Laços De Amor
4 Father Time
Notas iniciais
Richie passou o show inteiro preocupado, e pela primeira vez não encontrou a miragem de Rosalie na platéia, como costumava ter. Achou estranho, mas não se importou.
Logo que o show acabou, rapidamente foi para o hotel se arrumar, livrando-se de qualquer compromisso pós-show. Não tinha tempo para as conversas idiotas, os comentários, o que fora bom ou ruim, os elogios, mandou tudo à merda. Tinha que ir ver como Isabella estava. Groupies o cercavam à toda hora, e por pouco não mandava cada uma delas procurar outro cara da banda.
David quis acompanhá-lo, mas não entendeu o motivo. Jon ficara junto com Tico e Alec, tentando camuflar o sumiço dos dois integrantes, sem contar onde ambos haviam ido. Sabia que o amigo queria ir também, mas nem ligou. Seria bom ter Bongiovi um pouco longe, assim ele não lhe tiraria a paciência. Já bastava Rosalie.
Enquanto se trocava, concluiu que não corria por Bella, na verdade. Havia recebido uma ligação dizendo que a menina já se encontrava estável após a transfusão sanguínea. Ele corria por Rosalie. Amaldiçoou-se por isso, mas ignorou. Iria mesmo. Queria ficar com ela e não podia esconder isso.
Ao chegar no hospital, logo encontrou o quarto da menina e parou, com a mão na maçaneta. Agüentaria ficar em um lugar fechado com Rosie sem poder tocá-la? Tinha de conseguir. Ela não o queria. Mas a faria querer numa hora mais conveniente.
Ouviu David resmungar e abriu a porta, indo para o lado da menina o mais rápido que pôde. Ela dormia como um anjo. Pegou na mãozinha e acariciou-a. Porque fazia aquilo? Perguntava-se. Por que agia como se fosse o pai da menina? E onde estava ele? Sentia uma afeição tão grande pela garota que chegava a se assustar. Nunca sentira nada parecido por alguém, exceto Rose.
Deu uma rápida olhada para o lado e viu que a mulher o encarava, com um certo tipo de brilho no olhar. Já David... Mantinha os olhos arregalados. Por quê?
David se surpreendeu com a aparência da menina. Jon tinha razão. Ela era a cara de Richie e o idiota não notava isso. Como ele conseguia ser tão burro? Indagava-se. Qualquer um falaria que ela era sua filha, e tinha certeza disso, ainda mais com tudo o que Jon lhe contara. Respirou fundo e olhou para seu lado esquerdo, onde Rose estava sentada em uma cadeira próxima à cama. Ela não mudara nada.
— Oi, Rose. – Cumprimentou-a.
— Oi, David. – Ela murmurou, encarando Richie.
— Como ela está, Rosie? – Richie indagou, preocupado.
Rose se surpreendeu. Ele a chamara de “Rosie”? Há muito tempo queria ouvi-lo chamá-la dessa forma. Só Richie a chamava por Rosie. Para ele, poderia ser normal, mas Rosalie sentia o corpo todo se encher de alegria.
— Agora está bem. – Respondeu. – Não corre mais perigo nenhum.
Richie expirou longamente, aliviado. A pequena estava salva. Mas uma questão ainda rondava sua mente: De quem ela era filha? Rosie havia se relacionado com quem enquanto estava com ele? Pensou em todos os caras possíveis, mas nem um lhe parecia certo. Tinha de esperar. Algo lhe dizia que saberia no momento certo.
— Ótimo... – Falou baixinho e deu um pequeno sorriso.
Viu David cochichar algo com Rosalie e sentiu um grande ciúme crescer dentro de si, e logo ficou com raiva de Bryan ao vê-la sorrir. O que ele havia falado para ela sorrir? Sim, queria ver Rosie sorrir de novo, mas queria ser o causador do lindo sorriso e não o tecladista.
— Richie, vou com David em casa, para buscar roupas limpas para Bella. – Ela avisou se levantando e caminhando em sua direção.
— OK.
Rose apenas deu um beijo no rosto da pequena e se afastou, saindo e o deixando sozinho com a garota.
Tentou lutar contra o ciúme avassalador que o tomara, mas não conseguiu. Começou a pensar em todas as formas de estourar a cara de David, quando ele voltasse com ela. Quem sabe colocar a cabeça do infeliz para fora da janela e fechá-la diversas vezes? Ou ele sairia morto ou com o pescoço estourado. Que resultaria em morte do mesmo jeito. Ou senão, enquanto caminhassem na rua de volta para o hotel, empurrá-lo na frente de um caminhão em alta velocidade? Maquinar tipos de morte para Bryan o divertia, mas novamente uma questão passou como um relâmpago em sua mente. David poderia ser o pai de Bella? Mas, junto com ela, veio uma solução rápida e exata. Não. Olhando para ela e para David, somente essa resposta era óbvia. Ela não era parecida com Rosalie, exceto a cor dos olhos, então era a cópia do pai. E David era muito feio para ser pai de uma menina linda como Isabella. Além do mais, o amigo não tinha os cabelos lisos e castanhos como os dela, a pele dourada e muito menos a covinha no queixo que dava um charme especial na garotinha.
