Laços Imperfeitos

24 Quem está vivo sempre aparece


Notas iniciais
Olá, pessoal!! Aqui é a Mogami, trouxe um capítulo fofis da Emily. Bom, está revisado e tal, mas, qualquer erro avisem. Eu ia fazer um momento desabafo da autora, mas não tô afim... Mas, sério, as muitas pessoas acompanhando que não falam absolutamente nada me deixam triste ;-; Enfim, vou supor que quem acompanha deve gostar ou então não acompanharia... Falei que não ia fazer drama e fiz ¬¬' Bom, o cap é super fofis com aquele climinha "o natal tá chegando!".... É, nosso Natal ficou atrasado, fazer o quê... Então, semana que vêm vcs já imaginam o que virá pela frente... Feliz natal e ano novo também kkkkkkkk Boa leitura!

Capítulo dezoito – Quem está vivo sempre aparece

Ukitake olhava por dentro da vitrine da loja de sapatos, decidindo o que levar. Ele não era do tipo de cara que curtia muito fazer compras, mas, agora era necessário. O fim de ano estava bem ali e, naquela época, a tradição de dar presentes aos familiares e amigos deveria ser honrada. Não foi preciso muito tempo, logo decidiu que o calçado de couro italiano era o escolhido para a pessoa especial (os outros não tiveram muita chance).

As muitas sacolas começavam a pesar, porém, não se importou. Kyouraku estava ao seu lado, observando preguiçosamente, como se fosse um grande esforço mexer o rosto.

– Você quer que eu segure pra você? – ele perguntou já as pegando das mãos do enfermeiro, este que quase revirou os olhos.

– Por favor. – usando a sentença apenas para não deixar ninguém no vácuo, Ukitake cedeu as compras ao amigo.

– Para onde vamos agora?

– Depois que eu pagar por esses aqui... – Apontou para os sapatos. –... podemos ir para onde você quiser.

...

Eles estavam sentados confortavelmente à mesa da confeitaria preferida de ambos. Antes de estarem tão confusos com os próprios desejos, eles sempre iam até lá para conversar ou simplesmente tomar um café. Perto da janela, onde eles estavam, o pôr-do-sol podia ser visto e admirado. Estavam concentrados demais em suas bebidas para ver quem chegava quase sorrateiramente até onde estavam.

– Ukitake-san? – a voz feminina chegou como uma sirene aos ouvidos dos dois homens. Os olhos de Ukitake pareceram se ampliar em câmera lenta e ele forçou um sorriso.

– Kazuko-san? – A mulher que além de ex-colega de faculdade é também ex-namorada de Ukitake parecia ainda mais bonita com o tempo, que certamente lhe fez bem na opinião de Kyouraku.

– Oh, Ukitake-san! Que surpresa agradável... Eu desconfiava que fosse você, mas não tinha certeza. – Ela parecia genuinamente feliz por ter encontrado o psicólogo ali, e sorria abertamente para confirmar as suspeitas de todos.

– Ah, sim. Deve haver muitos caras de quase um e noventa e cabelos naturalmente brancos por aí. – A alfinetada envenenada com ironia de Kyouraku foi solenemente ignorada. Ela apenas foi dignamente para o lado de Ukitake, puxando uma cadeira e sentando-se.

– E como você está? Soube que muito bem profissionalmente. – Ukitake tentava educadamente estabelecer assunto.

– Uhum, é verdade. – Balançou a mão em um sinal de descaso. – E você? Ainda com as mesmas companhias, pelo o que vejo. – Ela não se dignou a dispensar um olhar em direção ao diretor. – O que estava fazendo aqui?

– Eu agradeceria se não me tratassem como o homem literalmente invisível. – Kyouraku se pronunciou.

– Ah, Kyouraku estava me ajudando com as compras de fim de ano. Você também as fazia, eu suponho.

– É. Eu traria minha secretária, mas é o dia de folga dela. – suspirou com algo próximo ao pesar, antes de completar. – Comprou algo pra mim? Pelos velhos tempos? – O olhar claramente malicioso dela (ou talvez apenas mal interpretado por Kyouraku) fez o moreno retorcer os lábios em raiva. Ukitake apenas riu antes de responder.

– E por que não? Eu ia enviar pra você, já que nunca aparece. Parece que faz anos que não nos falamos.

– Faz anos... – Kyouraku murmurou. Estava claramente sendo excluído e nada era tão irritante. Ukitake e Kazuko conversando é terrível desde os tempos antigos. A conversa é sempre totalmente banal e eles sempre excluíam a todos. Ou talvez Kyouraku apenas esteja com ciúmes.

– Na verdade, faz alguns dias. – Kazuko corrigiu.

– Como assim? – Shunsui olhou de forma acusadora para Ukitake, que sorriu sem jeito, deu de ombros e murmurou:

– Ela veio me dar feliz aniversário.

– Na sua casa?

– Bem, sim. Por que a curiosidade, se me permite saber, Kyouraku-san? Eu sou amiga de Ukitake-san. Natural eu ficar com ele em um dia especial. – E mais uma vez ela sorriu, fazendo um arrepio de fúria descer pela espinha de Kyouraku. A verdade é que queria debater, mas faz sentido.

– Mas eu estava com ele. Eu estive com ele em todos os seus aniversários. – devolveu infantilmente.

– Na verdade, não. – O garçom ia passando por perto e ela acenou, dizendo para que ele transferisse seu pedido para aquela mesa. Kyouraku estava ficando realmente estressado.

– Como assim “não”?

– Você viajou em um dos aniversários de Ukitake-san.

– Eu viajei?

