O lençol, suavemente, cobria a minha nudez pálida, enquanto nervosamente eu fintava a paisagem dos vinhedos de Garrett, que se encontrava adormecido na cama atrás de mim.

O vento embateu na minha face, levando por minutos as preocupações. Porém elas voltaram, e pareciam ainda mais certas de que outrora.

Eu tinha-me entregado a Garrett. Contudo, não estava arrependida. Eu gostava dele e ele gostava de mim, mais do que eu dele, mesmo assim ele não conseguiu dizer não. Como eu não consegui!

Lembrar da noite passada, fazia-me sentir completa, amada por alguém.

Enquanto as mãos e os lábios de Garrett percorreram o meu corpo durante a noite, eu senti-me livre, talvez. Ele foi delicado e extremamente carinhoso comigo.

Mas um momento ficou gravado em mim, e esse cujo momento foi quando ele confessou que me amava, e eu senti-o dentro de mim, pulsando, aclamando por mim. Ele estava entregue, completamente entregue a mim, e eu tentei…tentei não pensar em nada, tentei não ver mais ninguém no lugar dele…Mas o passado corroía-me!

Será que eu nunca estaria longe, livre do passado negro que possuía?

Um futuro brilhante parecia tão remoto…

Garrett remexeu-se na cama, eu ouvi-o levantar -se e a porta da casa de banho fechar-se.

Suspirei nervosa. Sabia que agora vinha a pior parte. A conversa! Onde eu tentaria não magoá-lo, onde ele iria perguntar-me o que eu pensava. E onde eu não saberia o que responder.

Afinal o que eu poderia dizer, que pensava noutro quando na verdade era ele que estava comigo, dentro de mim…Não! Eu não poderia dizer-lhe isso…mas por outro lado, não poderia deixar de lhe dizer. Usá-lo não seria a melhor forma de resolver os meus problemas.

A porta da casa de banho foi aberta. Continuei sentada na espreguiçadeira que havia na varanda do quarto de Garrett. O meu corpo estava tenso. E cada passo que Garrett dava em direção a mim, eu podia jurar que sentia o chão tremer. Mas sabia que era só o medo de não saber o que lhe dizer.

Um beijo cálido foi pousado no meu ombro desnudo e eu arrepiei-me com a boa sensação causada no meu corpo.

-Está tudo bem? – Perguntou, sentando-se atrás de mim e abraçando-me a cintura, num abraço ternurento.

Automaticamente reagi, encostando as minhas costas no seu peito, chegando-me mais a ele, sentindo o seu calor trespassar o meu corpo.

Sorri.

-Está! Está, sim, tudo bem…

Ele beijou-me a nuca e ouvi uma suave gargalhada. A sua voz levemente rouca suou próxima, demasiadamente próxima, do meu ouvido.

-Ainda bem. Espero que tenhas gostado da noite anterior! – Confessou.

-Sim, eu gostei.

-É para repetir? Ou foi só uma vez? É que se foi…eu não prometo aguentar muito tempo longe de ti! – Avisou.

-E quem disse que é para aguentares? – Provoquei-o.

Ele gargalhou e beijou-me o pescoço. A sua mão desceu para a minha barriga, acariciando-a. A minha cabeça descaiu no seu ombro dando-lhe permissão e mais abertura para beijar-me o pescoço. A sua mão subiu vagarosamente pelo meu tronco tentado alcançar o meu peito, porém o barulho estridente de um telemóvel a tocar acabou com o clima entre nós.

Garrett bufou tirando uma gargalhada de mim, o que o fez sorrir e deixar-me corada o suficiente.

Garrett atendeu o telemóvel, e pelo que eu percebi, que foi pouco graças ao meu pouco conhecimento de italiano, ele falava com o seu pai. Que chegaria em breve a Toscana. Garrett parecia chateado com alguma coisa. Ele parecia tenso e caminhava furiosamente de um lado para outro. Os seus dedos passeavam ferverosamente pelos seus cabelos, desgrenhando-os ainda mais.

Quando percorri o meu olhar pelo seu corpo, que apenas trajava uns boxers pretos, vi ainda a sua excitação e sorri para mim mesma. Garrett parou de falar e olhava-me atentamente mas ao mesmo tempo não me olhava, como se tivesse perdido em pensamentos.

-Tudo bem pai. Vemo-nos dentro de uma hora. – Ele desligou.

-Está tudo bem?

-O meu pai acaba de aterrar em Roma, estará aqui em uma hora.

O seu semblante estava carregado de preocupação. Levantei-me aproximando-me dele, que se preparava para vestir as calças.

-Garrett? – Ele encarou-me. – Está mesmo tudo bem? – Perguntei.

Ele sorriu.

-Nunca me apercebi como preciso de ti na minha vida. O que é completamente absurdo…

Os nossos lábios encontraram-se num feliz reencontro. Sedutoramente tentava fazê-lo ficar comigo mais um tempo. Mas sabia que não adiantaria se ele tivesse negócios a tratar com o pai.

-Se não tivesse coisas a tratar, aproveitaria o facto de já estares nua em minha frente, sabes? És sem dúvida magnífica Isabella! – Disse sussurrando o meu nome de forma sedutora.

Eu beijei o seu pescoço e dirigi-me á casa de banho.

Na minha cabeça eu tinha uma ideia daquilo que eu queria.

Garrett Denali.

Ele fazia-me sentir viva, sentir amada e feliz! E isso era o bastante para um dia eu conseguir amá-lo de volta.