Laço de Sangue
6 Alma Corrompida
— Como você está se sentindo? – Pergunto ao acariciar o rosto de Nathalie com a costa da mão.
Estamos sentados lado a lado no sofá de couro preto de Katia.
É mais um desses programas de entrevistas gravados.
— Já estou me sentindo melhor.
Nathalie tinha passado a semana toda com gripe, me dando a rara oportunidade de cuidar dela.
Eu sabia que ela não curtia muito depender de mim, mas isso era bom para satisfazer meu ego. Saber que ela precisa de mim.
Minha esposa sempre fora independente e forte. Nunca precisou de ninguém e isso as vezes me frustrava, pois eu queria poder cuidar e protege-la do mundo, mas ela não precisava disso.
Acho que eu é que preciso dela.
Ela tem sido minha luz nesses mundo repleto de trevas.
— Voltando a gravar em... – Grita alguém do fundo estúdio – 3... 2... 1.
— Estamos de volta com esse casal maravilho — Katia diz olhando para o câmeraman. Fala como se tivesse ido para os comerciais – Se tem algo que eu posso dizer é que Nathan é muito atencioso.
Ela me olha de uma forma que posso sentir meu rosto queimar e sorrio sem jeito.
— Você deve se considerar uma mulher sorte, Nathalie.
Minha mulher incorpora seu papel novamente e sorri de orelha a orelha.
— E como sou. Mas admito que as vezes ele exagera – Eu a olho surpreso por ela decidir ser honesta – Às vezes eu acho que sou o homem da relação.
As duas caem na gargalhada e eu olho Nathalie sem entender o que acabou de acontecer.
Ela quer dar uma entrevista honesta?
Ok. Eu posso jogar esse jogo.
— Concordo. As vezes ela me lembra um pouco o Shrek.
Ela me olha com seu familiar olhar de desafio e eu o retribuo.
— Vocês são muito divertidos.
Ambos sorrimos para a apresentadora.
— Agora – Continua – Vamos nos vangloriar com essas imagens maravilhosas de algumas premiações que vocês participaram.
Na tela atrás de nós, aparece uma gigantesca foto de Nathalie e eu. Minha esposa em um belo vestido vermelho longo frente única de paetês e pedraria, bom... essa foi a descrição que ela usou quando me disse que o havia comprado, e eu usando apenas um terno slim fit preto.
Essa foto fora tirando quando Nathalie fora indicada ao Oscar. Ela não ganhou, mas já fiquei extremamente orgulhoso por ter consegui ao menos uma indicação.
A foto muda e agora Nathalie usava um vestido branco com renda preta decotado e transparente em lugares não muito sugestivos. O que era bom. Assim não precisaria socar ninguém. Os cachos vermelhos bem destacados. Eu usava sapato, calça e camisa social com as mangas dobradas, gravata e um colete por cima.
Essa é do Globo de Ouro, no qual desta vez Nathalie levou o prêmio para a casa.
O telão se altera mais uma vez, agora expondo uma imagem minha de calça preta com um coturno, uma camisa social cinza com uma gravata preta, jaqueta de couro na cor café e na cabeça minha bandana preta favorita e um boné virado para trás. Nathalie abraçada comigo usando uma calça jeans, uma bota de salto alto de cano longo, minha camisa xadrez vermelha e uma bandana da mesma cor em um visual bem pin-up. Ao lado havia uma foto nossa junto com os caras da banda e suas mulheres.
A foto tirada na noite do Grammy que os caras e eu ficamos com o prêmio.
Fora ótimas ocasiões que nem Nathalie nem eu, imaginamos que um dia participaríamos delas.
— Ah, essas premiações – Minha esposa comenta – Nunca chegamos nem perto de pensar que iriamos a alguma delas e muito menos que nós seriamos indicados. Não vou nem falar sobre termos ganhado.
— Conhecemos pessoas de uma fama tão grande – Completo – Pessoas bonitas, pessoas gentis e como em qualquer lugar, algumas pessoas bem mesquinhas.
Nathalie concorda com a cabeça.
— Os pais de vocês nunca pensaram que seriam estrelas tão conhecidas no mundo todo, não é mesmo?
Nego com a cabeça.
E voltamos as mentiras.
