Manuela

Ela acordou com uma voz grossa vinda de longe.

–Você é idiota ou o que? Não queríamos ferir ninguém.

–Sinto muito, senhor. Garanto que não irá se repetir.

–Espero. Pela sua vida. Essa menina é querida por alguém importante para mim.

Sua atenção foi retirada da voz do homem, quando alguém disse:

–A senhorita está bem? – Nimue perguntou.

Manu olhou o local onde havia sido atacada. Não existia mais nada, era como se não tivesse ocorrido nenhum corte.

–Sim, obrigada. O que aconteceu? Alguém mais se feriu?

–Não. O líder dos caçadores não possui intenção de feri-la, senhorita. Eles estão à procura de algo muito poderoso. E como minha senhora a rainha Cindder é muito forte, pensaram que o objeto estaria com ela.

–Entendo. Mas por que não pediram amigavelmente?

–Por que, com toda certeza, a rainha não entregaria. Queriam distraí-la.

Manuela ouviu a voz da bisavó, vinha na mesma direção da do homem. A garota olhou, mas não pode vê-los, pois estavam escondidos entre arvores.

–Espero que tal ato não se repita de novo, meu jovem. Minha bisneta poderia estar morta.

–Peço-lhe plenas desculpas pelo ocorrido vossa alteza. Não queríamos ferir ninguém.

–Sei que seu pedido é sincero. Ajudou meu parente uma vez. Estou lhe pagando a divida.

–Obrigado.

Segundos depois, Manu ouviu o barulho de cavalos galopando, partindo na direção oposta.

–Meu coração aquieta-se ao ver-te bem.

Cindder sorriu e a abraçou.

–Obrigada, vossa majestade. Tenho que ir agora.

–Seu cavalo está aqui. E o está curado.

Haron se aproximou e ela acariciou-lhe o focinho.

–Vamos, amigo.

Antes de ir a jovem olhou para traz e disse:

–Voltaremos a nos ver?

–Creio que sim. Minha jovem. – disse a rainha sorrindo. Um sorriso que Manu não conseguia decifrar.

–Vá para o outro lado. Não vá atrás de seu irmão. Não vai encontrá-lo, no castelo. – disse a rainha.

–Certo. Já sei aonde irei, então.

Galopou, deixando as mulheres para trás. Chegou a um local onde havia dois caminhos. Um seguia na direção do castelo de Rever e o outro ia para Finty.

Seguiu o segundo caminho indo em direção ao vilarejo. Logo no começo viu um garoto de cabelos loiros e olhos azuis, que aparentava ter 18 anos e vestia roupas pretas e um capuz laranja, estava encostado no tronco de uma arvore lendo um imenso livro que ninguém nunca teve coragem de contar as pagina.

Ela sorriu. O garoto era como um irmão para ela, talvez porque ele também fosse irmão de Miguel.

–Está lendo sobre Krawlling de novo? – perguntou

–Sim. Tenho certeza que hoje eu o encontrarei, Manuela. (Fazia cinco anos que o jovem procurava mas nunca encontrava.)

–Boa sorte. Sabe Carlos, não entendo porque se empenha tanto em encontrar essa cidade velha.

–Não é uma cidade velha. É um reino super poderoso. Você conhece a historia de Krawlling?

–Não me interesso muito por história. Mas talvez eu possa gostar dessa. – disse se sentando no chão.

Manuela não sabia porque dissera aquilo. Quando Carlos começava a contar algo, não parava mais. E na maioria das vezes ela não entendia nada. Talvez aquele fosse um defeito de pessoas muito inteligentes. A garota o olhou e acenou para que ele continuasse.

–“Krawlling é o reino dos magos imortais. O domínio mais antigo dentre todos. Todos os reinos seguiam sabiamente seus conselhos. Há 130 anos houve uma guerra entre Finty e Clynts. Rever ficou do lado de Finty e Nix do reino inimigo. Os quatro foram totalmente destruídos. No final os impérios que começaram tudo, foram tirar satisfações com o rei imortal, com a pergunta do porque ele não ter escolhido um lado. O rei respondeu que como seus guerreiros eram imortais não seria justo escolher um lado. Alem do mais de que não possuía nenhuma preferência. Se sentindo ofendidos os lideres destes reinos declararam guerra a Krawlling. Se os reinos entrassem em guerra, causaria uma total destruição, pois o reino imortal como o nome já diz, possuía guerreiros imunes a morte; sem contar que os outros reinos já estavam acabados. Por esse motivo o rei Lucas rogou aos deuses, pedindo uma solução.

–E os deuses atenderam?

–Sim. A deusa Mãe escondeu o reino e até hoje ele permanece oculto.

–Entendo. Se você encontrar o povo de Krawlling pode ganhar muito conhecimento com eles.

–Você tem razão. — disse com os olhos brilhando — Mas o que me pergunto é o que veio fazer aqui?

–Vim lhe contar que nosso irmão caçula foi escolhido para a busca.

–Sério? Como soube disso?

–Passei pelo castelo.

O garoto riu e Manuela não gostou nada daquilo. Mas ele estava certo. Aquilo era algo impossível.

–Por que está rindo? — disse irritada, mesmo que fosse mentira, ela não gostava que rissem dela.

–Vossas majestades permitirão que você entra-se? — disse ele.

–Não. Queria ver sua reação. Meu pai me disse.-Queria ir vê-lo. Mas minha bisavó disse que ele não estava no castelo.

–-Sua bisavó?

–Depois lhe conto a história. Mas preciso ver Miguel.

–Eu também. Não sei porque os velhos insistem em nos proibir de ver o garoto. Ele é nosso irmão. Pelos deuses.

–Tenha respeito. Não os chame de “velhos”. (disse brava, mas com a voz calma). Mas eu concordo com você. “É como se fossemos fazer mal a ele.” – disse suspirando

–Na ultima vez que o vimos, ele não tinha noção que éramos irmãos dele.

–Talvez não saiba até hoje.

Interrompendo a conversa um coiote apareceu e esfregou o focinho no peito de Carlos.

–Olá Mistter. Veio me avisar que o momento chegou certo?

–Vai para Krawlling? – disse ela olhando o coiote. Aquele animal era muito estranho.

–Sim.

–Acho que será uma viagem curta. Sinto que vamos nos encontrar novamente em breve. Nós três.

–Então. Até breve. – disse ela

Carlos desapareceu de vista e um homem de cabelos castanhos e manto verde escuro apareceu. Ela se curvou diante dele.

–Mestre Elliot. O que deseja?

–Vim lhe informar que você deve seguir na direção da floresta sagrada. Temos algo muito importante a resolver.