Pov. Edward

Cheguei em casa cansado e desabei sobre o sofá.

O dia hoje tinha sido cansativo. Processos, clientes, fórum, problemas e essa maldita ansiedade para o encontro às cegas que eu teria esta noite.

Já fazia oitos anos que eu não me relacionava com ninguém. Oito anos de completa solidão e dedicação exclusiva aos meus filhos.

Até que Antony me convencera a criar um perfil no Tinder para tentar encontrar a mulher perfeita.

Meu filho vivia dizendo que eu precisava de uma namorada e, depois de muita insistência, eu me rendera ao aplicativo que prometia selecionar mulheres que combinassem comigo e com minhas expectativas românticas.

Eu ainda não estava convencido da eficácia do tal Tinder, embora estivesse bem ansioso para o encontro dessa noite.

− Já chegou, velho? Então se apresse, pois precisamos arrumá-lo para o encontro desta noite. – Antony falou, aparecendo na sala de repente e eu suspirei, encarando-o mal-humorado.

− Não preciso de ajuda para me arrumar, Tommy. Sei fazer isso sozinho. Além disso, não sei mais se quero ir a este encontro. Tenho medo de estar sendo enganado. – Eu falei e meu filho revirou os olhos.

− Enganado como, pai? Você está conversando com a tal Isabella a um tempão. Disse que acha ela doce, inteligente e engraçada. Afirmou até que um relacionamento entre vocês poderia dar certo porque vocês combinam. E agora quer desistir? Por favor, né, pai!

− Ela é perfeita demais para ser real. Além disso, a foto dela no perfil mostra alguém muito jovem. Jovem demais para ter 32 anos. E se ela for uma pirralha menor de idade? E se eu sair do restaurante direto para a cadeia acusado por crime de pedofilia? – Eu perguntei e Tommy gargalhou, me fazendo bufar irritado.

Meus medos eram reais e o garoto estava rindo?

− Pai, você não vai ser preso. Relaxa. Olha, vamos fazer assim: deixamos Mia na casa da tia Rose e eu te acompanho até o restaurante. Se por um acaso Isabella for uma pirralha, eu participo do encontro e você vem para casa. O que acha? – Ele perguntou, balançando as sobrancelhas em minha direção e eu não pude fazer mais nada além de rir.

− E nesse caso, só o senhor se dá bem, não é?

− Estou apenas tentando proteger a virtude do meu pai, oras. Você está aí, todo medroso. Nem parece que já foi casado e que é pai de dois filhos.

− Claro que eu estou medroso, Antony. Estou prestes a participar de um encontro às cegas. Nem na minha juventude eu fiz algo assim. Mas, tá certo. Vou tomar um banho, vestir um terno preto e esperá-la na mesa combinada. Seja o que Deus quiser. E o senhor, apronte sua irmã. Vamos deixá-la com Rosalie, pois eu estou aceitando sua companhia até o restaurante. Caso seja uma pirralha, eu passo a bola para você. – Eu falei e ele riu, fazendo gestos de animação.

− Isso! Deixa-me ver a foto da tal Isabella. Vamos ver se ela faz o meu estilo. – Tommy pediu e eu suspirei, pegando meu celular para mostrar a foto a ele.

E quando ele arregalou os olhos para a foto na tela do celular eu tive a certeza de que devia mesmo desistir daquele encontro.

− Sofia... – Ele murmurou e eu o encarei preocupado.

− O que você disse?

− Nada. É que ela se parece muito com uma menina que eu conheço. – Ele falou e eu gemi em desalento, decidido a desistir daquela história ridícula de encontro. – Mas, isso não quer dizer nada, pai. Vai ver é só uma coincidência. Sofia não me parece o tipo de menina que busca homens no Tinder. – Tommy falou e eu bufei, passando a mão pelos cabelos num gesto de puro nervosismo.

− Eu vou ser preso, meu Deus! Preso por ter marcado um encontro com uma menina. Vamos deixar isso de encontro pra lá, Tommy. Eu não preciso de uma namorada. Você e sua irmã me bastam.

− Não. Nós vamos a esse encontro. E se for a Sofia que estiver te esperando lá, eu assumo o seu lugar. Pronto. Aí, ninguém vai ser preso. Claro que vou precisar do seu cartão de crédito. Mas, vai dar tudo certo. – Ele falou animado e eu estreitei os olhos em sua direção.

