Laço de Sangue

5 Brincando com Demônios


— Você está incrivelmente apetitoso – Falo me recostando em meu marido.

Nathan está usando camisa de gola com gravata borboleta. Suspensório agarrado ao jeans largo e desbotado e um All Star dos milhares de sua coleção. Óculos de armação quadrada e o cabelo penteado para o lado. As tatuagens escondidas com muita maquiagem. Tudo isso lhe dando um belo visual nerd.

Ninguém jamais o reconheceria.

A ideia dele era de estar um tanto quanto não atraente, mas o efeito fora o inverso.

— Você deve estar maluca – Aponta para si mesmo – Onde isso é atraente.

— Se não precisássemos sair agora, eu te mostraria onde isso é atraente – Digo o puxando pelos suspensórios.

Nathan sorri maliciosamente.

— Eu queria muito tirar esse seu vestido – Diz beijando meu pescoço – E te foder inteira.

Eu vibro.

Meu look para esta noite é composto por um vestido curto, justo e decotado todo preto, assim como a longa peruca, tudo dando um contraste em minha pele e em minha boca vermelha.

— Nav. Nós temos que ir.

Contra a sua vontade, ele se afasta, pega as chaves de um dos carros que usávamos para essas ocasiões e nos guia até nosso destino.

As presas de hoje são um grupo de três amigos. Quinn, Nubia e Ulisses. Todas no auge da vida. Vinte e cinco anos e viciados em sexo em grupo.

O plano da noite é perguntarmos a eles se sabem de alguma casa de sexo em grupo por perto e no fim levar os três para um hotel, onde nosso grupo estará os esperando.

O lugar está lotado. É um desses barzinhos de rock onde o pessoal pega a bebida e fica na calçada apreciando a banda amadora.

Os três acompanham com a cabeça a batida da música. Bom... dois, na verdade. Ulisses não para de babar em meus peitos.

Eu sei que Nathan está se segurando para não mata-lo ali mesmo, afinal o plano é atrai-los.

Como uma sereia, sorrio para a presa e fingindo não ver, meu marido toma um pouco de sua bebida.

— Olá, Gata – Ulisses se arrisca chegando mais perto de mim, caindo no canto da seria.

Nathan cerra os punhos ao lado do corpo.

Ele não precisa chegar assim tão perto para falar comigo.

Esse cara não entende de espaço pessoal, não? – Penso.

— Oi – Respondo me afastado, porém mostrando interesse.

— O que uma moça gostosa como você faz sozinha numa noite dessas.

Atrás dele, posso ver seus amigos revirando os olhos e desejo fazer o mesmo.

Ele poderia ter me elogiado de tantas maneiras, mas escolheu ser escroto logo de cara.

Como esse cara consegue transar com alguém?

— Não estou sozinha – Falo apontando, Nathan – Esse é meu marido.

Ulisses parece murchar.

Nathan o cumprimenta timidamente.

— Desculpe os modos do meu amigo – Nubia diz se aproximando com Quinn – Às vezes ele é um completo idiota.

Dou uma risadinha baixa e contida. O tipo de risada que eu sempre odiei.

— Não tem problema – Dou minha mão ao idiota que ainda baba em meus peitos – Prazer, Clarisse.

Ele a aceita, me cumprimentando de volta.

— O prazer é todo meu – Fala de modo sugestivo – Ulisses – Aponta para seus amigos – Esses são Nubia e Quinn.

Os dois sorriem.

— Esse é meu marido, Matthew.

Nathan levanta a mão em saudação.

Os três se entreolharam e depois se viram para nós com expressões de espanto.

— Não é querendo ser desrespeitoso – Comenta Quinn – Mas você não muita areia para o caminhão dele.

Claro, de que maneira isso poderia ser ofensivo?

— Matt é um cara de muitas surpresas.

Fingindo estar envergonhado, meu marido abaixa a cabeça.

Nubia dirige a Nathan um sorriso que me faz querer quebrar seus dentes.

— Eu achei ele fofo.

Fofo vai ser eu enfiando meu salto no seu olho, sua vadia.

Eu não posso ficar enciumada. Tenho de seguir o plano.

— Ele pode até parecer fofo, mas é o melhor cara com quem já transei... – Decido dar início ao plano – Por falar nisso, vocês não sabem de nenhuma casa de sexo em grupo por aqui?

— Vocês gostam de suruba? – Ulisses pergunta surpreso.

— Preferimos nos referir como “Sexo em Grupo” – Falo inflando o peito – Suruba é muito degradante.

Os três se olham novamente e sorriem para nós outra vez.

— Conhecemos as pessoas corretas – Dizem ao mesmo tempo.

Minutos depois estávamos em frente ao “Grand Hotel, Luxury Candy”.

Este hotel é conhecido por ser uma luxuosa hospedagem onde as pessoas levam garotas de programas. Por isso, ele fica bem ao lado de um beco escuro e espaçoso o suficiente para caber uma van preta.

Nathan e eu viemos em nosso carro, nos dando a oportunidade de chegarmos primeiro. Logo em seguida o patético trio chega em seu próprio projeto de carro.

