Lágrimas de Maroto - 1ª temporada
30 Capitulo 30 - Penas azuis e mantos negros
Notas iniciais
A ave azul celeste esticou a perna em um movimento delicado, esperando pacientemente para que sua carga fosse colocada. Sirius, ainda de forma desajeitada, prendeu as cartas a perna da ave, e a instruiu quando aos destinatários. A verdade é que ainda não estava muito habituado com aquele correio dos trópicos.
As aves utilizadas ali eram muito diferentes das quietas corujas com as quais estava acostumado, eram muito inquietas, e seu pagamento não era feito m ração ou dinheiro, mas sim em frutas silvestres, de cores e aromas estranhos, com os quais ele ainda não se acostumara. Tudo naquele lugar era diferente e estranho, tudo muito novo.
A bem da verdade, estava se divertindo um bocado naquele pais de língua e culturas diferentes da sua. Tudo tinha cheiro de novidade, e essas descobertas diárias o ajudavam a superar a falta que sentia do que deixara em sua terra natal, ajudava-o a manter sua mente ocupada, e no momento, era tudo que podia fazer, manter-se ocupado em quanto esperava.
Felizmente, a companhia de Aluado e a constante correspondência com Harry e Dumbledore o ajudavam a manter-se calmo, a aguardar pacientemente que o destino lhe trouxesse dias melhores.
Não podia negar que este tempo fora fosse bom, que era bom poder sair as ruas sem ter medo de ser reconhecido e retornar a Azkaban, mas ainda assim, sentia saudades de casa, e de Harry.
Sua relação com o afilhado estava cada vez melhor, e ele estava imensamente feliz com isso. Era muito saber que o garoto confiava nele, que o procurava quando precisava de ajuda. Fazer parte da vida do filho de James, de alguma forma, fazia-o sentir que estava mais próximo de seu melhor amigo; que, mesmo de um jeito meio torto, estava cumprindo a promessa que havia feito a ele e a Lily.
O maroto terminou de preparar a carga que iria para a Inglaterra (uma carta para Harry e outra para Dumbledore) e levou a ave de penas azuis até a janela, observando-a partir com um ar distraído.
Estava tão perdido em seus próprios pensamentos que nem mesmo se deu conta da aproximação de Aluado, só notando a presença do amigo quando este já estava parado ao seu lado, apoiado no batente da janela.
— Já despachou o correio? – perguntou Remus, encarando o amigo, que ainda fitava o horizonte ensolarado da manhã.
— Já. Não tinha muito para mandar, apenas cartas para Harry e Dumbledore....- respondeu Almofadinhas, virando-se para olhar o amigo, que ostentava um semblante visivelmente abatido. — Como está se sentindo? Tomou a poção hoje de manhã? – perguntou, uma expressão preocupada carregando suas feições. O estado de Remus vinha piorando a dias, e ele começava a se preocupar.
— Estou bem, só um pouco fraco. E sim, já tomei a poção. – respondeu Lupin, exibindo uma sombra de sorriso para Sirius, esperando tranquilizar o amigo, mas sem muito sucesso.
— Se continuar assim vou ter que te arrastar por ai em uma padiola, desse jeito não vou ter mais tempo para ficar por ai sem fazer absolutamente nada a não ser pensar nas mesmas coisas e nas mesmas pessoas. Meu cérebro não vai ficar nada feliz com isso, prepare-se. – falou Almofadinhas, rindo junto com o amigo. – Anda, vamos tomar café, fiquei muitos anos sem direito a um para desperdiça-lo agora. – emendou, arrancando mais uma risada de seu companheiro de morada.
Os dois desceram as escadas e se dirigiram a cozinha, cada um pegando a maior quantidade de comida que conseguia carregar ou fazer levitar (a gulodice no café da manhã era uma regra na casa que os dois amigos dividiam), e sentaram-se a mesa.
Sobre esta havia um jornal dobrado de qualquer jeito, datado de alguns dias atrás. Estava naquele lugar já fazia alguns dias, mas nenhum dos dois se dera ao trabalho de joga-lo fora. Talvez não por preguiça, mas sim porque era a única correspondência com noticias de seu mundo que tinham no momento. Na maior parte do tempo, tudo que ficavam sabendo vinha das cartas de Dumbledore e Harry, e elas sempre demoravam um pouco para vir. Então, no fim das contas, quase sempre eles estavam defasados de noticias.
