Kyodai - The Awakening Of Chaos (Interativa)
10 Capítulo 9 - He, she and something more
Notas iniciais
Alguns dias se passam desde o início das aulas em Kyodai. O ritmo dos alunos se acalma e a grande maioria percebe que chegou o momento de focar nos estudos. Apesar disso, nem todos se entregam por completo a tal tarefa. Em maior precisão, quase nenhum...
Desde o primeiro dia de aula, no qual conheceu Senshi, escutou a misteriosa e envolvente música de Sayuri e se deparou com fatos estranhos diante de um mero espelho, Nagashi Swords procurou refletir mais sobre a sua própria condição. Estaria fazendo o certo se afastando de tudo e de todos? Será que representa mesmo a dor e o sofrimento? Não poderia, como antes da morte de seus pais e de seu irmão, viver todo o amor que nutre em seu coração?
Quinta-feira, segunda semana letiva em Kyodai. São 08h13min da manhã, aula de Literatura, primeiro horário. Assentada na segunda carteira da fila do meio, a loira luta para não desviar seu olhar para o garoto próximo às janelas. Os olhos castanhos do “cabelos prateados” são instigantes demais. Se são fortes o suficiente para quebrantar a determinação dela em se mostrar desinteressada, nisso ela se recusa a acreditar. Não pretende ceder, mantendo seu olhar fiel para o professor que está diante da turma.
– Não posso me envolver com mais ninguém. Preciso dar um basta no sofrimento que causo. – pensa ela, notando que algo forte leva sua atenção para Senshi, mais forte do que imaginou.
É indiscutível que Nagashi está sentindo algo por ele. Isso desde que se viram pela primeira vez, enquanto ele passava próximo ao hospital em que Madallena teve seus últimos momentos de vida. Se lembrando daquela situação, a loira também se lembra de todo o discurso da avó.
Deus existe mesmo? Antes do que aconteceu à sua família, a estudante acreditava que sim. Pensava que existia alguém acima de todos, que criara o mundo que conhecemos. Porém, tornou-se cética. A dor lhe moldou a essa maneira.
Entretanto, se Deus não existe de fato, o que é a amizade? O que é o amor? São ilusões, meras invenções das mentes humanas? Não. Ao menos para essa pergunta, Nagashi tem a absoluta certeza de que a resposta é “não”. Para ela, os laços entre as pessoas são reais, apenas não quer mais essas conexões. Sabe que, assim como elas trazem felicidade, trazem também lágrimas. Para a loira, sua existência já não fará mais diferença, para ninguém. Mantendo-se longe de todos, evitará que mais alguém se ligue a ela, evitará a dor.
Por outro lado, a sua própria dor, não poderá impedir. Ainda assim, está disposta a receber todo o sofrimento que outros receberiam por sua causa. Ou estava, nem mesmo ela sabe mais... Os dias passaram e a decisão tomada, há tanto tempo, perdeu força. O que fazer em meio a tudo isso? Qual o melhor caminho a se tomar? Se entregar aos sentimentos, compartilhar a sua vida e arriscar espalhar mais angústia ou se manter em um mundo próprio, no qual apenas ela mesma sofrerá?
– Swords-san, a sua mão não tem nenhuma cicatriz, não é? Fico feliz por isso... – comenta Tsubaki, assentada próxima a ela.
Nagashi escuta o dizer da companheira. Virando o rosto em sua direção, fala:
– Obrigada. Na verdade, minhas recorrentes feridas estão se cicatrizando bem rápido.
– Isso é bom. – opina.
A loira sorri de lado e leva seu rosto para frente mais uma vez. Tornando-se séria, ela pensa:
– Na verdade, até rápido demais...
– Nagashi-chan, você é realmente uma graça... – comenta Gingamaru, babando, na carteira logo atrás dela.
– Cale a boca, idiota. – exige, suspirando, um pouco irritada com as constantes cantadas dele.
– Você é uma gata, Nagashi-chan. Eu também sou. Fazemos um belo casal... – argumenta ele, usando todo a sua capacidade de sedução.
