Lágrimas de Maroto - 1ª temporada

20 Capitulo 20 - Cartas e recordações


Notas iniciais
Olá pessoas!! Como vocês estão? Hoje tenho uma agradecimento muito especial a fazer: obrigada Rainha da Noite, pela linda recomendação que você fez para essa história!! Me emocionei muuito com tudo que você escreveu!! Muito obrigada, por todo o carinho! Obrigada também as queridas da Ellryn, da Lilica611, da Princesa Mestiça e da propria Rainha da Noite pelos comentarios maravilhosos!! Espero que gostem desse capitulo, foi escrito com muito carinho!! Boa leitura a todos!!

"Caro Almofadinhas,

Espero que esteja bem!

Antes de qualquer coisa, gostaria de dizer que toda essa situação é muito estranha. Ter que escrever para você por intermédio do bicho de estimação de uma de minhas alunas é realmente algo que eu nunca imaginei que faria na vida! E acho que posso dizer o mesmo de nosso ilustre mensageiro, que não parece nada feliz de ter que fazer serviços de entrega, não é mesmo?

Na atual situação, entretanto, a precaução se faz necessária. Infelizmente, é melhor que não nos arrisquemos com visitas minhas a casa dos gritos (e muito menos suas ao castelo!) a situação já está complicada o bastante, não acha?

Enfim, voltemos aos motivos que me fizeram escrever tão antes do previsto: tenho novas noticias. Algumas realmente boas, outras que acho que assim como eu, você não vai gostar.

Começando pelas boas: haverá um jogo de quadribol amanha à tarde, Grifinória X Corvinal. Acho que você gostaria de ir ver não é? Vive reclamando que não tem oportunidades de ver o Harry, além disso, vai ser a primeira vez que ele vai voltar ao campo após o acidente. Vai ser bom você estar lá para apoia-lo (mesmo que ele não saiba).

A outra boa noticia é com relação ao seu estomago: mandei uma encomenda de comida e chocolates pra você (cortesia dos elfos domésticos de Hogwarts!). Bichento vai levar junto com a carta.

Agora a má noticia: infelizmente, não tive maiores sucessos em nossa busca. Pettigrew, ao que parece, continua encarquilhado na torre da grifinória, e com a aproximação da lua cheia, estou me sentindo cada vez mais fraco e doente. Receio que só terei condições de fazer alguma coisa efetiva quando o período de lua cheia terminar. Sinto muito.

Espero sinceramente que esteja bem!

Aluado."

P.S.: Harry vai montar a Firebolt no jogo!! Tia Mimi finalmente a devolveu ao garoto. Alias, foi realmente um presente excelente.

Sirius leu a carta de Remus com um sorriso enorme. Desde que se reconciliara com um dos seus melhores amigos, o humor do maroto havia melhorado consideravelmente. Mesmo não tendo tido sucesso na captura de Rabicho, ele sentia que era apenas questão de tempo. Com o amigo ao seu lado, tudo ficara mais fácil, não tinha mais que carregar aquele fardo sozinho.

Desembrulhou a comida que o amigo lhe enviara, que fora colocada em um pequeno embrulho enfeitiçado, para não despertar suspeitas. Aluado realmente o conhecia muito bem. Dentro do embrulho, havia tudo que Sirius mais gostava, inclusive a sua compulsão quando mais novo: chocolate. Três barras enormes.

Antes de comer, Sirius rabiscou uma resposta para Remus, instruindo Bichento a entregasse (não sem antes receber um olhar recriminador do gato de rabo de escovinha, que estava detestando seu trabalho de pombo-correio.) – Não me olhe assim! – falou o maroto para o gato. – Sei que você não gosta de fazer entregas, mas por enquanto é o único modo que temos está bem? Prometo que vou arranjar uns ratos gorduchos para lhe dar de jantar. – continuou, recebendo como resposta apenas um miado baixo. Pelo jeito do gato, era melhor que ele arranjasse um belo de um banquete.

Com a concordância de seu entregador, Sirius pos-se a escrever o bilhete, que acabou por ficar assim:

"Aluando,

Estou bem sim, apesar do tédio e do nervosismo de ficar trancado nesta casa o dia todo.

Com certeza que vou ver Harry jogar!! Fico feliz que ele finalmente tenha a Firebolt de volta, pelo que soube é uma vassoura excelente, e quero muito ver como é o desempenho dela!

Quanto a Rabicho, não se preocupe, daremos um jeito de pega-lo, e ai sim, aquele verme vai pagar por todo o mal que nos causou.

