Laços Imperfeitos
7 Preparando o território
Notas iniciais
Capítulo seis – Preparando o território
Rukia estava com a postura um pouco tensa. Ela até hesitou um pouco (muito, muito pouco) sobre o que estava prestes a fazer, mas percebeu que tudo se tratava do bem maior de todos. E, como ela amava a todos os incluídos no "todos", ela iria ajudar a todos. Enfim. Yoruichi-san estava com uma cara tão maliciosa que até a mente pura de Byakuya suspeitaria de algo. Ainda bem (ou não) que era Rukia a envolvida na parte de atuar. Não que Yoruichi-san fosse ruim nisso, a hipótese passa longe; é que Byakuya apenas não confia nela (e com razão).
–... e isto resume todo o plano. – Ela sorriu e Rukia teve que concordar. O plano tinha um índice de falhas muito baixo. – Pode falar: eu sou um gênio. – Yoruichi se gabou com um sorriso maldoso.
– Oh, é sim... Mas não tem a possibilidade de dar errado? – Rukia indagou com a preocupação que não sentia.
– Se você seguir a ideia à risca, não. Seu irmão nem desconfia? – Ela perguntou apenas por perguntar, não havia real curiosidade, afinal, sabia a resposta.
– Não mesmo. Nii-sama é um pouco... – A Kuchiki encontrou dificuldades para definir o comportamento de Byakuya em relação a si.
– Cego? Tonto? Ingênuo? Todas as opções? – Ela riu com deboche e Rukia endureceu a expressão. Não gostava quando falavam mal de seu irmão, mas...
– Eu prefiro inocente. – Elas trocaram um sorriso cúmplice.
– Tem certeza que apenas dois conta-gotas pra cada é suficiente? – Ela revirou nas mãos o vidro que continha o líquido espesso e de cor opaca, que parecia carregar algum brilho perigoso sempre que a pequena observava.
– É suficiente pra um cavalo. – A mulher bonita e curvilínea balançou as mãos em um sinal de desdém. – Espero que tome cuidado dessa vez, sabe-se lá o que pode acontecer se isso cair em mãos erradas. – Sorriu maliciosamente.
– Vou sim. E não precisa se preocupar, deixei o frasco em algum lugar da mansão. Enfim, eu mando uma mensagem pra contar os resultados.
– Vai servir como eu sugeri?
– Sim, sim. Eu realmente gosto de ironias.
...
Byakuya estava apático, pensativo, distraído, distante, estressado, enfim. Estava tantas coisas que poderia explodir! O que aconteceu na última noite não deveria estar lhe afetando tanto assim, mas, realmente, não conseguia parar de pensar sobre. Não parava de pensar em como era fraco, estúpido, idiota e patético, e em como era tudo muito contraditório, e na forma que o mundo parecia girar quando pensava no que poderia ter acontecido se não tivesse parado os avanços ousados do ruivo... Pensava em tantas possibilidades... E isso o deixava estressado. E culpado. Cara... ele pegou o melhor amigo da própria irmã! E a dita irmã não era uma pessoa qualquer, era Rukia! Por um tempo, perguntou-se se ainda seria capaz de olhar no rosto dela sem se sentir um velho (?) pervertido e tarado. Talvez não, mas, se sentia imensamente aliviado por saber que ao menos a mente desprovida de maldades que a sua irmãzinha possuía não a faria desconfiar do que quer que esteja acontecendo. Ufa!
Além disso, estava se sentindo um bocó, daqueles bem patetas. Por quê? Ora, para ser específico, o moreno sentia culpa, e ela nem estava temperada. Culpa pelo quê? Nada não. Ele apenas deu uns pegas no melhor amigo da própria irmã! Nem é grande coisa. Mentira, é sim. Ele estava apenas sendo irônico (não diga...). Estava se sentindo um pedófilo tarado e filho da puta por quase ter dormido com melhOr amigO de sua irmãZINHA – observe as áreas destacadas. 'Tá bom, não é pra tanto. Mentira, é sim. Fala sério, a única pessoa que Byakuya gostou de beijar foi um homem! E pior: foi Renji! Renji! Ah, meu Deus, foi Renji! Respira, Byakuya, a hora do pânico não é agora.
Estava uma pilha de nervos nas últimas horas e desconfiava que descontou suas frustrações em quem não merecia. Apenas desconfiava. Passou a mão direita pela lombada dos livros que estavam na estante que se encontrava em seu quarto, sentindo a textura. Estava vendo se não tinha ao menos um livro que ele não tenha lido nessa casa. Tinha que comprar mais...
