Kyodai - The Awakening Of Chaos (Interativa)
24 Gaiden: Nagashi - Dear Arashi
Notas iniciais
“Meu futuro... Meu destino... Será que estou mesmo fadada a viver sozinha? Viver como uma rosa solitária em um jardim seco e devastado? Será que jamais poderei desfrutar do companheirismo e da amizade de alguém? Mas... Por quê? Por que todos que me amam... Morrem? Por que não posso ser feliz? Por qual razão não posso amar quem está ao meu redor sem prejudicar ninguém? Talvez exista uma mesma resposta para ambas as perguntas: não se pode mudar o destino. Entretanto, eu gostaria que isso não fosse verdade...”.
– Nagashi Swords
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Há cerca de nove anos, cidade de Konton, proximidades do colégio Kyodai...
Uma família feliz caminha pelas ruas tranquilas e calmas do município, na época, tão pequeno. Quatro loiros, quatro sorrisos, uma mesma felicidade. Tsuyo, Iyashi, Nagashi e Saisey, nessa ordem, da esquerda à direita. Todos integrantes da família Swords.
– Um dia, você estudará naquele colégio, minha querida. – fala Saisey, uma bela mulher de longos cabelos dourados até pouco depois da cintura, ao dirigir seu olhar para o distante internato, à sua direita.
– Eu também, mamãe? – questiona o menor, fitando o semblante alegre da mãe.
– Mas é claro que sim, Iyashi. Quando você tiver a idade necessária, também estudará lá.
– É um ótimo colégio. O diretor é um velho amigo nosso e, com toda a certeza, cuidará bem de vocês dois. – alega o pai, com um sorriso radiante, alternando seu olhar entre seus dois filhos.
Todos permanecem com as mãos ligadas. Caminham pela cidade como uma verdadeira família feliz, o que de fato são. Dinheiro, sucesso, prestígio e felicidade são fatores que não lhes faltam.
– Eu poderia estudar em escolas muito melhores do que aquela, papai... – opina a garota, com um leve sorriso. – Por que tenho que ir para lá?
– Kyodai é um colégio recente, mas em breve será um dos melhores do mundo. Temos certeza disso, querida. Além disso, precisamos acreditar em nossos amigos. Todos precisam. – alega Saisey.
Enquanto andam, lado a lado de seus filhos, o casal percebe que o sorriso de Nagashi desfalece. O rosto da pequena se abaixa, e dessa maneira ela fala, com um tom triste:
– Quando olho para lá, sinto uma angústia tão grande.
– Angústia? Por quê? Não gostou da aparência da escola? – indaga o pai.
– Não é isso. – nega ela, com o olhar perdido, em direção ao chão. – Mas é como se eu sentisse algo ruim vindo de lá.
Um indesejado sentimento invade os dois mais velhos. Decidem disfarçar, para não demonstrar para seus dois filhos. Porém, Tsuyo e Saisey tem ciência do que pode estar acontecendo à jovem integrante dos Swords: dons especiais estão se manifestando e Nagashi é uma humana avançada. Essa teoria parte seus corações.
– É impressão sua, deve ser isso. – diz a mãe, instantes depois.
– Deve ser isso mesmo. – concorda, erguendo seu rosto, desenhando nele um sorriso forçado.
Com mais alguns passos, Tsuyo e seus queridos entes chegam em casa. É uma agradável manhã, que eles escolheram para passearem juntos. Entretanto, o passeio chegou ao fim.
– Nagashi, Iyashi, subam com a Madeleine. – pede o pai, poucos minutos após o fim do passeio, quando chegam em casa e são recebidos pela governanta.
– Venham crianças. – pede a doce empregada, sorridente, recepcionando os dois irmãos e guiando-os para os seus quartos.
Juntos a ela, Nagashi e Iyashi sobem as escadas, alegres. O casal observa o afastar de ambos, tentando manter a alegria, mesmo sendo esta uma difícil tarefa.
– Não pode estar acontecendo isso. – lamenta Saisey, transformando sua forçada alegria em evidente tristeza.
– Ela é uma Swords. É natural que suas habilidades comecem a se manifestar.