Ainda assim, aquele “Profeta Diário” era especial. Trazia a noticia da final da copa mundial de Quadribol, que ocorreria na Inglaterra. Seria um jogo épico, Irlanda X Bulgária, e Sirius gostaria muito de estar presente. Infelizmente, isso não era possível na atual conjuntura, mas ao menos Harry iria.
— Esse jogo vai ser realmente emocionante não é? Imagina se pudéssemos estar lá? Seria incrível! – falou Almofadinhas, quebrando o silencio do café da manhã.
— Você não muda mesmo não é? Aposto que se estivéssemos lá você faria tudo para ir, mesmo com o risco que iria correr. – respondeu o outro, rindo da expressão fascinada que o amigo lançava ao jornal. Sirius era realmente um apaixonado irremediável por quadribol, e não seria a sua condição de foragido que mudaria isso.
— Mas é claro! Uma final de quadribol como essa vale o risco! – respondeu o mais velho dos Blacks, em um tom de quem falava muito serio. – Fico muito feliz de que ao menos Harry possa ir. Ele vai adorar, tenho certeza!
— Claro! O garoto é maluco por Quadribol, assim como você e Pontas eram quando estávamos em Hogwarts...ele tem muito de James não é Sirius? E de Lily também, é uma boa mistura dos dois...- respondeu Aluado, assumindo um ar pensativo, de quem rememora tempos passados...
— Sim. – falou Almofadinhas, sentindo o coração apertar um pouquinho. Toda vez que falava de seus falecidos amigos era assim, uma eorme bola subia por sua garganta e ele se sentia sufocado. Sabia exatamente porque aquilo acontecia: era a saudade, a falta que sentia deles. – Ele realmente é um garoto ótimo não é? Mesmo com tudo que já passou, parece que ele não se permite desistir...- continuou o maroto, demonstrando em suas palavras o orgulho que sentia do afilhado.
— Engraçado, essas suas palavras me fizeram lembrar minha ultima conversa com Harry antes de eu deixar Hogwarts, ele disse quase às mesmas palavras que você....- falou Lupin, deixando que sua mente retornasse para aquela tarde cinza na qual empacotara seus pertences as pressas e partira do castelo...
Flashback on
Faltavam poucas coisas, apenas o aquário vazio onde antes se encontrava o grindlow, o malão com suas vestes, e alguns livros que ainda estavam espalhados pela sala de aula que por um ano lhe pertencera.
Se encaminhou para apanhar o malão, acenando com a varinha na direção dos livros para fazê-los se juntar todos em um mesmo lugar, quando foi interrompido por uma leve batida na porta.
— Entre! – falou, já imaginando quem seria a pessoa do outro lado.
— Professor, com licença, será que posso falar com o senhor por um minuto? – a cabeça de Harry se fez presente no aposento, o restante de seu corpo permanecendo escondido por detrás da porta.
— Mas é claro Harry! Entre, vamos tomar um chá. – respondeu o mais velho, fazendo um gesto com sua varinha que fez aparecer uma bandeja com chá e biscoitos de canela e chocolate.
Parecendo um pouco sem graça, o garoto avançou pela sala, sentando-se uma cadeira na frente da mesa do professor. – É verdade o que estão dizendo senhor? – perguntou, sem rodeios.
— E o que é que estão dizendo Harry? – perguntou o antigo mestre de Defesa Contra as Artes das Trevas.
— Que o senhor vai se demitir, que vai embora. Isso não é verdade, é professor? O senhor é o melhor professor de Defesa Contra as Artes das Trevas que já tivemos...não pode simplesmente ir embora! – falou o garoto, suas palavras expressando a indignação pela noticia que ouvira. Lupin não podia se demitir. Se ele fosse embora, quem seria o próximo professor dessa matéria? Havia a possibilidade de que fosse Snape, e Harry não queria nem imaginar o inferno que seria; se isso acontecesse.
— Infelizmente Harry, sinto lhe informar que os rumores são verdadeiros. Entreguei minha carta de demissão a Dumbledore esta manhã. – falou Remus, sem ter como esconder uma nota de tristeza em sua voz. Com certeza sentiria falta de Hogwarts, mas no momento, aquela era a melhor decisão a ser tomada.
— Mas...o senhor não pode! É um ótimo professor! – exclamou o herdeiro dos Potter, indignado com a decisão do mais velho.
— Sinto muito Harry, mas minha decisão já está tomada. Dumbledore também argumentou contra, mas não posso continuar aqui. As cartas dos pais logo vão começar a chegar. Qual será o pai que irá querer um lobisomem como professor do seu filho? Não, eu não posso causar mais problemas a Hogwarts ou a Dumbledore. O diretor já fez muito me oferecendo este emprego, não posso pedir que arranje mais problemas por minha causa.