— Eu vim de uma família simples. Meus velhos sempre me apoiaram em tudo e quando disse que queria seguir a carreira de astro do rock, eles ficaram preocupados, mas sempre me incentivaram. Ser uma boa pessoa é uma regra dos Vallentim.
Entrelaço meus dedos aos do meu Anjo da Morte e aperto sua mão.
Entrevista ou não, esse é um assunto delicado para Nathalie.
— Como vocês sabem, eu perdi meus pais muito nova – A dor em sua voz é palpável – Minha mãe morreu no parto e fui criada por meu pai. Até que aos dez anos ele sofreu um acidente de carro e veio a falecer também. Porém, no tempo em que passamos juntos ele foi o melhor pai do mundo – Um sorriso genuíno se instala em seu rosto — Ele me levava ao teatro, peças de ruas, fazia teatros de fantoche comigo em nossa sala. Foi ele quem me mostrou o mundo da atuação. E então, passei toda minha adolescência morando em lar adotivo em outra cidade sem nunca ter sido adotada.
Essa era a verdade que ela queira que as pessoas soubessem.
Foi assim nos primeiros anos após a morte de sua mãe, porém ao longo do tempo seu pai começou a definhar. Deixou de leva-la aos teatros. Não houve mais shows de marionete. Ao aos dez anos, ela o encontrou enforcado com a corda que usava para brincar todos os dias.
Foi neste orfanato que nos conhecemos.
Quando ela chegou ao lar adotivo eu já estava lá a mais de um ano. Tinha treze anos de idade e ela dez. Passado um tempo, nós acabamos nos tornando amigos, pois éramos um dos únicos que nunca foram adotados. Afinal, ninguém quer um garoto com mais de dez anos e uma garota que viu seu pai morrer enforcado.
Por algum motivo ela acabou me contando que o dono do orfanato começou a abusar dela depois que fez doze anos, já que fora quando seu corpo começou a se desenvolver. Ela tentou pedir ajuda a várias pessoas, mas elas simplesmente diziam “você está inventando isso garota, onde uma pirralha como você seria capaz de satisfazer um homem como aquele”, ou “ se contente com isso sua vadiazinha, você jamais vai conseguir algo melhor” e até “você deveria ficar contente, quem dera eu pode ser abusada por um gato daquele”.
Eu me lembro do ódio que senti ao ouvi-la me contar isso, mas na época eu não podia fazer nada.
Na época.
Grande parte das pessoas que trabalhavam naquele inferno já haviam morrido, o que só facilitou nossa falsa história.
— Uma história tão triste para uma pessoa tão boa – Diz Katia.
— Uma história que transformou essa mulher na guerreira que eu tanto amo – Penso em voz alta.
Nathalie me olha nos olhos e eu me perco em suas janelas verdes.
— Uma mulher incrivelmente talentosa. É verdade que você quase ficou com o papel de Viúva Negra?
— É sim – Nathalie volta a se entusiasmar – Foi uma disputa difícil. A decisão final ficou entre Scarlett e eu, mas ele é uma atriz incrível e mereceu ter ficado com o papel.
Nathalie adora se gabar de como tinha disputado o papel com uma atriz de porte tão grande quanto Scarlett Johansson.
Sua empolgação é tanta que seus olhos brilham e eu me perco ali novamente.
Essa mulher me faz perder a cabeça.
— Bom... – Katia interrompe nosso segundo contato visual – Para encerrarmos o programa, nos contém um segredo. Um que nunca contaram a ninguém.
Minha esposa e eu nos encaramos.
— Eu não sabia cozinhar até conhecer Nathan – Nathalie admiti – Ele é um ótimo cozinheiro e me ensinou tudo o que sei.
Esta não é a primeira vez que estávamos no programa de Katia. Na outra ocasião, Nathalie fez um ótimo prato para a entrevistadora, o que fez sua revelação ter proporções maiores, pois Katia havia a elogiado muito.
É evidente que as pessoas não conhecem esse lado meu e admito ter ficado um pouco surpreso por Nathalie revelar um detalhe tão íntimo.
— Me supere – Minha mulher sussurra em meu ouvido.
Sorrio diante de seu desafio.
Ainda na vibe de honestidade, falo:
— Eu nunca uso cueca.