– Eu não queria que acontecesse com ela, Tsuyo. Não com a nossa filha. – diz a loira, levando seu olhar para o marido, reduzindo a distância entre eles a cada passo.
Em poucos segundos, Saisey se apoia no corpo do amado, erguendo suas palmas e repousando-as sobre o peitoral. Descansando a porção direita de sua face no início do pescoço do mesmo, ela mantem seu olhar para a escada que, há pouco, os dois filhos subiram.
– Outro dia, quando os dois brincavam no jardim e eu os observava de longe, percebi que ela estava olhando fixamente para uma rosa vermelha. Logo depois, quando me dei conta, a flor estava morta.
– Você fala como se Nagashi fosse uma aberração. – declara Tsuyo, levando suas duas mãos para as costas da esposa, acariciando de modo leve. – Nossa filha precisa do nosso apoio e do nosso amor, não do nosso medo.
– Eu tenho medo sim, mas não dela. A amo tanto quanto você, sabe disso. Tenho medo é de pensar que o mesmo que aconteceu com Kimiko venha a ocorrer com Nagashi. – afirma, com o tom de voz choroso.
Apertando, levemente, o abraço em sua mulher, o empresário respira fundo e, em seguida, articula:
– Nada de ruim acontecerá a ela. Nós não permitiremos.
As lágrimas, rebeldes, escorrem pelo rosto claro de Saisey. Por mais que o homem de sua vida lhe garanta que a filha mais velha de ambos está e sempre estará segura, no fundo, a loira sabe que com o despertar das habilidades especiais de sua filha, não é essa a verdadeira realidade.
– Eu queria tanto... – inicia. – Poder acreditar...
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Alguns minutos depois, um forte tabefe acerta o rosto da criança de sete anos. O impacto lhe impulsiona para o chão de seu quarto.
– Vadia! – grita a mulher, furiosa, que lhe machucara.
– Por que está fazendo isso? – indaga a pequena loira, caída, erguendo seu rosto e olhando diretamente para a governanta da casa.
– Não se lembra, não é? – questiona a funcionária dos Swords, com o semblante sério e agressivo. – Ou por acaso está fingindo, tentando me enganar?
– Madeleine-san, eu não sei do que você...
– Cale-se! – grita a governanta, aproximando-se da garota.
Nagashi está acuada, assustada, apavorada e sem o que fazer. Seu pequeno irmão, Iyashi, está no próprio quarto, provavelmente dormindo. Porém, ela agora tem que encarar a inexplicável ira de quem sempre lhe fora tão doce e gentil.
– Chega de encenar! Nós duas sabemos o que você fez. – afirma, dobrando os joelhos e se assentando sobre a região do umbigo da menor de idade.
– Eu não fiz nada de errado. – afirma, chorando com medo. – Eu não...
– Não posso dizer o mesmo de mim. – diz a mulher, de cabelos negros presos em um coque.
Os olhos de Nagashi tremulam. A filha de Tsuyo e Saisey gostaria de entender a situação, mas isso agora lhe é impossível. Madeleine, responsável por cuidar dos filhos do casal enquanto não estão em casa, sempre fora uma governante bondosa, gentil e cuidadosa. Por qual motivo, do nada, isso acontece? Por que ela estaria lhe tratando desse jeito tão violento e ríspido?
– Não brinque comigo, garota. – exige, sufocando-a com a palma direita, batendo com força a cabeça dela no chão. – Você passou dos limites.
Por várias vezes, Madeleine puxa o pescoço da pequena loira, para depois bater sua cabeça com tudo no chão. Em cada vez, Nagashi grita, aos prantos. Desesperada, ela se debate, tentando se livrar da mulher. Mas é em vão. Sente em sua pele a falta de força. É obrigada a encarar a realidade: não é capaz de se defender.
– Seus pais saíram, não adianta gritar. Seu irmão também não será capaz de te ajudar. E mesmo que nada disso fosse verdade, este é o último dia em que estarei aqui! Apenas pretendo deixar para você, como lembrança, tudo o que me fez passar! – grita a governanta, no ardor de sua raiva. – Você não tem nenhum deles para lhe proteger. Nem mesmo Deus pode fazer nada por sua segurança agora!
