Notas iniciais
Capítulo dedicado à Buverlita, que recomendou a fic. Obrigada pelas suas lindas palavras. Eu adorei!

Capítulo 21

Pov. Sofia

Estar de castigo era uma droga.

Minha mãe era maravilhosa em todos os aspectos, mas quando resolvia me aplicar algum castigo sabia ser cruel o suficiente para que eu jamais desejasse transgredir as leis da boa conduta novamente.

Quando eu tinha mais ou menos sete anos de idade, eu fugi de casa. Quer dizer, fugi do alojamento estudantil onde morava com a minha mãe. Eu queria conhecer melhor o campus da universidade da Califórnia e ela nunca tinha tempo suficiente para me mostrar, pois estava sempre estudando e trabalhando muito. Aí, eu resolvi ir sozinha.

Mas, como não conhecia bem o lugar e tinha um péssimo senso de direção desde criança (herança materna), acabei perdida. Minha mãe ficou desesperada quando voltou ao alojamento e percebeu que eu não estava mais sob os cuidados de sua companheira de quarto, colocando a polícia atrás de mim, que me encontrou sentada na imensa escadaria da biblioteca.

Minha mãe ficou muito feliz em me ver, mas quando a euforia por ter me encontrado sã e salva passou, ela me deu uma bronca imensa e me colocou de castigo. Um mês sem desenhos animados e sem passeios de bicicleta aos fins de semana. Ela tirou os doces também, o que foi a pior parte. E como Isabella Swan sabia perfeitamente cumprir prazos, eu só fui liberada do castigo após exatos trinta dias de tortura.

Nunca mais fugi de casa.

Numa outra ocasião, eu comi um biscoito no supermercado sem pagar por ele. Eu escondi a embalagem no bolso do meu casaco, mas o segurança viu e contou à minha mãe no momento em que estávamos passando nossas compras no caixa. Ela surtou. Foi mais um mês de castigo. Dessa vez, ela me proibiu de brincar com Lara, que nessa época já morava em Los Angeles, tirou minha mesada (ela adorava essa tática) e me fez ouvir um sermão do meu avô, que durou cerca de duas horas, sobre a importância de sermos pessoas honestas.

Eu sempre procurara ser uma boa filha, pois sabia de todas as dificuldades que a minha mãe enfrentava para me criar sozinha, sem a figura de um pai. Mas, às vezes, eu me metia em encrencas. Crianças e adolescentes eram mestres em arranjar problemas. Mas, a ira da minha mãe jamais demorava a chegar após alguma travessura minha.

E não foi nada diferente quando, aos quinze anos, eu quebrara o nariz de uma garota com uma bolada certeira. Não que a garota em questão não merecesse, mas o fato era que eu não deveria jamais ter feito algo assim, pois eu sabia que seria vítima da ira de Isabella Swan em algum momento.

Já fazia mais de duas semanas que eu estava de castigo e não saberia o que era luz do sol se eu não tivesse que ir a escola diariamente. Uma semana de suspensão me rendeu um caminhão de trabalhos escolares, o que contribuiu para que meu castigo fosse ainda mais torturante.

− Eu não aguento mais fazer cálculos. Minha mente está fervendo. Não suporto mais ficar trancada em casa também. Eu não sou nenhuma criminosa por ter rido do saque maravilhoso de Sofia que acertou em cheio a cara feia de Mary Jane Vouturi. – Lara reclamou e tio Jasper, que inspecionava nosso dever de matemática, revirou os olhos.

− Rir da desgraça alheia não é algo cristão, Lara. Sei que não somos nada religiosos, mas você deveria ter se mantido em silêncio após a bolada em respeito ao nariz ferrado de sua companheira de time. Isso teria te poupado alguns problemas.

− Papai, aquela cena foi hilária. Seria impossível não rir. Além disso, após o acontecido, todos queriam colocar a culpa apenas em Sofia, como se aquela loira aguada fosse alguma santa. Eu não podia me manter em silêncio quando minha prima e melhor amiga estava sendo lançada aos tubarões.

− Então, conforme-se com o castigo. Sofia também está trancada em casa e nem por isso está reclamando. – Meu tio falou, piscando pra mim e eu fiz uma careta.

− Não adianta muito reclamar quando se é filha de Isabella Swan, tio. Ela vai me fazer cumprir todo o castigo, eu reclamando ou não. Então... – Eu dei de ombros e ele riu.