– Preciso de muita paciência para te aturar, não é verdade? – o encara, virando seu rosto para o veterano.
– Paciência não, amor sim.
A loira se vira de volta. Gingamaru fala mais algumas coisas, mas ela já não o escuta mais. Retornou ao seu mundo de pensamentos e conflitos internos, no qual Senshi é o foco principal, por mais que tente fazer o contrário.
– Gingamaru, chega de tagarelar. – a voz desperta Nagashi, outra vez, para o mundo real.
É ele, a pessoa por quem um desejado sentimento nasceu. Olhando disfarçadamente para o garoto, a loira se atenta à discussão entre os dois.
– Vai cuidar da tua vida e me deixa conquistar a gatinha aqui. – resmunga, sarcástico.
– É mais fácil você conquistar um soco na cara do que ela. – zomba Senshi.
– De você, por acaso?
– Não não, quem sou eu para machucar o “Grande Gingamaru”? – brinca, ainda mais irônico que seu rival. – Você não deve ter medo de mim, mas sim dela. – afirma, referindo-se à Nagashi.
– Meu amorzinho jamais me faria mal algum...
– Garoto... – inicia a loira, incomodada com a situação – Eu já te falei mil vezes e falarei de novo: você é ridículo e irritante, nada que venha de você me interessa. Vai procurar a sua turma, que ganhará muito mais.
Jimmy, próximo a eles, começa a rir, mas em baixo tom, para não chamar a atenção do professor ou do restante da turma.
– Que é que houve, Jimmy? Tá querendo brigar, é?
Ele não responde, apenas continua rindo, o que irrita Gingamaru. Apesar disso, nada faz além de suspirar e se calar, com a cara emburrada.
– Os céus ouviram as minhas preces... – clama Nagashi, erguendo as palmas abertas ao alto, olhando para cima. – O chato tagarela se calou.
Acompanhando Jimmy, Senshi, Tsubaki e Daisuke se entregam aos risos. Gingamaru permanece emburrado e Lucy, por sua vez, retira seu bloco de notas do bolso de seu casaco e efetua algumas anotações. Desde que descobriu que Kaoru estava espiando parte de suas pesquisas, se tornara mais cuidadosa. Não sabe que foi de Saito a ideia, nem que ele teve a maior participação no caso.
– Daisuke-kun, O Jayden-kun está melhor? – questiona Senshi, ciente das dores de cabeça do terceiranista, assim que as risadas cessam.
– Na verdade, não. Desde ontem, ele está muito mal.
– Valentine-kun está doente? – pergunta Tsubaki, preocupada.
– Sim, mas não deve ser nada demais. Ele apenas está com dor de cabeça e um pouco de febre. Logo logo já deve melhorar.
– Espero que seja assim mesmo. Ouvi dizer que ele e o Yuong-kun brigaram, é verdade?
Senshi, escutando a conversa, percebe como a garota fala do terceiranista. Diferente da grande maioria para quem dirige a palavra, Tsubaki usa o primeiro nome dele quando vai falar sobre o mesmo. Contando com esse fator e o timbre de voz da doçura em pessoa, o companheiro de sala de Nagashi compreende que há algo mais nessa história.
– Sim, mas já fizeram as pazes. Aqueles dois são como unha e carne, não conseguem ficar brigados por muito tempo... – diz Daisuke, sorridente.
– Eu queria ser mais próxima dele... – comenta, envolvendo-se com um ar de tristeza.
– E eu queria não gostar daquele presunçoso tanto quanto você, Tsu-chan. Seria mais fácil... – mentaliza, se lembrando que se afastou de Yuong nos últimos dias, em respeito a amizade por Tsubaki.
Nagashi, disfarçando, olha para Senshi. Por acidente, seus olhares se cruzam, mesmo que por poucos instantes. Sempre que isso acontece, sente a quente força de vontade dele lhe dominar, preenchendo o vazio deixado pela falta de laços profundos.
– Nagashi-san, você está gostando de alguém? – pergunta Lucy, surpreendendo a todos os mais próximos com o inesperado questionamento.