A cara da apresentadora e de minha esposa são incrivelmente hilárias. O queixo das duas quase bate no chão. Katia de surpresa pela revelação e Nathalie por eu ter contado algo que só ela sabia.
Dou de ombros.
— Nunca, tipo nunca mesmo?
Eu me seguro para não rir da cara de Katia.
— Nunca mesmo.
— Nem agora?
Nego com a cabeça, deixando-a vermelha e a fazendo se remexer em seu lugar.
Olho para o rosto da mulher que eu tanto amo e digo sem emitir nenhum som: “Superada”.
— Caralho, Denis – Falo segurando a câmera de segurança estralhaçada em minhas mãos – A gente já não te disse para não brincar com essa coisa dentro do camarim?
Nós havíamos terminado o show a alguns minutos atrás e estávamos todos no camarim, comendo e bebendo.
Meu cabelo está grudado na testa e a roupa colada no corpo por causa do suor.
Denis, que é o baterista e sempre tira a camisa nos shows, mesmo que esteja nevando, joga de uma mão para a outra sua inseparável bola de futebol americano e que sempre a usa para quebrar alguma coisa nos camarins. É estranho o fato dele ser o mais velho de todos nós.
Jackson, nosso baixista, está sentado no sofá com uma lata de refrigerante, já que não consome nada com álcool, e com Martha, sua esposa, em seu colo.
— Um dia, Denis – Martha fala – Você vai quebrar algo que não vai poder pagar.
— Deixem de drama – Charlie passa o braço pelo ombro de nosso baterista – É só uma câmera de merda. O cara tem dinheiro para compra umas mil melhores do que essa.
Charlie é o guitarrista e formador do grupo.
E como bom fanfarrão, já está começando a se aquecer para a after party. Vai até o outro sofá e se joga nele, deitando a cabeça no colo de Tarsila, sua mulher.
Denis é único “solteiro” do grupo. Cada show ele aparece com uma namorada diferente.
— Licença, pessoal – Nathalie diz batendo na porta e entrando – Flavio veio ver vocês.
O sorriso em seu rosto é magnético, o que me leva a me aproximar dela e lhe dar um beijo casto em seus sedosos lábios.
Ela nunca ligava para o fato de eu estar chorando a suor.
Essa é a mulher que se eu acreditasse em Deus, eu teria lhe pedido.
Seus olhos têm seu costumeiro brilho sapeca.
— E ai, rapaziada? – Diz, Flavio entrando e cumprimentando a todos.
— Fala, Flavio – Dizemos em uníssono.
Flavio é um rico empreendedor que sempre usufrui de seus contados para nos perturbar nos camarins dos shows.
É um tanto inconveniente.
— Vamos logo, seus molengas – Denis pega sua camisa e começa a sair – Ainda não arranjei a minha mina dessa semana.
Tarsila revira os olhos.
— Certeza que vocês não querem ir conosco? – Jackson pergunta a Nathalie e a mim.
— Temos sim – Respondo abraçando minha mulher – Nathalie e eu tivemos uma entrevista hoje cedo e estamos bem cansados. Vamos para casa descansar um pouco.
Jackson afirma e segue em frente com sua esposa.
— Não façam nada que eu não faria – Martha grita quando estão no corredor.
Todos vão para uma balada.
Nathalie e eu nunca curtimos muito esses lugares aglomerados.
Um forte vento entra e começa a fechar a porta, mas Josh, nosso segurança a impede de bater.
— Pode deixa-la fechada, Josh – Grito a ele – Só vamos pegar nossas coisas e já vamos embora.
— Vou deixa-la encostada – Ele me responde e eu afirmo com a cabeça.
Um silencio se instala no local e começo a pegar minhas coisas.
— Ótimo show. Como sempre – Comenta, Flavio.
— Valeu.
Nathalie pega sua bolsa e vai até o banheiro.
— Às vezes eu tenho a impressão que os caras não gostam muito de mim.
— E porque você acha isso, Flavio – Pergunto com interesse.
Ele cai como um patinho em nossa armadilha e agradeço mentalmente a Denis por ter nos poupados da preocupação com a câmera de segurança.
— Sei lá...
— Bom. Você está certo – Solto – Porque gostaríamos de um cara egoísta e importuno que acha que pode fazer o que quiser e entrar onde bem entende a hora que lhe for conveniente?
