Laços Imperfeitos
6 A culpa é da puberdade
Notas iniciais
Capítulo cinco – A Culpa é da Puberdade
Como juntar dois caras que não tem nada a ver? Era o que Rukia se perguntava. Okay, eles até combi... mentira eles não combinam. Mas enfim, quando se trata de amor isso não importa! Se Renji estava apaixonado por Byakuya, era dever de Rukia, como melhor amiga e irmã, ajudar os dois a concretizarem esse amor.
Porém, como fazer isso? De uma forma discreta, é claro. Rukia não queria nada muito agressivo, seu irmão era muito... puritano, provavelmente ficaria traumatizado. Esse fato já eliminava muitas, muitas possibilidades. Na verdade, a situação era bem complicada. Dependendo do que fizesse poderia mais atrapalhá-los do que ajudar.
Ela não queria isso, de forma alguma. O plano teria que ser perfeito, sem riscos ou falhas. Isso só tornava tudo mais impossível. Rukia era um gênio, modéstia à parte, mas, ainda assim, isso estava além de suas capacidades. No entanto, havia certa pessoa muito capaz disso... Sim, só ela poderia ajudar aqueles dois.
...
Byakuya estava indeciso. Qual é? Não é fácil simplesmente ir tirar satisfação com um ruivo de quase dois metros cheio de tatuagens. Mas, não vamos nos enganar, o problema não era esse. O Kuchiki estava com medo. Isso mesmo, pode parecer estranho, mas ele estava com muito medo do que poderia acontecer. Se ele conseguiria se controlar...
Droga! Era melhor não pensar nessa possibilidade. Renji era uma criança... de quase dois metros, cheio de tatuagens e que beijava muito bem... Mas, maldição! Era só uma criança! Byakuya tinha que parar de pensar nessas coisas. Era errado, muito errado! Finalmente se decidiu, buscaria Rukia na escola e depois iria para casa de Renji.
Provavelmente teria bastante tempo, já que o ruivo tinha um trabalho de meio período depois da escola. Já que teria tempo, era melhor prestar atenção na aula. Andava muito distraído, mas não fazia diferença. O professor não diria nada que ele não soubesse... O problema mesmo eram os murmúrios por suas costas, coisa mais chata...
Com tudo resolvido, as aulas se arrastaram mais do que o normal. Parecia algum tipo de sinal do universo para que ele desistisse, entretanto, Byakuya não acreditava nessas coisas. Assim que acabaram, apressou-se para buscar Rukia. A garota estava estranhamente calada, parecia estar planejando algo, achou melhor não perguntar.
– Nii-sama, pode me deixar na casa da Yoruichi-san?
– Por quê? – Não era necessário dizer que Byakuya não gostou muito do pedido. Yoruichi não era uma boa influência para Rukia.
– É que eu preciso... sabe, coisas de mulher. – Rukia pareceu envergonhada. Boa atuação Rukia, merece o Oscar!
Byakuya pensou em negar, mas sabia que não poderia ajudá-la nesse quesito. Acabou, a contragosto, por concordar. Mas antes, aconselhou-a a tomar cuidado e não se deixar influenciar por Yoruichi. A garota prometeu que tomaria cuidado, mesmo que seu sorriso parecesse dizer o contrário... Coisa que Byakuya não notou.
Logo após seguiu para casa de Renji... antes que mudasse de ideia.
...
Renji estava cansado, trabalhar naquela cafeteria era um saco! Mas, era um mal necessário. Possuía alguns parentes distantes — mal os conhecia — que lhe mandavam dinheiro de acordo com suas notas escolares. Ou seja, o dinheiro não dava para quase nada. A parte boa é que era sexta, então não precisava se preocupar com deveres da escola. Quando chegasse a casa tomaria um bom banho e não faria mais nada de útil.
Seus planos foram destruídos quando chegou e viu certo carro de luxo estacionado perto da entrada. Mesmo sabendo de quem era, se assustou ao ver o Kuchiki sentado próximo a porta de sua casa. Parecia distraído, nem notou sua chegada. Renji ficou parado, até que Byakuya o viu e se levantou.
Um silêncio desconfortável se instalou entre os dois. Okay... aquilo era uma droga, alguém precisa falar algo, ficar apenas encarando o outro não era algo muito normal. Enquanto Renji tentava se lembrar dos bons modos, Byakuya tentava lembrar porque diabos estava ali. Começaram a falar ao mesmo tempo, mas logo pararam. Byakuya fez sinal para que o mais novo continuasse.
– Boa tar-noite! Quer... acho melhor... vamos entrar! — Diabos! O ruivo nem sabia o que falar e para piorar o outro se mantinha calado. Era só o que faltava, definitivamente... Como um dia poderia piorar a cada momento? E por que diabos suas chaves decidiram se esconder dentro da droga da mochila?!
Começou a revirar a bolsa de forma desajeitada, sem que o outro tirasse os olhos de si por nenhum segundo. Droga, estava ficando mais nervoso e podia ouvir o som das chaves mas elas se recusavam a aparecer. Porcaria, porcaria! Ótimo a droga da bolsa caiu espalhando tudo pelo chão. Bom, pelo menos encontrou a chave...
Abaixou para recolher seu material, Byakuya fez o mesmo a fim de ajudá-lo. Okay... Os frequentes contatos de mãos foram bem estranhos... E a quase cabeçada quando levantaram também. "Fique calmo, fique calmo!" Era o mantra que ambos entoavam mentalmente. Renji abriu a porta sem jeito e finalmente entraram... Ficaria feliz ao sentir o cheirinho de casa, mas tudo era mesclado pelo cheiro do outro.
