Notas iniciais
Capítulo maior e um pouco mais "forte" que os anteriores. Se segurem kkkk

Corpos colados, pálpebras fechadas, lábios avermelhados pelo contato, corações acelerados, respirações descompassadas. Daisuke Saruma e Yuong Tsukyomi já não conseguem mais se controlar.

– Yuong-kun... – sussurra o menor, corado, tentando se livrar dos encantos do terceiranista.

– O que foi? – tenta saber o mais velho. – Não está gostando?

É o banheiro masculino do colégio. Os dois estão em uma das doze cabines do local. Há pouco, o terceiranista o encontrou e o trouxe para cá, utilizando o argumento de que precisavam ter uma conversa séria. Foi ai que, então, o melhor amigo de Tsubaki foi atacado, sem conseguir resistir. Ou talvez, no fundo, nunca quis resistir...

– Não é certo o que estamos fazendo... – alega, tentando escapar da ávida boca do outro.

– Por quê? Você me quer, eu te quero. Qual o erro nisso?

– Você sabe muito bem...

– Não sei e nem quero saber... – rebate, pressionando-o ainda mais contra a parede.

– Tsubaki... Esse nome representa alguma coisa? – questiona, retomando o próprio controle.

De imediato, Yuong o solta e se afasta alguns centímetros. Ambos reabrem os olhos e o mais alto o analisa, com uma surpreendente calma, por alguns instantes, até se manifestar:

– Me representa uma garota sem sal que acha que, um dia, terá alguma chance comigo.

– Para mim, representa uma valiosa amizade. Ela é importante para mim. Tsubaki-chan foi a primeira pessoa que... – o aluno do segundo ano pausa, mas logo retoma – Me deu valor, desde que meu avô demonstrou gostar de mim de verdade.

– Só por isso não tenho a obrigação de me importar com ela. Tsubaki é uma garota fraca demais, que precisa aprender a se virar sozinha. O mundo não é tão aconchegante quanto à “reencarnação da doçura” pensa que é.

– Eu sempre estarei ao lado dela. – afirma, certo do que diz.

– Você não entende, não é? Não entende que as pessoas tem que aprender a enfrentar o mundo com suas próprias armas? Amigos, no fundo, podem sim nos dar força, mas depender exclusivamente deles é um erro, atitude de fracos.

– Ela também sofreu, Yuong-kun! – eleva o tom de voz – Ela...

O dedo indicador direito do aluno do terceiro ano paira sobre os lábios do menor, calando-o por completo. O sorriso de lado de Yuong quebranta o espírito de Daisuke, deixando-o inofensivo como uma presa diante de um predador.

– Fale baixo. Você não quer que ela descubra que o melhor amigo dela é apaixonado pelo mesmo cara que gosta, correto?

O coração do amigo de Tsubaki se aperta. Se sente culpado por tudo isso. Sabe que não é certo se entregar ao seu forte sentimento sem nada dizer para ela. Pelo menos é o que pensa. Mas como evitar essa atração, esse impulso que lhe desequilibra tanto? Como revelar para sua melhor amiga que ama a mesma pessoa que ela? Como ferir alguém com quem tanto se importa, alguém que lhe deu valor quando mais ninguém o fazia?

– Não faça Tsubaki-chan sofrer, Yuong... – pede Daisuke – Eu farei o que for preciso para não deixar ela se ferir de novo. Até mesmo...

– Até mesmo me esquecer? – se antecipa, mantendo o sorriso conquistador.

– Até mesmo te esquecer. – confirma, dando-lhe as costas e abrindo a porta da cabine para sair.

Yuong não evita a saída dele. Talvez, para o terceiranista, tenha sido um erro se entregar a algo tão leviano quanto um sentimento como esse. É o pensamento que, ríspido, lateja em sua mente.

Assim que Daisuke sai de sua cabine, leva um susto ao encontrar Saito Urushihara e Kaoru Tohara lavando as mãos na pia do banheiro.

– Oi oi oi, Kaoru-kun, Saito-kun.

Os dois citados, enquanto lavam suas mãos, viram parte do rosto para o que se aproxima. Assim que Daisuke se coloca entre eles, para fazer o mesmo.

