Kyodai - The Awakening Of Chaos (Interativa)
22 Capítulo 21 - Prestige of nobility
Notas iniciais
A médica renomada se prepara para o seu dia de folga. Abaixo das gotas d’água, a bela mulher ensaboa seu estrutural corpo com o sabonete na palma direita. Cada trecho de pele tem a sua atenção especial. Suas pálpebras cerradas e seus lábios sorridentes comprovam que sua sensação é a das melhores. São poucas as ocasiões em que pode se considerar feliz de verdade. O dia após salvar tantas vítimas de câncer, e no qual também reencontrará seus velhos amigos após um bom tempo, pode ser considerada como uma dessas ocasiões.
O seu celular, sobre o armário abaixo do espelho do banheiro, começa a tocar. O som interrompe seu agradável ritual, chamando-a de volta para o seu mundo. O mundo trágico no qual tantas vidas valiosas se perderam, no qual ela no fundo sabe que seu esforço em ser útil para os enfermos, salvá-los, é uma consequência da sua incapacidade de proteger aqueles que amava quando foi necessário. Por mais que tente, não consegue enfrentar a dor, muito menos fugir dela. Então... O que fazer quando tudo o que faz parece não ter mais sentido?
O celular toca pela terceira vez. Apressada, empurra a porta do box e, sem ao menos enxugar suas mãos, vai em direção ao aparelho. Analisando o nome no visor, ela sorri, atendendo:
– Oi. A que devo a honra de um telefonema seu?
– Honra? Desde quando alguém como eu tem honra?
– Não seja tão duro consigo mesmo... – pede, recolhendo uma toalha para envolver seu corpo. – Todos nós temos honra.
– Se eu tenho alguma, ela desaparece completamente quando comparada com a de uma curandeira lendária.
– Não sou uma curandeira, sou uma médica.
– Médicas comuns não possuem habilidades de cura instantânea.
– Eu fiz Medicina, se esqueceu?
– Muitos acham que você é a Messias, se esqueceu?
A mulher se entrega a alguns risos. Não consegue evitar.
– Jayden, você é um bobo.
– Tenho saudades de quando você me chamava de “Valentine-kun”. – alega, do outro lado da linha.
– Não sou mais a garota frágil e que precisa sempre ser protegida daquela época.
– No fundo, eu prefiro aquela Tsubaki. Daisuke-kun também preferiria...
– Para que você ligou? – questiona, mudando de assunto.
– Quero saber se você vai mesmo à casa do Saito hoje.
– Sim, estou nesse instante saindo do banho. – declara, saindo do banheiro logo após abrir a porta do mesmo. – Preciso desligar, depois nos falamos mais.
– Tudo bem. Beijos, nos encontramos lá.
– Beijos... – se despede, encerrando a ligação e lançando o aparelho para o sofá da sala, enquanto anda para o seu quarto.
A casa é grande, com vários vasos das mais variadas espécies de flores. Tsubaki, devido ao seu sucesso como médica, consegui consolidar uma firme carreira na Medicina durante os últimos anos. O reflexo disso está na sua elevada qualidade de vida, comprovada pelo conforto de seu lar. Porém, nada disso preenche o vazio que se instalara no seu peito desde o Poltergeist.
No seu quarto, a mulher abandona a toalha sobre a cama, virando-se para o guarda-roupa. À procura de roupas, ela vai pensando em tudo o que conquistara até aqui. Todo o seu esforço e dedicação valeram a pena? Sem dúvida alguma! Não há ninguém no mundo que jamais tenha ouvido falar dela e de seus feitos milagrosos. Por muitos, Tsubaki é uma figura divina, uma entidade relacionada a Jesus Cristo, devido o seu poder de cura. Ainda assim, se sente incompleta. E no fundo sabe que dificilmente se o contrário acontecerá.
Ávida, logo a médica já se encontra quase toda vestida, faltando apenas uma confortável calça. Contudo, um barulho em sua janela lhe chama a atenção. Indo em direção a ela, Tsubaki apoia seus cotovelos na mesma, ao se aproximar o suficiente, observando toda a rua diante de seus olhos. Não há nada de anormal.
E, por falar em “anormal”, esse é um adjetivo que pode definir bem quem ela é. Ao menos, definir como ela se vê: uma mulher anormal, além de frustrada e sem objetivos. Suspirando, se afasta da janela segundos depois, presa em seus pensamentos, como há pouco em seu banho.
