Lágrimas de Maroto - 1ª temporada
19 Capitulo 19 - Recomeço
Notas iniciais
— Sirius!! – tornou a chamar Lupin, que estava parado a alguns passos de distancia do enorme cão negro, a varinha apontada para este, como se temesse sua reação.
Remus estava confuso, não saia muito bem o que fazer, como reagir a situação na qual o destino o colocara. Estava diante do delator de seu amigo, do homem que fora responsável pela morte de Pontas, mas que também fora seu amigo, alguém em quem ele confiara cegamente por muito tempo.
Sabia que o certo seria entrega-lo aos dementadores, deixar que eles cuidassem do traidor fugitivo. Apesar da certeza de sua mente, algo fazia com que ele continuasse ali, parado, sem conseguir agir. Alguma coisa naquela cena lhe soava incorreta, como se estivessem faltando peças e um enorme e complexo quebra cabeça. Por mais que quisesse, não conseguia se mover, parecia estar paralisado.
Parado ali, fitando seu antigo melhor amigo, sentia-se confuso, dividido entre a mente e o coração, uma dizendo que aquele que estava diante dele era um assassino cruel e sanguinário que vendera seus amigos a Voldemort; enquanto o outro insistia em dizer que toda aquela barbárie não podia ser verdade, insistia em acreditar que Sirius não podia ter feito aquilo tudo.
Ao ouvir seu nome na voz de Aluado, o majestoso cão negro se virou lentamente, encarando o amigo nos olhos. O que encontrou ali o deixou devastado. Nos olhos de Remus, tudo que ele pode ver foram à decepção e a confusão. O antigo amigo o julgava um traidor, alguém que se vendera ao inimigo.
Aquela constatação reabriu uma ferida, velha companheira do herdeiro mais velho dos Blacks. A culpa e o remorso submergiram com força redobrada, atingindo-o como um soco na boca do estomago. Via nos olhos do amigo aquilo que ele se tornara para todo o mundo bruxo, um traidor e assassino, alguém que com certeza merecia uma passagem só de ida para Azkaban.
Naquele momento, o maroto se sentiu derrotado. Parecia ter perdido toda a sua força e coragem, encolhendo-se diante do olhar de mágoa e decepção que recebia de Remus. Sabia que seria duro quando o reencontra-se, mas nunca imaginara que seria tão ruim.
De certa forma, era como se estivesse de volta à cela que fora sua morada por tantos anos, sentindo-se fraco e impotente. Alguém com quem o destino fora cruel, tirando-lhe tudo que lhe era mais importante. Por um momento, sentiu-se vazio de alegrias, preenchido apenas pela dor e pelo remorso.
Passaram-se alguns segundos, que para Almofadinhas soaram como longas horas de espera. O que Aluado iria fazer? Entrega-lo aos dementadores? A Dumbledore? Daria a ele a chance de falar, de ao menos tentar explicar o que realmente acontecera? E se fosse esse o caso, será que acreditaria nele?
Aquela espera estava acabando com Sirius. Seu coração pulsava em um ritmo frenético enquanto ele permanecia ali parado, tentando decifrar a expressão de Lupin, tentando adivinhar o que viria a seguir, qual seria a sentença proferida do amigo.
Ali, de frente para um de seus maiores e melhores amigos, Sirius percebeu que não tinha mais forças para continuar lutando sozinho, precisa contar com alguém, e torcia para que Aluado lhe desse uma chance, que ele fosse a pessoa com quem poderia contar. Desejou do fundo de seu coração que tivesse ao menos a chance de falar a verdade, despejar tudo que estava preso em sua garganta a tanto tempo.
Apesar de seu desejo, decidiu que qualquer que fosse a decisão dele, não iria fugir, não iria tentar escapar. Devia ao menos isso ao amigo, deixaria que sua sorte ficasse nas mãos dele. Só lhe restava esperar para ouvir sua sentença, não mais importando o seu teor. A única coisa que fez, enquanto esperava por alguma reação de Remus, foi voltar a sua forma humana. Queria que o amigo o visse com sua verdadeira face.
—--
Ouviu-se um pequeno estalido, e o cão negro deu lugar a um homem de aparência esqualida. Encarando seu antigo melhor amigo, Lupin se deu conta do quanto este havia mudado. Estava muito magro, seus cabelos estavam desgrenhados e acinzentados em alguns pontos, tinha maçãs do rosto fundas, profundas olheiras cobriam a parte de baixo de seus olhos, como se não dormisse direito a meses. Apesar de sua aparência, o que mais assustou o bruxo foram os olhos de seu antigo amigo. O antigo brilho divertido e confiante havia sumido, substituído por uma tristeza tão profunda quanto as águas do lago negro.