À direita, está Kaoru. É um garoto um pouco mais alto que Yuong, que ainda se encontra na mesma cabine. Possui cabelos loiros e bagunçados, cheios e até parte do pescoço. Seus olhos azuis, quando bem analisados, liberam um ar de saudade e solidão. Sorridente, devolve o cumprimento do colega de turma:

– Olá, Daisuke-kun. Tudo bom?

– Tudo sim. – diz, no mesmo instante em que ambos os três passam a enxugar as mãos nos papeis de rosto presos na parede. – Por que não apareceu na aula hoje?

Kaoru se sente ameaçado, pelo simples motivo de que não pretendia contar para ninguém o que estava fazendo: escrevendo cartas para sua irmã. Aflito, ele tenta pensar em algo para escapar da pergunta do amigo, mas acaba não precisando, devido ao comentário de Saito:

– Como você me conhece? Eu sou novato.

– Seu primo, Sahro-kun, é um grande amigo meu. Ele estava no terceiro ano e, como passou, saiu de Kyodai. Sempre falava muito de você, sobre sua paixão com armas e animes e tudo mais. – explica Daisuke, sorrindo.

– Entendi.

– Já vou indo, tenho muita coisa para fazer. Até mais, pessoal. – Kaoru se despede, antes que um deles acabe perguntando demais.

Logo após a saída do loiro, o amigo de Tsubaki e o primeiranista também saem. Suspirando profundamente, Yuong chuta a porta da cabine na qual está, mal se reconhecendo pela inconveniente irritação. Com as mãos nos bolsos, ele caminha para a saída, bufando:

– O que eu não faço por esse moleque...?

/--/--/

Em outra área do colégio, na ala dos quartos das garotas, três estudantes conversam animadas, passando pelo corredor.

– Tsubaki-chan, então você também adora gatos, estou certa? – interage Samasha, enquanto caminha entre ela e Sophia.

A melhor amiga de Daisuke se empolga, dizendo:

– Com toda a certeza. Gatos são adoráveis, Seiya-san.

– Concordo. – Sophia, alegre – Já que nós três amamos gatos, poderemos fundar o clube, não é mesmo?

A alegria de Tsubaki ultrapassa todas as barreiras. Erguendo seu braço direito, ela exclama, enquanto seus olhos flamejam pela empolgação:

– Isso aí, Cianno-san! Protegê-los e representa-los é a nossa missão!

Entre risos, o trio se diverte. É quase certo que as três estudantes se tornarão grandes amigas, devido a tudo o que têm em comum. Ou quem sabe isso já aconteceu, sem que percebessem. Com poucos minutos de convivência, foram capazes de desenvolver uma doce afinidade.

– Bem, vou ficar por aqui. É o meu quarto. – argumenta Sophia, cessando seus passos, parando de costas para uma porta.

As outras duas frequentam o mesmo quarto e, por tal razão, seguem o mesmo destino.

– Até o próximo horário, Sophia-chan! – a dona da pequena Blue acena, prosseguindo.

– Até mais! – Tsubaki se despede da nova amiga.

– Até. – corresponde, fechando os olhos e se virando, girando a maçaneta, abrindo a porta e entrando.

– Aquele é o quarto da Rouvier-san também... – a mais velha, levando os dedos da mão direita para seus lábios, pensativa.

– Quem é essa? – questiona Samasha, fitando-a.

– É uma dos alunos novos da minha sala. Ela parece ser muito reclusa, talvez goste de ficar sozinha, longe das pessoas. Mas parece ser muito inteligente.

– Você se preocupa muito com quem está ao seu redor. Sophia-chan também é assim.

– De certa forma. – responde, tímida.

De fato, Tsubaki e Sophia possuem muito em comum, mais do que a paixão por felinos. Ambas sofrem somente ao supor que magoaram ou feriram alguém. São educadas e gentis, sempre se esforçando para alegrar todos ao seu redor, dedicando-se ao máximo por essas pessoas. Compartilham da mesma fé, da crença de que o mundo e os corações humanos podem ser mudados com nobres sentimentos.

