Kyodai - The Awakening Of Chaos (Interativa)

89 79 - The last flower in the garden


– Raphael Dawson, Fênix, Edward Strauss, Grade Lark... – define Senshi, para seu grupo. – Eles estão ainda vivos.

Tsubaki, Gingamaru, Daniel, Sherry, Lucy, Reiko, Sayuri, Sugaku, Alaska e Juli: todos diante de Senshi Yujo. Há pouco, Andrômeda deixou este lugar. Com sua missão clara em mente, o namorado de Nagashi, agora, é capaz de sentir a presença dos quatro que citou.

– Então vamos atrás deles agora? – questiona Lucy.

– Vamos nos organizar, antes de tudo. – garante Senshi. – Além de detê-los, é preciso reencontrar todos os outros.

– Swords-san, Saruma-kun, pessoal... – imagina Tsubaki, preocupada com todos eles.

– O que sugere, afinal? – indaga Reiko, fitando Senshi.

– Nagashi, Kenny, Kaoru, Saori, Yuong, Daisuke, Eric, Akemi, Jimmy, Arin, Chris, Amaya, Yuki, Luka, Julie, Anthony, Lygis, Sanford, Marin... – recita Senshi. Prosseguindo: – Deles, a presença mais presente que sinto é a da Nagashi.

– Onde ela está? – questiona Sugaku.

– Próxima de onde a bomba foi detonada. – revela ele. – Podemos ir para lá?

– Mas é claro! – exclama Daniel. – Vamos o quanto antes...

Com isso, Senshi fecha seus olhos e direciona-se para a direita. Suspirando por alguns momentos, utiliza suas capacidades especiais e, então, reabre suas pálpebras.

– Já sei exatamente onde ela está. Vamos.

Com isso, ele começa a correr para tal direção, sendo seguido pelos demais. No processo, séria, Sherry pensa:

– O que será de nós de agora em diante? Da cidade, do país, do mundo...? – e suspira. – Tudo parece estar passando por um processo de revolução tão perigoso que temo os resultados que estão por vir...

– Algum problema? – indaga Daniel, ao lado direito dela, enquanto corre conforme a agilidade dos demais.

Sherry retorna sua face para ele. Sorrindo de modo um tanto quanto dissimulado, ela corresponde:

– Está tudo bem.

– Mesmo? – pensa ele, ainda não crente nas palavras dela.

– Esperem! – pedem, juntos, Senshi e Sugaku.

Todos param junto da dupla. Aflita, Tsubaki indaga:

– O que aconteceu?

– Aconteceu que eu estou aqui. – afirma Fênix, justamente ele, ao tornar-se visível a alguns metros do grupo. – Se não fosse o empático e a telepática aí, eu teria passado despercebido por vocês, não é? – e sorri, sarcástico. – Que grande esquadrão de heroísmo vocês são...

– Não somos heróis. – determina Senshi. – Apenas agimos para evitar o pior para a humanidade.

Fênix sorri ainda mais, mas logo fica sério. É quando revela:

– Se estão atrás daquela maldita Nagashi Swords, permitam-me acompanhá-los.

– Como é que é? – Lucy, por sua vez. – Ficou louco?

– Não. – nega, irritado. – Somente quero fazê-la pagar pelo que me fez. Aquela maldita merece todo o sofrimento que eu posso oferecê-la.

– Sigam, por favor. – pede Tsubaki, atraindo os olhares de todos.

– O que você pretende, Tsubaki? – pergunta Senshi.

Todos percebem – principalmente Senshi – a convicção no olhar de Tsubaki. Ela não está apresentando mais aquele natural ar de fragilidade e delicadeza. Pelo contrário, está mais firme e imponente do que jamais esteve.

– Eu pretendo parar Fênix aqui, para sempre. – determina a garota.

Ele ri. E, sem acreditar no potencial dela, fala:

– Eu sobrevivi a uma bomba graças ao poder de regeneração que roubei de Lucy Rouvier. Por mais que, naquela ocasião, você tenha se mostrado ameaçadora, eu também fiquei mais forte. Tudo o que ocorrerá no nosso confronto é o aumento do meu arsenal de habilidades avançadas.

Fênix abre seus braços, redirecionando seu rosto para o céu. As nuvens acinzentadas encobrem parte da luz do Sol, permitindo que ele olhe para cima sem nenhum problema. Gargalhando e sendo analisado pelos demais presentes, o ruivo diz:

– Sua essência é fraca, garotinha. E o mundo é dos fortes!