Meu tom de voz é alto o suficiente só para ele ouvir.
Ele pisca atônito e dá um passo para trás como se tivesse levado um tapa.
— Você é insuportável, mesquinho, metido e além de tudo um idiota arrogante que acha que todo mundo tem que fazer o que você quer – Nathalie complementa.
Ele não responde nada.
É evidente seu estado de choque.
— Você não passa de um verme idiota — Digo.
— Segure isso para mim por favor, querido.
Usando luvas, Nathalie vai até ele, estende um belo e robusto canivete que acaba o aceitando por reflexo.
— O que? Pra que isso? – Pergunta olhado do canivete para mim.
Ele analisa a arma e depois de um tempo arregala os olhos ao reconhecer o objeto de sua coleção, já mostra em varias reportagens.
Nathalie dá de ombros e pega o canivete de volta.
— Isso é a arma que eu vou usar para cortar sua garganta.
Mesmo que Josh ouça algo, não teremos problemas, pois ele também faz parte do nosso grupo de assassinos, mas para o plano ser o mais convincente possível, ninguém além de Nathalie e eu deveria saber o que realmente aconteceria.
Nathalie vem a até mim com o cabo da arma envolto em um pequeno lenço de seda azul.
— Você só vai ter alguns segundos para correr – Minha mulher aponta para a porta de saída de emergência – E a única saída é a porta atrás de você.
— Você tem três opções – Começo a pontuar – Primeiro: pode ficar aqui e ter a garganta cortada. Segundo: pode fugir por essa saída e nunca mais aparecer e Terceiro: ficar, assumir seus erros, que não são poucos, e ser responsabilizado por eles.
— E- eu não sei do que você está falando.
— Sabe sim – Minha mulher cruza os braços e o fuzila – E sabe que as consequências também serão severas.
— Eu nego.
— Vai ser difícil, com as provas que temos e muito mais depois de ter esfaqueado a perna do meu marido.
Ele nos olha boquiaberto.
— Suas digitais estão aqui – Balanço o canivete – Somente as suas.
Flavio parece travar uma batalha interna, mas Nathalie e eu sabemos qual opção ele escolherá.
— Vocês... vocês... vocês são malucos.
Coloco em meu rosto meu melhor sorriso psicótico.
— Você não viu nada.
Ele pisca e movido pela adrenalina, enfio a faca em minha coxa.
A dor percorre meu corpo e eu preciso suprimir a vontade de gritar, ao entregar o lenço a Nathalie. Me limito a fazer uma careta.
Assim que Flavio percebe o que tem de fazer, corre para a porta e quando a abre eu solto um urro de dor entalado em minha garganta e me jogo no chão, enquanto minha esposa grita por Josh, que adentra no recinto com tudo.
— O que houve?
Em uma ótima representação, Nathalie coloca as mãos na boca e corre até mim.
— Oh, meu Deus, Nav...
A sala agora está cheia.
— O Flavio... ele... ele – Lagrimas começam a escorrer por seu rosto – Ele se descontrolou e de uma hora para outra esfaqueou Nathan. Foi tudo tão rápido.
Minha perna queima onde o metal esta cravejado.
— Não! – Grito quando Josh tenta tirar o canivete de minha pele – Nathalie, de a ele um lenço. Não quero outra digital nessa porcaria se não a daquele filho de uma puta desgraçado.
Depois de algumas horas, estamos todos sendo interrogados pela detetive Ângela, que é uma grande fã da banda.
O canivete com o logotipo do Flavio entalhado no cabo, dentro de um saco plástico em cima da mesa de metal.
— Eu ainda não entendo o porquê ele fez isso – Tarsila diz.
A festa deles havia sido interrompida antes mesmo que pudessem chegar ao local.
— Eu muito menos – Falo – Uma hora ele estava falando que achava que vocês não gostavam dele e na outra estava me esfaqueando.
— Ele tinha algum problema pessoal com você, Nathan? – Ângela me questiona.
— Não que eu saiba... Ai – Solto ao sentir uma pontada na perna agora enfaixada.
— Não tem como alguém ter algo contra o Nathan – Denis me defende – Ele é sempre legal e gentil com todo mundo e isso inclui aquele mauricinho bipolar.
— Valeu, cara – Agradeço e ele dá de ombros.
