Kyodai - The Awakening Of Chaos (Interativa)

21 Capítulo 20 - Spontaneous cell regeneration


Notas iniciais
Estamos de volta aos sonhos da Samasha u.u! É o último capítulo para a votação dos Gaidens XD! Quem ainda não votou, mas quer, vote^^

Aquele mundo futurista lhe acolhera mais uma vez. Reabrindo seus olhos, Samasha Seiya se vê diante daquela estranha realidade. Será mesmo, e afinal de contas, realidade?

– Arashi, você havia me dito que tinha superado... – ecoa a voz de um homem, chamando a atenção da estudante.

– Talvez eu tenha cometido um equívoco. – admite a loira, séria.

A dona da pequena Blue, por fim, se dá conta do que lhe está ocorrendo. Yuong Tsukyomi, Arashi Swords, Kaoru Tohara e Saori Tohara. De alguma forma, o que a adolescente fez de tudo para acreditar que era mero sonho está tendo uma espécie de continuidade, do mesmo ponto em que parou, noites atrás. É possível?

– Arashi, você precisa viver sua vida. Era para ter tentando seguir em frente desde o começo, mesmo que seja tudo tão complicado. – recomenda o outro homem, erguendo as palmas a frente do corpo, gesticulando enquanto fala. – Lute contra a dor e não se renda como está fazendo.

– Não estou me rendendo. Pelo contrário, diferente do que está dizendo, estou sim seguindo em frente. Só não me peça para ignorar tudo, por que ai sim eu sou incapaz.

– Não é isso o que estamos pedindo. – afirma o loiro. – Queremos o seu bem, pois afinal de contas somos seus amigos.

– No fundo, vocês eram amigos da Nagashi, não de mim. Mas isso já não é tão importante assim... – opina, voltando seu olhar para Samasha – Podemos mudar tudo.

– Como assim mudar tudo?

– Você não me ama, Yuong. A morte do Daisuke te faz sofrer até hoje, assim como a da Nagashi faz o mesmo comigo. Apesar disso, podemos mudar tudo, impedir a morte de todos.

– Senshi, Sophia, Daisuke, Nagashi, Samasha, Jimmy, Sayuri, Gingamaru... Como poderíamos salvar todos eles? – questiona Kaoru, dando credibilidade às palavras da loira.

– Nós não podemos mudar o passado, mas ela pode mudar o futuro. – afirma a mulher, usando seu indicador esquerdo para se referir à estudante, que pelo que tudo indica, está mesmo em outro tempo.

Kaoru, sua irmã e Yuong olham para a menor. Prestando toda a atenção que podem oferecer a ela, notam as semelhanças que a mesma possui com Samasha Seiya, a falecida amiga. Se Arashi tem a certeza de que se trata da própria, quando ainda vivia, não há razão para duvidar.

– Você é mesmo a Samasha? – o loiro tenta confirmar, se aproximando da garota.

– Sim, sou eu. Mas é difícil de acreditar que isso é o futuro... Deve ser apenas um sonho... – se nega a acreditar na verdade.

– Não, esse é o derradeiro futuro. – afirma Nagashi, se aproximando como Kaoru – Se você insistir em não acreditar nele, não só você mesma, como quase todos os seus amigos sofrerão as consequências. Vários serão aqueles que perderão suas vidas.

– Se veio mesmo de algum momento no passado, precisa tentar impedir! – exclama Saori, ao lado de Yuong, fazendo o mesmo que os outros dois, aproximando-se.

– Mas eu... Eu não entendo o que está acontecendo... – hesita, confusa e perdida. – Eu...

– Lucy já lhe contou sobre os humanos evoluídos? – Arashi tenta saber.

– Sim.

– Tudo o que ela disse é verdade. Você e os demais do seu tempo precisam acreditar, unir forças e lutar contra o que virá de agora em diante. – articula Kaoru – Não deixe a chance de salvar tantas vidas escapar tão fácil assim...

– Mas eu... Eu...

– Samasha, por mais que as coisas sejam difíceis, você tem que ter fé! Você e seus amigos precisam de força de vontade para superar tudo o que a vida impor! Tenha determinação! – exclama Arashi.

– Eu não me acho tão forte assim. Além disso, eu não sei mais do que acreditar...

– Acredite no que seu coração quiser acreditar. A força virá dos laços formados com seus amigos. – Kaoru se expressa.