A loira se assusta com a pergunta, mas não perde a compostura, não deixará que ninguém perceba que a resposta é “sim”.
– Não. Por quê?
Lucy, apesar de ser bem esperta e inteligente, geralmente não é capaz de entender os sentimentos humanos e talvez seja essa a sua única falha intelectual. Contudo, não nega a existência de coisas como o amor e a amizade. Observando o rosto da loira, a “cientista maluca” comenta, segundos depois:
– Está mentindo.
Tsubaki, Daisuke, Gingamaru e Jimmy ficam pasmos. Lucy raramente fala e, quando o faz, desafia a garota que quase deu uma surra em uma primeiranista petulante? Ambos pensam sobre isso, imaginando se ela não tem medo de desafiá-la e, além disso, qual sua intenção nisso.
– Por que eu mentiria? – replica Nagashi, sem se abalar.
– É perceptível. Seus lábios estão contraídos, está olhando diretamente para os meus olhos, além de que sinto tensão contraída em sua voz. É a sua maneira de mentir.
Nagashi acaba se abalando de fato, mas não demonstra. Como alguém, pela primeira vez em sua vida, seria capaz de enfrenta-la dessa maneira?
– Deve estar se perguntando como alguém é capaz de te enfrentar, não é? – questiona Lucy – Bem, não leve isso como uma provocação. Estou apenas atendendo uma parte importante de minhas pesquisas.
Ao terminar de falar, a garota abaixa seu rosto e volta a fazer anotações em seu bloco. Ninguém do grupo fala mais nada por quase um minuto inteiro, até Tsubaki se manifestar:
– Ontem, Blue-chan fez cocô na minha cama. Escorreguei no tapete e cai de cara nele.
O comentário, de fato, despedaça o estranho clima que pairou no ar. Risadas podem ser ouvidas mais uma vez. Nagashi, por outro lado, não deixa de observar Lucy. Decidida a deixar de fazê-lo, movimenta seu rosto, a fim de olhar para o professor, como antes. Porém, no trajeto, algo chama a sua atenção e a impede de concluir a missão: o seu reflexo na janela.
– O que foi, Swords-san? – pergunta Tsubaki, notando a pálida expressão dela, assim que as risadas de Jimmy, Daisuke, Senshi e Gingamaru chegam ao fim. – Ficou com medo da Blue-chan fazer na sua também? Mas não tem que se alarmar com isso. Ela é uma gata esperta, sabe que não faz bem para a saúde se meter com você.
A loira nada fala, apenas continua a observar algo na janela. Senshi percebe que há algo de estranho e olha para o mesmo ponto, mas não vê nada demais.
– Algum problema, Nagashi? – ele questiona.
– Não, não é nada. – disfarça ela, mais uma vez, desperta ao ouvir a voz de Senshi.
Virando todo o seu corpo para frente, a neta da falecida Madallena decide se focar na aula do professor. É o melhor que tem a fazer. Quem sabe assim possa esquecer o que acabou de ver, o que tanto lhe importuna e não é de hoje?
Durante o restante do primeiro, e no decorrer do segundo e do terceiro horário, Tsubaki, Daisuke, Jimmy e Gingamaru falam sobre variadas coisas. Senshi, Nagashi e Lucy, por outro lado, permanecem em silêncio, atentos aos seus próprios pensamentos. Logo, o sinal do início do primeiro intervalo ecoa e os alunos se retiram da sala, rumo a outros afazeres, ou simplesmente, ao descanso.
Daisuke, Senshi, Tsubaki e Jimmy saem juntos. Nagashi, sozinha, é seguida por Gingamaru. Lucy é a última que se retira da sala, permitindo que todos os outros 29 alunos saiam antes.
– Saruma-kun, veja, é o Yuong-kun... – diz Tsubaki, um pouco empolgada ao vê-lo ao longe.
– Sim, é ele... – confirma, enquanto a dupla e os dois outros amigos caminham pelo espaçoso corredor.
– Ele está olhando para nós... – observa ela, sentindo seu rosto corar.
– Impressão sua...
