Laços De Amor
3 Rosie
Notas iniciais
JoviKisses!
— O que você quer? – Rosalie perguntou primeiro, antes de Richie começar a falar.
— Por que fugiu de mim durante tanto tempo? — Indagou, observando-a.
— Não fugi.
— Ah não?! – Indignou-se. – Então você saiu correndo daquela igreja porque tinha esquecido a vela acesa perto da cortina? Ou estava apertada para ir ao banheiro?!
Rosalie cerrou o punho e colocou-o atrás das costas para não dar uma bofetada em Sambora e decidiu que seria melhor ignorar o sarcasmo dele. Já havia chegado a hora de contar a ele seus motivos de ter fugido do matrimônio. Richie merecia saber.
— Eu apenas fiz o melhor pra você, Richard.
— Sério? Nossa! Não achei que o melhor pra mim fosse ser humilhado e largado na frente de uma porrada de gente. – “ E ainda por cima, ganhar anos de pesadelos de brinde” acrescentou em seu íntimo, irritado.
Rosalie fechou os olhos por um segundo e respirou fundo. Ele estava bravo e tinha razão.
— Me desculpe. Eu só não queria que você fosse obrigado a fazer algo que não fosse da sua vontade.
— Você tá maluca? Se eu não quisesse me casar com você, eu não teria pedido e muito menos namorado com você durante tanto tempo. Por que acha que eu não queria?
— Será que é porque você sempre foi frio comigo? E porque não deu nem um pequeno sorriso pra mim na hora do casamento? Você tava com uma cara de velório, Sambora! Me poupe! Você não queria se casar comigo. – Cruzou os braços e continuou a fitá-lo.
Richie sentiu a culpa cair sobre si. Lembrava-se de nunca ter dado carinho e amor suficiente à Rose quando namoravam, mas nunca prestara atenção nisso. Durante dois anos de namoro, a tratara mais como uma garota qualquer, que servia somente para saciar seus desejos, do que como namorada. Tinha sido um filho da mãe, mas não podia voltar no tempo e mudar tudo, e muito menos apagar o passado.
— Rose... Eu queria sim me casar com você.
— Mas agora já passou. Não podemos voltar no tempo.
— OK! ÓTIMO! – Gritou, irritado e levantou-se.
Rose arregalou os olhos, assustada. Ele tinha ficado com raiva do que? O que falara demais? Levantou-se também.
Richie sentia vontade de pegar Rosalie e estrangulá-la. Estava tentando resolver algo entre eles, mas ela não deixava. Ainda a amava e queria estar com ela, mas Rose lhe tirava toda a paciência.
— ótimo o que?
— Eu estou aqui, tentando resolver as coisas, mas você não deixa!
— Resolver o que, Richie? Eu te deixei na porcaria daquele altar! Te humilhei! Era pra você me odiar e querer me ver à milhas de distancia de você!
— Bem que eu queria! Por sua culpa eu não consigo dormir à anos!
— O problema é seu. – Ergueu os ombros. – Eu durmo muito bem. – Mentiu. Não parava de sonhar com Sambora uma noite sequer.
Richie, ainda mais irritado, pegou-a pelos ombros e ergueu-a numa altura que se igualava à sua, puxando-a para perto de si. Aquela baixinha conseguia tirar sua paciência mais do que o próprio Jon Bongiovi. Ela sempre conseguia deixá-lo nervoso com uma ou duas palavras, e sentia uma raiva imensa naquele momento. Mas ela foi amenizada ao sentir o perfume doce de Rose, fazendo seu desejo por ela crescer ainda mais.
— Sim, o problema é meu. – Olhou-a nos olhos. – Agora, eu quero que você me responda uma coisa. – Colocou-a de volta ao chão, lutando para não beijá-la.
— Que pergunta? – Sussurrou,torcendo para não ser sobre Bella.
— Você estava grávida no dia do casamento? – Indagou, sem desviar o olhar.
— Sim. – Murmurou, tentando não olhá-lo.