Os olhos da garota tremulam. Mesmo com tantas palavras de apoio, ainda se sente insegura. Tudo isso é mesmo real? Desde quando sua vida escapara da normalidade e passara a seguir uma linha tão... Surreal? Desde quando as coisas se transformaram, assumiram posições, informações tão exóticas?

– Há muito no mundo que você ainda não conhece. Mas há coisas que devemos evitar conhecer. – articula Yuong, fitando-a seriamente – Se tem em mãos a oportunidade de desenhar um mundo melhor, hesitar seria a maior prova de fraqueza.

A garota, em um denso oceano de dúvidas, decide refletir sobre as palavras ouvidas, principalmente as de Yuong. Desenhar um mundo melhor... Ela se pergunta, sem cessar, se é capaz de tanto.

– Você é capaz! – declama Arashi. – O destino é forte, Samasha, mas há coisas ainda mais. Coisas que podem mudar o curso das águas e reverter o que adotamos como verdade...

Repentinamente, a garota se lembra desses dizeres. “O destino é forte, Samasha, mas há coisas ainda mais. Coisas que podem mudar o curso das águas e reverter o que adotamos como verdade...”. Se lembra de que escutara algo assim, no término de seu primeiro sonho. A voz que proferira tais palavras era diferente da de Arashi, mais masculina, mas ao mesmo tempo, mais leviana e suave. É quando pensa: estaria alguém controlando os seus sonhos? Poderia ter alguém o interesse e o poder para tal? Alguém que pretende guia-la para um outro caminho, se não a morte?

– Ainda me sinto tão perdida, tão confusa... – alega Samasha.

– Olhe para essas flores. – pede Saori, com um timbre gentil e apaziguador.

A garota atende ao pedido da loira. Não só ela, como todos os outros olham para as flores do jardim, a única coisa que permanecera com vida nas redondezas da arruinada Kyodai.

– Jasmins, orquídeas, flores-da-fortuna, rosas, flores de cerejeira, camélias, bromélias, lírios, margaridas, tulipas, violetas... Se eu pudesse, estaria desbravando esse jardim, encontrando mais e mais espécies. Acredite: existem muitas outras além das que citei. – garante, sorrindo enquanto observa o frágil rosto da menor. – Sabe a razão pela qual tudo o que restou por aqui são essas flores? E por que nada arranca delas a vida?

– Nã... Não.

– Essas flores são a incorporação dos sentimentos de Tsubaki. – define Kaoru. – Desde o Poltergeist, ela pessoalmente cuida delas. Duas ou três vezes por semana, vem para cá espalhar a vida, que de si mesma transpira, e de maneira tão natural quanto o suor de alguém que se cansa. Apesar de tudo, Tsubaki não desiste dessas flores, não desiste de mantê-las vivas. Pois isso é como parte de sua felicidade.

– Mas você acha que essas flores podem substituir os entes queridos que ela perdeu? – Arashi se apronta – Acha que a pessoa que você foi no passado pode ser substituída por meras flores?

Samasha sente um forte peso em seu peito. Talvez esteja sendo covarde. Será? Afinal de contas, quantas pessoas sofreram com o evento nomeado como Poltergeist? Quantas foram as vidas alteradas pelas ambições de Fênix? E quanto essa história seria diferente com sua intervenção, com o apoio de seus amigos? Tsubaki, além de flores, teria todos aqueles que lhe eram valiosos ao seu lado...

– Hoje, ela é uma grande médica. A maior do mundo, sem dúvida. Tsubaki usa seu talento para curar a todos. Não existe ninguém na Terra que não pensa no seu nome ao enfrentar uma enfermidade. Ela salvou muitos e muitas ao longo da sua vida, mas não conseguiu salvar logo aqueles que lhe eram mais importantes. – Yuong acrescenta. – Ela daria tudo para, pelo menos, ver o sorriso do Daisuke mais uma vez. Garanto que o mesmo vale para mim.

De repente, as mãos de Arashi tocam as de Samasha. Como uma represa que se rompe, dominada pelo violento fluxo das águas, as memórias e angústias da loira invadem a estudante. É uma variação da habilidade especial da falecida Sophia Cianno, que a mulher adquirira. Graças às instantâneas informações obtidas por um simples toque, a dona de Blue agora tem essa certeza.

– Nosso sofrimento não tem precedentes. Mas pode ser evitado. – afirma a mulher, ao colar seus olhos nos de Samasha, enquanto mantem suas mãos unidas.

