– Aquela garota tem uma força fora do comum, Enzy-chan... – alega Yuong, assentado em sua cama.

– Ela deve ser mesmo assustadora... – brinca Jayden, sorridente, deitado à sua.

É o quarto que a dupla divide com Daisuke Saruma. Depois do soco que Yuong levou, Daisuke o ajudou a voltar para o quarto, mas com poucos minutos, ele acordou. Ainda assim, a “vítima” não retornou para a sala de aula. Optou por ficar com seu amigo e conversar com ele. O faz desde então.

– E o mais estranho é que ela me recusou...

– Você não achou que seria sempre o garanhão por qual todas e todas babam, né? – brinca o mais novo, distanciado dele por poucos metros, sendo esse o espaço entre as duas camas.

– Não é isso, você e Daisuke sabem muito bem... – fala, em um tom sugestivo.

– Yuong-kun, tudo bem que foi impressionante aquela vez que você conseguiu fazer tudo quanto é gente no saral da escola implorar para ficar contigo, mas...

– Enzy-chan, até as lésbicas e os héteros! – exclama, erguendo ambas as palmas, abertas.

– E dai? – ele levanta sua sobrancelha direita.

Yuong suspira, se dando por vencido. Não está a fim de insistir no que tanto tenta colocar na cabeça dos seus dois companheiros de quarto. Levantando-se, caminha em direção ao único deles que se faz presente e se posiciona, a poucos centímetros.

– Fez muitos desenhos enquanto estava aqui? – pergunta, percebendo a notável quantidade de folhas de ofício sobre o colo do amigo. – Ainda nem prestei atenção neles.

Com sua mão direita, Jayden os pega e entrega para Yuong, para que ele possa vê-los. Curioso, o mais alto vê um a um, com calma.

– Você e esse seu perfeccionismo. – comenta, analisando agora a terceira folha de ofício. – Te vejo como um desenhista dos bons no futuro. Melhor, você já é dos bons. Logo logo, será o melhor.

– Não exagere. – pede, modesto – Há muitas pessoas talentosas por ai...

Yuong se impressiona com um dos desenhos em questão. O quinto deles. Na cena, traçada por uma simples lapiseira, uma garota acerta o rosto de um garoto com um violento soco.

– Quando foi que desenhou isso? Por acaso é provocação? – indaga calmamente, mostrando a folha para o seu autor.

– Bem... – Jayden se esforça para se lembrar – Acho que foi anteontem...

Yuong franze as sobrancelhas, sem entender a afirmação que escutara.

– Do que você tá falando? Esqueceu que eu levei um soco da Nagashi hoje mesmo? Não fez esse desenho só para tirar onda com a minha cara?

– Mas é claro que não. Para que eu faria isso? Eu tenho mais o que fazer do que ficar tirando onda com você. Não fico desenhando para irritar ou provocar as pessoas, nem pra...

– Ok ok, já entendi. – o interrompe – Então quem são essas duas pessoas no desenho?

– Sei lá, eu só desenhei... – dá de ombros, sem de fato, ter feito o desenho pensando em pessoas específicas.

– Ah, esquece... Vou dar uma volta... – entrega os desenhos para o criador, virando-se para a porta e caminhando em direção a ela.

Jayden observa o afastar e a saída do amigo, com lealdade. Assim que a porta se fecha, retorna seu olhar para seus desenhos. Tranquilo e com sua dor de cabeça cada vez mais fraca, analisa alguns deles, até se deparar com um em especial. Um desenho que retrata um homem de costas, alto e forte, tocando uma harpa para um garoto com o uniforme de Kyodai. Para si mesmo, Jayden profere as seguintes palavras:

– Não sei porque, mas não gostei desse aqui...

/--/--/

Minos coloca sua mão direita por trás de suas costas e delas retira uma grande harpa, feita de um diamante negro, qual Senshi jamais havia visto igual. O homem apoia o instrumento em seus braços e olha diretamente nos olhos do garoto.

– Como ele sabe meu nome? Será que é um funcionário da escola? E... Meu caminho... Termina aqui? – pensa Senshi, sem entender.

– De todas as suas dúvidas, apenas posso lhe sanar a última. Sim, este é o fim da sua jornada chamada “vida”.

Senshi se espanta. Como poderia o desconhecido homem falar como se...

