Carlos

Deixou a menina para trás e seguiu Mistter. O animal o levou até uma floresta ampla com arvores com folhas comuns. Nela havia algo muito importante para chegar até Krawlling: um lago chamado “lago da imortalidade”. Possuía tal nome não porque pudesse te deixar imortal, mas porque suas águas levavam ao reino dos imortais.

–Preparado amigo?

O jovem fechou os olhos, estendeu a mão e fez no feitiço. Pulou no lago, que era mais fundo do que imaginava e pensou:

“Por favor, deem-me permissão para entrar”

Quando o jovem viu a água se transformar na imagem de uma águia voando sobre fogo, sorriu, aquilo significava que o portal havia se aberto para ele.

O cenário mudou pra uma floresta de arvores de varias cores. O garoto loiro sentiu o vento no rosto e sorriu.

–Finalmente – disse em voz baixa

Um focinho encostou-se a sua mão e o jovem acariciou a cabeça do coiote.

–Vamos explorar Mistter? – disse ao coiote

Ele andou pela floresta segurando a Solidão pela bainha. A bainha da espada é azul como o mar e sua lamina é prateada com reflexos pretos.

“Melhor não. Se eu segurar a espada posso ser tido como ameaça.” – pensou

Guardou a espada na bainha e seguiu em frente.

–Ouviu isso, amigo?

Carlos havia ouvido um barulho como se fosse de uma explosão. Escutou sons de cavalos se aproximando e passos vindos por trás dele.

–Eu não vim fazer mal – disse se defendendo

–Eu também não. – disse o homem atrás dele

–Mestre. O que faz aqui? – disse à Elliot

–Temos que ir.

–Ir?Não posso...

–A estrela apareceu antes do esperado. E tambem você não pode ficar aqui.

–Como assim?

–Não pergunte. Vamos.

Carlos sentiu um imenso vento vindo em sua direção. O jovem viu sua espada voar e o que havia lutado tanto para conseguir, desapareceu com ela.

– Por que o senhor fez isso? – disse quando já haviam voltado

–Os caçadores e os Widrys estavam lá. Iriam lhe atrapalhar. E como já havia dito: a pedra apareceu mais cedo. O sinal foi a lua cor de sangue.

–Lua cor de sangue? Eu não notei nada.

–Talvez porque estivesse muito ocupado com seu mundo dos sonhos. – disse o Mestre

–Por que isso aconteceu? — disse Carlos chateado com o comentário anterior.

–Estamos tentando descobrir. A lua vermelha é o sinal de que a pedra apareceu. Ela deveria surgir na primavera, não no inverno. Outra coisa muito intrigante aconteceu: a Mãe desapareceu e sua arma tambem.

–O que isso significa?

–Significa que algo muito ruim está para acontecer. A arma e a deusa estão separadas. Por isso os Widrys e os caçadores estão procurando o objeto, para fortalecê-los. Se um grupo conseguir a arma da Deusa eles vão se destruir totalmente. Sem contar, que como acabei de lhe dizer, algo muito pior que isso irá ocorrer.

–Entendo. Senhor, por que os dois grupos se odeiam tanto?

–Os caçadores caçam os impuros, aqueles humanos que receberam poderes quando a estrela sagrada explodiu. Eles pensam que o reino e as pessoas desse tipo não devem existir. Já os Widrys não concordam com esse pensamento e lutam contra o grupo inimigo. E agora. Ambos pensam em se destruir de uma vez.

–Qual é o outro fato pior que irá acontecer? – perguntou o garoto

Elliot o olhou e desviando do assunto disse:

–Você foi escolhido para a busca. Vá até a floresta sagrada. Esteja lá quando a lua acordar.

–Quem mais foi escolhido?

–O Destino decidiu unir a família nessa busca. Seu irmão e Manuela foram escolhidos tambem.

–E quem é o quarto grupo escolhido?

Carlos esperou resposta, mas não obteve nenhuma. O homem mais velho já havia ido embora.

O jovem montou em um cavalo e partiu para a floresta. Já estava quase na hora. Para chegar ao local desejado, Carlos teve que passar por outra floresta. Em meio a arvores ele viu algo estranho. Varias pessoas de capuzes negros (caçadores) estavam no local, marcando as arvores com a forma de um cão criada por magia.

–Acho que não tem nada aqui. O Mestre não irá gostar nem um pouco disso. – disse um deles

Carlos tentou passar despercebido, mas não conseguiu.

–Ei, você. O que faz aqui? – perguntou um homem de cabelos ruivos e olhos castanhos.

–Nada que tenha a ver com você.

O homem não pareceu gostar. Carlos se preparou para se defender, mas lembrou que havia perdido a espada e que agora a única coisa que iria salva-lo seria sua magia. O ruivo se aproximou e o jovem estendeu a mão se preparando para o ataque. Mas para sua surpresa o outro não fez nada.

– Tem sorte que somos nós que estamos aqui, garoto. Se fossem os seguidores do “pirralho”, você já estaria morto.

–Obrigado – disse, porque não conseguiu pensar em outra coisa.