Pensando nisso, Samasha não consegue desfazer seu sorriso, por mais que tente. Está alegre ao perceber que encontrara boas amigas. Contudo, sua expressão de felicidade é trocada por a de perplexidade, logo assim que chegam ao quarto e dão de cara com uma espantosa visão.

– Garota, o que foi isso? – indaga a dona de Blue, tomando a frente da recente amiga, que também se encontra pasma.

Um espelho quebrado. Alguns cacos de sua superfície espalhados no chão, com algumas gotas de sangue entre eles, além do que escorre do punho esquerdo, cerrado, da loira. A garota de olhos verdes permanece de costas para as outras duas.

– O que você fez? Por que quebrou o espelho? – Samasha insiste.

De uma das três camas do local, uma pequena gata branca se aconchega, tranquila. É Blue, dormindo como um anjo nas nuvens. A felina não demonstra ter sido incomodada pelo ato, há pouco, efetuado pela novata do segundo ano.

– Você é a outra aluna nova da minha sala, a que faltou hoje. – supõe Tsubaki, assim que finalmente consegue falar, ainda abismada. – Qual o seu nome?

– Nagashi Swords. – responde, virando-se para elas.

O olhar e a expressão da loira são de pura fúria. Todavia, não é uma ira direcionada para as companheiras de quarto. É um sentimento destrutivo direcionado para outro alguém. Talvez, até para si mesma, o que explicaria o seu ato de quebrar o espelho.

Escutando a resposta dela, a garota apaixonada por Yuong Tsukyomi se aproxima com leveza. De alguma maneira, Samasha teme Nagashi. Tsubaki não.

– Swords-san, está ferida... – observa, se colocando a centímetros diante dela.

– Sei disso. E o que tem de mais? – replica, enquanto um feixe de sangue escorre de sua mão para o chão.

Apesar do áspero comportamento da loira, a doce garota não se intimida. Com ambas as mãos, ela alcança o punho machucado e o recolhe, com gentileza.

– Me parte o coração ver as pessoas sofrendo sem poder fazer nada. – revela, com os olhos úmidos.

Nagashi não responde, nem reage à atitude de quem mal conhece. Sabe que deve se manter afastada dos outros, afinal, foi essa a sua escolha anos atrás. Porém, é uma tarefa que, constantemente, se mostra complicada para ser realizada.

– Permita que seu coração se abra. Conceda para si mesma o direito de sorrir. – aconselha, solene como o perfume de uma flor.

– Não. Eu represento uma ameaça para quem me cerca. – admite, puxando sua mão de volta para si, de modo brusco.

Nagashi sentiu uma sensação quente ao ser tocada por ela, diferente da que a dominou quando se viu diante do espelho. Foi algo que lhe despertou parte do que havia enterrado no passado. Tsubaki lhe transferiu compaixão e amor, tudo o que a loira tentou esquecer. Ainda assim, não volta atrás em sua decisão. Pelo bem de todos, deve persistir e guardar apenas para si a sua dor.

– Está enganada. Não é certo punir a si mesma por coisas passadas. Precisa viver tendo fé no futuro. – argumenta a doce estudante.

– Não! Você não me entende, nem ao menos me conhece direito! – exclama, passando ao lado direito dela e se afastando, indo em direção a porta.

– Swords-san... – Tsubaki tenta insistir.

– Ninguém no mundo poderá me entender. Logo, não há nenhuma pessoa na Terra que alcançará o meu coração. – declara, passando por Samasha e se posicionando no vão da porta, olhando para elas por breves momentos até sair de vez do local – Desista. Seus sentimentos são fracos demais para serem capazes de me tocar.

As duas companheiras de quarto da loira escutam tudo sem falar nada. Não conceituam as palavras dela como insultos, mas sim como uma ordem para que se afastem.

Nagashi, após alguns instantes, vira seu rosto para o novo caminho que está a trilhar, mas acaba esbarrando em alguém.

– Me desculpa, eu... – o garoto tenta se retratar, mas acaba perdendo a fala ao olhar dentro dos olhos da colega de classe.

Assim como ele, a neta de Madallena Swords fica sem palavras. Acaba se lembrando de quando o viu pela primeira vez, no dia em que sua querida avó se foi.

– Eu te machuquei? – pergunta o garoto de mechas prateadas, preocupado.