– Ele ouviu meu pensamento? Mas como? – o estudante se assombra ainda mais.

– Há coisas neste mundo que você sequer faz ideia, garoto. Mas não faz diferença, pois sua vida está condenada ao fim.

Senshi se mostra impressionado, sem entender tal situação e, ainda incapaz de dizer uma só palavra. Sente o ar de morte cada vez mais pesado.

– Utilizo de todo som ao meu redor para compor as minhas músicas. Sou o maior harpista do mundo. Talvez, o maior músico instrumental – sorri orgulhoso.

O estranho se prepara para tocar a sua bela harpa, encurralando o mais jovem como um rato diante de um faminto leão.

– Escute com atenção a minha melodia, pois será dela o último som da sua vida. – ao fechar os olhos, Minos começa a tocar sua harpa.

A sinfonia, de fato, é bela, mas Senshi sente, pouco a pouco, que está sendo atirado à escuridão. Não sente dor, apenas um medo inexplicável, colossal e devastador. Suas pernas trêmulas o jogam de joelhos no chão. A melodia invade sua mente de maneira sutil e, ao mesmo tempo, brutal. Por qual razão não consegue nem reagir a isso? Não consegue entender, apenas se entrega aos gritos de pavor.

Após pouco mais de um minuto de horror, Senshi, já jogado ao chão, reluta para manter seus olhos abertos, que ao contrário vão se fechando.

– De fato, você tem força e vontade, estou impressionado. – comenta Minos, calmo. – Contudo, não importa o quanto tente, resistir a minha música é impossível. Morra como um jovem valente, mas fraco...

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– Como você é chato. – diz Nagashi, caminhando próxima a entrada da escola.

– E você é linda! – exclama Gingamaru, sem nunca desistir de flertar com a loira.

Caminham juntos Nagashi, Gingamaru, Sophia, Tsubaki, Jimmy e Daisuke. Há pouco, o grupo se encontro no término das aulas diárias e foram na mesma direção que a loira. Com exceção de Gingamaru, os demais não queriam segui-la, apenas ir para o jardim como ela. Isso a princípio, já que a discussão entre os dois é divertida demais para ser deixada de lado tão fácil.

– Por que vocês estão vindo comigo? – pergunta Nagashi, irritada – Eu não pedi para andarem perto de mim. Não preciso de seguranças particulares.

– Sua presença é muito agradável. – Gingamaru estampa um sorrisão no rosto.

– Já não posso dizer o mesmo da sua.

– É melhor não se meter com ela. Você mesmo viu o que aconteceu com o Yuong. – aconselha Jimmy.

– Nagashi, cedo ou tarde, perceberá que nascemos um para o outro...

– Eu me lembro de ouvir você dizendo a mesma coisa ano passado, para a Kishimoto-san... – observa Tsubaki, inocente.

– Isso é passado! – exclama, tentando abafar seus “amores recorrentes”.

– Afinal, o que houve entre a Nagashi-san e esse tal de Yuong? – questiona Sophia, que não estava presente no momento em que o terceiranista jogou todo o seu charme para a loira. – Não se fala em outra coisa...

– Ele deu em cima dela e levou um soco daqueles. – resume Jimmy, movimentando o rosto positivamente.

– Jura? – questiona Sophia, boquiaberta.

– E você, Saruma-kun? Não vai dizer nada? O Yuong-kun está bem?

– Prefiro me manter calado diante de tamanha futilidade. – diz, apontando o indicador direito para Gingamaru, que caminha ao seu lado esquerdo.

– Quem é fútil aqui, baixinho? – Gingamaru para de andar e ameaça o amigo de Tsubaki, segurando-o pelo colarinho do blazer, enfurecido.

– Deixa o Saruma-kun em paz! – Tsubaki também para de andar e grita defendendo-o.

Sophia e Jimmy também param de andar. Nagashi, por sua vez, continua, ignorando completamente a situação.

– Quem é o fútil? – repete Daisuke – Bem, suas atitudes deixam minha opinião bem clara. Olhe só para você mesmo que perceberá alguém que mal entende o que é amor de verdade e sai por ai banalizando o sentido da palavra – diz, sem demonstrar nenhum pingo de medo ou receio perante a ameaça do outro.

– Vai ver só...

