Lágrimas de Maroto - 1ª temporada
31 Capitulo 31 - Corredores e Retornos
Notas iniciais
— Nós não podemos! Você não pode voltar! E sabe muito bem disso Sirius. Lá não é seguro, não agora. – Remus repetiu as mesmas palavras que pareciam ter se tornado seu bordão desde que Amofadinhas lhe informara que desejava voltar a Londres, e isso já fazia quase uma semana.
Apesar das palavras do amigo, o maroto parecia irredutível, e ao invés de responder, apenas lançou um olhar zangado a Aluado. Estava cansado de discutir. Sabia que Lupin estava certo, que naquele momento o melhor lugar para se ele estar era longe das terras da rainha, mas não conseguia mais. Tinha que voltar. Simplesmente não aguentava mais ficar longe, escondido, enquanto seu afilhado precisava dele.
A correspondência escassa e demorada também não ajudava a melhorar o estado de espirito do maroto. Se ao menos encontra-se um meio mais rápido de se comunicar com sua terra natal conseguisse se manter afastado por mais algum tempo...mas do jeito que as coisas estavam, sentia que era cada vez mais difícil continuar longe.
— Sei que não parece a decisão mais acertada Aluado..mas simplesmente é muito difícil me manter longe. Você mais do que ninguém sabe o quanto detesto ficar sem ter o que fazer, sem ter um proposito, e a ultima coisa que temos aqui é algo útil para ocupar o tempo e a mente. Além do mais, sinto falta de Harry. Passei muito tempo longe de meu afilhado, e quero poder compensa-lo por isso, ajuda-lo de alguma forma, entende?
— Sei como se sente Almofadinhas, mas acredite no que digo, este não é o melhor momento. Pense bem: Harry logo irá retornar a Hogwarts, e não há lugar melhor que aquela escola, você sabe disso. Além do mais, não há nada melhor que podemos fazer na Inglaterra do que aqui. Na situação atual, o melhor que você faz a Harry, e principalmente, a você mesmo, é ficar aqui. – respondeu Aluado, que se compadeceu com a situação de seu amigo. Tudo que ele mais gostaria era de ajudar Almofadinhas a se sentir melhor, sabia que o maroto estava com o coração e a consciência pesada por viver naquela condição de fugitivo; sabia muito bem que aquela não era a liberdade com a qual Sirius sonhara nos anos que passara em Azkaban, mas no momento, era a melhor opção, e ele tinha que fazer uso de toda a sua capacidade de argumentação para convence-lo disso.
— Espere ao menos até vermos o que diz a carta de Dumbledore, ela não deve demorar muito mais para chegar. – tentou novamente Aluado, na esperança de que a menção a uma nova carta do diretor de Hogwarts levantasse o animo do amigo.
— Espero que ela traga boas noticias. – respondeu Almofadinhas, com um ar taciturno, levantando-se da mesa de jantar e subindo as escadas que levavam para o seu quarto. Poucos segundos depois, Remus ouviu um baque surdo da porta se fechando.
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“Estava em um corredor escuro, mórbido e sem vida. A única luz da qual dispunha era a que despontava de sua varinha, apenas um filete prateado que ele girava em todas a direções, tentando se orientar. Por mais que girasse a luz da varinha, no entanto, parecia estar andando em círculos.
A sensação de estar ali era sufocante, parecia que as paredes estavam se fechando ao seu redor, enclausurando-o pouco a pouco. Por mais que ele corresse, era como se sempre voltasse ao mesmo lugar.
Pensou em gritar, chamar ajuda, mas logo desistiu. Aquele seria um esforço inútil, não havia ninguém ali para ouvi-lo, estava sozinho.
O desespero começou a tomar conta de sua mente, e seus batimentos aceleraram de forma alarmante. Tinha que arranjar um jeito de sair daquele lugar, o mais rápido possível.
Ao longe, escutou o som inconfundível do chocalho de uma cobra, que se aproximava rapidamente. Não demorou nem um minuto inteiro para que conseguisse distinguir a forma descomunal do animal, que estava cada vez mais perto, preparando-se para o bote certeiro.
Era uma cobra gigantesca, e mesmo a pouca luz, era possível divisar suas pupilas grandes e verdes, faiscando sinistramente contra a luz negra. Ele deu um passo para trás, tentando ao máximo não fazer movimentos bruscos, para não atiçar o bicho.