— E para onde o senhor vai? – perguntou o garoto, deixando que sua curiosidade vencesse a descrição. Tinha plena consciência de que não tinha absolutamente nada a ver com a vida de Lupin, mas ainda assim, gostava do professor e se preocupava com ele. Pelas aulas que tivera com Hermione, sabia que a vida para um lobisomem era dura, e se preocupava com o que seria da vida de seu abatido mestre de Defesa Contra as Artes das Trevas quando este deixasse a escola.
— Não se preocupe! – respondeu o mais velho, feliz e emocionado com a preocupação que seu ex-aluno demonstrava – Vou viajar com seu padrinho. Presumo que Almofadinhas tenha te contado que esta de partida, não é?
— Contou sim, e eu estou muito preocupado com ele. Fico feliz de saber que ele não irá viajar sozinho, ele está precisando de companhia. Se faz de forte, mas sei que ele está sofrendo com o que aconteceu...ele sente que falhou não é? Mesmo que isso não seja verdade...- disse Harry, pela primeira vez expressando em palavras a preocupação que tinha com seu padrinho. Sirius era a única família que lhe restava, e queria que ele ficasse bem.
— Entendo o que quer dizer Harry. Sabe, eu conheço Almofadinhas a muitos anos, é meu melhor amigo, mas também o sinto um pouco diferente. E acredito que nós dois sabemos o porque disso, não é? Não é possível permanecer a mesma pessoa depois de tantos anos em Azkaban, isso muda qualquer um.
— Sabe o que me impressiona? Parece que com tudo que ele passou, se recusa a desistir. Continua a lutar, mesmo com todas as tempestades que passaram por sua vida...
Flashback off
— Harry é realmente um garoto especial, tenho muito orgulho de ser padrinho dele. Mas estou começando a ficar preocupado Aluado...em sua ultima carta ele me disse que sua cicatriz voltou a doer, o que será que isso significa? Mandei uma carta a Dumbledore lhe contando isso, talvez ele possa nos ajudar....
— Não sei Almofadinhas...pode ser que não seja nada, mas não temos como ter certeza, teremos que aguardar a carta do diretor para ver que informações ela nos trará...No momento, não temos muito o que fazer, apenas aguardar.
— Eu sei, mas essa situação não me agrada. Apesar de ter gostado daqui, essa distancia me incomoda. E se meu afilhado precisar de mim e eu não estiver lá para ajuda-lo? E se essa dor na cicatriz tiver algum significado? Gostaria de estar lá, de estar por perto. Estou cansado de ser apenas um expectador de tudo que acontece ao meu redor...- ralhou Sirius, que mesmo tendo gostado da liberdade e das descobertas que aquele pai lhe oferecia, sentia falta do que lhe era conhecido, sentia-se de certa forma impotente, um covarde escondido no Brasil enquanto Pettigrew estava sabe-se lá onde, maquinando suas tramoias perversas....
— Sei que essa situação esta difícil Sirius. Mas pense, você já esteve em situações muito piores do que esta, e Harry também. Tudo ficará bem, não se preocupe tanto. Além do mais, mesmo que haja alguma coisa errada, não há nada que nós possamos fazer, ao menos por enquanto. Vamos aguardar a resposta de Dumbledore, ai decidiremos o que fazer. E enuanto isso, pare de reclamar, está parecendo uma velha, e meus ouvidos não aguentam mais tanto blá-blá-blá. – falou Aluado, recebendo somente um resmungo como resposta.
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A manhã estava clara e limpa, muito diferente do céu tempestuoso que se fizera presente no dia anterior. Como fazia todos os dias a quase três semanas, Sirius se dirigiu ao quarto mais alto da casa, local em que a ave de penas azuis costumava pousar quando chegava trazendo novas correspondências.
Infelizmente, já fazia tempos que a bela coloração azul não era vista por aqueles arredores, e a falta de noticias estava começando a afligi-lo. Teria algo grave acontecido? Será que a correspondência havia sido interceptada? Ou a ave simplesmente não conseguira encontrar seu destinatário?
Almofadinhas chegou a seu destino e girou os olhos por todo o aposento, tentando encontrar vestígios de que sua emissária retornara, mas tudo que encontrou foi um aposento vazio. Eu coração afundou com a contestação de que suas respostas ainda não haviam chegado, e o maroto voltou pelo caminho de onde viera, encontrando Aluado na cozinha, com uma grande caneca de café em uma das mãos e um livro trouxa na outra.