Os gritos desesperados de Nagashi cessam. Por um breve momento, as batidas de seu coração adquirem uma velocidade assombrosa, para depois se estabilizarem outra vez. Madeleine continua agredindo a garota, batendo o seu rosto contra o chão. O sangue já mancha a bela face da pequena, tornando-se quase que uma obra de arte para os mais sádicos seres.
– Nagashi não precisa de ninguém, senão a mim. – alega a garota, com um timbre seguro e firme.
A fragilidade da filha de Tsuyo e Saisey desaparecera. Talvez não só a fragilidade, como também a própria Nagashi. Olhando diretamente para os olhos da governanta, a jovem que se encontra presente parece ser outra pessoa.
– Maldita. – fala Madeleine, levando a sua outra mão para o pescoço da garota.
Ela já parara de bater o rosto da criança contra o chão e agora tenta sufoca-la, enquanto, atordoada, a menina tenta se libertar, sem ar. O ar de segurança e equilíbrio que, há pouco, se instalara na menor de idade já não existe mais. Sumira tão rápido quanto chamas solitárias em noite de tempestade. Vendo em seus olhos o sofrimento, a empregada sorri, sentindo-se vitoriosa.
– Isso é para você nunca mais me bater daquela maneira. – afirma ela.
– E isso é para lhe mostrar que ninguém me dá ordens. – rebate a voz, ainda mais sinistra do que antes, da criança.
Um sorriso toma conta do rosto da garota. Enquanto ainda é sufocada, sua palma direita paira sobre o coque tão bem arrumado da governanta. Com apenas um movimento, a gira no ar e, em seguida, a atira contra o grande espelho que se encontra no quarto, rachando-o, mas não quebrando-o totalmente. Do chão, a loira se levanta, mantendo seu sorrir.
– Desgraçada! – grita Madeleine, com os lábios sujos de sangue, de bruços para o chão, a certos metros da menor. – O que você é? Um demônio?
– Não se faça de vítima! – grita a garota, perdendo a compostura, enquanto a fita com um olhar ameaçador. – Você tentou fazer mal a ela. Se não fosse por mim, era Nagashi quem carregaria as lembranças de tudo aquilo.
– Só pode ser um demônio! – insiste a empregada, se esforçando para se levantar, ferida. – Se apossou do corpo dessa garota para me matar?
– Estou aqui para protegê-la de pessoas como você, sua imunda!
Os olhos da empregada se arregalam. Ainda não é capaz de entender o que está acontecendo. Mesmo assim, continua escutando os dizeres da irmã mais velha de Iyashi, que se mantem no mesmo ponto, distante de si.
– Quando a jogou da escada por sujar o quarto, era eu quem estava lá. Quando estapeou o rosto dela por se recusar a comer, era eu quem estava lá. Quando a beijou a força, era eu quem estava lá. Quando a estuprou e a forçou a passar várias noites com você, era eu quem estava lá! – pontua, enfurecida, deixando sua ouvinte atordoada.
– Quem é você? – pergunta Madeleine, pasma, fazendo de tudo para se levantar, mas sem sucesso.
– Sou quem protegeu Nagashi e quem manteve apenas as boas lembranças dela. Sou quem a defendeu e sofreu, no lugar dela, tudo o que veio de você. Sou aquela que descobriu uma força suficiente para lhe fazer pagar por tudo e também aquela que lhe bateu na noite passada, mulher asquerosa... – um novo sorriso toma posse da face da loira. Com um leve suspiro, responde a pergunta da estupradora. – Sou Arashi.
– Você é mesmo um demônio?
Arashi fecha suas pálpebras, mas as reabre poucos instantes depois. Com serenos passos, vai se aproximando da morena, ainda caída próxima ao espelho. Enquanto o faz, articula:
– Não, sua imbecil. Na verdade, alguém da sua categoria jamais fará ideia de quem sou eu.
Ao se posicionar centímetros diante de Madeleine, Arashi curva seu corpo, aproximando seu rosto sorridente do dela. Apesar do sorriso, o que a presença da estranha entidade inspira é medo e pavor.
– Apesar de tudo, eu também sou uma criança, como Nagashi. E adoro brincar! – afirma, fechando seus olhos outra vez.
