mim e da minha filha. – Eu declarei com raiva, sentindo meu couro cabeludo pinicar e Alice suspirou.

− Bella, e se de repente ele aparecesse querendo contato com a Sofia. O que você faria? – Alice me perguntou e eu engoli em seco, sentindo meu estômago embrulhar diante da possibilidade de ter aquele monstro perto da minha filha.

− Conhecer o pai e se aproximar dele teria que ser uma decisão apenas da minha filha, Alice. Se Sofia quisesse Jacob por perto, eu não poderia fazer nada. Eu só torço para que ela não queira, pois não sei se seria capaz de conviver pacificamente com ele. Nem por ela.

− Ele foi realmente um canalha com você. E, sinceramente, eu duvido de que ele venha procura-las. Jacob não quer responsabilidades com uma filha. Ele deve ter perguntado por você apenas por curiosidade. Além disso, não existem maneiras de ele saber que vocês estão em Los Angeles. Charlie e Renée não diriam a ele e ninguém mais em Forks sabe para onde você foi desde que saiu de lá.

− Assim espero, Alice. Tudo o que eu não preciso agora é do progenitor da Sofia surgindo do passado.

Depois do almoço com Alice, eu fui para casa e iniciei uma faxina. Quando as crianças chegaram, já estava tudo limpo e organizado para a estadia deles na minha casa.

− Olá, pessoal. Lavem as mãos para comer. Depois, lição de casa. – Eu ordenei e eles foram sem questionar.

Foi uma tarde divertida.

Depois da lição interminável de literatura e história, Mia e eu assistimos filmes, jogamos dominó, banco imobiliário e xadrez enquanto Sofia finalizava um projeto de biologia com a ajuda de Tommy.

Jantamos lasanha de brócolis feita por meu enteado/genro que tinha um talento incrível para a culinária e depois de um filme da Disney, nos preparamos para dormir.

Sofia ficaria no quarto com Mia e Tommy ficaria na sala.

Dei um beijo de boa noite nos três e fui para o meu quarto, onde recebi uma ligação rápida de Edward, já que ele estava atrasado para um jantar.

− Jantar com quem, Cullen? – Eu perguntei desconfiada e ele riu.

Com uma centena advogados velhos e engravatados. Nada de mulheres para mim essa noite, Isabella.

− Nada de mulheres pra você em noite nenhuma, Cullen. Só eu.

Só você, minha gostosa. Agora, eu tenho que ir. Dê um beijo nos nossos filhos por mim. Até mais.— Ele se despediu e eu suspirei, desabando sobre a cama.

Eu já estava quase dormindo quando senti o colchão afundar ao meu lado.

Era Sofia.

− Mãe?

− Oi, meu amor. Aconteceu alguma coisa? – Eu perguntei, ligando a luz do abajur e me assustei quando vi seus olhos vermelhos. Ela estava chorando. – O que foi, minha vida?

− Eu tenho que te contar uma coisa, mas não sei como você vai reagir. – Ela falou e eu gelei.

− O que você aprontou agora, Sofia? – Eu perguntei desconfiada e ela suspirou, se aconchegando ao meu corpo.

− Já faz dias que tem um homem me observando na porta da escola. A princípio eu achei que fosse um olheiro de alguma agência de modelos. Mas, aí... Ele... Ele veio falar comigo hoje. – Ela falou e eu prendi a respiração, já entendendo perfeitamente de quem se tratava.

− E o que ele queria? – Eu perguntei em um sussurro e ela fungou, levantando os olhos do meu ombro para me encarar.

A tristeza que eu vi ali quebrou o meu coração em mil pedaços.

− Ele se apresentou como meu pai, mãe. O cara que estava me observando por dias é Jacob Black, meu progenitor. – Sofia declarou e, embora eu já soubesse de quem se tratava desde o início de sua narração sofrida, eu gelei dos pés a cabeça.

O que aquele maldito queria da minha filha depois de todos esses anos?