Foi tudo muito rápido, assim como o planejado.

Os três chegaram com gigantescos sorrisos no rosto, até que nosso pessoal os pegaram por trás e pressionaram em suas caras o pano com uma grande quantidade de éter.

Após desmaiados, são jogados na van, que nos segue até nossa casa de fazenda.

Um dos nossos pega a lata velha deles e o deixa em um cemitério de carros. Onde é bem mais apropriado para aquilo.

Dentro do abatedouro, os três são amarrados a cadeiras.

Nathan retira os óculos, desabotoa a camisa se desfazendo da gravata e bagunça o cabelo.

Meus cabelos vermelhos estão soltos e amostra.

Os três pendem as cabeças para frente.

— Precisamos acorda-los para a diversão – Falo empolgada, pois essa geralmente é a minha função.

Decido começar com a vadia.

Seguro seu sujo cabelo louro e lhe estapeio a cara até que ela acorde. Faço o mesmo com seus amiguinhos.

Nathan pega o balde de urina e joga nos três que ainda estão um pouco grogues, fazendo-os ficarem mais despertos.

— O.. o que... – Quinn resmunga.

— Olá, queridos – Falo – Vocês não ficar dormindo, vão? Assim não irão se divertir.

Os três levam algum tempo para se tocar de suas condições.

— Olha, moça. Nós gostamos de uma suruba – Ulisses fala hesitante, tentando se lembrar do que tinha acontecido até ali – Mas esses negócios BDSM não é conosco não – Tenta se soltar – Por que estamos cheirando a mijo?

— E com gosto de mijo na boca? – Indaga Quinn.

— Esperem – Diz, Nubia – Eles estão diferentes, não estão?

Nos analisam por um tempo, até que a vadia arregala os olhos.

— Eu conheço vocês dois. Vocês são aquele casal famoso que são legais com todo mundo.

— Não com todo mundo, pelo jeito – Comenta, Ulisses.

— O que querem de nós.

Nathan e eu nos olhamos.

— Não está claro, querida – Falo ficando mais próxima e aperto seu rosto com uma das mãos – Queremos nos divertir com vocês.

— E como você foi a primeira a nos reconhecer – Nathan fala pela primeira vez em frente a eles – Vai ser contemplada com a “Roda da Revelação”.

Ele a desamarra da cadeira, com ela se debatendo, a leva até a sala onde fica a roleta e a amarra com os braços e pernas bem abertos.

Nós a chamávamos de “Roda da Revelação” pois era quando geralmente revelávamos o porquê da pessoa estar ali.

Meu marido e eu estamos cansados de nossos compromissos, por isso optamos por acabar com aquilo logo. Mas ainda de uma forma divertida.

— O primeiro jogo é o seguinte, crianças – Começo a explicar – Nós vamos desamarrar vocês dois, prende-los naquela sala e vocês vão arremessar as facas que estão em cima da mesa — Aponto para a grande porta de metal aberta.

Nós não somos idiotas de darmos facas para eles e ficar do lado.

— Eu vou desamarrar vocês também e se tentarem fugir ...– Nathan aponta para o pé da escada onde se via dois caras gigantes parados –... um deles vai pegar e destroçar vocês. E acreditem, eles estão torcendo por isso.

As presas olham assustados os dois seguranças que sorrirem psicóticamente para eles ao perceber seus olhares de medo.

— Vamos estar vendo tudo desta bela câmera – Aponto para a TV LED de 60 polegadas.

Com a ajuda de um dos seguranças, Nathan solta-os e os leva até a sala, trancando a porta.

— Vamos ver do que esses idiotas são capazes – Nathan diz ao estar do meu lado.

Os dois ficam um tempo se olhando sem fazer nada

Aperto o botão do microfone.

— É para hoje, rapazes.

Os dois se assustam.

— Porque estão fazendo isso – Nubia grita.

— Porque vocês sempre acham que as pessoas são tão idiotas e ... – Nathan explica o motivo a eles.

Como de costume, eu nem presto atenção.

Já estava enjoada de pessoas como eles.

— Mas e se não fizermos nada? – Grita Ulisses.

— Então eu vou entrar aí e fazer vocês desejaram pela morte – Meu demônio de olhos negros responde impaciente — É claro depois de soltarmos o arsenal de cobras, aranhas e escorpiões em cima de vocês e depois vou mandar um vídeo destroçando cada um para as suas famílias.

— Mas antes vamos pegar um parente querido de vocês e faze-los passar por esse mesmo joguinho. Agora, divirtam-nos.

Finalmente eles entendem a situação em que se encontram e começam a pegar as facas.

— Pessoal, por favor não façam isso– Nubia suplica e a roleta começou a girar.

— Nos desculpe – Sussurra, Quinn.

Foi algo incrivelmente entediante de se ver. Eles erraram todas as facas. Sabíamos que eram todas, pois tínhamos conhecimento do número exato de facas disponibilizadas e passamos o tempo todo de olhos bem abertos.

A roleta para.

Nubia tem o rosto vermelho e a roupa suja de vomito.