− Sua mãe é osso duro, Sofia. Mas, ela não está errada. Castigos foram feitos para serem cumpridos. Principalmente quando os filhos são rebeldes transgressores. – Ele falou, bagunçando os cabelos da minha prima que bufou e lançou um olhar mal-humorado ao pai.

− Eu não sou uma rebelde. Sou uma dama. Sofia e eu somos. – Lara declarou e eu ri vendo meu tio revirar os olhos.

− Claro que são... – Ele debochou, enquanto riscava alguns dos meus resultados finais das equações e eu bufei.

Nunca iria aprender álgebra.

− Sua mãe me contou que quando é o seu namorado que te ensina você aprende melhor, Sofia Swan. – Tio Jasper comentou mal-humorado diante da minha incapacidade de encontra o valor de x e eu corei, fazendo Lara rir.

− Claro né, pai! A recompensa para cada acerto é dada em beijos. O incentivo para se aprender álgebra é bem melhor.

− Cala a boca, Lara. – Eu falei, batendo em sua nuca e ela me olhou feio.

− Estou errada?

− Está. Levo muito a sério minhas seções de estudo com Antony. E o problema não é o professor, tio e sim o meu cérebro que não está programado geneticamente para entender matemática. – Eu falei com desgosto, referindo-se à minha mãe que era tão ruim em matemática quanto eu e meu tio riu.

− Sua mãe sempre foi péssima com números. Já seu pai era rápido nos cálculos. Mas, como você é toda sua mãe, era de se esperar que herdasse também sua dificuldade extrema em matemática. – Tio Jasper comentou e eu me encolhi a menção do meu progenitor.

− Você e o pai de Sofia eram amigos? – Lara perguntou interessada e eu fitei meu tio curiosa.

Esse assunto era uma espécie de tabu entre a família Swan e, por isso, conseguir qualquer informação a respeito do primeiro namorado da minha mãe, que lhe abandonara grávida, sempre fora um grande desafio.

Quando eu era pequena, perguntava muito a minha mãe onde estava o meu pai. Não entendia porque todas as crianças da minha idade tinham papais e eu não. Minha mãe gentilmente me explicou que eu tinha sim um pai, mas que por algum motivo ele não vivia conosco. “Pais e mães nem sempre são um casal e vivem juntos, filha”. Era uma explicação vaga para uma criança, mas que eu aceitava, pois desde muito pequena entendia que aquele assunto não era o preferido da minha mãe.

Conforme eu fui crescendo, comecei a entender que Jacob Black, meu progenitor, não passava de um canalha que abandonara minha mãe grávida e que não merecia ser chamado de pai, pois ele não era um. Definitivamente não.

− Amigo não. Ele namorava minha irmã. Não tem como ser amigo do namorado da sua irmã. Acreditem. Mas, eu o conhecia há bastante tempo. Éramos da mesma equipe de basquete e ele frequentou algumas aulas de matemática comigo. Assim, eu sabia que ele era bom com números. Pelo menos melhor que Isabella ele era. – Tio Jasper comentou e eu me mantive em silêncio, enquanto Lara me olhava de esguelha.

Ela não se conformava com o fato de eu não ter curiosidade sobre o meu pai. Lara fora criada por um casal extremamente apaixonado que a desejara desde o início. Tio Jasper sempre fora um grande pai e, por isso, ela simplesmente não conseguia entender porque eu me conformara tão facilmente em não ter um pai em minha vida.

Mas, a resposta era simples: Jacob Black não me quisera e, portanto, não merecia ser lembrado como pai. Ele não passava de um doador de espermas. Minha mãe sempre fora tudo o que eu precisava. Pai, mãe, amiga, confidente e, tendo ela, eu não precisava de mais ninguém.

Depois de nossos deveres finalizados e do assunto “pai da Sofia” esquecido, tio Jasper se prontificou a me levar para casa. Meu castigo consistia também em ficar o mais longe possível de Lara Brandon Swan e, como nossas tarefas escolares haviam sido finalizadas, eu devia ir imediatamente para casa.

− Papai, deixa Sofia ficar para o jantar. Prometemos não armar nenhum plano mirabolante. – Lara implorou e tio Jasper suspirou, nos lançando olhares desconfiados.

− Nada disso, Lara. Sofia vai para casa. São ordens minhas e da sua tia. Vocês duas estão de castigo e só foram liberadas para passar a tarde juntas hoje por conta dos deveres de matemática. – Tia Alice falou e eu fiz uma careta, terminando de arrumar o meu material para que tio Jasper pudesse me levar para casa.