Ela ri, achando cômico o comentário dele. De dentro do quarto, Tsubaki e Samasha observam o diálogo dos dois.

– Eu não me machuco tão fácil assim. Não sou tão frágil quanto pareço. – declara ela.

– Mas quem foi que disse que você é frágil? – questiona, no objetivo de ganhar essa disputa.

– Seus olhos quase jogam o seu ponto de vista para cima de mim. – articula, sorrindo arrogantemente, lançando seus cabelos loiros sobre o ombro direito para trás, com a respectiva mão.

– Eu não queria te passar essa impressão, Nagashi.

Ela se surpreende, mas não demonstra. Como ele poderia saber seu nome se nunca se falaram?

– Como sabe meu nome?

– Não tem outro assunto na escola se não “Nagashi, a loira novata e implacável que chegou botando pra quebrar”. – cita, como se lesse um artigo de jornal.

– Admito que sou impulsiva. É o que faz com que idiotas não se engracem comigo, para que saibam qual é, deles, o devido lugar.

Com seu último comentário, a loira vira o rosto, pois não quer mais dar atenção para ele. Rumo ao jardim do colégio, ela caminha pelo corredor, se afastando.

– Não quer nem saber o meu nome? – o garoto se vira para a direção tomada pela “indomável”, notando que a distância cresce aceleradamente, devido à pressa por ela apresentada.

– É informação desnecessária. – declama Nagashi, já a metros dele.

– É Senshi. – conta ele, ignorando o que ouviu – Senshi Yujo.

– Prometo tentar me lembrar disso, só não garanto conseguir.

A loira dobra a esquina e acessa outro corredor. Sorridente, o mais novo “colírio das meninas” se sente satisfeito com a curta conversa.

– Olá, Yujo-san. – Tsubaki o cumprimenta, saindo do quarto e se posicionando próxima a ele, acompanhada por Samasha.

– Olá. – a dona de Blue também o faz, agora com a gata em seus braços.

– Oi meninas. Tudo bem? – corresponde Senshi, educado, se virando para elas.

– Na verdade não. A que acabou de sair quebrou o espelho e nós duas teremos de limpar a bagunça. – conta a primeiranista.

– Nós duas? – a outra a encara, boquiaberta.

– Sim, nós duas. Depois, Blue e eu tiraremos uma soneca, antes do início da segunda metade do dia letivo.

– A sua gata é linda. – opina Senshi, passando a observar a bolinha branca de pelos – Se chama Blue?

– Isso.

Repentinamente, a felina se livra dos braços da dona e salta para os do garoto, surpreendendo ambos.

– Parece que ela anda sociável demais... – constata Samasha, identificando a afinidade da bichana pelo mais velho.

Ele corresponde o carinho de Blue, acariciando-a com muito mimo.

– Você gosta muito de gatos, Yujo-san? – pergunta Tsubaki.

– Amo de paixão.

Como há pouco, as duas garotas se contagiam, empolgadas, o que deixa o garoto curioso.

– Gostaria de fazer parte do nosso clube defensor dos gatos? – indaga Samasha, com os olhos cintilantes.

Senshi fecha as pálpebras, mas mantem seu sorriso. Os traços firmes, mas ao mesmo tempo suaves de seu rosto fazem com que ele mais se pareça com um anjo do que com um humano comum. Sua personalidade protetora, leal e cativante apenas reforça a teoria. Alegre, ele fala:

– Seria um prazer!

/--/--/

Nagashi caminha, pensativa e atordoada, pelos corredores. Seus pensamentos parecem estar a mil por hora. Tudo o que lhe acontecera há pouco parece fugir da realidade. Aliás, com toda a certeza, foge sim.

– O que foi aquilo no espelho? Será que estou ficando maluca? – se questiona, com um timbre baixo, enquanto passa por vários outros alunos do colégio.

Sem nenhuma dúvida, o que a loira viu refletido foi algo que a desestruturou por completo. Até agora, não é capaz de entender sua experiência fora do normal. Tomada pelo descontrole, acabou quebrando o espelho. É quando, mais uma entre tantas vezes, observa a mão utilizada para fazê-lo.