Imagino como você deve estar se sentindo, já presenciei muitas transformações suas para não saber de cor cada um dos sintomas. Sinto muito por não poder estar ai para ajuda-lo! Procure descansar e não fazer esforços, e não se esqueça de tomar a poção. ( Antes de beber, verifique se não é veneno! Eu não duvido que Ranhoso seja perfeitamente capaz de envenena-lo, por isso por favor, tome cuidado!).

Espero noticias suas!

Almofadinhas"

Depois de mandar sua resposta e se empanturrar de comida, resolveu sair para dar uma caminhada. Se tivesse sorte, poderia assistir a alguma aula interessante ou mesmo dar uma olhada em Harry e seus amigos.

Depois de algum tempo de volta a Hogwarts, o maroto notara que o afilhado e seus amigos eram muito próximos a Hagrid, tal como acontecera com ele e os marotos em sua época de estudantes, e talvez pudesse vê-los se caminhasse por perro da cabana do guarda-caça...

Foi com esses pensamentos que o maroto se dirigiu para aquela parte dos terrenos de Hogwarts, perdido em seus pensamentos...era impressionante como cada canto daquele lugar lhe traziam tantas memórias, incontáveis recordações que borbulhavam em sua mente feito a mistura de um caldeirão fervente...

Flashback on

Estavam todos na casa dos gritos, esperando pelo pior. Essa era a primeira vez que iam testar a animagia que haviam praticado em si mesmos, era a primeira vez que iriam ver se funcionaria de verdade, se conseguiriam conter o lobisomem que logo estaria em sua plena força.

O silencio era tamanho que era possível ouvir a respiração entrecortada dos quatro, juntamente com os batimentos acelerados de seus corações, estavam todos extremamente ansiosos com o que iria acontecer.

Até aquele momento, tudo havia funcionado como planejado. Rabicho se transformara de fora perfeita em um rato de jardim, de pelagem cinzenta e olhos escuros, e, depois que Aluado fora levado para a casa dos gritos por Madame Pomfrey, apertara o nó do Salgueiro Lutador, liberando a passagem dos outros.

Agora estavam todos ali, esperando que a transformação começasse. Todos inquietos e ansiosos, a expectativa aumentando a cada segundo, rezando para que tudo corresse bem.

A quietude foi quebrada por um grito ensurdecedor, vindo de Remus, que dobrou-se sobre o próprio corpo sob o peso da dor dilacerante que o atingira de supetão. Todos o encararam, desesperados com a visível agonia do amigo.

— Aluado? Remus, o que foi?? O que está sentindo? – perguntou James, sua voz demonstrando o pânico que se formara em seu coração ao ver o amigo sofrer daquela maneira tão terrível.

Remus não respondeu. Não conseguia pronunciar nem uma única letra sequer. Sentia como se todo o seu corpo ardesse em chamas, tudo doía. Caiu de joelhos, não mais conseguindo se manter de pé.

Por instinto, Sirius abaixou-se junto do amigo, colando um dos braços em suas costas. – Shh...vai ficar tudo bem! Apenas se acalme...- falou Almofadinhas, no tom mais calmo que conseguiu reunir diante daquela situação angustiante.

Pressentindo o perigo, Aluado rolou para longe do amigo, com medo de machuca-lo. Logo iria perder o controle de sua mente, sua transformação estaria completa, e quando isso acontecesse, não teria mais nenhum controle sobre suas ações. Se algum de seus amigos estivesse perto demais poderiam acabar se ferindo, e ele jamais se perdoaria se algo assim acontecesse.

— Agora! – berrou, juntando nessa única palavra todas as forças que lhe restavam. Antes de perder a consciência, apenas um instante antes de sua mente ser tomada por seu lado lupino ele vislumbrou as enormes figuras de um cervo e um cachorro enormes e majestosos, que lhe lançavam olhares de preocupação extrema.

Flashback off

A lembrança da primeira vez que ele e os amigos haviam presenciado a transformação de Aluado voltou à mente de Sirius enquanto ele caminhava na direção da cabana de Hagrid, e o maroto sabia exatamente porque isso acontecera, Estava preocupado com Remus. Sabia o quão difíceis e dolorosas eram essas transformações, e lamentava não poder estar lá para poder ajuda-lo...

Por fim, chegou a cabana de Hagrid, cuidando para manter uma certa distancia. Não queria chamar a atenção para si, na semana anterior quase fora pego quando passava por ali, por conta do cão de caçar javalis do amigo, que latiu feito um louco ao perceber uma presença diferente perto da casa. O maroto escapara por um triz, e não estava com vontade de repetir a experiência.

