Pov. Sofia

Edward Cullen, o viúvo solitário, não era mesmo um velho babão. Era jovem, bonito e pelo visto muito gentil e eu agradeci aos céus por isso.

A ideia de criar um perfil no Tinder para minha mãe fora inteiramente minha e se algo desse errado eu nunca iria me perdoar.

Minha mãe era uma mulher incrível, mas muito solitária. Desde que seu último namorado, um cara asqueroso, violento e cheio de más intenções cruzara o seu caminho, ela se fechara para balanço e não permitira que ninguém mais se aproximasse.

O cara mal intencionado a namorara, mas estava interessado em mim, que tinha treze anos na época e quando minha mãe descobrira isso ela simplesmente se fechou em um casulo de dor, vergonha e arrependimento, dizendo que só namoraria alguém depois que eu estivesse segura na faculdade ou casada.

Mas, eu sabia que nem todos os homens eram crápulas como o tal James e me sentia culpada por minha existência privar a minha mãe de uma vida amorosa. Desde que eu nascera, Isabella Swan se dedicara exclusivamente a minha criação e isso simplesmente não era justo.

Ela não era a única responsável pela minha existência, mas era a única que se preocupava com o meu bem estar. Todavia, torna-se mãe aos 16 anos não deveria ter anulado outros aspectos da sua vida. Minha mãe era uma linda mulher, jovem, doce e cheia de vida e merecia ser feliz.

− Deu certo? O cara é mesmo gostoso? – Lara apareceu do meu lado, tentando espiar pela janela do restaurante e eu lhe dei uma cotovelada, enquanto a puxava pela mão em direção ao carro.

− Não deu para ver muita coisa. Mas, minha mãe sorriu para mim, o que significa que ele não é velho, nem babão e nem maníaco. Vamos ter que esperar para saber o saldo da noite, mas algo me diz que ele será positivo. – Eu falei e Lara, empolgada, bateu palmas, o que me fez rir.

− Agora, precisamos desencalhar você. E tem alguém ali atrás que pode me ajudar nessa missão. Não olhe agora, mas Antony Cullen está parado na porta do restaurante e está te olhando insistentemente. – Lara falou em tom de conspiração em eu engoli em seco. Antony Cullen estava ali... Espera! Cullen?

Não me contentei e virei para olhá-lo, apenas para constatar que ele estava mesmo me encarando.

− Sofia? O que está fazendo aqui? – Ele perguntou se aproximando e eu respirei fundo, na tentativa de oxigenar meus neurônios para que eu não dissesse nenhuma bobagem.

− Oi, Antony. Eu... Eu... Bem, eu vim...

− Nós viemos monitorar minha tia em um encontro amoroso. Queríamos garantir que o cara com o qual ela se encontraria não era nenhum psicopata. A propósito, oi Antony. Eu também estou aqui. – Lara falou e eu fiquei com vontade de chutar a sua bunda devido ao tom malicioso que ela usara.

− Ah... Oi, Lara. Eu... Bem, eu também vim monitorar o meu pai. Ele estava com medo de estar vindo se encontrar com uma pirralha, menor de idade. A mulher da foto se parecia muito com você, Sofia. – Ele falou e eu enrubesci, para o total divertimento da minha prima.

− Ela é a minha mãe... – Eu murmurei e ele arregalou os olhos, me olhando pasmo.

− Sério? Por isso que são tão parecidas. – Ele falou admirado, ainda me encarando e eu respirei fundo, procurando em minha mente alguma coisa que eu pudesse lhe dizer e que não parecesse estúpido.

− Interessante você ter reparado na semelhança delas, Antony. Aliás, é interessante você saber os nossos nomes e estar falando com a gente agora, já que nunca fez isso antes. – Lara falou, encarando-o com um sorriso idiota nos lábios e eu pedi aos céus para que um buraco se abrisse no chão naquele momento. Eu certamente empurraria minha prima dentro dele.

− Nós estudamos na mesma escola, Lara. É óbvio que eu iria notar a semelhança. Além disso, nunca falei com vocês antes por falta de oportunidade. – Ele pontuou e o sorriso tosco da minha prima se alargou.