Nathan abre a porta bruscamente e os amarra novamente. Revista-os para ter certeza que não tinham nada para nos atacar e depois de confirmar que estava tudo seguro entro na sala com mais facas, dividindo-as com meu marido.

— Vocês são patéticos – Falo.

A porta se fecha atrás de nós e a roleta volta a girar.

— É assim que se faz – Nathan diz atirando a primeira faca, acertando a perna da garota de primeira.

O ambiente é preenchido pelo grito estridente de dor.

— Parem com isso, por favor – Implora, Quinn aos prantos enquanto tenta empurrar Nathan, que o soca no rosto.

— Não encoste em mim, seu merda.

Depois de muitas facas arremessadas a roleta para.

Cada um de nós tem somente mais uma faca.

Nathan e eu nos olhamos e sorrimos.

— Quem acertar a cabeça, vence – Dissemos em uníssono.

Arremessamos juntos e vibro de emoção quando minha faca adentra o crânio da vadia loira. A arma de Nathan cravada ao lado da cabeça do corpo agora morto.

— Você sempre foi melhor de pontaria do que eu – Nathan admiti.

A porta se abre e nós dois saímos de lá.

— Belo arremesso, Nathalie – Paulo, o maior dos dois seguranças me diz.

Nathan bufa.

— Ora, não fique bravo, meu amor – Falo lhe dando um beijo no rosto – Eu vou te compensar depois – Lhe dou uma piscadela

Ele sorri e voltamos a ficar diante da TV.

Ambos os seguranças assistem ao show conosco.

— Vocês dois – Eu os assusto.

Os dois fitam horrorizados o corpo de sua amiga.

— Na parede, de cada lado da porta tem um repartimento. Peguem o que cair lá – Continuo.

Paulo e Matheus despejam nos lugares adequados as duas trinta e oito.

Os dois rapazes as pegam e olham um para o outro. A expressão no rosto de cada é claramente de pavor.

— Vocês vão brincar de Roleta Russa. Cada um vai apontar a arma par a cabeça do outro e torcer para não ser premiado com uma bala – Nathan faz uma pausa – Ou não.

— Por favor – Ulisses pede entre lagrimas.

— Vocês têm um minuto para começarem.

Eles choram a ponto de sair secreções dos narizes.

Essa brincadeira acabara sendo bem mais interessante.

A cada vez que apertavam o gatilho e nada acontecia, eles soluçavam, soltando a respiração. Foi assim até que a arma de Ulisses dispara, sujando a parede com os miolos de Quinn.

— Ae – Nathan comemora – É disso que estou falando, rapazes – Ele e os seguranças batem as mãos a cima da cabeça. Logo após, aperta o botão novamente — Parece que temos um vencedor. Como se sente vendo sua melhor amiga com uma faca na testa e ter sido você a ter dado fim a vida de seu amigo, espalhando os miolos dele por todo o lugar?

Ulisses cai no chão, vomitando em cima do próprio corpo.

— E pensar que tudo isso aconteceu por causa de uma coisa que vocês acharam que ninguém descobriria, em? – Prossegue — Você achou que a ideia que você deu a seus amigos lhe levaria a isso? Acho que não.

Ninguém sabia destroçar uma mente psicologicamente como Nathan e isso me excita.

Ulisses começa a gritar uma lamuria desesperada.

— Ei – Chamo – Ei, rapaz. Calma que ainda não acabou. Você tem seu prémio ainda.

Ele se acalma um pouco e olha para a porta.

— Premio? – Pergunta parecendo ofendido.

— Sim e como o azarado em ser o ganhador, você escolhe a opção de descobrir em qual tambor a bala está, mas é claro que o cano da arma tem de estar na sua boca, ou você pode ver um parente querido perecer – Nathan faz outra pausa dramática – A escolha é tua, campeão.

Acho que ele demora em torno de um minuto para entender quais são suas opções.

Com a mão tremula, Ulisses coloca o cano entre os lábios e aperta o gatilho. A cada falha, o choro fica mais intenso, até que chega ao último tambor e seu choro cessa definitivamente.

Nos quatro nos olhamos.

— Isso foi interessante – Matheus comenta — Vocês são ótimos professores.

Nathan sorri.

— Sempre que quiserem umas dicas, podem nos pedir que ajudaremos com prazer.

— Agora a única coisa que vocês precisam fazer é jogar os corpos no triturador de madeira. Nós gostamos de passar cada corpo três vezes antes de jogarmos no incinerador.

Os dois afirmam e começam o trabalho da limpeza.

Paulo e Matheus são dois novos integrantes do nosso grupo e nós nos oferecemos para mostrarmos a eles como os dois melhores do grupo trabalham.

Após se livrarem dos corpos e tudo estar dentro dos conformes, nos despedimos de ambos na porta de nossa casa.

— Vão com cuidado – Nathan grita quando entraram no carro.

Ele está debruçado no pequeno muro que ali tinha.

Eu o abraço por trás e sussurro em seu ouvido:

— Nós dois temos um assunto a resolver — Coloco a mão dentro de sua cueca – Eu tenho que ter uma certa conversinha com uma coisa.

Corro para dentro da casa e Nathan vem atrás de mim, trancando a porta.