Sem pensar direito no que estava fazendo, sem medir as consequências ou mesmo ponderar sobre o que era realmente verdade, o mais responsável dos marotos ouviu sua própria voz, como se fosse de outra pessoa quando dirigiu apenas duas simples palavras para Sirius: — Venha comigo.
Sem dizer mais nada, Aluado deu as costas a seu interlocutor, confiando que ele acataria suas palavras, e seguiu em frente, em direção a sua sala de aula. Sabia que tinha que agira rápido, se demorasse demais, poderiam nem mesmo conseguir chegar.
Enquanto andava, sua mente estava um turbilhão. Será que estava fazendo a coisa certa? Dar uma chance de Sirius era realmente uma boa ideia? Ele não tinha como ter certeza. Até onde sabia, aquele que um dia fora seu amigo era um assassino louco e perigoso, responsável pela morte de seus melhores amigos. Apesar dos fatos apontados contra Almofadinhas, Aluado sentia que devia pelo menos ouvi-lo dar sua versão, mesmo que o que todos diziam fosse verdade e ele acabasse morto por tê-lo descoberto.
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Sirius não podia acreditar no que estava acontecendo. Seu coração se encheu de esperança e confusão com as palavras de Lupin. O que elas realmente significavam? Teria uma chance de se explicar, de contar-lhe toda a verdade sobre aquela terrível noite?
Não sabia o que pensar, e por um momento, permaneceu ali parado, vendo Remus se afastar a passos rápidos. Poderia simplesmente se virar e ir embora, sair correndo para fora de Hogwarts, mas sabia que se fizesse isso estaria assinando um atestado de culpa na mente de Aluado. Não, ele prometera a si mesmo que iria aceitar a decisão do amigo, e era isso que iria fazer.
Assim, seguiu os passos de Lupin, cuidando para se manter a uma curta distancia, não sabia qual seria a reação do outro se se aproximasse demais. Além disso, perguntava-se para onde estavam indo, indagando-se qual seria a decisão que o destino iria tomar para sua vida.
Por fim, chegaram a antiga sala de Defesa Contra as Artes das Trevas, uma das matérias favoritas do maroto quando de seus tempos de estudante. Sempre imaginara que acabaria se tornando um auror, alguém que luta para manter o mundo livre de bruxos das trevas, e agora olhe só onde chegara: um prisioneiro fugitivo que pagara durante anos por crimes dos quais era completamente inocente.
Entraram na sala, e após fechar a porta, Lupin apontou sua varinha para a fechadura, lançando um feitiço para tranca-la e outro para impedir que alguém que passasse por ali pudesse ouvi-los. Durante este procedimento, Sirius permaneceu em silencio, apenas aguardando, o coração acelerado pela expectativa.
— Não sei por que estou fazendo isso. – falou Remus, sua voz não mais do que um sussurro. – realmente não consigo entender porque simplesmente não o entreguei aos dementadores, tenho certeza de que ele teriam adorado, e Snape finalmente pararia de me importunar por achar que estou ajudando você. – continuou ligeiramente exasperado.
— Aluado eu...eu...espera ai, desde quando você se importa com o que Ranhoso fala? – perguntou Sirius, não conseguindo conter a irritação em sua voz, apesar da situação delicada em que se encontrava.
— Acho que eu não lhe devo satisfações sobre com o que me importo Sirius. Além do mais, no momento você não está em posição de fazer julgamentos, não é mesmo? – respondeu o outro, e um tom de voz cortante. – Se alguém tem alguma coisa para falar não sou eu, é você. – emendou, finalmente se virando para encarar seu velho amigo.
Aquelas palavra, Almofadinhas pareceu voltar a si, recobrando o pouco de calma e o bom senso que ainda lhe restavam. Remus tinha razão, ele não era ninguém para falar sobre Snape, ou para condenar o amigo por se importar com o que o sonserino pensava. Não estava em posição de fazer julgamentos. O destino havia lhe dado a chance de falar a verdade, e ele tinha que aproveita-la e parar de implicar com coisas idiotas.
— Você tem razão. Eu...me perdoe. – respondeu, com a voz embargada, lutando para continuar a falar antes que perdesse a coragem. – Eu sei o que você pensa que fiz, mas você tem que me ouvir! Não é verdade o que dizem. Não sou um assassino! Por favor, apenas me escute. Se não acreditar em mim pode me dar de jantar aos dementadores, prometo que não vou tentar fugir. – continuou, avaliando a reação de Lupin a suas palavras.