Suspirou e puxou uma cadeira para o lado da cama onde ela estava e se sentou, pegando o controle da televisão que tinha no quarto. Ligou-a e passou para o próximo canal, no qual parou. Estavam passando algo sobre o show que o Bon Jovi fizera há poucas horas. Enquanto assistia a matéria, livre de pensamentos, ouviu uma voz doce ao seu lado.
— O que tá passando na TV? – Bella disse, olhando fixa para a tela.
— Algo sobre o show do Bon Jovi que teve essa noite. – Sorriu para ela. – Você está melhor?
— Sim. – Sorriu para Richie também. – Eu conheço esse Bon Jovi. Minha mamãe fala muito deles.
Richie sentiu uma curiosidade enorme. Queria saber o que Rose falava para Bella.
— O que ela fala pra você?
— Que o meu pai toca nessa banda aí.
Aquelas palavras foram um baque surdo em Richie. Estava quase descobrindo quem havia pego sua ex-namorada e a engravidado. Mas precisava de mais. Precisava apenas de um nome para dar um tiro no meio da testa do infeliz. Mesmo que fosse Tico. Até mesmo Alec. Mais ainda se fosse Jon. Daria dois se fosse o vocalista.
— É? E como é o nome dele? Ela te disse? – Indagou, ansioso, observando a menina.
— Sim. Ela me disse. Sempre diz... Ele tem o nome igual ao seu. E se parece com o senhor... – Uma imagem de Sambora com a guitarra apareceu na tela da pequena televisão. – Aí! É ele! – Apontou com o pequeno braço engessado para a TV. – O nome dele é Richie Sambora. Sempre quis conhecer ele de verdade...
Sambora não sabia o que pensar. Os olhos da menina brilhavam enquanto ouvia e via a matéria. Ela era mesmo... Sua filha? Rosalie nunca mentiria sobre isso, ainda mais para uma criança. Bella de fato era sangue de seu sangue? Só poderia. Fora ele mesmo que tirara a virgindade de Rosie; Que vira a tatuagem no tal lugar escondido e fora com ela fazer; Fora ele, que meses antes do casamento transou com Rose sem preservativo por mais de três vezes, por estar afoito e deixara seu fluído se espalhar dentro do ventre de Rosalie. Aquilo só poderia resultar em uma coisa: Gravidez.
Uma barreira que o cegara durante todo o dia, se desmoronou. Bella era parecida consigo. Ela tinha os traços de um Sambora bem explícitos. Ela era sua! Se levantou e desabou sobre a menina, deixando algumas lágrimas de felicidade caírem de seus olhos. Uma menina. Sua filha. Como imaginara. Ela apenas era parecida com ele ao invés de Rose, mas não importava. Tinha uma filha com a mulher que amava. Queria se matar por ser tão imbecil, nesse momento. Então era isso o que ela queria tanto lhe dizer no passado! Que esperava um filho seu!
— O senhor está me machucando. – Murmurou a pequena e logo Richie saiu de cima dela. – Porquê você tá chorando?
— Bella... Meu nome é Richie Sambora... Eu não acredito nisso... – Passou a mão no rosto molhado de lágrimas. – Eu sou o seu pai.
A menina arregalou os olhos. Era o mesmo homem que só via pela televisão ali na sua frente? Era seu pai em carne e osso ali? Só poderia.
— Não... – Ela o observou com os olhos arregalados.
— Sim.
— Não...! – Ela começou a esboçar um sorriso. Adorava contrariar as pessoas.
— Sim, Bella. – Começou a se confundir. Ela estava tirando uma com a sua cara? Ou não acreditava mesmo?
— Não!
— Sim!
Ao vê-lo expressar confusão, começou a rir. Ele era um bobo.
— Eu sei que sim. Estava mesmo cansada de ver o senhor pela televisão. – Sorriu.
A voz manhosa e ao mesmo tempo nervosa, o fez rir. Mataria Rose por esconder algo assim por tanto tempo. Era pai e nem ao menos sabia! Esperaria apenas ela chegar e colocaria tudo em pratos limpos. Estava com raiva e ao mesmo tempo feliz. Tinha uma filha linda...
— Agora estou aqui com você.
— Você não sabia que era meu pai, não é?
— Não Bella, eu não sabia. – Lamentou-se, mas não queria aquele tipo de conversa com a menina.- Acho melhor você descansar, querida. Quando sua mãe chegar, conversaremos.
— Ok. – Bocejou. – Espero que vocês fiquem juntos... – Ela disse antes de pegar no sono.
— É. Eu também. – Suspirou e voltou a sentar-se na cadeira, com mil pensamentos em sua mente.
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