– Vão. – pede Tsubaki, para os outros. – Saruma-kun, Swords-san, todos estão esperando.

– Tsubaki, mas você... – Gingamaru tenta convencê-la do contrário.

– Vamos acreditar nela. – pede Senshi, sorrindo, atraindo o olhar dela para si. – Porque eu acredito na Tsubaki, eu confio na minha amiga.

Um radiante sorriso toma conta da face dela. Em seguida, é Gingamaru quem sorri. Pode não ter se dado conta ainda do tamanho do crescimento que Tsubaki sofreu enquanto ele “esteve fora”. Porém, analisando o clima de vasta amizade e confiança entre ela e Senshi, compreende que “aquela que nunca carregou ódio em seu coração” – algo de acordo com a análise de Senshi Yujo – não é a mesma de antes. Continua doce, gentil e meiga como sempre foi, mas agora é mais forte, mais determinada e mais confiante em si mesma. Se transformou.

– Vamos indo! – exclama Senshi, voltando a correr.

Gingamaru e os demais vão seguindo-o, sendo que Tsubaki e Fênix permanecem onde estão. O ruivo abaixa seus braços, tornando-se sério. Encarando-a, fala:

– Vamos aproveitar, então, essa oportunidade para resolver as nossas diferenças de uma vez por todas.

– Diferenças? – indaga ela. – Não tenho nenhuma com você.

Ele ri.

– Eu sei que você decidiu ficar aqui para se vingar de tudo o que fiz com seus amigos. Me enfrentar naquela ocasião quando invadi Kyodai não foi o suficiente para estancar o seu ódio de mim, não estou certo?

– Está errado. – garante ela, calma como sempre. – A verdade é que não sabe absolutamente nada sobre mim.

Ele não diz nada, parecendo se irritar com a postura tranquila dela. Por sua vez, Tsubaki reforça:

– Eu nunca tive ódio de ninguém. – e abaixa sua face, começando a sorrir de novo. – Por muito tempo, eu pensei que eu deveria ter raiva de quem me fazia mal ou que eu era uma estranha por não ter rancor nem de quem me desprezava. Porém, mesmo com meu esforço, tudo o que eu alcançava era uma ira momentânea.

– Eu não ameacei e feri pessoas que lhe eram importantes? – pergunta ele.

– Sim, você o fez. – concorda, voltando a fitá-lo, deixando seu sorriso de lado outra vez. – Mesmo assim, você não foi capaz de despertar em mim nenhum sentimento de ódio como deve ter despertado nos outros. Quando todas essas coisas começaram a acontecer em Kyodai, eu finalmente fui entendendo por qual razão eu sou assim...

Lentamente, a garota começa a erguer os seus braços. Enquanto faz isso, vai articulando:

– Fui entendendo, também, por que eu sempre quis um pouco de atenção, mas ficava insegura quando era eu o centro de todas. – coloca seus braços em linha reta ao seu corpo, com as palmas abertas para cima. – É porque cada um de nós tem uma missão.

Um grande turbilhão misto de eletricidade, feixes aquáticos, ondas sonoras e fragmentos de terra – saindo do chão – é formado em poucos instantes pelas palmas de Fênix, quais se direcionam para Tsubaki. Ela nota que o tempo de reação e manipulação das habilidades dele caíram.

– De fato, ele ficou mais forte. – pensa ela, sem nenhum temor aparente.

É quando as pupilas dos olhos da garota adquirem uma vívida coloração rósea, o que já é conhecido por ele. Em meros segundos, raízes e galhos saem do chão e envolvem Tsubaki, criando uma grossa camada arbórea em torno dela. Algo tão resistente que recebe a combinação de quatro cineses de Fênix sem sofrer dano algum. De imediato, o medo que Fênix desenvolveu devido aquela experiência do passado renasce com tudo em seu interior. Ainda assim, ele sorri, em adrenalina. Pensa:

– Ela não pode me matar, não pode me vencer, não importa o quão forte sejam os seus poderes...

– Eu sou a ponte para a travessia do rio do desespero. – completa Tsubaki, fechando suas pálpebras.

Os galhos e raízes vão se transformando fascinantemente: em pétalas de flores, e das mais variadas espécies e colorações, que começam a dançar em torno do frágil corpo de Tsubaki. Ela continua:

– Minha missão é ser a ponte inabalável que permite a perpetuação dos sonhos de quem valorizo. – reabre seus olhos. – Essa sou eu!