Samasha sente o desejo de chorar. Toda a dor e a angústia de Arashi, agora, estão sob seu conhecimento. Como poderia alguém sofrer tanto e ainda assim insistir em viver? A dúvida da garota logo é sanada. São os poucos amigos, que ainda vivem, que se ajudam na dor e na tristeza. São eles que compartilham, entre si, o mesmo sofrimento. São eles que se lamentam por terem sido incapazes de impedir toda aquela terrível tragédia.

– Me perdoe. Agora eu entendo tudo. – diz, entre lágrimas, mantendo o contato físico e visual com a mulher – Mas... Será que posso evitar? Posso mudar o que, para mim, ainda é o futuro?

– Pode, não há dúvidas disso. O futuro representa infinitas possibilidades. Ele depende das nossas ações no presente. Tomando as medidas certas, você e seus amigos alcançarão o melhor dessas possibilidades. – articula, esboçando um leve sorriso. – Mas você precisa saber de algumas coisas.

– Que coisas?

– Você já entende tudo o que falamos sobre Fênix e sobre o Poltergeist, não é mesmo?

– Sim. – confirma, tornando-se séria.

Arashi separa suas mãos das da estudante. Respirando profundamente, dá sequência aos seus dizeres:

– Sendo assim, quando você retornar para o seu tempo, precisa ter alguns pontos em mente. Primeiro: Sophia será o primeiro alvo de Fênix. Precisam salvá-la.

– Farei tudo o que estiver ao meu alcance.

– Segundo: Fênix, em hipótese alguma, pode ter acesso aos poderes de Senshi, aos de Lucy ou aos de Nagashi.

– Caso contrário, Fênix se tornará invulnerável e, por consequência, invencível. – comenta Samasha, enquanto escuta os conselhos com atenção.

– Exato. Terceiro: durante o Poltergeist, Tsubaki poderá desempenhar um papel crucial no desenrolar dos fatos. Senshi será importante para ajudar ela, e também Nagashi, a encontrar o caminho correto.

– Sim.

– Quarto: mantenham-se unidos, não importando o que aconteça. A força da amizade de todos vocês é o que os salvará, é também o que salvará Kyodai e toda a cidade de Konton.

– Kaoru Tohara, Saito Urushihara, Senshi Yujo, Yuong Tsukyomi, Nagashi Swords, Tsubaki Seijitsu, Lucy Rouvier, Daisuke Saruma, Sophia Cianno, Samasha Seiya, James Anthony Krum, Jayden Valentine, Gingamaru Pride e Sayuri Kishimoto. Essas são as pessoas interligadas pelo destino! – declara Saori, chamando a atenção da estudante. – Os laços de todos, unidos, podem salvar até mesmo o mundo!

Samasha é capaz de sentir a responsabilidade que agora carrega. Entretanto, sente-se aliviada ao saber que terá com quem contar. Terá o apoio de valiosos amigos e isso é tudo o que importa. Jamais estará sozinha, enquanto acreditar na força da amizade.

– Tenha fé e acredite nos seus laços. É tudo o que você precisa. – argumenta Kaoru.

– Patético. – diz alguém, diferente do grupo, se aproximando.

Arashi, Yuong, Kaoru, Saori e a jovem Samasha, originária de outro tempo, olham para o mesmo ponto. Ao longe, avistam uma mulher de longos cabelos prateados e uma roupa de couro, colada ao corpo. Os saltos de suas botas liberam impactantes sons, enquanto ela caminha, com um leviano sorriso.

– O passado não pode ser mudado.

– Então você está mesmo viva? – Kaoru, que não demonstra surpresa, apesar da situação.

– Mas é claro. Eu não posso morrer, lembra? – brinca ela, cessando seu andar, a certos metros de distância do grupo.

– O que andou fazendo todo esse tempo? – insiste o loiro, tentando saber o que houve com a conhecida durante a longa década sem informações sobre a mesma.

– Vivendo a minha vida, bem longe daqui. Mas parece que, por coincidência, vocês vieram ver as ruínas de Kyodai logo quando eu decidi fazer o mesmo.

– Hoje eu me pergunto: quem é você, o que se tornou? – Arashi se manifesta – Uma vagabunda qualquer?

– Não sou uma vagabunda, Arashi. Você, mais do que ninguém, deveria entender que sou sozinha por natureza.

– Não, você não é assim. Ninguém é, e me lembro de que Nagashi e Senshi pensaram dessa mesma maneira quando...

– Os dois estão mortos. Chega dessas tentativas ridículas de reviver memórias tão distantes.