– Acho que sim... – Ela até tentou se lembrar, porém, antes de conseguir, Ukitake deixou um som constrangido escapar. De acordo com sua face, ele claramente se lembrava. Todos fizeram seus esforços para fazer o mesmo.

Naquele dia, vinte um de dezembro de sete anos atrás, Ukitake estava chateado demais para agir racionalmente. Kyouraku preferiu (não que ele tivesse opção) ir com a namorada para qualquer lugar ao invés de passar o dia com o melhor amigo. Kazuko, para tentar lhe “animar”, deu um presente muito... peculiar. Ele perdeu a virgindade como um presente de aniversário.

Kyouraku iria levar a namorada da vez, Reiko, para as fontes termais de uma cidade vizinha. E, bem, nada deu muito certo. Ele acabou gemendo o nome da pessoa errada, na hora errada, ela ouviu, não foi muito agradável. No fim, ela terminou e o mandou ao inferno. Quando ele perguntou onde estava seu espírito natalino, ela o mandou ir ao inferno de trenó.

Os três adultos se olhavam com faces constrangidas, cada um por seu motivo. Eles pereciam estátuas; temiam respirar e deixar transparecer tudo. O clima estranho foi quebrado quando o garçom trouxe o chá e o bolo de Kazuko. O rapaz os olhou e quase saiu correndo.

– Então... – Kyouraku soltou no ar.

– Seu bolo é de morango? – Ukitake parecia verdadeiramente interessado.

– Cereja... – ela respondeu lentamente.

– Ah... – ele quase mostrou decepção.

– Você deixou os cabelos crescerem.

– É. – o silencio perdurou até a Kazuko tomar coragem e fazer a pergunta de um milhão de dólares.

– Unohana-san deve adorá-los.

– Adorar o quê?

– Pegá-los. – respondeu como se fosse óbvio. – Ela se sente confortável com Kyouraku-san sempre por perto? – Kyouraku a olhou como se fosse a doida do sobrado.

– Não estamos mais juntos.

– Oh... – Kazuko se segurou para não parecer muito aliviada. – Todos juravam que vocês iam casar.

– Nunca esteve em nossos planos. – esclareceu.

Ficaram mais algum tempo naquele silêncio opressor. Até que alguém perdeu a paciência.

– Kazuko-san, eu e Ukitake devemos ir. Nós temos muito que fazer.

– Que pena, por que não esperam? – insistiu.

– Realmente não dá. Vamos, Ukitake. – Kyouraku nem chegou a esperar o amigo terminar o que quer que fosse, praticamente o arrastou até a saída com as sacolas de mau jeito nos braços e nenhum protesto sobre isso. Ele apenas acenou para a mulher, que retribuiu com energia. Intimamente, o enfermeiro dava graças a Kyouraku por isso. Quando estavam na rua, Kyouraku se permitiu soltar o amigo.

– O que foi isso?

– Uma coincidência, ao que parece.

– Certo... Vamos para casa. – enfatizou. – Pra sua casa.

...

Depois de tirar os sapatos na entrada e ligar as luzes, Ukitake entrou para seu apartamento, sendo fielmente seguido por Kyouraku. Jogaram as compras no sofá e se jogaram em seguida. Ukitake olhava para o teto e Kyouraku estava de olhos fechados. O silêncio era confortável e eles poderiam ter dormido ali, mas, Kyouraku quebrou o silêncio.

– Ela ainda é louca por você. – contou o óbvio.

– Provavelmente. – confirmou.

– Você sabe...

– Sei de nada.

– Por que pareceu tão interessado?

– Ela é minha amiga.

– Hum.

– Vai dormir aqui ou não?

– É claro que vou. Temos muito que fazer. Dã.

– Tipo?

– Você me deve revanche no pocker. Na última vez, praticamente me extorquiu.

– Você quis apostar dinheiro.

– Repare no meu oponente.

– Ah, cala a boca... – Sorriram sem olhar o outro. O bom de conhecerem-se há tanto tempo é que conheciam os pontos certos para terem uma conversa agradável e esquecerem os problemas. – Eu não fiz nada, você que não reconhece um blefe.

– Você é você! Como você quer que eu reconheça o seu blefe? – Ukitake mais uma vez se controlou para não revirar os olhos. Isso estava se tornando cada vez mais frequente.

– Sei lá, ué. Vinte e cinco anos devem dizer alguma coisa. – Kyouraku estreitou os olhos.

– Isso foi ironia? – Eles saíram de suas posições confortáveis e se encararam por poucos minutos. Ukitake foi o primeiro a rir. Shunsui se juntou em seguida. – Pode ir tomar banho primeiro, eu organizo as cartas.

– Eu passei o dia fazendo compras com você. – apontou acusadoramente. – Quero dormir.

– Podemos dormir depois. – a frase que deveria ser ouvida inocentemente pareceu maliciosa demais.

– Você pode dormir no futon, aos pés dá minha cama. – Ukitake expôs energeticamente.

– E na próxima vez?

– Aí depende de você. – O psicólogo puxou do bolso um elástico e se levantou rumo ao quarto, prendendo os cabelos no caminho. Kyouraku sorriu. Ah, Ukitake não ganharia aquele jogo de perseverança assim. Não mesmo.

{···}

Notas finais
E aí, o que acharam?? Comentários, comentários... Nos deixam felizes e impedem a morte de personagens... Não que a gente vá matar alguém, mas, vai quê?? Zoeira, tenho coragem de fazer isso não. Não temos o sangue frio do Nicholas Sparks... falo nada desse cara. Enfim, feliz natal e próspero ano novo, de novo!! Beijocas e até a próxima!!