Richie praguejou baixinho, e notou que agora, Jon e Bella se encontravam perto dos dois, ambos os olhando. Não se importou. Tinha uma coisa mais urgente para se importar do que com o fofoqueiro do Jon. Era verdade. Ela estava grávida. Mas queria saber quem era o pai da menina, para poder matar o desgraçado.
— Quem é... – Engoliu em seco. – Quem é o pai da Bella? – Indagou, sentindo um aperto no peito.
— PUTA QUE PARIU! – Jon gritou, tampando o ouvido da pequena, e fazendo uma careta. Como Richie conseguia ser tão burro e cego? Perguntava-se.
— Bem... O pai dela é... – Não sabia como contar à ele. Tinha certeza que ele a mataria ali mesmo por ter escondido uma coisa tão preciosa dele.
Richie se virou para Bongiovi e encarou-o. Por que ele fizera aquela exclamação? Teria se recordado de alguma coisa? Era bom que não fosse o que estava pensando.
— É sua Jon? – Perguntou, sentindo o gosto amargo da raiva na boca.
— AH! Claro! Você não consegue ver como ela se parece comigo? Tem cabelos claros e olhos azuis lindos como os meus! – Jon quase gritou – Ah, Sambo! Me poupe da sua idiotice, ok? Olha pra mim! Eu? Transar com a Rosalie? Só nos seus sonhos!
— Então quem é, cacete?!
— O vizinho, seu idiota! – Berrou Jon, nervoso com a burrice do amigo.
Richie voltou o olhar para Rose, que parecia segurar um riso.
— Não dê risadas, Rose. Me diz quem é o pai. Eu tenho o direito de saber com quem foi que você me traiu! Quero matar o desgraçado! Você era minha! De ninguém mais!
— Então se mata, seu otário. – Jon olhou-o, bravo.
— Quem é Rosalie!? FALA LOGO!
— Eu não vou dizer! Seu imbecil! – Pegou a pequena no colo. – Ela é minha filha. Fiz sozinha. Agora me dê licença, que eu tenho que ir. Lizzie está me esperando. Até mais ver, Sambora. – Olhou-o com raiva e passou a andar em passos rápidos para longe do moreno.
Jon correu atrás de Rosalie para conseguir o telefone de Lizzie. Richie continuou parado, tentando acalmar a raiva e não se deixar levar pelo impulso de ir atrás de Rose, bater em sua cabeça e fazê-la contar quem era o pai da criança por métodos de tortura. Queria mais que tudo matá-lo, nem que para isso tivesse que ir a New Jersey no meio da turnê e possivelmente ir preso. Queria mais é que tudo se explodisse. Só pensava em ter Rosie de volta e matar o filho da puta.
Viu Jon olhar para trás e chamá-lo. Rosalie anotava algo em um papel. Será que ela lhe contaria se perguntasse com mais calma? Melhor não. Descobriria de outra forma. Virou-se e começou a fazer o caminho para a saída do parque quando ouviu um grito de criança e o nome de Bella ser chamado por Rose. Com o coração na boca, virou e viu a ultima coisa que queria ver na vida. O corpo pequeno de Bella no chão, inerte à metros de distancia, próximo à um enorme playground e muitas crianças em volta, assim como muitas mães.
Correu e pegou a garota nos braços. Queria quebrar todo o brinquedo que tinha feito a menina cair, mas não tinha tempo. Armaria uma bomba depois. Quase riu de seu pensamento, mas estava assustado demais para isso. Tinha de levá-la a um hospital, e rápido. Assim que se levantou, viu Jon abraçando uma horrorizada Rosalie, e quase gritou para que ele a soltasse. Odiava seu sentimento de posse, mas o tinha e nada podia fazer.
— Jon! Fique com Rose. Vou levá-la para um hospital. – Saiu apressado com a menina nos braços, para pegar um taxi.
Assim que deu a direção que queria, ao motorista do taxi, que não havia tardado à chegar, observou a menina deitada em seu colo. Ainda estava desacordada, mas respirava. O corte na têmpora esquerda não parava de sangrar, manchando sua mão, que pressionava o ferimento. O pequeno bracinho esquerdo estava roxo e aparentava estar quebrado, pois uma ponta dura e estranha se fizera no antebraço. A pele dourada de Bella, que incrivelmente se parecia com a sua, estava agora branca e os lábios sem cor.