Nagashi, que estava andando sem dar importância para aquela a briga entre eles, imediatamente para, perguntando:

– Estão escutando isso?

– O zumbido de um inseto? Sim, estou sim, minha linda. – declara Gingamaru, encarando Daisuke.

– Deixa de idiotice pelo menos uma vez em sua vida. – sugere Jimmy, se colocando ao lado direito de Nagashi. – São os gritos de alguém.

– É aquele garoto da nossa sala, o Senshi – conclui ela, fingindo não dar muita importância para o nome dele.

Todos olham para a direção de onde vêm os gritos. Aterrorizada pelo pavor estampado no timbre de voz do colega de sala, Tsubaki se manifesta:

– Vamos atrás dele. Ele pode estar passando mal!

Sem pensar duas vezes, todos correm para ajudar Senshi, seja no que for que ele esteja precisando. Pois, pelos gritos, nada de bom está lhe acontecendo...

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Uma estudante acaricia a sua pequena gata. Sozinha em seu quarto, ela observa o céu pela janela, da mesma cor indicada pelo nome de sua felina.

– Ontem, eu tive outro pesadelo, Blue-chan... – fala, mantendo a sonolenta em seu colo, assentada sobre sua cama. – Estão cada vez mais frequentes...

Samasha suspira, abatida. Desde a última sexta, não dorme direito e vem tendo pesadelos noite após noite. São sempre os mesmos sonhos, com a mesma pessoa desconhecida, com a mesma ameaça: “Sua alma é minha!”.

– Ainda bem que nem Tsubaki-chan, nem Nagashi-san notaram. Se eu contasse, elas deveriam achar que estou ficando louca... – declara, como se a gata lhe entendesse. – Faz tanto tempo que não tenho bons sonhos. Quero tê-los de volta...

Uma batida na porta a assusta. Samasha, de imediato, coloca sua gata debaixo da cama, para que não seja vista. De pé, anda em direção à porta e, girando a maçaneta com a mão esquerda, se depara com Sugaku Megumi, a professora de Matemática de Kyodai.

– Posso ajuda-la?

– Espero que sim. – responde com gentileza, ajustando seus óculos com o indicador direito – Poderia me acompanhar até o banheiro feminino?

– Como é que é? – não acredita no que escuta, pasma.

– Isso mesmo que ouviu, docinho. Venha comigo, é urgente! – insiste, com seu doce timbre de voz.

– O que você quer? Por que não pode falar comigo aqui mesmo?

– É algo que só posso te mostrar lá, minha querida... – alega, sorrindo lascivamente.

– E... Eu não vou.

A expressão de Sugaku, de um segundo para o outro, se transforma. A gentil e adorável professora se converte em uma mulher temível e assustadora.

– Não estou lhe pedindo, estou lhe ordenando!

– Já falei que não irei! Agora saia! – Samasha tenta empurrar a porta, mas não consegue. É como se algo pesado tivesse sido colocado no vão, mas nada há, além da própria Sugaku diante da garota.

– Já disse que estou lhe ordenando! Ou quer que o seu saquinho branco de pulgas sofra as consequências?

A garota se silencia, assim como para de tentar fechar a porta. Espantada, olha dentro dos olhos da professora. Neles, enxerga algo que chega a congelar a sua espinha de medo.

– Para o bem da sua bichana imunda, é melhor que me acompanhe...

– Promete que não fará mal a Blue, nem falará com ninguém sobre ela?

Um sorriso diabólico e cruel é desenhado na face de Sugaku. Ajustando, outra vez, seus óculos, ela responde:

– Mas é claro meu docinho de coco, promessa é dívida!

Samasha hesita por mais alguns segundos, mas acaba se lembrando da ameaça da mulher. Em hipótese alguma, quer que sua pequena companheira seja separada de si. Ou pior, sofra algum mal. O que tiver de fazer para proteger sua felina, estará disposta a fazer, e qualquer coisa.

– Então vamos. – a professora lhe dá as costas, andando para a direita do corredor.

Suspirando, a amiga de Tsubaki e Sophia sai do quarto e fecha a porta, seguindo os passos firmes da professora sem pestanejar. Contudo, não pretende se sujeitar a nada que venha de alguém como ela. Pelo contrário, Samasha já tem ideias para Sugaku, um “plano” que a matemática não perde por esperar...