A governanta sente seu coração disparar. É como se, diante de si, fosse possível ver o sorriso da morte...
– Entretanto... – reinicia, reduzindo seu sorrir a zero, encarando-a com um olhar muito mais violento e sanguinário do que antes. – As minhas brincadeiras são bem mais divertidas. Com toda a certeza, você irá adorar!
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Três indivíduos, uma mesma família. Tsuyo e Saisey acabaram de chegar à casa da mãe do pai de Nagashi e Iyashi. O casal permanece unido, assentado sobre cadeiras, em torno de uma grande mesa. Diante deles, Madallena Swords.
– Como é bom recebe-los. – afirma a senhora de cabelos esbranquiçados e face levemente flácida e enrugada, com um puro sorriso em seu rosto.
– Posso dizer que também é bom revê-la, Madallena. – diz Saisey, devolvendo-lhe a simpatia.
– É um prazer enorme! – afirma a senhora, alternando o olhar entre a nora e o filho. – Que bons ventos lhes trazem?
– Viemos falar sobre Nagashi, mãe. – Tsuyo, sério, se apressa em dizer. – Os poderes dela estão começando a se manifestar.
Sobre a mesa, uma garrafa de café e três xícaras vazias. Ao escutar a resposta do filho, a senhora estende seu braço direito, que até então servira de apoio para seu queixo, em direção ao centro da mesa. Sem perder seu alegre sorriso, a famosa e consagrada atriz internacional questiona, enquanto serve o café para os dois:
– Qual o mal nisso?
– A profecia pode se tornar realidade e temo que sua neta faça parte dela. – alega Saisey.
– Pretendem tomar parte das sandices dos Carmesim? – indaga a senhora, que aos poucos se torna séria, ao terminar de servir o café para ambas as xícaras.
– Pretendemos proteger nossos filhos. É tudo. – afirma Tsuyo, chamando para si toda a atenção da mãe.
– Isso é tudo o que um pai e uma mãe desejam. Eu si muito bem disso. – afirma Madallena, levando sua xícara, cheia de café, para próximo aos seus lábios, com sua mão direito. Ao degustar um pouco do líquido que, há pouco, preparara, ela coloca a xícara sobre a mesa segundos depois. Após um suspiro, continua. – Porém, nem sempre os métodos que eles escolhem são os mais adequados para o bem de seus filhos.
– O mesmo que aconteceu com Kimiko pode acontecer com ela. – afirma a mãe de Nagashi.
– Como também pode não acontecer, como foi no meu caso. Eu possuo o mesmo dom de sua irmã e nunca sofri com o transtorno que ela desenvolveu. – alega, certa do que diz.
– Não queremos correr o risco. – insiste Tsuyo.
– Nem por isso devem trancá-la em uma gaiola e isolá-la do restante do mundo como estão tentando fazer. Sabem muito bem que, por mais que tentem negar, se a profecia for mesmo verdadeira, Nagashi terá um importante papel no futuro. O destino do mundo pode depender disso. – a senhora defende seu ponto de vista.
– Mãe...
– Meu filho, sei o quanto a ama. Posso dizer o mesmo para você, Saisey. – alega, desviando seu olhar para a nora. – Porém, não podem meter os pés pelas mãos. É o amor de vocês que pode ajuda-la e guia-la para o caminho correto.
– Decidimos entrar para a Carmesim. Não podemos mais permanecer neutros diante de toda essa situação. Caso contrário, a Gênese continuará nos caçando e teremos de mudar de cidade outra vez.
– Pois façam isso, mas pelo bem da Nagashi e do Iyashi. Não permitam que os ideais da organização tomem prioridade em suas vidas. – aconselha Madallena.
– O Pierre falou o mesmo e olha que ele já faz parte da Carmesim. – comenta o filho da atriz.
– Aquele seu amigo sempre foi um sábio homem. Para proteger a filha, ele é capaz de tudo, mas sempre tomando as melhores atitudes, colocando a razão em primeiro lugar. Como é mesmo o nome dela? – ergue a sobrancelha direita, tentando se lembrar.
– Sherry. – define Tsuyo.