− Isso é tão injusto, mamãe! Aposto que Mary Jane e Amanda não ficaram de castigo por serem umas vadias provocadoras. – Lara resmungou, ganhando um olhar mortal de tia Alice.

− Eu vou te deixar o resto do ano de castigo se ouvir outro palavrão saindo da sua boca, Lara Brandon Swan. – Tia Alice falou e Lara bufou, mas não disse nada.

Mia prima sabia o quanto podia ser perigoso desafiar sua mãe.

Eu me despedi de tia Alice e Lara e tio Jasper me levou para casa, passando todo o caminho me especulando sobre Antony.

− Não sei se gosto de saber que você está namorando, Sofia. Você é jovem demais para isso.

− Eu tenho quinze anos, tio. Já tenho idade para namorar. Além disso, mamãe aprova Antony como genro. – Eu declarei e tio Jasper revirou os olhos.

− Claro que aprova. Ela está tão encantada por aquele advogado que ela conheceu no Tinder que não enxerga um palmo a frente do nariz. Mas, eu ainda acho que você deve se concentrar apenas nos estudos e deixar esse negócio de namoro para quando você tiver uns trinta anos, no mínimo. – Ele falou mal-humorado e eu ri.

− Você fala como o vovô Charlie, tio. Mas, só para esclarecer: Edward é um cara legal. Ele gosta mesmo da minha mãe. Antony é um bom garoto e não vai me fazer sofrer. Não intencionalmente, pelo menos. Além disso, namorá-lo não vai atrapalhar os meus estudos. – Eu falei e ele suspirou.

− É o que eu espero. Ter um diploma é algo muito importante e não queremos que você passe por tudo o que sua mãe passou para ter um.

− Fique tranqüilo, tio. Eu sou uma garota ajuizada. – Eu falei, beijando seu rosto quando ele estacionou o carro em frente ao meu prédio e ele sorriu.

− Falou a garota que quebrou o nariz de Mary Jane Volturi com uma bolada certeira. – Meu tio debochou e eu fiz uma careta. Eles jamais deixariam eu me esquecer desse episódio.

Subi para o meu andar e já estava começando o jantar quando minha mãe apareceu. Ela sorriu a me ver.

− Oi, princesa. Como foi a tarde de estudos?

− Péssima. Eu odeio matemática e isso jamais irá mudar. Mas, pelo menos consegui terminar todos os meus deveres acumulados.

− Isso é bom. Concluir os deveres evitará que seu castigo se estenda além do tempo pré-determinado. – Minha mãe declarou triunfante e eu bufei.

− Você sabe ser cruel quando quer, Dra. Swan.

− Sempre, meu amor. Sempre. Agora, termine o jantar enquanto eu tomo um banho. A louça é minha. – Ela declarou e eu suspirei.

Apesar de carrasca quando o assunto era me castigar por minhas bobagens, Isabella Swan era e sempre seria a melhor mãe do mundo.

A semana seguiu tranquilamente. Lara e eu continuávamos de castigo, mas pelo menos eu podia passar um tempo com ela e Antony na escola. Se não fosse isso, acho que eu enlouqueceria.

− A gente podia ir ao parque hoje. O que acha? – Ele me perguntou, enquanto esperávamos nossos pais no portão da escola e eu fiz uma careta.

− Eu acho a ideia ótima. Perfeita. Mas, eu estou de castigo, bonitão. Nada de parque pra mim por enquanto. – Eu declarei e ele bufou.

− Sua mãe podia aliviar em toda essa coisa de castigo. Mary Jane já tem até um nariz novo. – Ele falou divertido e eu ri, me agarrando a sua gola e beijando seu queixo.

− Tão feio quanto o antigo, temos que admitir. – Eu debochei e ele riu, me abraçando e escondendo o rosto nos meus cabelos. E foi nesse momento que eu o vi.

Parado do outro lado da rua, me observando, estava um homem robusto, moreno e com traços indígenas. Ele me parecia familiar, mas como eu não tinha certeza de quem se tratava ou de onde eu poderia conhecê-lo, preferi ignorar, mesmo sabendo que não era a primeira vez que ele aparecia ali na porta da escola.

− É impressão minha ou aquele cara está te encarando? Oi, Tommy. – Lara falou, aparecendo do nada e eu suspirei, enquanto meu namorado olhava ao redor a procura da pessoa a qual Lara se referia.