Senshi olha para o rosto de Daisuke, estando ao lado esquerdo dele. Nota que algo de diferente arde quando o amigo olha para o terceiranista. Não leva mais do que segundos para entender que se trata do mesmo que nutre por Nagashi.
– Tsubaki-kun, vamos para o jardim? Eu vi uma camélia linda hoje mais cedo...
– Uma camélia? – ela, surpresa, mas alegre. – Sério?
– Sério sim, vem comigo. – pede, puxando o pulso direito dela e tomando a frente de Daisuke e Jimmy – Devolvo ela em breve. – fala para o melhor amigo de Tsubaki, olhando-o firmemente por alguns instantes.
Com as costas coladas a um pilar, a alguns metros, Yuong fita Daisuke, com os braços cruzados e a expressão tipicamente calma. Não levando muito tempo, Senshi se afasta com Tsubaki, acessando outro corredor.
– Bom dia. – o terceiranista o cumprimenta, assim que aquele que esperava se aproxima.
– Precisa falar comigo? Eu disse que é melhor para todos ficarmos longe um do outro.
– Melhor para quem? – devolve, arqueando sua sobrancelha direita.
– Para você, para mim e para a Tsubaki.
– Sabe bem que isso é mentira. Se eu quisesse, eu poderia ter você na minha mão.
– Se acha demais, não?
– Você, melhor do que ninguém, sabe que isso não é presunção, é a realidade, e já lhe provei isso.
– Então por que ainda não me persuadiu para ficar com você, para ignorar a Tsubaki?
– O que sinto por você não me deixa fazer isso. E sabe que sou sincero.
Daisuke suspira, se sentindo perdido em tanta coisa. Enquanto o fluxo de estudantes pelo corredor continua, Yuong pensa em algo e, sem hesitar, decide colocar em prática:
– Quer ver como ninguém resiste a mim e como qualquer pessoa cai de amor aos meus pés?
O menor se incomoda de imediato. Tem a certeza de que ele fala sério, mas antes que possa evitar, o mais velho descola seu dorso do pilar e caminha em direção a quem se aproxima: Nagashi.
– Não vai fazer nenhuma besteira! – exclama Daisuke, sendo ignorado.
A loira anda a passos lentos. A cada dia que passa nesse colégio, mais e mais dilemas surgem em sua mente. Encontra-se tão confusa no momento que, às vezes, lhe desperta o desejo de jogar tudo para o alto e tentar viver o amor, seu amor por Senshi...
– E ai, tudo bem, linda? – Yuong se coloca na frente dela, interrompendo-a.
O rosto cabisbaixo dela se ergue, passando a encará-lo com seriedade.
– Estou a fim de um beijo desses seus lábios deliciosos... – declara ele, ciente de que Daisuke os observa.
– Pois eu não. Saia da minha frente. – rebate, firme.
– Eu tenho certeza de que você quer provar da minha boca... – o mais alto insiste.
Nagashi sente algo de estranho. Não é um sentimento, é uma força. É algo estranho que a domina, como se a voz do até agora desconhecido a controlasse. A loira se sente cair em uma espécie de transe, como se sua consciência fosse absorvida e tomada pelo pedido de Yuong, que agora mais parece com uma ordem impossível de ser negada. Gingamaru percebe que estão prestes a se beijar, mas nada faz a respeito. Apenas para, próximo aos dois.
O grande amor de Tsubaki sorri, pois a novata mais comentada em Kyodai está fazendo o que ele queria: caindo em sua lábia fora do comum, aproximando seu rosto do dele. Jimmy, se posicionando ao lado esquerdo de Daisuke, observa a cena, impressionado, assim como Gingamaru. É, quando o beijo está quase concluído, que algo interrompe: um soco.
– Idiota! – grita ela, ao atingir o rosto de Yuong com seu punho direito e sua explosão de fúria.
Os alunos pela área, sendo agora poucos, ao redor, se espantam. O terceiranista é lançado para longe, a certos metros, parando no chão, com sangue escorrendo de seu nariz.
