Laços Imperfeitos
1 Prólogo
Notas iniciais
Bom, tenha uma boa leitura!!
Byakuya largou o livro encima da mesa que ficava ao lado da poltrona, na qual estava, obviamente, sentado (estava tentando ler, mas, com esses pensamentos que exigiam concentração, nem dava). Rukia estava cada vez mais distante e esquisita. É, mesmo que parecesse uma pedra de gelo, se preocupava com a irmãzinha, afinal, quando seus pais morreram em um terrível acidente de carro quando ele ainda tinha 14 anos e ela 11, ele praticamente a criou.
Na verdade, sabia que a adolescência era uma fase que trazia esse tipo de mudanças. Veja ele, um garoto mimado e estressado tornou-se um homem que até as emoções conseguia esconder.
Enfim, voltando ao assunto, quer saber o maior problema de Rukia? Os amigos. É, ela estava cercada por maus elementos; Yoruichi, sua prima maluca que sempre andava com aquela menina suspeita, Soi Fong. Suspeita porque essa estava ininterruptamente rondando Yoruichi, parecendo sempre querer coisas esquisitas. Havia também aquele grupo de garotas que andavam com outras garotas suspeitas, ou seja, só podia presumir uma coisa: lésbicas. E, se tinha uma coisa que Byakuya não suportava era lésbicas. O “porquê”? Traumas de infância que não vem ao caso...
Além disso, ainda tinha Renji. Certo, eles são amigos desde crianças e Byakuya o conhece, mas as pessoas mudam. Até tatuagens o moleque fez! E ainda tinha esse negócio de fazer Rukia dormir sempre em sua casa... Oh, quando eles eram crianças era até fofo pelo ar inocente da coisa, mas hoje, Byakuya só conseguia ver malícia. Estava sempre os cercando, não querendo que algo ruim acontecesse... Nesse momento, por exemplo, estava com os dois na sua frente, e estes pareciam querer pedir algo.
...
Certo. Podemos expor que Renji não aguentava mais essa frescura eterna de Rukia. A frase soou insensível e tudo mais, mas... cara, por que diabos ela não conta pro maldito irmão de uma vez? É, você provavelmente ‘tá entendendo nada, então vou explicar o básico.
Rukia é um amor de pessoa, uma gracinha de menina, um primor de aluna. Só que, como ninguém é perfeito, o porém chega nessa hora. Não é lá um defeito monstruoso esse "porém", mas é esse maldito defeito que está colocando a paz de Renji em jogo.
Assim como a maioria das garotas de sua idade, ela namora. Ah, um cara bonito, esforçado, inteligente e que gosta dela de verdade. Mas alguém vê apenas isso nele? Oh, não. Tem que ficar jogando na cara da menina que ele é um projeto de delinquente, pinta os cabelos de laranja, arruma briga com toda a vizinhança, com a escola, com outras escolas e, se bobear, com você também. Não que qualquer um dos tópicos citados acima seja minimamente verdadeiro, mas quem disse que Byakuya acredita? Ninguém, porque ele não acredita, mesmo. E o problema nem é totalmente resumido a isso. Rukia é sua melhor amiga, mas, isso não impede que ela faça o que quiser da própria vida, Renji não vai impedir. E é isso o que mata.
A garota namora Ichigo Kurosaki, um garoto da mesma idade deles, dezessete anos. Ele é um cara legal (amigo de Renji, mas ele nunca vai confessar, nem espere) e isso é bom. Só que ninguém da escola toda consegue não sentir medo do cara. E de Renji também. Já estavam até imaginando que a pequena Kuchiki era um imã para problemas. Primeiro o marginal tingido e, depois, o marginal tatuado. Não que faça sentido, nós sabemos. Mas não acabou, espera aí. Ela não podia arriscar que Byakuya ("nii-sama", podia ouvi-la chamar) descobrisse essa trágica, só que não, história de amor. Então, a genial usa Renji até hoje como álibi. Como? Ah, simples. Em uma tarde qualquer, Rukia atacava novamente:
– Nii-sama, tem algo mais que eu possa fazer por você? – Ela perguntou, colocando uma caneca de café que fumegava em cima da mesa de centro da enorme casa dos Kuchiki. Não importa quantas vezes ia à casa (mansão) dos Kuchiki, sempre ficava impressionado com a elegância e grandeza do lugar. Byakuya olhava tudo com as sobrancelhas franzidas. Não costumava expressar mais que isso em sua face.