− Deve ser um olheiro de alguma agência de moda ou de alguma universidade. Já o vi aqui outras vezes. – Eu comentei e Lara revirou os olhos, encarando mais uma vez o desconhecido, que disfarçava ao perceber que estávamos encarando-o.

− Acho que devemos contar para sua mãe. Se tem alguém de olho no seu rostinho bonito, tia Bella deve ser a primeira a saber.

− Não. Nada disso. Minha mãe já tem muito com o que se preocupar. Eu não estou a fim de expor meu rostinho bonito, então, não tem motivo para preocupar minha mãe com isso. Além do mais, ele pode estar de olho em qualquer garota dessa escola. Inclusive em você. – Eu declarei e ela riu.

− Até parece. Os genes bons da família Swan ficaram todos com você, Sofia querida. Eu herdei apenas os olhos da vovó Renné. O resto veio tudo dos Brandon. Inclusive o tamanho diminuto. – Ela falou revoltada e nós rimos.

− Sofia é mesmo linda. Não seria surpresa se alguma agência estivesse de olho nela. Mas, o cara ali pode não ser um olheiro. Caso ele continue voltando, vamos sim comunicar nossos pais. Não te quero correndo riscos. – Antony falou e eu revirei os olhos, mas sorri para toda sua preocupação.

− Apoiado, Cullen. Eu serei a primeira a falar com a tia Bella caso esse cara continue voltando. – Lara declarou e eu suspirei, sabendo que ela diria mesmo a minha mãe caso julgasse que eu estava mesmo em perigo.

Então, tudo o que eu podia querer era que aquele homem desaparecesse.

Mas, o cara continuou voltando. Dia após dia. Eu o vi conversando com algumas meninas e, por isso, acreditei mesmo que ele era um olheiro de alguma agência de moda e que não estava me vigiando, de fato.

Como Lara e Tommy também o viram conversando e interagindo com outras garotas, eles pararam de insistir que eu estava em perigo devido a um maníaco que me observava todos os dias no portão da escola.

Meu castigo seguiu firme e forte e quando a véspera do exame de matemática finalmente chegou, eu comecei a suar frio.

− Eu vou bombar amanhã e minha mãe vai me deixar de castigo até os trinta anos. – Eu lamentei e Tommy riu.

− Não seja exagerada, Swan. Eu pensei que já tivesse superado toda a sua aversão à álgebra.

− É a álgebra que me odeia, Tommy. Eu nunca vou conseguir me entender com tantas incógnitas. Letras e números são coisas tão diferentes. Porque misturá-las? – Eu falei revoltada e ele riu.

− Eu posso te ajudar. Vou para sua casa e podemos passar a tarde toda estudando. Da outra vez funcionou bem e você tirou uma boa nota na prova.

− Minha mãe não vai deixar. Além do mais, eu combinei de estudar com Lara.

− E com seu tio?

− Não. Meu tio está em Boston a trabalho. Só com Lara. O pior é que ela sabe álgebra tanto quanto eu, ou seja, nada. Minha prima e eu vamos bombar e ficar eternamente de castigo. Nossas mães não vão aliviar. Não depois da história do nariz de Mary Jane. – Eu lamentei e Tommy fez uma careta para o meu desespero.

− Calma, Sofia. Eu vou para sua casa hoje e te ajudo com álgebra. Mia vai com a gente, já que eu não tenho onde deixar a baixinha. Lara pode ir também. Peça para a sua mãe. Tenho certeza que ela vai aliviar nesse negócio de castigo ao saber que você precisa de ajuda com matemática. – Tommy falou e eu suspirei, pegando meu celular para ligar para a Dra. Swan, enquanto ele avisava o seu pai.

Mas, é claro que ela não atendeu e nem respondeu a nenhuma de minhas mensagens. Nunca ia entender porque minha mãe tinha um celular se ela nunca atendia, ao não ser é claro que fosse Edward ligando ou lhe enviando mensagens.

− Não adianta. Ela não atende. – Eu falei brava e Tommy fez uma careta.

− Vamos arriscar, então. O máximo que ela pode fazer é me expulsar da sua casa aos gritos quando me encontrar lá.

− É... Ou prolongar meu castigo até os cinqüenta anos. Mas, se eu bombar em matemática, o castigo será ainda pior. Portanto, vamos lá. – Eu declarei e ele sorriu, beijando meu rosto e me conduzindo ao portão que ficava do outro lado, onde esperaríamos por Mia.