– Será que só tem imbecis convencidos nesse colégio? – se pergunta, caminhando em direção ao mais alto, inconsciente pelo impacto.
– Por favor, não machuca ele. – pede Daisuke, correndo para Yuong e se agachando próximo ao rosto dele, tentando ajuda-lo.
– Mas é claro que não. O que eu fiz já está de bom tamanho para que ele se coloque no devido lugar. – argumenta, passando pelos dois.
Nagashi, irritada, vira a esquina do corredor. Jimmy, por outro lado, não sabe o que fazer, alternando seu olhar entre ela e Daisuke ao chão, levantando Yuong e tentando acordá-lo. Gingamaru se vê paralisado, sem reação. Todos os demais presentes demonstram expressões de espanto, sem acreditar no que viram.
– Ela, definitivamente, não é normal... – conclui James, ainda abobado.
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– Que dia legal! – fala Senshi Yujo, consigo mesmo, caminhando pelo jardim, minutos após o sinal de término das aulas do dia.
O garoto caminha, alegre, entre as flores. Rosas, lírios, violetas, orquídeas... São as mais diversas espécies que embelezam o extenso jardim de Kyodai. O perfume, por sua vez, não fica atrás, tão agradável quanto o que se vê. Entretanto, não são as plantas, nem a fragrância que elas exalam o que domina o pensamento dele. O que lhe toma conta é a figura de uma destemida garota.
– Nagashi... – sussurra para si mesmo, andando lentamente, de braços cruzados e olhos para o céu.
Ele tem certeza do que sente: é amor, à primeira vista, mas amor. Sempre foi alguém com a exata ciência de suas emoções. Nunca teve dúvida de nada que, um dia, se instalou em seu peito esquerdo. É uma pessoa de mente altruísta o suficiente para compreender não somente as suas, como as de todos ao seu redor.
Determinado, não desiste fácil dos seus objetivos. Não importando o que tenha de enfrentar, sempre se dispõe a se arriscar pelo bem de alguém, ainda mais quando esse alguém lhe é valoroso. Da mesma forma, se determina a realizar seu maior sonho e conquistar quem ama.
Senshi sonha em um dia mudar o mundo para valer, que julga ser cruel e injusto. Valoriza muito os amigos e sempre está disposto a ajudá-los, fazer o que for necessário por eles. Sua coragem e dedicação a eles são coisas admiráveis, que fazem com que aqueles ao seu redor pensem que é alguém sem medos. Mas na realidade, Senshi tem sim um grande medo, algo que o assusta tremendamente: perder seus amigos, ser incapaz de ajudá-los ou de protegê-los. É talvez tenha sido essa a razão por qual se apaixonou por Nagashi.
Ela aparenta ser solitária, mas valente, uma garota de personalidade marcante e detentora de um nato espírito de liderança. Não é alguém que aceita ser dominada pelas outras pessoas, seja quem for ou por qual motivo for. Tudo isso Senshi percebeu apenas com poucas palavras trocadas. Porém, a loira não se resume apenas nessa simples descrição. A verdade é que ela, sendo forte e sozinha, encontrou uma forma de proteger os outros da dor e do sofrimento, devido a algum trauma, ainda desconhecido, que enfrentara no passado. Contudo, no mais profundo dos olhos verdes da “perigosa e destemida”, Senshi identificou em Nagashi o desejo de amar. É lutará, fazendo o que for preciso, para mostrar a ela que nada pode ser maior que o verdadeiro amor.
Sereno, ele vai caminhando pelo jardim, sem deixar de pensar na loira, até virar a esquina e dar de cara com um homem, alto e moreno. Uma pessoa estranha, que exala um ar assustador, como se fosse a própria morte.
Contra sua vontade, Senshi não consegue falar nada. Sente como se o silêncio estivesse sido instalado em sua boca, equivalente a um rei ditador e cruel. O desconhecido homem, em trajes sociais, abre os olhos que antes estavam fechados e o encara. Sério, diz:
– Muito prazer. Meu nome é Minos Tsuyoshi e o seu caminho, Senshi Yujo, acaba aqui...
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