Qual não foi sua alegria ao se deparar com Harry tomando chá na casa do meio-gigante, acompanhado de seu amigo ruivo, o “dono” daquela ratazana imunda do Pettigrew.

Aquela distancia o maroto não conseguia ouvir o que diziam, mas não precisava. Observar seu afilhado já era o suficiente por enquanto, pelo menos tinha a satisfação de saber que o garoto estava bem e feliz, apesar de tudo que já sofrera em sua curta vida...

Harry era extremamente parecido com Pontas, mas pelo que Aluado havia lhe contado, havia herdado boa parte do temperamento de Lily. Nas palavras de Lupin, era um bom garoto, que apesar de tudo que passara conservara em si uma pessoa boa, sempre disposto ajudar e fiel aos amigos. Mesmo sem poder se aproximar do garoto (ele e Aluado haviam concordado que aquele não era o melhor momento para uma aproximação), Sirius sentia um imenso orgulho de seu afilhado, sabia que ele herdara o que havia de melhor em James e Lily. Enquanto observava, Almofadinhas desejou do fundo de seu coração que um dia tivesse a chance de dizer isso ao garoto, dizer a Harry o quanto era um padrinho orgulhoso de seu afilhado.

Por algum tempo ele permaneceu ali, esticado sobre a grama verde, sem tirar os olhos dos três ocupantes da cabana do guarda-caça, deixando que sua mente divagasse para tempos mais felizes, que retornasse para um dia em que ele verdadeiramente acreditara que nada podia estragar a profunda felicidade que sentia...

Flashback on

Sirius estava nervoso, andando de um lado para o outro na pequena sala de espera que ocupava juntamente com Aluado e Rabicho, que aquela altura já haviam desistido de tentar acalmar o amigo.

— Desse jeito você vai abrir um buraco no chão! – falou Remus, pelo que pareceu ser a milésima vez.

— Eles vão ficar bem Almofadinhas. Lily, James e o bebê vão ficar bem. Por Merlim, tente se acalmar! – falou Rabicho, exasperado.

Apesar das palavras dos amigos, Sirius não conseguia se forçar a se acalmar. Estava preocupado, e não sabia agir quando ficava assim. Já iam fazer duas horas desde que ele e os outros marotos foram avisados que Pontas fora com Lily para o hospital bruxo porque a amiga ia ter o bebê, e até aquele momento, não tinham tido nenhuma noticia.

Depois de mais alguns minutos, que para ele pareceram longas horas intermináveis e arrastadas, uma enfermeira apareceu a porta do aposento, perguntando em uma voz simpática:

— Estão esperando por noticias de Lily Potter?

— Sim! – responderam em uníssono, encarando a moça com ansiedade e expectativa mal disfarçada.

— Ela e o bebê estão bem. – respondeu ela, com uma voz alegre, tentando passar confiança ao notar o nervosismo dos três. – Os novos papais pediram para chamar vocês para vê-los. Foram informados, entretanto, que neste primeiro momento só é permitida a entrada de uma pessoa por vez, e pediram que eu chamasse primeiro o senhor Sirius Black. Qual de vocês é o Sr. Black?

— Sou eu! – respondeu Sirius, mal contendo a alegria na voz por saber que correra tudo bem.

— Me acompanhe, por favor. – continuou a moça, virando-se e começando a andar a passos pelo corredor.

Sirius apressou-se para alcança-la, ansioso para conhecer o novo membro da família dos marotos. Andaram por mais dois corredores imensos, até que por fim pararam no quarto de numero 115.

— Pode entrar, eles estão lhe esperando. Quando sair, por favor peça que o próximo de seus companheiros venha conhecer a criança, pelo que pude perceber estão todos muito ansiosos. – disse a enfermeira, lançando um largo sorriso a Almofadinhas antes de se virar e sumir por um outro corredor.

Quando ela se foi, Sirius empurrou a porta com o numero 115 gravado, e adentrou o aposento, dando de cara com uma cena digna de uma fotografia. Lily e James estavam debruçados sobre um pequeno embrulhinho de cobertores azuis da cor do mar, visivelmente emocionados.

Levou alguns segundos até que o casal percebesse que não estava mais sozinho com seu bebê. Sem ser notado, Sirius se aproximou do casal, até que estava ao lado deles, também encarando o pequeno embrulhinho que dormia a sono solto.

