Notas iniciais
A minha primeir fic que escrevo sozinha! Espero que gostem.


Naquela noite iríamos jantar fora. Não. Não era pelo lado romântico da
nossa relação mas pela imagem que a minha posição social me obrigava a ter.

Isabella caminhava lentamente ao pé de mim, a sua delicada e delgada mão descansava no meu braço e nós sorriamos falso para as fotografias que nos eram tiradas á entrada do restaurante.

Ela parecia feliz. Eu parecia feliz. Nós parecíamos felizes. Porém era todo encenado, todo falso e sem amor, apenas amizade e respeito que tínhamos um pelo outro.

Quando entramos a mesa que fora reservada pela minha secretária foi nos dada a conhecer por um garçom que nos atendeu a noite toda.

Depois da refeição convidei a doce Isabella a uma dança lenta acompanhada pela música graciosa que suava no restaurante. Ela assentiu, relutante, e eu segurei a sua mão guiando-a para a pista. Segurei a fina cintura de Isabella com a minha mão e puxei o seu corpo
de encontro ao meu. Senti-a tremer nos meus braços, mas não me acarretei.
Beijei-lhe os lábios finos delicadamente e sorri-lhe. Todo parecia ser normal.
Quem olhasse pensaria ser um gesto normal de um casal apaixonado, contudo nós sabíamos que quando entrássemos pela porta de casa todo se desmancharia, e no dia seguinte já estávamos prontos a encenar novamente.

Sem que eu percebesse Isabella encostou a cabeça no meu ombro e pode perceber que esta sorriu. Beijei-lhe o topo da cabeça e continuei a guiar os nossos corpos pela pista de dança.

Quando passamos as portas de casa, Isabella rapidamente subiu as escadas de mármore frio e desapareceu no corredor que levaria ao nosso quarto.

Apercebi-me que durante as duas últimas duas semanas ela agia de maneira estranha. Parecia tentar agradar-me em todo o que fazia, desde o cozinhar até ao segredo desenrolado dentro das quatro
paredes do nosso quatro. Parecia mais atenta, menos distante.

Deixei os meus pensamentos de lado e dirigi-me á sala de estar onde servi uma dose de whisky e me sentei no sofá branco.

Olhei o pequeno retrato que repousava em cima da lareira. Era a foto da nossa família, os meus pais, e os pais dela, junto a nós. Isabella sorria, parecia um gesto verdadeiro, e abraçava-me pela cintura com os delgados braços pálidos.

Vi-me então preocupado com Isabella, seria ela feliz em toda esta encenação? Ela merecia alguém que lhe pudesse dar amor verdadeiro. Torna-la uma mulher realizada.

Ela não amaria alguém?

Não. Claro que não.

E porque isto pareceu ser egoísta?

A imagem dela feliz nos braços de outro homem não me parece correto, não está certo, não tem sentido!

Apercebi-me que deixara de respirar por momentos. Voltei á minha
respiração normal, depois de alguns minutos.

E a imagem dela com filhos, com um outro homem, casada e feliz…amada e a amar, voltou a assombrar-me os pensamentos…não, Isabella, não é como eu, Isabella não é egoísta!

Pousei o copo em cima da mesa de centro e subi as escadas rapidamente.

Em frente á porta do meu quarto vi-me a parar quando ouvi soluços de alguém a chorar! Isabella chorava, e eu senti-me impotente, contudo só havia uma coisa que eu sabia fazer nestas alturas…afastar como se não tivesse ouvido nada.