— Sinceramente, não sei como você consegue tomar tanto café, qualquer dia vai começar a sair café pelas suas orelhas. – implicou o maroto, mais para ter algo com que se distrair do que por verdadeira implicância.
— Ainda nenhuma carta? – perguntou o outro, ignorando a provocação do amigo e indo direto a questão que afligia a ambos. Aquela falta de noticia estava fazendo-os se sentir cada vez pior, tanto que, ainda na noite anterior, haviam considerado a possibilidade de regressar.
Sirius era a favor de que fizessem as malas e retornassem o quanto antes, mas Remus preferia agir de forma mais prudente, e convencera o amigo de que o melhor era que aguardassem mais alguns dias. Podia se tratar de um simples caso de atraso do correio, e eles estivessem se preocupando atoa.
— Não. – respondeu o primeiro, em um tom de voz desanimado. – estou realmente preocupado Aluado...e se aconteceu alguma coisa e nós estamos aqui, sem poder fazer nada?
— Se acalme Sirius! Não adianta nada ficarmos conjeturando com base em informações que não temos. Porque você não vai dar uma volta na cidade? E enquanto isso eu posso ir até o povoado mágico que tem aqui perto (logo que chegaram, haviam combinado que seria mais seguro se Black não se aproximasse dos locais mágicos da cidade, pois mesmo em um país diferente, ele poderia acabar sendo reconhecido).
— Está bem. – respondeu o maroto, levantando-se de um salto e partindo para o lado de fora da casa. Talvez essa caminhada lhe fizesse bem. Quem sabe tudo que precisasse fosse andar um pouco para colocar seus pensamentos em ordem...
Aquela definitivamente era uma cidade diferente. Colorida e cheia de vida, era como se a cidade pulsasse, como se cantasse, bem diferente das cinzentas moradas com as quais estava acostumado.
Por algum tempo, o maroto perambulou sem destino, apenas caminhava, deixando que seus pés o guiassem e que sua mente voasse solta, era muito mais fácil pensar quando estava em movimento.
Quando se deu conta, estava no centro histórico da cidade, um lugar com belas casas ao estilo colonial, pintadas de várias cores. Havia ainda uma bela praça, onde as pessoas passavam despreocupadas, parando aqui e ali para ver as mercadorias que eram vendidas nas barraquinhas brancas espalhadas pela praça.
A vida daquele lugar encantava o maroto, que observava fascinado o tanto de gente diferente que passava por ali. Alguns arrumados e engomados, como se estivessem a caminho do trabalho, e outros, com roupas casuais, apenas passeando, desfrutando da manhã de sol. Aquela era uma terra realmente bela, diferente de tudo que ele já conhecera.
Sentindo seu estomago reclamar de fome (acabara não tomando café da manhã), dirigiu-se para o local onde as barraquinhas estavam alocadas, procurando alguma que servisse comida. Por fim, encontrou uma que vendia frutas, e comprou duas para fazer uma refeição rápida (depois de algum tempo morando ali, aprendera a mexer com dinheiro trouxa com relativa facilidade).
Sentou-se então em um banco, observando os passantes enquanto comia seu café da manhã. Sua mente continuava a vagar, estava muito preocupado com a falta de noticias... algo lhe dizia que nada de bom sairia deste silencio.
— Está preocupado não é? Acha que tem alguma coisa errada no lugar que você deixou para trás não é? — uma voz fina e esganiçada chegou aos ouvidos de Sirius, que atônito, olhou para todos os lados buscando a fonte daquelas palavras, tentando entender se a pessoa estava realmente se dirigindo a ele.
— Mas que...? – começou o maroto, que encontrara sua interlocutora, uma senhora muito velha, que usava um grande conjunto de colares de contas e vestia um simples vestido branco e um xale.
— Não se preocupe, as noticias que você espera virão logo, e ai sim, você terá que decidir o que irá fazer. Você tem escolhas a fazer, mas não esqueça: o melhor caminho é aquele que escolhemos por nossos corações. Não tema seus pesadelos, ainda chegará o momento de enfrenta-los....
Sem dar chance para que o maroto respondesse alguma coisa, a velha se levantou e saiu andando calmamente, como se tivesse plena convicção de que até que ela sumisse de vista, Almofadinhas não conseguiria mover nenhum musculo.
Ainda atônito com o que ouvira, ele conseguiu reunir forças para retornar a casa. Enquanto andava, sua mente borbulhava feito um caldeirão fervente, tentando entender o que havia acontecido.