Repentinamente, um outro ruído de algum lugar da casa chama a atenção dela. Já não lhe restam mais incertezas: há outro alguém em sua mansão. Mais que depressa, Tsubaki corre para a cozinha e pega, com sua mão direita, uma faca, e das boas, em uma das gavetas, na qual guarda todos os talheres. Virando seu corpo, ela ergue o objeto, preparada para o que der e vier.
– Será mais um desses ladrões? Eles não cansam de tentar me roubar? – pensa, à passos lentos e atentos.
Se estiver certa, não é a primeira vez que enfrenta um bandido em sua casa. O sucesso como médica e o reconhecimento internacional trouxeram algumas consequências indesejadas. Tsubaki é como uma celebridade, e das mais importantes, para o mundo inteiro. Não há ninguém sobre a face da Terra que não tem ciência dos milhões na conta dela, e do quanto ela gasta ajudando creches, orfanatos, asilos e outras instituições de caridade.
Apesar de sua hipótese não ser nada incoerente, sobre o ruído ser proveniente de outro bandido em menos de um mês, a atormentadora presença que sente a faz ter a certeza de que não é bem isso o que está acontecendo.
Calma por fora, mas amedrontada por dentro, ela avança com cuidado pelo território de seu lar. Sabe que a qualquer momento uma surpresa indesejada pode lhe tirar o chão.
Tsubaki sente o desejo de fazer a clássica pergunta nessas ocasiões: “Quem está ai?”. Contudo, desiste antes mesmo de abrir a boca. Se suas suspeitas estiverem corretas, o invasor não tem o mínimo intuito em se revelar de modo tão simples e prático.
– Vagabundaaa... – a tenebrosa voz a pejora, chamando-a.
Os olhos da beldade se arregalam. Ela está apavorada. É mesmo a pessoa que pensou que fosse.
– Vagabundaaa... – é chamada mais uma vez.
De repente, algo a puxa para trás, interrompendo seus leves passos. A médica grita, mas logo seus lábios são tapados por uma mão forte e silenciadora.
– Eu vim pegar você, vagabunda. – diz o homem alto, com o rosto coberto por um capuz.
Fugir. É a palavra que ecoa na mente dela. Nada mais importa, se não fugir. Fugir por si mesma, fugir por seus amigos que se foram e os que ainda vivem, fugir pela humanidade, fugir pelo mundo.
– Ficou com saudades?
Assustada, mas ainda assim irritada, ela gira a faca, apontando a lâmina da mesma para trás, e então acerta a barriga do homem com tal, fazendo-o recuar. Liberta dos braços do sujeito, Tsubaki corre por alguns metros pelo cômodo. Encontra-se agora em sua sala de estar. Porém, quando cessa e vira seu corpo para trás, ele já não está mais aqui.
– Eu nunca ficaria com saudades de um monstro como você. – afirma a bela, mantendo a faca em sua mão, com a ponta para o chão.
– Que pena... Pois eu senti de você. – declara, reaparecendo atrás dela.
Outra vez, Tsubaki se assusta, mas agora se vira bem rápido e consegue encará-lo, mantendo uma distância segura.
– Você deveria estar morto.
A mão esquerda, coberta por uma luva negra, se direciona para o local no qual ela o feriu. Há um rasgo em sua camisa, mas nenhuma ferida onde sua barriga levou o golpe.
– Lucy Rouvier... Ela foi um excelente brinquedinho...
Aterrorizada. Se existe uma palavra no mundo que possa descrever melhor o medo e o pavor da médica, sim, devemos atribuir a ela nesse instante. A mulher tem a total consciência de que, com a habilidade de Lucy, o sujeito é um legítimo e imparável monstro.
– Cretino! Você a matou?
– Lucy Rouvier não pode ser morta... Assim como eu. – conta, sorridente
Ela fica feliz ao ouvir isso. Seja como for, Lucy um dia foi sua amiga. Por outro lado, não entende por que ele a deixou viver. A habilidade do crápula é absorver as capacidades especiais de outros humanos avançados. Caso queira, pode absorver ao ponto de retirar tudo de sua vítima e deixa-la sem suas habilidades. Se assim quisesse, Lucy hoje estaria morta. Então... Por quê?
Bruscamente, uma poderosa força lança Tsubaki para metros do ponto em que está. Chocando-se contra a parede, segundos em seguida, ela não consegue evitar o grito de dor.
– Telecinese... – conclui ela, sentindo seus movimentos bloqueados pela incrível força em seu corpo.
