Isabella



Isabella

Eu chorava. Não sei ao certo porquê! As lágrimas caiam dos meus olhos e percorriam a minha face, e rapidamente umas davam lugares a outras.

Senti-me sozinha e sem saber o que fazer. Estava cansada destes
joguinhos que eu e Edward sempre jogamos.

Cansada de apenas servir para pousar para as fotografias como a
namorada perfeita, devota e apaixonada, cansada de ser o que não sou…mas aquilo pelo qual dava tudo para ser.

Levantei-me do chão frio da casa de banho. A minha imagem reflectida no espelho mostrou-me a maquilhagem borrada, um rosto jovem mas cansada da vida, uma pessoa que precisava de saber o que era ser amada…porque amar, aquela pessoa amava com todas as forças do seu insignificante ser.

A água fria caiu no meu corpo fazendo-me arrepiar e então caiu a água quente. Os meus músculos pareceram relaxar, a dor de cabeça pareceu sumir e um pequeno sorriso desenhou-se nos meus lábios.

Mas então todo voltou ao normal, e o sorriso desapareceu. Senti o peso da minha consciência que me pedia que fosse embora, que deixasse todo para trás e recomeçasse de novo, que vivesse aquilo que nunca viveu. Que encontrasse o amor. O conforto o carinho serem retribuídos.

Não sentir o arrependimento depois de tentar impressionar e agradar quem amamos. Deixar as coisas aconteceram naturalmente, faze-las crescer e deixá-las partir depois de todo estar construído e forte. Sólido. Era todo o que eu pedia, uma estrutura sólida, uma relação com bases sólidas.

Não queria mais chorar, não queria mais arrependimentos, não queria mais desejar voltar atrás e pedir uma coisa que nunca foi minha.


Edward

No quarto ao lado onde eu tinha passado a noite, Isabella dormia. E o meu pensamento estava com ela. Queria poder chegar-me a ela, perguntar-lhe o que ela sentia, porque estava assim. Mas eu sentia-me no direito de apenas assistir, afastar-me. Não sou seu. Não lhe pertenço e ela não me pertence.

Olhei o céu daquele dia ensolarado e sorri, sabendo que ela adorava o sol, seria o dia que ela estaria bem com ela mesma, acontecesse o que acontecesse Isabella, apenas amava o sol. E eu amava…gostava de a ver no sol. Os cabelos tornavam-se num castanho claro, os olhos pareciam derreter-se como ouro e ficavam num dourado apetecível, e a pele suave…a pele parecia brilhar sob um intenso sol de inverno, o sol parecia chamar por ela.

Ouvi a porta do meu quarto abrir-se e a cabeça de Isabella pendeu para o interior do quarto, os cabelos caíram de lado e o sol que entrava no quarto bateu nos seus fios castanhos e eu senti o meu pequeno mundo tremer perante tanta beleza. Como era possível eu não saber o que era toda aquela preocupação?

-Anda cá! – Pedi.

Vi-a caminhar receosa até mim. A dúvida transponha o seu rosto e ela levantou a sobrancelha num gesto automático.

Estendi-lhe a minha mão e ela pousou a sua. Puxei-a até á grande parede de vidro e rodeei-lhe a cintura com os meus braços. Ela suspirou e a sua cabeça recostou-se no meu pescoço.

-Edward…eu preciso de te contar…

Ouvi a sua pequena voz que parecia um pouco angustiada.

Virei o seu corpo para o meu e ela não me olhou nos olhos como estava habituada a fazer sempre que necessitava de contar-me algo.

-Bella… – Comecei. Ela olhou-me nos olhos e vi-os encherem de água. — … Sabes que podes contar-me tudo!

Ela olhou-me profundamente e abraçou-me. O meu queixo tocava a sua cabeça. Rodeei-lhe a cintura.

E então, tudo o que eu queria ouvir, ela disse em apenas três palavras.

Não sabia o que fazer. O que dizer. Perdi o foco e fiquei tremendamente feliz. O que fazer agora? Dizer o mesmo, mesmo não tendo a certeza?

Não. Não iria fazer isso com ela. Isabella não merecia nada assim.

Senti os meus braços penderem ao lado do meu corpo. Isabella fugira, e eu sentia-me o culpado, ela esperava o mesmo de mim. Ela esperava aquilo que eu não sabia se podia oferecer. Era tão mais fácil se ela tivesse pedido um presente qualquer…

Notas finais
Espero que tenham gostado!