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Bem próximo dali, no quarto dividido por Sophia, Lucy e Sayuri, encontra-se dois garotos, que vasculham cada canto dele à procura de algo “interessante”.

– O que estamos procurando, afinal? Sabe muito bem que se alguém nos pegar aqui, podemos ser expulsos... – resmunga Kaoru, de pé, vasculhando os arquivos no notebook da “cientista maluca”.

– Alguma coisa sobre aquilo que ela estava pesquisando e falando sozinha, que nem uma doida do manicômio. – esclarece Saito, procurando então, no guarda-roupas da tão novata quanto ele próprio. – E, sim, eu sei disso. Mas nada vai acontecer se acharmos algo antes dela aparecer.

– Depois de ver que eu estava espionando ela, duvido que deixaria algo fácil para nós. – opina, abrindo várias e várias pastas de Lucy no notebook, mas não encontrando nada de relevante.

– Talvez você tenha razão... – articula Saito, assumindo uma posição ereta, colocando as mãos em sua cintura, cessando sua procura.

– Claro que tenho! – exclama o mais velho. – Ela não é burra.

– Mas nós também não somos. – se vira para o amigo, continuando – Cedo ou tarde, vamos descobrir o que ela esconde.

– Se está tão obcecado com isso, por que, mesmo depois de dias, não bolou um bom plano? – indaga, desligando o notebook da garota, desligando-o e virando-se para o mais novo.

– Estava vendo alguns animes.

– Então deveria continuar vendo os seus animes e parar de ficar bisbilhotando a vida alheia. E parar de me arrastar nas suas maluquices também. – resmunga, se levantando e se colocando diante do menor.

– O que posso fazer? Assistir Death Note aflorou o meu “lado detetive”.

– Sabe do que você está precisando? De uma boa surra. – diz, brincando.

– Você sabe bem que, se me encarar, vai levar a pior...

De repente, a porta do quarto é empurrada com toda a força, chocando-se contra a parede, assustando a dupla. Lucy surge, armada com uma vassoura, e os encara, séria:

– E eu? Sou o bastante para te encarar, Saito Urushihara?

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A doce melodia da viagem da morte continua a ecoar, assim como os gritos, cada vez mais baixos. Porém, o desespero do estudante, vitimado pelo horripilante som, parece estar próximo do fim...

– Adeus... – Minos se despede de Senshi, na pretensão de dar um fim a sua música, assim como também encerrar com a vida do garoto.

O músico sorri e, pronto para tocar a nota final, uma pedra acerta a sua testa. Uma gota de sangue escorre da mesma.

– Não toque nele! – exclama Tsubaki, entre Daisuke, Jimmy, Gingamaru, Sophia e Nagashi.

O harpista interrompe sua melodia e passa a observar o grupo, sério e tranquilo.

– Quem é você e o que está fazendo com o nosso amigo? – questiona Sophia, assustada.

Ele sorri, mas não responde a pergunta da estudante. Sem se intimidar com ele, Nagashi se aproxima e vai em direção ao garoto, sem consciência, no chão. Minos não demonstra interesse em evitar que ela ajude o colega de classe, apenas observa a cena em que a loira se agacha e utiliza suas mãos para tentar acordá-lo.

– Não vai responder não? – interroga Daisuke, irritado com a cara lavada demonstrada pelo estranho.

A inseparável amiga de Daisuke, que carrega pedras em suas mãos, atira mais uma, qual desta vez é bloqueada sem dificuldades pela mão esquerda do sujeito. Surpresa, ela engole seco, enquanto a falsa empolgação do homem que se identificou como Minos Tsuyoshi se desfaz.

– Garota burra. Será necessário mais do que simples pedrinhas para me abater.

– Sério? – pergunta Nagashi, encarando-o. – Agradeço por iluminar minha mente.

A loira, que mantinha Senshi em suas mãos, olha para Jimmy, como se lhe pedisse para substitui-la. Enquanto James vai até o companheiro de quarto e o levanta do chão, com o braço esquerdo dele sobre seus ombros, Nagashi se vira e caminha para trás. Todos observam o que ela faz.

A garota agacha e aplica um soco no chão, enquanto os colegiais olham pasmados. Ela arranca do chão uma pedra de, aproximadamente, 2 metros de extensão, agora, presa em sua mão direita.

– Bem, e esta pedrinha aqui? Serve?