– Foi algo que consegui graças àquela professorinha... Como ela chamava mesmo? – se pergunta, revirando os olhos, enquanto é analisado pela seriedade da melhor amiga do falecido Daisuke Saruma. – Ah sim! Sugaku!
– Você conseguiu absorver a habilidade do Senshi também?
– Sim. – responde, para o elevar do terror interior da mulher. – Entretanto, não sei por que, ele não funciona. Mas logo descobrirei o motivo e aprendei a utilizar o poder dele. É o mesmo com Nagashi, pois já que ela era apenas uma metade da própria existência, não consegui dominar os seus poderes. De qualquer maneira, não me faz tanta falta. James Anthony Krum... Lucy Rouvier... Samasha Seiya... Sophia Cianno... Gingamaru Pride... Sayuri Kishimoto... Daisuke Saruma... E tantos outros, tão úteis. São, hoje, parte do meu nobre arsenal.
– Você é imundo! Canalha sem escrúpulos!
O homem ri, dizendo:
– Pode me chamar do que quiser, nada me impedirá de conquistar o seu poder também.
No passado, os dois se encontraram, antes do Poltergeist que destruíra Kyodai toda a cidade de Konton. Contudo, ele simplesmente recusara o dom de Tsubaki, como se fosse lixo indesejável. Naquela época, tudo o que ela sabia fazer era simplesmente a maravilhosa capacidade de inspirar vida por onde quer que passasse. Graves feridas eram curadas, flores mortas renasciam da seca... Era o início de algo que, ao longo dos anos, evoluiu drasticamente. Logo, tornando-se mais velha, a ex-estudante de Kyodai descobriu que manipulava o fluxo da vida e da morte. Da mesma forma que sua presença cura e salva, ela pode amaldiçoar e destruir. Apesar disso, Tsubaki jamais utilizou esse lado “negro” do seu talento. Mas, mesmo assim, ela sabia que caso seu maior inimigo estivesse vivo, tal poder lhe seria bem interessante.
– Vá embora! – exige, assim que ele começa a se aproximar.
– Eu quero o que você tem. – fala, sério, reduzindo a distância entre eles de maneira lenta e imponente.
– Não vai conseguir.
– E o que vai me impedir? Acha mesmo que, presa à parede e sem ação, você tem a capacidade de me deter?
– Você já foi atrás dos outros? – pergunta, pensando em Saito, Jayden, Yuong, Kaoru, Saori e Arashi.
– Ainda não. Vim antes roubar o que você tem, pois será algo muito útil para enfrenta-los.
Logo, a distância já é meros centímetros. O homem lhe encara, sedento pela habilidade que sua vítima possui. Erguendo a sua palma direita, ele a leva para o frágil rosto da mulher. Caso consiga manter o contato físico por, no mínimo, cinco segundos, estará feito. O poder de Tsubaki será seu.
– Mas não se preocupe. Não vou absorver ao ponto de lhe deixar sem nada. Será divertido vê-la com seu talento, sentindo o quanto ele é inútil diante de mim.
Os dedos dele tocam a pele da mais jovem, que o fita com um olhar bravo e destemido. O tempo, de fato, mudou aquela que um dia já foi tão doce e bondosa. Quase chegando ao ponto de absorver o dom dela, o sujeito sorri, satisfeito, ao falar:
– Você ficou forte, Tsubaki.
Desta vez, é ela quem sorri. Deixando-o um tanto quanto surpreso, a médica articula:
– Você não sabe o quanto.
Chicotes, folhas, caules, espinhos, pétalas e uma doce fragrância. Tudo se mistura, em apenas um único ponto, contra o corpo do homem, afastando-o da mulher e lançando-o com brutalidade para o teto. São as plantas dos vários vasos de flores que se encontram na casa e que cresceram de uma hora para outra. Caindo de joelhos ao chão, Tsubaki já se vê liberta da força cinética imposta pelo homem, que por sua vez está à mercê da fúria dos vegetais.
– Desgraçada! – grita ele, enfurecido, encarando-a com seus aterradores olhos vermelhos, intensos como o sangue.
Sem pensar duas vezes, a mulher se atira contra a janela, aberta, deixando-o boquiaberto. Suicídio? Para quem vê a cena pelo interior da casa diria que sim, já que o chão está a seis metros...