— Nós que geralmente o ignorávamos – Acrescenta Charlie.
Ficamos na delegacia mais um tempo para resolvermos todo o assunto.
Depois de sermos liberados, Nathalie dirige até nossa casa de fazenda.
Com dificuldade, descemos até o porão, onde Flavio se encontra amarrado e amordaçado. O terno de risca de giz todo amassado.
Alguém nos dera uma alta grana para dar fim a Flavio, porém ele estava sempre rodeado de seguranças e por isso precisamos elaborar um plano que demorou um ano para ser colocado em pratica.
O plano consistia em infiltrar alguém entre seus seguranças, obter um canivete de sua coleção, ficarmos a sós com ele no camarim e assusta-lo para ele fugir esquecendo os seguranças, que um tempo depois das visitas passaram a ficar do lado de fora. Assim, o pessoal do nosso grupo poderia pega-lo enquanto fugia desesperado e traze-lo para nossa casa de fazenda.
— Foi fácil demais – Nos diz Arthur, assim que entramos no “abatedouro” – Esperava algo mais desafiante.
Arthur é policial, nosso amigo mais íntimo e o único que realmente sabe algo sobre nós.
Nos conhecemos no orfanato.
É ele quem nos fornece a ficha de nossas “presas”.
Nossa equipe principal é composta por Nathalie, Arthur, Henrique e eu.
Nós três paramos em frente à Flavio.
— O que vamos fazer com ele – Nathalie questiona.
— Eu sei muito bem o que vou fazer com ele – Respondo estralando os dedos.
Nathalie e Arthur vão para um canto e eu solto as amarras de nossa presa, que continua sentada.
— Você vai ter somente uma chance de sair daqui: me deixando em capaz de bater em você.
Flavio é conhecido por se meter em algumas brigas, então eu quero ver se ele pode me proporcionar uma noite mais interessantes.
— Me divirta – Desafio – Você está em vantagem – Dou uma fraca batidinha em meu curativo.
Ele vem para cima com golpes habilidosos, mas nenhum me acerta.
Acerto meu joelho em sua costela e um soco em seu rosto, lhe tirando sangue.
Ele cambaleia para frente, mas se recompõe rapidamente, me acertando bem na faixa ensanguentada.
Caio me apoiando na perna machucada.
Flavio tenta me chutar, mas o paro, fazendo se estatelar no chão.
Logo estamos os dois de pé, desferindo golpes um no outro.
Ele erra a maioria e eu acerto quase todos.
— Você é bom – Admito.
Desvio de um golpe e o chuto na costa, empurrando-o em direção a Nathalie, que agora está um pouco longe de Arthur.
Flavio a prende com uma chave de braço ao redor do pescoço.
— Se você tentar alguma coisa, eu mato ela.
Inclino a cabeça para o lado e sorrio.
Ele me olha confuso.
Nathalie lhe ataca com uma cotovelada, fazendo-o solta-la.
— Ah... sua, vagabunda.
Flavio tenta lhe dar um soco, porém Nathalie é mais rápida. Segura seu braço, usa a perna do próprio para se impulsionar e envolveu seu pescoço com as pernas em um perfeito golpe, o jogando no chão.
Graciosamente volta a ficar de pé.
Como eu amo essa mulher — Penso sorrindo.
— Eu já fui duble, meu querido. Sei me cuidar sozinha.
Limpa a roupa, vem para o meu lado e me deu um singelo beijo.
— Você foi ótima.
— Eu sei – Diz me pando uma singela piscadela.
Ela me passa uma faca enferrujada de nosso arsenal.
Sem perceber que estou armado, Flavio corre até mim e antes que possa me acertar, lhe rasgo a garganta.
Ele leva a mão ao pescoço, cambaleando para trás. O sangue jorrando.
Nathalie, Arthur e eu o olhamos a cena com gosto. Admirando a vista.
Lentamente a presa cai no chão, morrendo aos poucos. Se sufocando com a própria mesquinharia.
— Acho que deveríamos vender os órgãos dele – Comenta Arthur.
— É uma boa.
Guardo minha faca.
A dor na perna valeu apena.
— Querem? – Pergunto ascendendo o baseado e lhes oferecendo.
A sensação de relaxamento me invade e nós nos sentamos na escada para aproveitar a brisa.
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