– Você mudou, Lucy. – fala Kaoru.

– Todos nós mudamos. Seja o Saito, o Jayden e Tsubaki, que não estão aqui, ou nós que estamos... Todos mudamos.

– É por isso que precisamos acreditar nessa garota... Na Samasha. – diz Saori. – Ela pode mudar tudo.

– Repito: ninguém pode mudar o passado. Confiar nela é um erro.

– Ninguém pode mudar o passado, nisso concordo com você. Mas para ela, tudo o que aconteceu ainda é o futuro. E o futuro quem faz somos nós. – declara Yuong.

– É de estranhar alguém como você botando fé em coisas tão fúteis. – opina Lucy, cruzando seus braços.

– Não são coisas fúteis. Mas como você mesmo disse, nós mudamos. E eu sei a razão por qual você foi a que mais mudou entre todos.

– Do que está falando?

– Fênix conseguiu o que queria, não é? – lança, sendo direto.

Todos percebem a inquietação no olhar da recém-chegada. Mesmo que ela se recuse a responder, a assoladora verdade está estampada em seu rosto. Lucy faz tudo o que pode para manter o controle, para reter a angústia que adquirira desde que conheceu Fênix.

– Responde. Ou terei que obter a verdade à força? – insiste Yuong.

– À força? Pensei que esse era o atributo de outra pessoa. – debocha, referindo-se à Arashi.

– Você entendeu bem o que eu quis dizer. Posso muito bem obriga-la a obedecer as minhas ordens.

– Então sugiro que o faça, pois eu não falarei nada que não me convenha por livre e espontânea vontade.

Yuong se sente desafiado. Por essa razão, toma para si alguns passos, caminhando ao encontro da antiga amiga. Contudo, antes de avançar muito, Arashi estende seu braço esquerdo à frente do corpo do namorado, impedindo-o. Sem nada dizer, é a loira que passa a andar em direção a Lucy. Apesar disso, ela não se intimida.

– Ai Jesus... Será que elas vão brigar? – pensa Samasha, aflita, mas aterrorizada só de se imaginar no caminho de Arashi, que dá última vez demonstrou ter uma força sobre-humana.

Arashi cessa, ao se posicionar bem diante de Lucy. As duas mulheres, sérias, se encaram, como legítimas rivais de longa data. Ninguém presente demonstra o interesse em interferir. Sabem que é algo que precisa ser resolvido entre elas.

– O que é? A saudade é tanta que precisa diminuir a distância dessa maneira?

– Fênix ainda está vivo. Ele adquiriu a sua habilidade. – afirma a loira, certa do que fala, encarando-a.

Apesar de já terem cogitado essa possibilidade antes, o grupo agora sabe que é oficial. Fênix ainda vive! A questão então é: o que Fênix andou fazendo durante todos esses anos? Por que não foi atrás dos remanescentes dos estudantes de Kyodai? Ou, quem sabe, estaria ele à espreita, esperando pelo menor descuido? Ao menos para essa última questão, eles sabem que a mais provável resposta é não. Com a habilidade de Lucy, nada pode detê-lo. Logo, não há razões para temer algo, nem hesitar diante de um banquete de talentos de outros humanos evoluídos. Há mais por trás dessa história...

– Fale tudo o que sabe, e agora. Não quero ter que obriga-la, em nome dos seus velhos tempos com Nagashi.

– Não precisa fraquejar pela minha amizade com sua “falecida outra face”. Esse laço morreu com ela naquele dia.

Um soco atinge o rosto de Lucy, jogando-a metros para trás. Arashi, desta vez, não se segurou.

– Não faça isso! – pede Samasha, ainda mais aflita.

– É melhor não se intrometer. – pede Kaoru, se colocando na frente da estudante. – Ela precisa disso.

– Desse jeito, ela vai mata-la! – exclama, preocupada.

– Não vai não. – discorda Yuong, impressionando-a com seu ar tranquilo e seguro. – Lucy é uma das poucas pessoas que conhecemos que é capaz de manter sua saúde perfeita diante da Arashi.

– Como assim?

– Olhe para lá e preste atenção. – indica ele, com o movimento de seu rosto em direção às duas.

Samasha, que era a única no grupo a não olhar para a dupla de mulheres, o faz. E fica boquiaberta, diferente de todos os demais. Lucy tem dificuldade para levantar, mas quando consegue, é novamente derrubada por um soco de Arashi. Se fosse qualquer outra pessoa, com a força recebida por cada golpe, estaria agora desfigurada. Porém, o caso é diferente.