– Não é possível, não tenho nenhum arranhão. – conclui, analisando o que antes estava ferido e que derramara sangue.

Quando percebe, Nagashi já está no jardim do colégio. Seus pensamentos se encontram em um conflito tão instigante que mal notara.

Uma melodia invade os seus ouvidos. É a doce sinfonia de uma flauta. De uma inexplicável maneira, a garota se sente tomada por um incrível sentimento de paz, totalmente diferente do que sentia há pouco. As impetuosas sensações vão sendo desintegradas até não restar nada além de harmonia.

Olhando para todos os lados, Nagashi procura a origem da música, seguindo o rastro deixado pelas ondas sonoras do desconhecido artista. É quando caminha mais um pouco que ela descobre que se trata de uma desconhecida.

– Estava à sua espera. – alega Sayuri, ao interromper o espetáculo musical, mas mantendo sua flauta transversal próxima aos lábios.

– Como assim estava à minha espera? Sabia que eu viria para cá?

A flautista a encara, mas com uma aura de paz e pureza. Nagashi cruza seus braços, colocando o pé direito a frente do restante do corpo.

– Era o seu destino. – afirma, levando ambos as mãos, com o instrumento junto, para seu colo. – Ela se chama Lira, sabia? – revela, se referindo a sua ferramenta musical.

– Destino? E deu um nome para a sua flauta? E, ainda por cima, “Lira”? Por acaso você é uma artista lunática? – questiona, com um certo deboche. – Veio de um sanatório, talvez? Ou quem sabe Kyodai seja um sanatório e eu ainda não estou sabendo...

– Sabe... Para mim, a alma das pessoas está na música. – comenta, relevando o sarcasmo da novata. – É por isso que as pessoas se entristecem ou se alegram quando escutam uma determinada música.

A loira nada diz ao escutar a declaração. Sayuri, por outro lado, prossegue em poucos instantes:

– Sou muito ligada ao mundo musical. Talvez pelo fato da alma poder ser representada por ela, com o tempo, passei a ver o mundo de uma maneira mais colorida.

Sayuri reaproxima seu objeto preferido à sua boca, mais uma vez. Nagashi, notando isso, se assenta à grama, a poucos metros dela.

– Assim como escuto a melodia da minha flauta e vejo várias cores no mundo, posso sentir uma profunda angústia dentro de você, quando toco, além de encontrar cores acinzentadas e sem vida...

Como quando Tsubaki se aproximou, Nagashi se sente ameaçada. Sua fortaleza protetora está, a cada segundo que passa em Kyodai, mais frágil. É possível que, pela primeira vez, alguém se mostrará capaz de atravessar todo o seu oceano de sofrimento para alcançar seu coração?

A melodia é renascida. Sayuri voltou a tocar. A loira não entende como a sinfonia que lhe rodeia pode ser tão tocante e profunda. Talvez devesse ser mais determinada, se manter ainda mais longe de todos. Ou, quem sabe, seja incapaz disso. Mas até mesmo os seus sentimentos de dúvida desaparecem, aniquilados pela doce demonstração artística da terceiranista. Passam-se os segundos, até minutos, e Nagashi não se cansa de ouvi-la, sentindo sua alma sendo lavada e purificada com cada nota musical do instrumento. O seu mar tempestuoso interior se transformou em águas tranquilas.

– Há tanta coisa que você ainda precisa entender... – pensa Sayuri, enquanto toca, como se falasse com a sua espectadora. – Posso sentir o seu conflito interno, não apenas de sentimentos ou incertezas. É algo que vai além das normais concepções humanas.

Uma estranha imagem invade a mente da artista. Apesar disso, é algo que não a surpreende, como se já estivesse a sua espera. É um beijo, envolto por amor e união, que Sayuri enxerga. Um toque de lábios entre Nagashi e o garoto que não abandona os pensamentos da loira, por mais que tente. Então, a terceiranista imagina, antes de se entregar por totalidade à melodia:

– Ser feliz. Esse é o seu, nem tão distante, futuro...

Notas finais
Foi um bom cap? Tomara que sim, pq já escrevi mts a frente desse rsrs. Ate a próxima postagem (às respostas dos reviews, é claro, para quem deixar um^^)!