Quando chegou a casa que lhe fazia as vezes de lar, surpreendeu-se ao encontrar a ave de penas azuis esperando-o, empoleirada em uma poltrona da sala de estar. – Olhe só quem finalmente retornou! – exclamou o maroto, alegre, entregando a ave um pedaço da fruta que havia sobrado de seu dejejum e pegando as duas cartas que ela havia trago.
O primeiro envelope continha um carta de Harry, com os seguintes dizeres:
Caro Almofadinhas,
Fico feliz que esteja bem! Por aqui as coisas mudaram um pouco de figura...minha cicatriz não voltou a doer, mas aconteceu algo bem estranho e ruim na final da Copa Mundial de Quadribol...
Antes de tudo, acho que você vai ficar feliz de saber que a Irlanda venceu! Mas depois que o jogo terminou, as coisas ficaram meio estranhas...nós fomos para a barraca que o Sr. Weasley nos arranjou (essas barracas bruxas são realmente incríveis!), e lá para o meio da noite acordamos com uma gritaria enorme do lado de fora. Saímos para ver do que se tratava e nos deparamos com uma verdadeira cena de horror: as pessoas corriam por todos os lados, havia barracas pegando fogo, e a marca de um crânio com uma cobra pairava no ar (na hora eu não sabia, mas depois descobri que se trata da marca de Voldemort..). Acabamos nos separando dos outros e chegamos ao centro do acampamento...havia um monte de gente de preto e com mascaras prateadas, rodando um pobre trouxa no ar....foi realmente horrível de se presenciar.
No fim, acabamos ficando sozinhos e um tal de Sr. Crounch nos encontrou junto com alguns de seus subordinados (entre eles Percy, o irmão de Ron), e começou a nos encher de perguntas, como se fossemos os culpados de ter conjurado a marca negra. O velho estava desvairado, serio, mas acabou tudo bem.
Fiquei muito em duvida se deveria contar-lhe sobre isso (não quero que se preocupe a ponto de ter a ideia de voltar para cá, nós dois sabemos que essa seria uma ideia extremamente arriscada), mas acho que se não soubesse por mim a noticia iria acabar chegando até você, não é mesmo?! Por favor, não se preocupe, agora está tudo bem!
Estou passando o restante das férias na casa do Ron (que diga-se de passagem é bem melhor que a dos meus tios trouxas), e logo estarei e volta a Hogwarts.
Espero que você, o professor Lupin e Bicuço estejam bem!
Assim que puder escrevo novamente,
Harry
P.S.: Obrigada pela autorização para Hogsmeade! Eu vou adorar poder ir ao povoado (desta vez sem usar da clandestinidade).
Ao contrario do que seu afilhado lhe pedira, Sirius ficara extremamente alarmado com as noticias. Comensais da Morte na Copa? Isso com certeza não era um bom sinal...será que teria alguma relação com a dor sentida pelo garoto algum tempo atrás? Poderia a cicatriz ser algum tipo de aviso?
Almofadinhas tinha ainda mais perguntas em sua mente do que quando encontrara aquela senhora estranha...talvez a carta de Dumbledore lhe trouxesse alguma luz, algum norte para o qual seguir.
Caro Almofadinhas,
Espero que esteja bem e aproveitando o clima agradável dos trópicos! Sinto muito pela demora em responder sua carta, mas as coisas aqui ficaram um pouco agitadas nos últimos tempos.
Presumo que a esta altura você já tenha lido a carta de Harry, e esteja a par dos recentes acontecimentos. Se está esperando que eu tenha alguma explicação, sinto desaponta-lo, mas tudo que tenho no momento são teorias, uma mais maluca que a outra, e nenhuma delas conclusiva.
Quanto a Rabicho, infelizmente ainda não tive informação de seu paradeiro.
Já com relação a cicatriz de Harry...eu não tenho nada que possa comprovar, mas acredito que ela possa funcionar como um aviso, algo que demonstra a aproximação de Voldemort.....o que eu ainda não consegui definir se é bom ou ruim.
Sei que provavelmente você irá querer retornar depois de saber essas noticias, e honestamente, eu entendo. Mas seja cauteloso está bem? Não haja por impulso...
Faço votos de bons dias a você e a Lupin.
P.D.
Sirius havia acabado de terminar de ler a carta quando ouviu a porta da casa bater, anunciando a chegada de Aluado.
— Nossa, aquele lugar é uma loucura, parece ate um formigueiro, eu nem...- Lupin não terminou a frase, parando de falar no instante em que notou o semblante de Almofadinhas, pálido e preocupado.
— Nós precisamos voltar! – foi tudo que teve como resposta a sua chegada.
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