— Você é mesmo um fraco, um inútil. – sibilou uma voz gélida e cruel, que infelizmente ele conhecia perfeitamente bem. Sem raciocinar sobre o que estava fazendo, virou-se na direção contraria a qual a serpente rastejava e começou a correr, sem nem mesmo enxergar o caminho por onde ia.
Ao fundo, tudo que escutava era a voz de sua mãe lhe gritando impropérios e o chocalho da cobra, que se aproximava cada vez mais, não importando o quanto ele corresse.”
Sirius acordou no susto, o coração aos pulos e o travesseiro empapado de suor. Aquele fora um sonho estranho, diferente dos habituais pesadelos que em geral assombravam seu sono, e deixara para trás uma sensação sufocante, como se o mundo estivesse se fechando ao seu redor.
Respirou profundamente varias vezes, tentando se acalmar. Quando finalmente conseguiu normalizar sua respiração, levantou-se da cama e caminhou devagar em direção a janela, sabia muito bem que não conseguiria mais pegar no sono.
Abriu a janela e sentiu a brisa fresca da madrugada, imaginando o que estaria por vir. Já fazia quase dois meses que tomara a decisão de retornar a Inglaterra, e mesmo que ainda mantivesse esta decisão firme em sua mente, permanecia no Brasil, cada vez por um motivo diferente.
Enquanto olhava pela janela, imaginou como as coisas estariam em seu pais de origem, imaginou como estariam Harry e seus amigos...em sua ultima carta, o afilhado lhe dissera que Hogwarts seria a sede do Torneio Tribruxo.
Sirius já ouvira falar daquele torneio, era uma competição extremamente perigosa, da qual participavam três campeões, um de cada escola. Quando era jovem, ele e os marotos chegaram a comentar daquele torneio, e de como participar dele poderia ser uma experiência emocionante e divertida. Na atual conjuntura, no entanto, o maroto estava mais do que feliz de seu afilhado não ter idade suficiente para participar, embora não pudesse negar que se sentiria extremamente orgulhoso e feliz se o afilhado fosse o vencedor...
Almofadinhas estava prestes a fechar a janela e descer para a cozinha para apanhar algo para comer, quando divisou uma forma parda e pequenina ao longe no horizonte, que aos poucos foi ganhando contornos enquanto se aproximava da janela aberta. Uma coruja, finalmente a resposta pela qual estava esperando.
Quando a ave completou seu trajeto, pousando no parapeito da janela e esticando a perna para que o maroto o livrasse de sua carga, este apanhou o pequeno embrulho, surpreso com seu tamanho, esperava uma correspondência um pouco maior, após tantos dias de espera.
Ansioso para saber o conteúdo do que lhe fora enviado, o maroto rasgou o envelope, deperando-se com uma única folha de papel, cuidadosamente dobrada, que continha as seguintes palavras, escritas na fina e curva caligrafia de Dumbledore:
“Caro Almofadinhas,
Desculpe-me pela demora em lhe responder, os últimos dias foram um tanto contornados.
Sinto dizer que não trago boas noticias. O cálice de fogo selecionou o nome de Harry para torneio. Antes que esta pergunta possa lhe vir a mente, já lhe darei a resposta: Não, eu não faço a menor ideia de como isto foi acontecer. Só tenho teorias, e nenhuma que explique o que me parece inexplicável.
O conheço bem demais para saber que depois deste fato não poderei mais o forçar a continuar onde está, por isso, peço que se dirija a Godric´s Hollow, haverá alguém te esperando lá.
Faço votos de que estejam bem,
P.D.
Por um momento, ele simplesmente ficou ali, parado diante da janela, sem reação, sem saber o que fazer em seguida. As perguntar borbulhavam em sua mente, fazendo-o se sentir um pouco tonto. Como Harry fora selecionado para participar do torneio? Quem colocara o nome de seu afilhado no Cálice? Porque Dumbledore o mandara para Godric´s Hollow?
Eram realmente muitas perguntas, questões demais para que pudesse lidar com elas sozinho. Decidiu acordar Aluado, aquelas noticias definitivamente não podiam esperar, os dois amigos precisavam tomar uma decisão, e o mais rápido possível.
Finalmente liberto do torpor que o atingira desde a leitura da carta, o maroto saiu apressado de seu quarto, deixando para trás a coruja que ainda aguardava pagamento pela entrega realizada, e se dirigiu para o quarto de seu amigo de infância, batendo na porta de forma quase frenética.