− O que significa que você, um cara popular, capitão do time de futebol, gato, ex-namorado de Mary Jane Volturi, a menina mais popular da escola, quiçá mais popular de Los Angeles, reparou em uma garota comum como Sofia Swan. E reparou nos detalhes, já que reconheceu seus traços no rosto da minha tia... – Lara falou e eu belisquei seu braço, fuzilando-a com os olhos.

Lara só podia ter merda na cabeça para falar tudo àquilo para Antony.

− Quer calar a boca, Lara Swan? – Eu falei em um resmungo e ela revirou os olhos, o que simplesmente significava que ela não calaria a maldita boca.

− Sofia não é uma garota comum, Lara. É impossível não me lembrar dos traços dela. – Antony murmurou me encarando com intensidade e eu senti meu coração falhar uma batida.

− Jura? Nossa! Nunca ia imaginar que você estava a fim da minha prima. – Lara falou e tanto Antony quanto eu enrubescemos.

− Lara, ele não disse isso. Quer fazer o favor de calar essa maldita boca? O foco aqui são os nossos pais. Minha mãe é a Isabella Swan e ela está em um encontro com o seu pai, Edward Cullen. Pronto. Papo encerrado. E, agora que sabemos que o par dela não é nenhum lunático, velho ou pervertido, vamos embora. Até mais, Antony... – Eu saí puxando minha prima pela mão antes que ela soltasse mais alguma bobagem e eu fosse obrigada a matá-la.

− O que deu em você? Ficou louca? O cara mais gato da escola acaba de se declarar e você foge dele? – Lara perguntou indignada e eu a olhei furiosa.

− Lara, o pai dele e a minha mãe estão naquele restaurante se conhecendo e se tudo der certo eles irão ter um relacionamento amoroso. Portanto, Antony e eu não podemos ter nada um com o outro ao não ser uma simples amizade. Além do mais, Mary Jane deixou claro que acaba com a raça de quem se aproximar dele e eu estou bem de boa de arranjar encrenca com aquela doida. E para de bobagens! Ele não se declarou pra mim. Ele disse apenas que eu sou parecida com a minha mãe e isso todo mundo já sabe. − Eu disparei zangada e Lara revirou os olhos, me encarando irritada.

− As palavras exatas dele foram: “É impossível não me lembrar dos traços dela”. O que significa que ele reparou em você. Que ele, um cara gato, popular e mais velho, perdeu algum tempo da preciosa vida dele para reparar em você, Sofia. E nós duas sabemos muito bem o quanto a senhorita é deslumbrada por ele. Porque perder essa chance?

− Já disse que a minha mãe é a prioridade. Agora, se não quiser que eu pare de falar com você pelos próximos dez anos, cale a boca. Chega desse assunto. – Eu falei decididamente e ela suspirou, lançando os braços pra cima.

− Você é burra, Sofia Swan. Mas, se quer deixar a melhor oportunidade romântica da sua vida passar diante dos seus olhos, fique a vontade. Não irei mais te atrapalhar. – Ela falou e seguiu decidida em direção ao carro da tia Alice, me deixando ali plantada no meio do estacionamento.

Dei uma última olhada na direção de Antony, que ainda me encarava e suspirei, indo para o carro também.

Lara não entendia, mas eu simplesmente não podia ter qualquer esperança de ficar com um cara como Antony Cullen.

Além de ser lindo, popular, inteligente e ex-namorado de uma maluca, ele era o filho do cara com que minha mãe, se Deus permitisse, iria namorar.

Qualquer merda que acontecesse entre Antony e eu colocaria em risco o relacionamento dos nossos pais e, mais uma vez, eu seria o motivo da solidão da minha mãe.

Eu não podia permitir de jeito nenhum que isso acontecesse.

A felicidade da minha mãe era minha prioridade agora.

Além disso, o fato de Antony ter notado a semelhança assombrosa entre minha mãe e eu não provava nada. Só provava que ele já havia me visto pelos corredores da escola.

Minha mãe e eu éramos muito parecidas e era impossível não notar a semelhança.

Então, o melhor era desencorajar minha prima e suas ideias malucas.

Antony Cullen e Sofia Swan não teriam nada a ver romanticamente.

De jeito nenhum.

Nunca.