Como descrever aquele aroma? Com certeza era um perfume muito caro, muito mesmo. Será que ele sempre teve esse cheiro? Sim, sempre teve. Mas nunca pareceu tão... bom. O Kuchiki colocou a mão em seu ombro, contendo-o. Nem percebeu que se aproximava inconscientemente.
– Renji, nós precisamos conversar... — Mas que droga! Renji apenas balançou a cabeça em uma afirmativa. Logo após mais um silêncio desconfortável se instalou. Dessa vez o ruivo não tentaria dizer nada, sabia que começaria a gaguejar ou sabe-se lá que babaquice diria. E cara, como aquele cheiro estava o deixando louco!
O Kuchiki começou a falar algo, mas por algum motivo o ruivo só conseguia notar a forma... interessante com que seus lábios se moviam. ‘Tá, ele sabia que devia prestar atenção, mas flashes do “pesadelo” lhe invadiam a mente. Que droga, esse cara passou feromônio ou o quê?
– Renji... Renji, você ouviu o que eu disse?
– Oi? Ahn... Claro que sim. — Byakuya fez uma expressão duvidosa. – Okay, eu não prestei atenção, desculpa. – O Kuchiki apenas suspirou, pondo a mão no outro ombro de Renji, olhando-o nos olhos na esperança que dessa vez prestasse atenção.
– Renji, eu... – Droga, ele tinha acabado de explicar que o ruivo estava confuso sobre os próprios sentimentos, que aquilo era normal. Mas agora estava difícil repetir sendo encarado daquela forma! O garoto parecia prestes a atacá-lo a qualquer momento, ficava impossível pensar numa situação dessas... – Olha, eu sei que é difícil, mas entenda, isso é normal. Você está passando pela puberdade, é absolutamente normal ficar confuso... Sentir coisas estranhas... mas, você tem que entender que precisa achar uma namoradinha da sua idade...
A palavra “namoradinha” ecoava na mente de Renji, sério isso? Ele pensa o quê? Que o ruivo tem 13 anos? Aquele cara definitivamente era maluco! Ficava bem melhor em sua cama, contendo-se para não gemer... Mas o quê? Por que lembranças dessa droga de sonho sempre surgem em momentos inapropriados?
– Olha, eu não sou nenhuma criança! Não me venha com puberdade e que preciso de uma “namoradinha”. – repetiu a palavra com escárnio. – Eu sei muito bem o que eu quero. E se não sair daqui agora... talvez se arrependa!
Byakuya arregalou os olhos, o garoto nunca tinha falado consigo dessa forma! Tentou se afastar um pouco, mas Renji apenas o imitou, aproximando-os mais ainda. Seu plano era assustar o moreno, aquela história de “namoradinha” foi a gota d’água. O problema é que aquela proximidade, a cara assustada do Kuchiki e aquele maldito cheiro maravilhoso foram demais...
Quando deu por si já estava agarrando o outro e o prensando contra a porta. Sério, eles tinham graves problemas com portas... Mas, tirando a porta, a situação estava bem diferente. As mãos do Kuchiki se embrenhavam nos cabelos ruivos o puxando mais para si, enquanto isso Renji apertava a cintura do outro de forma possessiva.
Quando o ar se fez necessário e os lábios se separaram Renji apenas seguiu para o pescoço alvo de Byakuya. Este que nem sequer protestou quando o ruivo lhe deu uma mordida, nem mesmo quando apertou seu traseiro e levantou suas pernas para levá-lo sabe-se lá para onde. Ah, para o sofá. Okay, isso definitivamente estava fora de controle!
Byakuya precisa fazer algo, afinal de contas era o único adulto presente. Então por que não fazia nada? Nem mesmo quando Renji abriu sua blusa num rompante sem se importar em arrebentar todos os botões? Tinha que pará-lo, rápido antes que fosse tarde... O garoto parecia ter alguma espécie de fascinação por seu pescoço, beijava-o e mordia constantemente, o pobre Kuchiki já não conseguia evitar os gemidos...
– Como eu queria ouvir isso, é exatamente da forma como eu imaginei... – O ruivo parecia louco, seus olhos estavam nublados, não conseguia manter suas mãos longe do corpo do outro... Era tão perfeito, e aquele cheiro em toda parte...
– Renji, pare! Não podemos, não assim!
– Por que não? – Apertou certa parte do corpo do Kuchiki notando grande excitação, fazendo o outro gemer alto. – Você está gostando! – Acariciou mais o local, enquanto Byakuya corava mais e mais.
– Pare! – Seu pedido mais pareceu uma ordem, prontamente ignorada. – Renji! Pare, agora! — Empurrou o ruivo e se encolheu no sofá. Renji finalmente pareceu recobrar a sanidade. Ele reparou melhor no que estava fazendo. Byakuya com a camisa em trapos, o rosto corado e os pescoço meio úmido (sei lá de que). Os olhos cinzentos, sempre impassíveis, estavam nublados de luxuria, coisa mais assustadora que todo o resto, para falar a verdade.
– Me desculpe! – Renji estava chocado, como pôde fazer aquilo? Okay, foi bom... Mas caramba, ele realmente estava... qual a palavra? Ah, é... Não, impossível!
– E-eu vou embora, conversamos depois. – O Kuchiki parecia tremulo, saiu rapidamente sem se dar ao trabalho de esperar Renji acompanhá-lo até a saída.
O que diabos foi tudo aquilo?
{···}
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