Convidei Lara para estudar com a gente, mas minha tia não deixou. Alice Brandon Swan estava levando esse negócio de nos colocar na linha a sério demais.

Mia ficou super animada ao saber que ia para minha casa. Passamos em um restaurante chinês para conseguir alguma comida, já que minha casa não tinha nada pronto, e seguimos para o meu prédio.

Depois que comemos, Mia foi cuidar de seus deveres e Tommy iniciou sua explicação acerca das equações algébricas que eu tanto detestava. Mas, como meu tio dissera, quando era ele a explicar a matemática parecia tornar-se mais simples.

Estudamos por toda à tarde, até que tia Rosalie passou para buscar Mia e levá-la ao balé junto com Candyce.

Depois que Mia saiu, Tommy e eu fomos para a cozinha preparar chocolate quente. Minha cabeça parecia que ia explodir e eu precisava de uma pausa antes que enlouquecesse em meio a tantos x, y e z.

− Acha que consegue fazer a prova amanhã sem ter um ataque nervoso? – Tommy provocou e eu revirei os olhos, o que o fez rir.

− Engraçadinho você. Mas, respondendo à sua pergunta, acho que sim. Só não sei nada quanto a nota. Essas equações me assustam. – Eu declarei e ele sorriu, se aproximando de mim e me erguendo até que eu estivesse sentada sobre o balcão da cozinha.

− Tente ficar calma, Sofia. Você sabe resolver as equações. Basta permanecer calma e seguir os passos que treinamos inúmeras vezes. – Tommy declarou e eu fiz uma careta.

− Certo. Eu juro que vou tentar. E, obrigada por me ajudar a estudar. Você é o melhor namorado do mundo.

− Sou? – ele perguntou, beijando meu rosto e eu assenti, fazendo-o sorrir.

Tommy se inclinou para me beijar e eu prontamente correspondi. Tínhamos nos aperfeiçoado bastante em beijos nesse quase um mês de namoro.

Beijá-lo era tão bom que eu perdi totalmente a noção de tempo e espaço. Meu corpo todo se aqueceu e eu me aproximei ainda mais de Tommy, querendo senti-lo por inteiro. Senti uma de suas mãos subindo pela minha barriga, mas fiz questão de ignorar. Éramos namorados. Ele devia ter permissão de me tocar de alguma forma.

Mas, acredito que me agarrar com Tommy na cozinha da minha casa não fora uma grande idéia. Tive essa certeza quando minha mãe apareceu e nos flagrou.

Eu estava tão ferrada.

− Boa tarde, meninos. Está quente aqui, não é? – Ela ironizou, nos assustando e, ao tentar me afastar de Tommy às pressas, bati minha cabeça no armário, enquanto meu namorado derrubava um banco em seu pé.

Foi a situação mais constrangedora da minha vida.

Consegui convencer minha mãe que fora apenas um beijo e que eu não lhe daria um neto em breve, uma vez que ainda era virgem, após muita discussão e eu agradeci aos céus por ela não ter me matado e ainda me liberado de parte do castigo.

Eu estava livre outra vez.

E, para melhorar, Tommy e Mia passariam alguns dias na minha casa enquanto Edward viajava a trabalho.

− Ele vai ficar na sua casa? Vocês vão transar? – Lara me perguntou ao tomar conhecimento sobre meus hóspedes e eu lhe lancei um olhar mal-humorado.

− Claro que não, Lara. Minha mãe vai estar com a gente o tempo todo. Além disso, eu não estou pronta para dar esse passo no meu namoro.

− Se eu estivesse namorando, não iria perder tempo. – Ela declarou e eu ri.

− Sexo não te assusta?

− Não. Deve ser algo bom. Caso contrário, as pessoas não o superestimariam tanto.

− Sofia? – Ouvi alguém e me virei em direção a voz, me deparando com o mesmo cara que há dias ficava parado à porta da escola.

− Quem é você? – Lara perguntou desconfiada, se colocando a frente do meu corpo e ele sorriu de leve, encarando-a divertido.

− Você deve ser a filha de Jasper e Alice, já que é a cara de sua mãe. – Ele falou e eu franzi o cenho.

De onde ele podia conhecer meus tios?

− Não interessa quem eu sou e sim quem você é. Vamos, desembuche antes que eu chame a polícia. – Minha prima falou e ele suspirou.