No ar, Tsubaki se aproxima do chão, de braços abertos. Com os longos cabelos, úmidos e esvoaçantes, a mulher é acolhida por uma gigantesca folha que brota do concreto do nada. É uma folha de, aproximadamente, sete metros de comprimento. Suspirando, a médica coloca seus pés ao chão, ao sair de cima do que lhe protegeu. Olhando para o seu derredor, percebe que várias pessoas lhe observam, pálidos e perplexos. Esboçando um sorriso, ela diz para todos:
– Acho que tinha uma sementinha aqui...
/--/--/
Na casa de Saito Urushihara, os empregados terminam os preparativos finais do lar de seu patrão. Em poucas horas, os sobreviventes do Poltergeist estarão aqui, reunidos, homenageando todos os que se foram há 10 anos. O evento, apesar da finalidade, deve ser festivo, para comemorar os bons momentos que passaram com as vítimas do ardiloso Fênix, enquanto ainda eram todos vivos. Pelo menos esse é o objetivo do advogado ao promovê-lo.
– Quem diria que, depois de uma década, você estaria lembrando-se de todos como um renomado advogado, hein? – questiona a voz de alguém conhecido, se aproximando do proprietário e dono do local.
A importante figura nacional se encontra com uma taça de vinho tinto em sua mão direita. Trajando vestes sociais e sofisticadas, o homem de 1,94m vira seu corpo na direção do recém-chegado. Seu olho direito azul como seus cabelos, aliado ao esquerdo vermelho, o analisa.
– Jayden-kun, há quanto tempo. – o cumprimenta, aguardando-o para lhe dar um abraço.
– Posso dizer o mesmo, Saito-kun. – o saúda, sorridente, abraçando-lhe por alguns segundos, mantendo-se então a poucos centímetros. – Você está cada vez mais gato.
O convidado é Jayden Valentine, influente estilista no mundo da moda. Diferente de quando era ainda estudante, ele agora possui um estilo mais ameno. Cabelos negros como seus olhos, um pouco acima do nariz, e 1,86m de altura. Vestes parecidas com a do anfitrião da festa.
– E você cada vez mais ousado, né? – brinca Saito. – É a Sherry que não vai gostar muito disso...
– Ela não vai muito com a minha cara... – debocha, sabendo que é a verdade.
Sherry Fontaine, modelo internacional casada com Saito Urushihara há quatro anos. É uma bela loira que não se dá muito bem com Jayden, devido a certos atritos do passado, mas principalmente, por saber da opção sexual dele, e da nada modesta beleza que muitos dizem que ele esbanja. Apesar disso, tudo o que há entre Jayden e Saito é a mais pura amizade.
– Que nada, é impressão sua! Mas me diz: como vai a vida?
– Sabe como é... Vai indo. Tsubaki-chan e eu andamos nos vendo bastante.
– Ela detesta esse sufixo.
– Não detestava 10 anos atrás... – comenta, com um indesejado pesar em seu timbre.
– Bem, hoje não é dia para tristeza. Precisamos nos alegrar, pelas boas lembranças dos nossos amigos.
– Não acho que todos concordarão com isso. “Precisamos nos alegrar”... É fácil falar, o difícil é cumprir.
– Eu cumprirei. – afirma, alegre. – Você não?
Um garçom se aproxima, com uma bandeja e três taças de vinho sobre ela. Jayden lhe presenteia com um radiante sorriso e, ao selecionar a taça do meio com sua mão direita, a pega e volta seu olhar para o grande amigo.
– Mas é claro que sim!
– Saito-sama... – fala um dos empregados do advogado, se aproximando enquanto o garçom se distancia.
– Sim?
– Strauss-dono acabou de ligar e pediu desculpas, pois não poderá comparecer à festa. Pelo que parece, surgiu um imprevisto e ele terá de faltar no evento.
– É uma pena. Sherry adoraria contar com a presença dele hoje... – lamenta Saito. – Obrigado pela informação.
– Não há de quê, senhor. – corresponde, com extremo respeito e educação, voltando a se afastar. – Com licença.
– Eu sempre achei que Sherry e ele tinham alguma coisa... – comenta Jayden, sem malícia alguma.
– Ele o... Kurozoki? – se espanta, referindo-se ao senhor de idade, seu empregado, que acaba de lhe dar a informação do telefonema recebido.
– Não, é claro que não! – nega, entre risos. – Estou falando do Daniel.
– Não tenho razão para desconfiar dos dois. Sempre foram grandes amigos e, quando a conheci, eles já apoiavam um ao outro desde muito tempo. Cheguei à vida de Sherry bem depois dele.
– Tem razão, como sempre. Desculpe-me pelo comentário indevido. Não foi minha intenção colocar minhocas na sua cabeça.