Remus não respondeu de imediato, ainda incerto sobre o que era o certo a se fazer. Soltando o ar prezo em seus pulmões, respondeu: — Está bem, comece a falar.
Sem dar chance para que o antigo amigo mudasse de ideia, Sirius começou a falar, despejando as palavras em uma torrente descontrolada, sem saber muito bem por onde deveria começar: — Olhe Remus..eu...eu sou inocente. Não dedurei Lily e James para Voldemort. Não fiz isso, tem que acreditar em mim! Eu fiquei tão arrasado quanto você quando soube o que tinha acontecido. E agora, ele está aqui em Hogwarts, apenas esperando a hora certa para atacar. Eu tentei dete-lo, mas ele conseguiu escapar mais uma vez! Sinto muito por não ter podido protege-los, eu tentei avisa-los do perigo, mas cheguei tarde demais...
— Não estou entendendo Sirius. Você não está falando coisa com coisa...tente se acalmar e comece do começo, por favor. – interrompeu Remus, aflito com a torrente de frases desconexas que ouvia. O que realmente havia acontecido aquela noite? E quem era esse “ele” a quem Black se referia?
— Está bem, desculpe. Estou muito nervoso, e sempre que fico assim fica difícil de ordenar meus pensamentos, você sabe bem disso. – respondeu o outro, que começou a andar pela sala na tentativa de se acalmar e conseguir falar as coisas com clareza.
— Eu não trai os Potter Remus. Pelo menos não diretamente. – recomeçou Sirius, desta fez tentando fazer com que sua fala saísse ordenada.
— Se você não os traiu, como Voldemort descobriu onde eles estavam? Você era o fiel do segredo deles!! – exclamou Lupin, incapaz de esconder a amargura em sua voz.
— Não. Eu não era. Um pouco antes de fazermos o feitiço Fidelius, eu sugeri a eles que usassem Rabicho em meu lugar. Todos sabíamos que eu seria a primeira pessoa a ser procurada para tentarem descobrir o paradeiro deles, e eu pensei que usando Pedro, uma pessoa que ninguém desconfiava, que todos julgavam covarde e preguiçoso, eles estariam mais seguros. Foi a ideia mais estupida da minha vida, e não há nada do que eu me arrependa mais. – falou Almofadinhas, as lágrimas voltando a turvar sua visão com a lembrança.
— Se vocês trocaram o fiel do segredo, porque não contaram pra mim? E mesmo que isso seja verdade, você o matou não foi? Porque ele tentou avisar Pontas do perigo que ele e a família estavam correndo...
— Eu não matei aquele verme!! – gritou Sirius, em desespero. – Não contamos pra você porque...bem...porque estávamos desconfiados que você pudesse ser o espião infiltrado, por conta de sua condição de lobisomem. – falou o maroto, com a voz triste. Lamentava muito ter desconfiado do amigo. Aluado não merecia que tivesse feito isso. – Me desculpe por isso. Você era a ultima pessoa de quem devíamos ter desconfiado. – continuou, com os olhos no chão.
— Desconfiaram de mim? – perguntou Lupin, desconcertado. Jamais pensara que fora alvo de desconfianças dos amigos. Sentiu seu coração afundar com aquela descoberta. No fim, sua “condição de lobisomem” havia falado mais alo do que suas ações ou seu caráter, e pior, para as pessoas em quem ele mais confiava no mundo.
— Me perdoe Aluado! Não sabe o quanto me arrependo disso. – falou Sirius, sentindo a decepção e a mágoa do amigo pesar sobre seus ombros. – a questão é que Pettigrew se tornou o fiel do segredo, e os delatou a Voldemort. Aquela noite, eu havia prometido a Pontas que iria até o esconderijo de Rabicho, ver como ele estava. Quando cheguei lá, não o encontrei e entendi, ele havia nos traído. Corri a casa de Pontas para tentar avisa-lo, rezando para que ainda houvesse tempo, mas quando cheguei...- a lembrança daquele dia o atingiu em cheio, como se estivesse passando por todo aquele horror novamente. – quando cheguei eles...eles estavam mortos.
Aquela altura, grossas lágrimas rolavam pelas faces de Sirius, que parecia ter retornado aquela noite onde sua vida se transforara em um verdadeiro inferno, e tudo por culpa daquele traidor imundo.
— Enfim..eu acabei encontrando Harry, e você não tem ideia da felicidade que eu fiquei ao perceber que meu adorado afilhado havia sobrevivido! Eu decidi que iria cuidar dele, cumprir a promessa que havia feito a Pontas, ia garantir que ele tivesse uma família, garantir que fosse feliz. Mas ai o Hagrid apareceu, e me disse que Dumbledore queria que o garoto fosse morar com os tios trouxas. Eu não queria permitir, mas acabei me convencendo, afinal, eu ainda tinha que ir atrás de Rabicho.