– Está tudo bem, Rukia. Vá logo ao ponto. – Ah, ele sempre foi esperto...
– Ah, nii-sama, tem uma prova que eu estudei nadinha, sabe, e eu preciso! Além disso, eu não tenho o assunto, mas o Renji tem.
– E...?
– Posso dormir na casa dele hoje? – Ela perguntou com os olhos grandes brilhantes e pedintes, bem idiota. Claro, ela deveria saber que esse não é o tipo de coisa que funciona com Renji. Ou com Byakuya.
– Eu estudo com você. – Ele respondeu sem hesitar.
– Ah, mas eu não quero te incomodar. E o Renji tem que estudar também. Além disso, não vamos fazer nada de mais.
– Então estudem aqui. – Byakuya 2, Rukia 0.
– Ele não trouxe as anotações, o idiota. – E ela marcar ponto seria bom se não fosse a parte de que, além de usar o santo e inocente nome de Renji pra fazer ninguém-quer-saber-o-quê com o morango, ainda o xinga. Legal.
– Eu tô aqui, mini-smurf. – Tanto Byakuya quanto Rukia viraram com expressões duras. Ela se aproximou devagar, com falsa calma.
– Quem é a... mini-smurf? – Pronto, estava se preparando para apanhar quando Byakuya interrompeu.
– Chega, vocês dois. Estudem aqui. Na minha frente. – Quase pôde ver o cara um pouco mais velho do que ele mesmo sorrir malignamente.
– Por que, nii-sama? Está desconfiando de mim? – E a cara de pau ainda fez bico.
– Não é isso. Apenas faça o que eu digo.
– Você me pega quando tivermos estudado tudo. – Ele olhou desconfiado por alguns momentos antes de assentir com a cabeça.
– Certo. Da próxima... – Começou olhando para Renji. –... traga seu material.
Renji resmungou uma resposta enquanto se dirigia à porta da saída, com Rukia logo atrás.
Assim que estavam fora da casa, ela mostrou sua verdadeira face cruel.
– Ah, que bom que o nii-sama não insistiu em vir junto, já pensou?
– Na verdade, já. Seu irmão é chato a ponto de fazer isso.
– Hei! Ele não é chato! O nii-sama é lindo e... e...
– E isso não o deixa menos chato. – Completou revirando os olhos. Em seguida, sentiu o impacto do cotovelo magro e consequentemente pontudo da garota em um de seus braços.
– Ai, maldita. Esse negócio no olho de um, cega! – Reclamou.
– Não importa! Ai, faz tempo que não vejo o Ichigo, né?
– Ontem...
–Cala a boca. Vamos pegar logo o ônibus, eu tenho que ‘tá lá com ele daqui a 15 minutos e ir depois pra tua casa para o nii-sama não ter do que desconfiar. Além disso, se eu não chegar logo, a Nell e a Inoue vão engolir o cara. Você sabe que eu as amo, mas o Ichigo é apenas meu.
– Você me dá medo. Além disso, às vezes eu me pergunto se você é burra... Por que não usa a Inoue como desculpa? Mesmo ela dando em cima do teu namorado, vocês são amigas. Aposto que ele nem ligaria você passar a noite fora. – Chegaram ao ponto do maldito ônibus.
– Eu já pensei nisso, mas... vou te contar: o nii-sama ia acabar pensando besteira. Que eu sou lésbica ou coisa do tipo, e ele tem horror a gays. – Ela respondeu, mordendo o lábio inferior. –Até mais do que horror a uma irmã ninfomaníaca que pega apenas o ruivão tatuado e sexy. Ou é o que parece. – Ela deu uma tapinha no ombro de Renji.
– Ah, então ‘tá. – para ser sincero, nem ligava mais para as coisas constrangedoras que ela falava, estava em sua personalidade. Logo chegaram ao ponto. – É aqui que nos separamos: eu vou dormir e você vai transar.
– Ah, cala essa boca... – Ela respondeu um tanto corada. O ônibus chegou depois de alguns minutos, deixando para trás apenas um Renji pensativo.
Achar que é lésbica... horror a gays...
É isso! Se isso fosse um desenho animado, uma lâmpada teria se acendido acima dos fios vermelhos. A solução para todos os seus problemas estava bem ali. Naquela pequena frase.
Notas finais
Bom é só isso, até a próxima!!
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