— Aluado!! Aluado!! Ande, abra logo essa porta, tenho noticias importantes!! – falou Black, sua voz saindo pouco mais baixa que um berro.
Depois de apenas alguns instantes, que para Sirius se assemelharam a horas, um sonolento Remus abriu a porta do quarto, coçando os olhos para espantar o sono. – O que aconteceu? Para que tanta histeria? – perguntou, encarando o outro com um olhar carrancudo de quem é acordado no meio de um sono profundo.
— Dumbledore! Ele respondeu a carta, e as noticias são alarmantes! – respondeu Sirius, deixando que sua voz demonstrasse a urgência que sentia. Só agora, diante de seu melhor amigo, é que ele começava a entender a magnitude de tudo que estava acontecendo. Apenas agora a realidade dos fatos lhe atingia com toda a força, fazendo-o cambalear.
— Sirius! Sirius! O que está havendo?? – perguntou Lupin em um tom de voz preocupado, notando a preocupação que estava estampada na voz do amigo, que estava tão branco quanto à cera de uma vela, e parara de lhe responder. Por um instante, pareceu a Aluado que a mente de seu melhor amigo estava muito longe dali, vagando pela infinidade de possibilidades e preocupações...
Sem responder, o herdeiro mais velho da família Black apenas lhe estendeu uma folha de papel, que ele leu rapidamente, empalidecendo a medida que seus olhos percorriam as palavras que estavam ali escritas.
— Como isso é possível? – questionou, aflito com o que acabara de ler. – tem de haver algum engano! Harry não pode participar deste torneio, esta além de seu aprendizado! É muito perigoso!
— Eu sei. – respondeu Almofadinhas, soltando todo o ar que estava prendendo em seu pulmões, sem nem mesmo ter se dado conta de que estava fazendo isso.
— Você tem razão Almofadinhas, temos que voltar. Agora. – falou Lupin, encarando o amigo com uma expressão atônita e preocupada no olhar.
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Godric´s Hollow estava exatamente como quando o vira pela ultima vez a alguns meses atrás, cheio de lembranças que faziam o coração de Sirius se apertar de dor e seu estomago revirar feito um carrinho desgovernado em uma montanha russa. Não importava quanto tempo passasse, jamais iria se acostumar com a falta que Pontas fazia. Nunca se perdoaria pela perda que sofrera.
— Nunca mais voltei aqui depois do que aconteceu...a ultima vez foi no enterro deles. – falou Remus, sua voz saindo pouco mais alta que um sussurro.
— Você nunca me contou como foi...queria ter estado presente. – respondeu Almofadinhas, que sentiu sua visão embaçar pela tristeza.
— Não contei porque a verdade é que não há muito para contar. Acho que Pontas e Lily iriam querer que nos lembrássemos deles como eram em vida, e não em uma ocasião em que seus corpos foram para de baixo da terra...se me lembro bem, ele sempre disse que não queria solenidades quando moresse, que achava essa coisa toda uma grande bobagem...
— É, você tem razão. Ele provavelmente diria que estávamos sendo sentimentais de mais, e que se fosse para nos lembrarmos dele, que fizéssemos um monumento em sua homenagem. – tornou a falar Sirius, rindo da lembrança que lhe viera a mente ao se recordar da opinião de James sobre enterros e velórios.
Os dois marotos caminhavam em direção a rua principal do vilarejo, imaginando quem Dumbledore mandara para encontra-los ali. Antes de iniciarem a viagem de retorno, haviam enviado uma coruja ao diretor, avisando-o de quando pretendiam chegar, e como não haviam recebido resposta, só podiam esperar e torcer para que realmente houvesse alguém a sua espera.
— Acho melhor você voltar a sua forma animaga Almofadinhas, não sabemos se há feitiços de detecção por aqui. E se alguém o reconhecer e o delatar ao ministério? – falou Lupin, preocupando-se de que seu amigo fosse reconhecido e acabasse sendo jogado novamente em uma cela asquerosa de Azkaban.
O homem magro e com certa aparência de doente continuou a caminhar, na companhia de um enorme cão de pelagem muito negra, ambos prestando extrema atenção a qualquer movimentação ao seu redor, procurando por todos os lados a pessoa que estava a sua espera.
Estavam quase na metade da rua quando ouviram atrás de si um miado baixo e insistente. Viraram-se então para encarar o animal que emitia o som, e deram de cara com um gato listrado com marcas quadradas ao redor dos olhos, gato que ambos sabiam muito bem de quem se tratava.
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