− Eu sou Jacob Black. – Ele declarou e eu arfei, empalidecendo.

− Jacob quem? – Lara perguntou confusa e eu respondi por ele.

− Meu pai. – Eu murmurei e ela me encarou assustada.

− Você é muito parecida com sua mãe. Idêntica, na verdade. E tão linda quanto ela. – Ele declarou e eu respirei fundo, tentando manter a calma enquanto Jacob me encarava com atenção.

− E o que você quer aparecendo aqui depois de todos esses anos? – Lara perguntou por mim e foi a vez de Jacob respirar fundo.

− Eu queria conhecer a minha filha. Saber como ela é, se tem alguma semelhança comigo...

− Eu não sou sua filha. – Eu declarei com raiva e me virei, correndo em direção a Antony quando o avistei no pátio da escola.

− Tudo bem, princesa? Aconteceu alguma coisa? – Ele perguntou, me olhando preocupado enquanto eu me agarrava a ele e eu neguei com um gesto de cabeça.

− Ela conheceu o... ­– Lara começou a falar, quando se aproximou de nós e eu a olhei desesperada, fazendo com que ela se calasse. – Leve-a pra casa, Tommy. – Minha prima pediu com um suspiro e Tommy assentiu, me levando pra casa.

Passei a tarde toda envolvida com um projeto de biologia, tentando não pensar no fato de eu ter conhecido meu progenitor.

Eu não tinha nada a ver com ele. Fisicamente não éramos nada parecidos. Como eu podia ser sua filha?

Mas, minha mãe sempre dissera que Jacob Black era o meu pai e não tinha como eu duvidar.

Mas, porque ele aparecera só agora? Porque ele não quisera me conhecer antes?

− Sofia, você tem certeza de que está bem? – Tommy me perguntou quando terminamos meu projeto de biologia e eu sorri de leve, assentindo.

− Sim. Só estou cansada. Obrigada pela ajuda, aliás. Eu não terminaria esse projeto nunca sem você. – Eu declarei, dando um beijo leve em seus lábios e ele sorriu.

− Às ordens, princesa.

Depois do jantar, eu fui para o quarto com Mia. Lemos alguns capítulos do seu livro favorito, Nárnia, e quando ela finalmente dormiu, eu também tentei pegar no sono, mas sem sucesso.

Jacob Black não saia da minha mente.

Chorei ao pensar no fato de que ele podia ter sido um verdadeiro pai para mim. Ele devia ter me amado desde a minha concepção. Mas, já que não fora assim, ele não tinha direito nenhum de aparecer na minha vida agora.

Eu precisava contar a minha mãe o que havia acontecido. Eu precisava do seu conforto e do seu abraço.

− Mãe? – Eu chamei baixinho, me deitando ao seu lado e ela abriu os olhos, me encarando confusa.

− Oi, meu amor. Aconteceu alguma coisa? – Ela me perguntou, sentando-se na cama e acendendo o abajur e eu pude ver a preocupação estampada em seu rosto quando ela percebeu que eu chorara. – O que foi, minha vida?

− Eu tenho que te contar uma coisa, mas não sei como você vai reagir.

− O que você aprontou agora, Sofia? – Ela perguntou desconfiada e eu suspirei, me aconchegando em seu abraço.

− Já faz dias que tem um homem me observando na porta da escola. A princípio eu achei que fosse um olheiro de alguma agência de modelos. Mas, aí... Ele... Ele veio falar comigo hoje.

− E o que ele queria? – Ela perguntou suavemente e eu a encarei, deixando toda a tristeza que eu sentia transparecer em meu rosto.

− Ele se apresentou como meu pai, mãe. O cara que estava me observando por dias é Jacob Black, meu progenitor. – Eu declarei e pude ver a raiva cruzar o olhar da minha mãe.

Ela, com certeza, não estava nem um pouco feliz com o fato daquele homem ter aparecido na minha vida agora.

E, nem eu estava.

Minha mãe e eu não precisávamos dele em nossas vidas. Não mais. Eu não o queria aqui.

Só me restava descobrir o que fazer para que ele entendesse isso e desaparecesse.

Para sempre, dessa vez.

Notas finais
Oi, pessoas. Gostaram do capítulo? Precisávamos de um Pov. Da Sofia antes de continuarmos com o drama "a volta de Jacob Black". Espero que tenham gostado. Beijos!