— Parabéns papais!! – disse, abrindo um largo sorriso para os amigos. – É realmente um menininho lindo! – continuou, contagiado com a alegria e a emoção que emanava dos amigos.

— Almofadinhas! Nem percebi que você tinha entrado! – exclamou Pontas, virando-se e abraçando o amigo. – pois é, Pontas! Nem prestou atenção na minha entrada triunfal. – respondeu Black, fingindo indignação. – mas dessa vez eu te perdoo, digamos que tem alguém bem mais interessante que eu precisando da atenção de vocês neste momento. – continuou, alegre.

— Ele é lindo, não é Sirius? Uma bela criança, graças a deus não parece ter puxado o meu lado da família. – brincou Lily, sorrindo para o amigo.

— Ele é muito lindo mesmo Lily. E você tem razão, parece que ele não herdou nenhuma característica indesejada. – respondeu o maroto, entrando na brincadeira da amiga.

— Quer segura-lo? – perguntou a amiga.

— Não sei Lily...sou destrambelhado demais. Não sei se sou a melhor pessoa para pegar no colo uma pessoinha tão frágil. – respondeu Almofadinhas, inseguro.

— Ora vamos, deixe de ser medroso Sirius! – falou James, gargalhando da insegurança do amigo. – Anda, você consegue.

— Está bem então...mas depois não digam que eu não avisei vocês! – respondeu o maroto, ainda temeroso de que conseguiria.

Com cuidado, Lily transferiu o bebê dos braços dela para os de Sirius, que com alegria o recebeu, emocionando-se tanto quanto os amigos. Teve certeza de que amaria aquela criança como se fosse seu próprio filho.

— Olá amiguinho! Como você está? Sabe, quando você crescer, tio Sirius vai te ensinar um monte de travessuras, vamos deixar seus pais malucos, prometo! Você vai ser um legítimo maroto! – falou para a criança, embalando-o com delicadeza.

— Não comece a ensinar traquinagens ao meu bebê antes mesmo de ele acordar direito Sirius! – gargalhou Lily, encantada com a facilidade que seu amigo demonstrava com o bebê.

— Desculpe Lily, não posso evitar! – respondeu o outro, com um sorriso.

— Temos um convite a te fazer Sirius. – começou James, deixando o maroto intrigado.

— E se você não aceitar, nunca mais falo com você! – acrescentou Lily, ostentando uma expressão que se dividia entre seriedade e divertimento.

— Que convite? – perguntou Almofadinhas, genuinamente intrigado.

— Queremos que seja o padrinho dele! – falaram Pontas e Lily juntos.

— Vocês querem o que? – falou Sirius, incrédulo. Será que tinha ouvido errado? Ou o casal realmente o queria para padrinho do bebê?

— Ai Sirius, eu sabia que você era lerdo, mas sua surdez é novidade para mim! – brincou James, se divertindo com a expressão confusa que o melhor amigo ostentava. – Queremos que você seja o padrinho do bebê! E então, você aceita?

— Mas é claro que sim!!! – exclamou o maroto, exalado felicidade. Sentia-se imensamente honrado com o convite dos amigos. Mostravam que eram realmente uma família.

A voz de Almofadinhas soou tão alta que acabou acordando o bebê, que choramingou um pouquinho por ter sido perturbado em seu sono. – Oi bebê! Seu padrinho irresponsável começou mal te acordando não é? Me desculpe, prometo que vou melhorar, está bem? – falou para a criança, conseguindo acalma-la quase que instantaneamente.

— A proposito, qual vai ser o nome do meu afilhado? – perguntou, lançando um olhar indagador aos amigos.

— Harry. – respondeu Lily, sorrindo. – Harry James Potter.

— Seja bem vindo Harry! – falou o maroto, para a criança, que embalada pelo padrinho, voltara a dormir.

Flashback off

Lembrar-se de quando fora convidado para ser padrinho de Harry encheu o coração de Sirius de alegria e esperanças. Logo teria a oportunidade de contar toda a verdade ao afilhado, e esperava de todo o coração que o afilhado pudesse lhe perdoar.

Enquanto o enorme cão negro continuava ali, observando a cabana do guarda-caça, a tarde foi se estendendo, aos poucos as sombras da noite começaram a se infiltrar pela luz do dia, e ao ver que seu afilhado retornava para o castelo, Almofadinhas resolveu que também estava na hora de se recolher. Quem sabe esta noite não tivesse pesadelos, mas um sonho bom, só para variar.

Notas finais
E então?? Qual a opinião de vocês?? Favor mandar um "oi" para a autora carente aqui, haha Beijokas e até a proxima!