Madallena sorri. Em seguida, continua:
– É um belo nome para uma boa menina. Espero que, no futuro, ela e Nagashi possam ser amigas.
Saisey também sorri, mas seu marido se recusa a fazê-lo. Observando o rosto da mãe por alguns momentos, o pai de Iyashi e Nagashi quebra o silêncio:
– Alice poderia nos responder isso melhor do que qualquer um.
– Alice Valentine é uma Soldada da Gênese. Será mesmo que ela estaria disposta a colaborar? – sua mãe lhe confronta.
– Sei que não.
Repentinamente, os olhos de Madallena se arregalam. Tsuyo e Saisey percebem que algo está acontecendo a ela. Aflito, o filho da senhora se levanta da cadeira e, preocupado, questiona:
– Está passando mal, mãe?
– Não. – responde, navegando nos olhos verdes do filho. – Mas a Nagashi pode estar...
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Consideráveis minutos se passaram desde a saída do casal Swords. Tsuyo e Saisey decidiram visitar Madallena, deixando a casa sob os cuidados da governanta. Porém, mais do que depressa, ambos retornam para seu lar, preocupados com os dizeres finais da atriz. Segundo o que ela falara, uma nova entidade finalmente despertara, fazendo então a sua primeira vítima...
– Nagashi, Iyashi! – o pai os chama, ao ser atendido por um dos seus empregados, que abre a porta assim que nela bate.
Ele é o primeiro a entrar. Logo atrás, vem sua esposa. Sem dar nenhum pingo de atenção para o empregado, o casal, com medo do que possa ter acontecido aos seus filhos, percorrem toda a sala de estar com seus olhos verdes.
– Onde vocês estão? – Tsuyo insiste.
– Papai, mamãe! Vocês já chegaram? – conclui a filha mais velha, ao surgir das escadas, descendo-as rapidamente.
Saisey sorri, alegre ao ver que a filha está bem. Ao lado direito do marido, aguardo o aproximar da garota. Contudo, sua felicidade se dissipa, assim que seus olhos encontram no corpo e nas roupas da pequena loira manchas de sangue.
– Yadi, por favor, retire-se. – pede ao empregado.
O funcionário, sem perceber o sangue nos trajes da filha dos patrões, apenas pede licença e se retira, caminhando em direção à cozinha. Enquanto isso, Tsuyo, sem muita ação, aceita o caloroso abraço da filha.
– Vocês demoraram. – afirma a garota, enquanto abraça o pai, manchando as roupas do mesmo com o sangue que, há pouco, tingira as suas.
– O que aconteceu aqui, Nagashi? – pergunta ele, sério, fitando-a.
– Nada. – responde ela, mantendo o doce sorriso.
Saisey, preocupada com o que possa ter ocorrido sequer se importa em abraçar a filha. Apenas corre, às pressas, para as escadas, subindo-as. Logo depois, seu marido faz o mesmo. Assim que os dois desaparecem do campo de visão da criança, um maquiavélico sentimento toma controle de seu rosto sorridente. Cruzando os braços, a loira libera:
– Vocês não fazem ideia de quanta saudade senti...
Ao entrarem no quarto de Nagashi, os pais da mesma ficam horrorizados. Há sangue por todas as paredes, móveis destruídos e um corpo dilacerado e desfigurado. Os braços de Madeleine foram arrancados com brutalidade e depositados na sua garganta, sendo que apenas as extremidades das mãos podem ser vistas. O maxilar fora destruído e as pernas foram enlaçadas ao redor do pescoço. Mesmo após tantos anos convivendo com outros humanos avançados, conhecendo as mais impressionantes habilidades, nenhum dos dois Swords jamais viu algo igual.
– Chegamos tarde. – lamenta Tsuyo.
Madeleine foi morta e de uma maneira extremamente cruel. Qualquer um que veja tal cena não consegue ter dúvidas disso. É então que, guiando seu olhar assustado para o espelho, parcialmente danificado, o pai de Nagashi lê o recado nele gravado, com o sangue da falecida:
– “Eu amo vocês, papai, mamãe... E por isso me sinto no dever de lhes avisar: que eu não sou... Nagashi".
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