Enquanto Almofadinhas falava, Remus apenas ouvia, sentia-se incapaz de pronunciar uma única palavra que fosse. Estava em choque com aquela história, dividido entre se deveria acreditar nela ou não.
— Eu fui atrás de Rabicho, queria que ele pagasse pelo que tinha feito. Mas quando o encontrei, ele acabou levando a melhor. Aproveitou que eu estava desesperado, sem rumo, ferido pela morte de meus amigos e simulou a própria morte, explodindo a rua e matando muitas pessoas que estavam por ali. Fez parecer que tinha sido tudo minha culpa. De certa forma ele estava certo, foi tudo minha culpa. Se eu não tivesse dado a ideia de ele ser o fiel do segredo ao invés de mim, nada disso teria acontecido não é? Acabei indo para Azkaban, e estaria lá até hoje se o ministro não tivesse me jogado seu jornal e eu não tivesse encontrado uma foto dele, no ombro de um garoto alto que passava férias no Egito com sua família numerosa...
— Ron...- pensou Lupin, que vira a mesma foto meses atrás no Profeta Diário.
— Eu não podia permitir que ele ficasse aqui Remus! Não podia deixar que ele estivesse em Hogwarts, tão perto de Harry, pronto para cumprir ordens de seu velho mestre caso este ressurgisse...então eu fugi da prisão. Sair da cela não foi um grande problema, eu estava tão magro que consegui passar pelas grades com relativa facilidade. Acho que o mais difícil foi nadar até a cidade mais próxima. A água era muito fria, parecia que estavam enfiando centenas de agulhas em mim. Nadei por horas, e cheguei a terra firme quase exaurido. Por fim, fui visitar o tumulo de James e Lily, aproveitando para plantar uma pista falta sobre meu paradeiro e depois...bem, depois eu vim para Hogwarts, tentar pegar aquele rato imundo, faze-lo pagar por todo o mal que nos causou. Não tive muita sorte nessa parte, como você pode ver. – terminou Sirius, sem folego depois de falar tanto de uma vez, mas sentindo-se bem mais leve por ter finalmente posto tudo para fora.
Remus nada respondeu. Estava incrédulo com toda aquela hisória. Se fosse verdade, ele passara anos de sua vida culpando a pessoa errada, enquanto seu amigo passava anos isolado em uma cela, pagando por crimes dos quais não tinha culpa. Toda aquela situação era horrível demais, triste demais. Se aquilo fosse realmente verdade, ele duvidava que conseguiria se perdoar por não ter ido atrás da verdade, por não ter estado ao lado de Sirius quando o amigo precisou.
Ainda confuso, subiu o olhar e encontrou o amigo sentado em uma das carteiras da sala de aula, o rosto coberto pelas mãos, chorando compulsivamente. Almofadinhas sempre fora o mais emotivo dos marotos, todos os chamavam de “rei do drama”, mas hoje em especial, tudo que seu choro mostrava era a verdade, uma verdade que atingiu Lupin com força.
Estivera enganado todo aquele tempo! Deixara que seu melhor amigo pagasse por crimes que não eram seus. Havia deixado que o que as pessoas haviam lhe contado se tornasse uma verdade incontestável. Em nenhum momento parara para pensar que podia ser tudo mentira. Não pensara em procurar Sirius para ouvir sua versão, abandonara o amigo a sua própria sorte. A dor da descoberta afundou em seu estomago, as lágrimas embaçando sua visão. Como pudera fazer isso? Como pudera dar as costas a seu amigo quando este mais precisou dele?
— Sirius me...me perdoe. Eu devia ter desconfiado de alguma coisa, devia ter ido falar com você. Como pude ser tão estupido e não perceber que havia algo de errado? Eu não se você consegue, mas preciso que me perdoe. – falou Aluado, baixinho.
Sirius não respondeu, apenas ficou ali, fungando alto e sorrindo bobamente. Seu amigo acreditara nele! Teria a amizade de Remus de volta, e esse era um presente bem maior do que esperava ganhar aquela noite.
Ele se levantou e correu até o amigo, abraçando-o com força, ambos ainda chorando muito. – Não se preocupe Aluado, todos cometemos erros, e o bom deles é que sempre podemos concerta-los! – falou Almofadinhas, sua voz exalando uma alegria genuína e imensa, a muito não sentida. Era muito bom ter seu irmão de volta.
— Bem vindo de volta Almofadinhas! – respondeu Lupin, tão feliz quanto amigo.
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