– Sei que não, mas não precisa se preocupar com esse tipo de coisa, está bem? Como eu disse antes, hoje é o dia de comemorar as boas lembranças dos amigos que se foram, não procurar falhas em nossas vidas atuais.
– Se fossemos procura-las, ficaríamos por muito tempo... São tantas. – brinca, ciente do fundo de verdade em seu dizer.
– Você não tem jeito, não é Jayden?
Antes que o estilista possa responder, seu celular no bolso esquerdo da camisa toca. Com a mesma mão, enquanto degusta o vinho com a outra, o atende, ao ver no visor o nome Tsubaki:
– Alô? Tudo bem? – atende, com um timbre preocupado.
– Tudo péssimo! Jayden, ele está vivo! – grita ela, terrivelmente aflita ao telefone.
– Ele quem? – indaga o homem, sem entender direito o recado.
Repentinamente, uma sensação corre por todo o corpo do estilista. Na noite passada, fizera um desenho do responsável pela morte dos seus amigos no passado. Ciente do fato de que seus traços apontam o futuro, ele rasgou a obra e se recusou a acreditar no que estava bem evidente diante dos seus olhos. Após 10 anos, aquele assassino estava de volta? Não, Jayden em hipótese alguma queria acreditar nisso.
– Fênix! Ele está vivo e vai nos caçar outra vez! – é tudo o que Tsubaki consegue revelar, antes que a ligação seja interrompida por algo, caindo em seguida.
– O que houve? – questiona Saito, preocupado, notando a aflição do amigo, como se o tal acabasse de ter visto um fantasma, ou presenciado o renascer do pior de seus pesadelos.
Os gritos dos empregados assustam ambos, que olham para a porta de entrada da casa, toda preparada para a festa que logo terá início.
– É isso que aconteceu. – responde Jayden, enquanto a dupla observa os funcionários do advogado correndo para todos os lados.
Um homem surge entre todos os que correm. Com um capuz negro cobrindo seu rosto, ele se aproxima, com o mesmo cabisbaixo. Apesar disso, é impossível não notar seu largo sorriso de satisfação, ao declamar:
– Olá, meus velhos amigos. Sentiram saudades?
/--/--/
Ruínas de Konton, redondezas da destruída escola Kyodai...
Yuong recolhe Lucy, inconsciente em seus braços. Após receber tantos socos da “loira implacável”, nem mesmo com sua impressionante habilidade de regeneração celular espontânea, ela foi capaz de se manter acordada e de pé. Kaoru e Saori ladeiam o amigo, enquanto Arashi se mantem a frente do grupo, observando Samasha com atenção.
– Eu não sei quem foi, mas há alguém interessado na salvação de Konton, de Kyodai e de todos os nossos amigos que se foram. – fala a loira, fitando a estudante. – Foi quem lhe trouxe para cá, através dos seus sonhos.
– Sonhos pregonitivos podem ser uma maldição. Você deveria agradecer aos céus por isso ser apenas algo induzido... – comenta Kaoru, olhando-a com um brilhante sorriso.
– Prometo fazer tudo aquilo que estiver ao meu alcance para mudar esse futuro. – alega a dona de Blue, bem menor que todos os restantes.
– Também faremos a nossa parte. – diz Yuong. – Acreditaremos em você. Afinal de contas, apesar de ser de outro tempo, você é a nossa amiga.
– Obrigado pela confiança. Não os decepcionarei. E tenho certeza de que se um dia eu voltar para esse tempo, ou se viver até o mesmo, encontrarei uma realidade mais feliz.
A loira cruza os braços. A bela, como todos, confia na pequena e tem a absoluta certeza de que será ela a responsável por trilhar um futuro melhor.
– Que assim seja, Samasha. Não se esqueça dos nossos conselhos.
– Não me esquecerei, Arashi.
– E tome cuidado com ela do seu tempo. – acrescenta Yuong, indicando a namorada com o movimento do seu rosto. – Naquela época, era bem nervosinha...
– Ainda sou, seu idiota. – declara, encarando-o com suas pálpebras entrefechadas.
Kaoru e Saori se entregam aos risos. Mesmo em uma realidade destruída pela ambição de Fênix, é possível encontrar rastros de felicidade.
Samasha sente que, pouco a pouco, vai retornando para o seu mundo. Acenando para ela, o grupo está satisfeito. Agora tudo poderá ser diferente... De fato, talvez, quem sabe... A partir de agora, o futuro possa mesmo ser mais... Feliz...
Fale com o autor