– Está tentando lançar toda a sua raiva em mim? Toda o seu sentimento de fracasso? – questiona ela, após receber o terceiro soco e se levantar do chão.

O rosto de Lucy se encontra banhado em sangue, mas não há nenhuma ferida, sequer uma cicatriz. Perceber isso deixa Samasha pasma.

– Nem ao menos conhece a habilidade de Lucy? – questiona Kaoru, olhando a estudante por alguns segundos. – É esse o dom que Fênix procurou como um condenado e o que, aliado a todos os outros que adquiriu, lhe trouxe a capacidade de fazer o que fez.

– Aquele canalha queria se esconder atrás das habilidades regenerativas dela para, então, ser indestrutível. – Saori, por sua vez.

– E, pelo visto, ele encontrou a Lucy e conseguiu o que queria. – Yuong se manifesta. – Regeneração celular espontânea. Com isso, podemos ter a certeza que o mundo está condenado. Tudo o que podemos fazer de agora em diante é esperar o fim de tudo.

– Mas... – a mais jovem tenta falar algo, mas acaba por desistir. Se lembra de tudo o que foi capaz de ver quando Arashi lhe tocou e, enquanto observa os vários socos que a mesma aplica em Lucy, ela tem ainda mais certeza da atormentadora destruição explanada por Fênix. Uma grande tragédia aconteceu anos atrás, mas muito pior está por vir.

– Foi por isso que Arashi falou que ele não pode ter acesso aos poderes da Nagashi, do Senshi e da Lucy do seu tempo. – o loiro, novamente. – O seu futuro pode ser diferente do nosso, Samasha...

Ela continua a observar os socos que a loira aplica na sua “rival”. A cada segundo que passa nesse mundo, a estudante tem cada vez mais certeza que precisa agir, que precisa mudar o futuro. Vidas que se foram, outras que se despedaçaram para sempre. Sorrisos arruinados, lágrimas eternizadas... E o fim do mundo. Até que ponto as coisas irão?

Arashi já se encontra fadigada. Perdera a conta de quantas vezes acertou o rosto de Lucy, e de quantas vezes ela se levantou. Porém, desta vez, sabe que será diferente. A loira fecha seu punho direito com toda a força, concentrando tudo nele, mantendo-o lado a lado de sua respectiva perna.

– Sua fraqueza foi se achar imune à dor, invulnerável. – alega, enquanto encara a “garota que regenera”.

– Você não pode dizer nada sobre isso, já que regenera graças a habilidade herdada do seu pai, aliás, do pai da Nagashi. Tsuyo Swords não era o mestre da regeneração celular? – questiona, irônica.

– Mesmo assim, nem eu nem Nagashi nos vangloriamos disso. Foi a sua presunção que lhe afastou dos seus amigos e o que lhe levou diretamente para o Fênix. – afirma, derrotando os argumentos da outra. – Foi o que deu a ele a verdadeira invulnerabilidade, coisa que você pensou que tinha, mas jamais teve.

Lucy se sente atacada, não fisicamente, mas de outra forma. As palavras da loira lhe atingem de modo intenso. Durante esses 10 anos, a filha do maior geneticista do mundo teve de encarar a verdade: por mais que seu corpo fosse capaz de se recuperar até dos mais graves ferimentos, seus sentimentos, sua alma não. Foi obrigada a aprender de forma ríspida que ainda é e sempre será humana.

– Você pode reviver até o fim dos tempos, mas nunca deixará de ser humana. Precisa aprender que sozinha você é fraca. Ao lado dos amigos, não.

Sua ouvinte nada diz, mas ela prossegue, antes de lhe desferir o último soco do dia:

– Nem que eu tenha que passar o resto da minha vida esmurrando a sua cara, farei com que aprenda isso.

Com mais esse golpe, Lucy é lançada para uma distância impressionante, ainda maior do que antes. Apesar de ser capaz de se regenerar, ela acaba desmaiando, devido ao forte impacto. Samasha, espantada, observa como os outros, sérios por já conhecerem a força da integrante da família Swords. Suspirando, um tanto quanto cansada, a loira não deixa de olhar para sua vítima, agora a metros de distância.

– Tenha certeza de que farei tudo ao meu alcance para lhe fazer entender! Pela Nagashi, por todos que se foram e... Por você.

Notas finais
Inté XD!