− É impressão minha ou você parece bem animado para se encontrar com a tal Sofia? – Eu perguntei desconfiado e ele enrubesceu.

− Não... Claro que não. Só estou tentando evitar que você seja preso. Agora, para de enrolar e vai tomar banho que eu vou aprontar a Mia. – Ele falou, tentando desviar minha atenção e correu para o quarto, me dando a certeza de que ele queria sim que a tal Sofia estivesse me esperando no restaurante para que assim, ela pudesse tomar o meu lugar.

É... O meu garoto estava crescendo.

Demorei mais do que de costume para me arrumar e, depois de pronto, encontrei meus dois filhos me esperando na sala.

Tommy estava elegante e perfumado e Mia mal-humorada.

− Você não precisa de uma namorada, papai. Eu sou a mulher desta casa. Não quero outra. – Minha pequena falou e eu suspirei, indo até ela e beijando sua testa.

− Você sempre será a dama mais linda da minha vida, Mia. Não importa quantas namoradas eu tenha. Fique tranquila. Agora, seja boazinha e se comporte na casa da tia Rose. – Eu recomendei e ela bufou, me fuzilando com os seus lindos olhos azuis.

− Traga uma namorada para cá, papai. Mas, deixe ela saber que eu não vou facilitar. Nunca. – Ela falou, cruzando os braços sobre o peito e eu suspirei.

− Ok, Mia. Recado dado. Agora vamos, pois eu estou atrasado e tenho que te deixar na casa da sua tia antes de ir para o restaurante. – Eu falei e ela bufou, pisando duro em direção à saída.

Ela foi o caminho inteiro reclamando e querendo ir também, já que Tommy iria me acompanhar.

Mas, eu jamais levaria Mia em um encontro. Uma porque filhos em encontros românticos era a receita do fracasso. E outra porque ela afugentaria qualquer pretendente com seu jeitinho marrento de ser.

Rose não se importou em ficar com Mia. Minha irmã estava mais do que satisfeita em saber que eu teria um encontro. Já fazia anos que ela insistia que eu devia retomar a minha vida amorosa.

− Porque Tommy vai com você? Ele pode ficar aqui também. A noite não vai terminar na cama se você levar o filho a tira colo, Edward. – Minha irmã falou e eu revirei os olhos, corando feito um adolescente virgem.

Por que minha irmã dizia essas coisas?

− A noite não vai terminar na cama de jeito nenhum, Rose. Para de falar besteiras. Eu vou apenas conhecer a tal Isabella. Agora, cuide da minha filha e pare de se meter na minha vida sexual. – Eu falei e ela riu, erguendo uma sobrancelha em minha direção.

− Não tem como eu me meter em algo que não existe, caro irmão. E pode deixar que eu vou cuidar muito bem da minha sobrinha. Divirtam-se nesse encontro. E, por favor, me arranje uma cunhada.

− Ok, Rose. Até mais! – Eu falei e segui em direção ao restaurante.

Tommy ficou na entrada e eu segui para o local combinado, conseguindo chegar no horário.

Isabella demorou eras para chegar e eu já estava quase desistindo, quando ela finalmente se materializou na minha frente.

− Isabella Swan? – Eu perguntei para a bela mulher a minha frente e ela sorriu, assentindo.

− Edward Cullen? – Ela devolveu a pergunta e eu não me contive. Beijei sua mão, sentindo toda delicadeza e doçura da sua pele macia e cheirosa.

− O próprio. Estava achando que tinha desistido do nosso encontro. Que bom que me enganei. – Eu comente, puxando a cadeira para que ela se sentasse e me deliciando com o rubor que apareceu em sua pele.

− Peço que me desculpe pela demora. – Ela falou e eu sorri.

Claro que eu a desculpava. Ela era linda e não era uma pirralha, afinal de contas. Era uma mulher. Uma belíssima mulher.

− Já está desculpada. Mas, vamos pedir para que possamos aproveitar bem a nossa noite. – Eu falei e fiz sinal para o maître. Escolheria um vinho perfeito para regar nossa noite.

Tommy ainda estava na porta e eu lancei um sorriso em sua direção para tranquiliza-lo.

Isabella não era a tal Sofia, afinal de contas e, por isso, eu não passaria a bola para o meu filhão.

Aquela noite era minha e algo me dizia que ela seria apenas o início de uma linda e intensa história de amor.