Toda a sua atenção foi desviada das obras quando, ao derrubar um dos livros, ele viu algo aos pés da cama. Um pacotinho cor de rosa. Aproximou-se do que quer que fosse e segurou entre os dedos, podendo ler com clareza o que estava escrito. "Preservativo lubrificado — sabor morango"...
– Rukia! – Chamou. Deus do céu, alguma está muito errada.
...
Rukia estava nervosa. Minha nossa, era a experiência mais constrangedora que já viveu...! Seu irmão parecia em um estado tão ruim que ela não se lembra de ter visto igual.
– Eu vou perguntar de novo: isso é seu? – Ele apertou a ponta do nariz entre o polegar e o indicador, como se pudesse descarregar ali o estresse. A baixinha fez uma expressão inocente.
– O que é isso, nii-sama? – Byakuya arregalou levemente os olhos, mas, mesmo assim Rukia percebeu.
– Você s-sabe. A sua escola deve ter feito algum aviso sobre isso...
– Posso ver? – Ela estendeu a mão e ele trouxe o objeto para mais próximo do corpo. – Nii-sama? – Ele respirou fundo e entregou na mão dela. Sem querer, ela pensou na maneira perfeita de se safar dessa merda toda. Rukia sorriu internamente. Adorava seu irmão, mas, às vezes ser malvada era tão divertido! – Camisinha? Não é minha.
– Então de quem...
– É sua. Estava no seu quarto, né?
– Mas... mas... – É. Byakuya ficou sem palavras porque fazia sentido.
– Tem alguma namorada, nii-sama? Quando vai me apresentar a moça? É da sua faculdade?
– Não... não é isso...
– Nii-sama, se não tem uma namorada, então por que tem um... – Ela fez uma pausa para ler a embalagem. – ...preservativo lubrificado sabor morango com você? – Ela fez cara de quem não quer nada. Ele franziu as sobrancelhas.
– Esclareceu bastante, pode ir pro seu quarto. – Não tinha intenção de responder àquela pergunta sem cabimento.
– Mas nii-sama...
– Até amanhã, boa noite.
– Boa noite. – Ela fez uma reverência e saiu, deixando-o envergonhado e vermelho, a porcaria do pacotinho cor de rosa nas mãos.
...
Renji estava confuso. Mais confuso que o normal, quero dizer. Ele já vivenciou experiências de todos os tipos, exageros à parte. O estranho era que nenhuma parecia tão arrasadora quanto esta. Fala sério, amava Rukia como sua irmãzinha e, mesmo ela dizendo que apoiava, não podia ser totalmente verdade. Não era justo com ela e muito menos justo com Byakuya. Certo, o cara sempre foi um chato, é verdade, porém, nem o mais chato dos chatos merecia passar por isso. Renji odiava quando duvidavam do que ele era capaz, esta tem que ser a explicação para todas as merdas que estava fazendo!
A questão é que esse não parecia ser bem o motivo... Porque a partir do momento em que seus lábios se colaram aos de Byakuya, ele não pensou em mais nada. Nem na história da puberdade ou da namoradinha, nada daquilo importava... Só queria provar mais dele e sentir mais daquela pele macia. Sentiu um arrepio atravessar seu corpo e um calor estranho subindo ao lembrar do momento...
Droga, definitivamente estava ficando louco! Até parecia uma velha tarada... Malditos hormônios! Devia ser castigo pela mentira que inventou, ou quem sabe fosse seu subconsciente que o estivesse castigando pela babaquice que fez baseado na extrema culpa que sentia. Não que Renji considerasse a segunda opção, era meio complexo para ele.
O celular tocou o familiar bip de mensagem. O identificador dizia "Kuchiki Rukia".
"Renji, eu tenho que estudar para a prova, dessa vez é sério! Pode vir dormir aqui amanhã?".
Renji estranhou. A morena não era desse tipo, ela não devia saber de nada mesmo, hein... mas Byakuya estava lá... E daí? Não é como se Renji fosse atacar o cara de repente, ou era isso que ele queria pensar. Se bem que até seria uma boa ideia... Como o Kuchiki se comportaria em casa? Com Rukia podendo ouvi-los. Ele ficaria tão envergonhado, com aquele rosto perfeito corado... Droga, de novo? Tinha que parar de imaginar essas coisas estranhas.
"Okay". Enviou.
Ora, não tinha nada a temer. Não deveria ter nada a temer. Certo? Certo.
Afinal de contas, o que de tão terrível poderia acontecer?
{···}
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