Começava à se preocupar, pois o sangramento não parava de forma alguma. Ela não podia morrer. Que merda de brinquedo do inferno era aquele? Se perguntava. Um daqueles não poderia ter num parque para crianças. Por que quem o criou não testou-o e caiu, morrendo em seguida? Estava nervoso. Conhecera a garotinha naquele dia, mas já criara um certo tipo de possessão por Bella. Se a perdesse, não ficaria mais nem um dia em paz. Não conseguia entender seus sentimentos. Tudo parecia estar virando de cabeça para baixo. Mas não queria se preocupar com o que acontecia ou não. Tinha de salvar Bella.
Children’s Hospital L.A. – CA – 3:48 PM.
Richie entrou correndo no hospital e logo deixou a pequena sob os cuidados de dois médicos.
Sentou-se na sala de espera e ficou ansioso por notícias. Olhou para si mesmo num enorme espelho que estava colado à parede, de frente para ele. Seu braço esquerdo e sua mão direita estavam cobertos de sangue. Começou à rezar – O que raramente fazia – pedindo para que a menina permanecesse viva e bem.
Momentos depois, ouviu um choro sofrido chegando perto e a voz de Jon acalmando quem chorava. Se levantou ao ver Rosalie pálida e com o rosto molhado por lágrimas, sendo apoiada por Jon, para andar. Deixou que ambos se aproximassem e ficou surpreso ao vê-la se atirar em seus braços. Abraçou-a forte. Há tempos queria aquele tipo de contato, mas causado por paixão, e não desespero. Não aquele tipo de desespero.
— Ela não pode morrer, Richie... Me diz que nossa filha não vai morrer... – Rose disse, com a voz abafada por pressionar o rosto contra o peito de Sambora.
— Calma, Rosalie. Ela não vai. Daqui a pouco receberemos boas notícias. Sua filha está bem... – Na realidade, não tinha tanta certeza do que dizia.
— Ou não... – Falou Jon, baixinho.
Richie observou o médico vindo a seu encontro, com uma expressão não muito boa. Já pensou no pior, e deixou que uma lágrima rolasse por seu rosto, abraçando a mulher desesperada com mais força, dando um beijo na testa dela. Rosalie se afastou e encarou o doutor.
— Como está minha filha? Como está Isabella? – Indagou rapidamente, ansiando por respostas boas.
— Calma, senhora. Ela não... – Respirou fundo. Odiava dar tais notícias, ainda mais quando se tratavam de crianças. Odiava mais ainda ter sido transferido para aquele hospital. – Ela não está nada bem. O corte profundo na têmpora causou uma grande perda de sangue – Olhou para o braço e mão de Richie, arregalando os olhos por dois segundos. – E ela precisa, urgentemente de uma transfusão, mas...
— Oh meu Deus! – Rosalie se agarrou novamente à Richie.
— “Mas” o que? – Richie instigou o médico à continuar.
— O tipo sanguíneo da garota é raro. Raríssimo. E não temos aqui e duvido que em algum outro lugar tenha e chegue com a pressa que precisamos.
Richie ouviu Jon praguejar e Rosalie chorar ainda mais, agarrada à seu corpo, como se quisesse ultrapassá-lo ou se esconder dentro dele. Mas, talvez pudesse ajudar. Seu tipo sanguíneo era um dos mais raros também, se tivesse sorte, muita sorte, seria o mesmo tipo que o da garota.
— Qual é o tipo? – Indagou, com uma ponta de esperança.
— O.
— O mesmo que o meu. – Sorriu triunfante. Fora uma puta sorte. – Posso doar o tanto que ela precisar.
Enquanto Richie seguia com o médico, Jon acompanhou-o com o olhar. Será que Sambora não se tocava que Bella era sua filha? Era tão cego que não conseguia ver que a menina era sua cópia perfeita? Indagava-se. E ainda por cima tinha seu sangue? Cada vez que via nos olhos de Richie a dúvida, mais se convencia que Richie Sambora era um verdadeiro idiota.
Notas finais
JoviKisses!
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