Sua mão direita vai contra Fênix, o que o faz ser alvo de uma grande nuvem de pétalas. Ele salta vários metros para trás, usufruindo das habilidades que roubou de Saito Urushihara durante a sua invasão em Kyodai. Ainda assim, as pétalas são mais ágeis e o pegam em cheio, envolvendo-o. A agilidade delas é tão impressionante que, mesmo tão suaves em termos normais, se tornam lâminas perigosas que, agora, vão cortando vários pontos do corpo dele de modo tão veloz quanto sua regeneração.

– Uma ponte que não carregará nada de negativo, nem que poderá se abalar com as angústias do tempo. – ela prossegue. – Eu estou disposta a abrir caminho para o futuro de todos!

– Maldita! – grita ele, preso no vórtex de pétalas, sem tempo para fazer algo.

– Você ainda tem uma chance. Eu sei que você é assim, frio e incapaz de dar valor à vida alheia, por não ter tido uma presença firme dos seus pais no passado. – diz ela, o que o surpreende.

– Como sabe disso? – indaga ele, perplexo.

– As flores estão me contando. – garante a jovem.

Quando Fênix nota, tanto ao redor dela quanto ao redor dele, há pequenas flores que levitam como se dançassem no ar. Na sequência, Tsubaki prossegue:

– Não há segredos para as minhas flores... – e suspira, pausando suas palavras por alguns momentos. – Por mais que nada seja justificativa para o que você fez e ainda pretende fazer, garanto que te compreendo. Eu também não fui amada pela minha família, era uma filha rejeitada. Contudo, diferente de você, não lancei a culpa disso em cima dos outros, lancei para mim mesma.

Algumas lembranças do passado de Tsubaki ganham vida nesse instante. Ela se lembra de todas as vezes em que foi maltratada e desprezada pela mãe. Lembra-se de todas as vezes que, chorando, pedia a Deus para morrer. E lembra-se, também, do dia mais feliz da sua vida: o dia em que conheceu Daisuke Saruma, quando tudo começou a fazer sentido para a jovem.

– Sofrer nesta vida é inevitável e disso sei muito bem, mas você também fez outras pessoas sofrerem... Reconheça os seus erros e peça perdão a quem feriu. Arrependa-se verdadeiramente. – recomenda Tsubaki, fitando-o. – Mesmo após tudo o que cometeu, se você se arrepender verdadeiramente, estará perdoado.

Fênix começa a rir outra vez. Mesmo sem tempo para reagir, fala:

– Não seja tola, deixe de falar como uma garotinha esperançosa que acredita no lado bom de todas as pessoas – e ri um pouco mais. – E pare de perder seu tempo com palavras tão ingênuas. Fique quanto tempo quiser nessa brincadeirinha... Cedo ou tarde, você se cansará. Já eu, estarei intacto, pois não preciso de esforço algum para que meu corpo se recupere dos ferimentos que está causando em mim. – mas pensa: – Apesar de que, mesmo uma habilidade espontânea como a minha regeneração celular tem limites... Meu corpo não suportará um trabalho de recuperação contínua em um período extenso demais... Todavia... – sorri mais ainda, voltando a falar: – Mesmo que me mate, eu vou renascer possuindo o corpo de alguém! Pode ser até mesmo o seu, quem sabe... Mesmo que temporariamente, seria a medida ideal para tomar os seus poderes para mim.

– Você não pode absorver as minhas habilidades. – diz ela. – Mas mesmo que pudesse, eu não pretendo continuar ferindo você. Como eu já disse, não carrego ódio por sua existência.

O chão sobre os pés de Fênix começa a sofrer um leve tremor, o que chama a atenção dele. Com isso, atrás de Fênix, surge uma cratera. Uma rosa branca fechada e extremamente grande, com cerca de cinco metros de altura, brota. Suas pétalas se abrem e o turbilhão em torno do ruivo vai levando-o para trás sem que possa impedir.

– Eu criei essa rosa para você. – conta ela. – As raízes estão fixadas a mais de 50 metros do chão. Além disso, ela libera constantemente um pólen capaz de derrubar qualquer ser vivo. Matá-lo nunca foi a minha intenção, muito menos te fazer sofrer.

Os pés de Fênix pairam sobre o centro da rosa. Enquanto a flor vai voltando, lentamente, ao interior do solo, vai fechando suas pétalas. Furioso, o ruivo redireciona seus olhos de fúria para Tsubaki. E grita:

– Eu te odeio, garota malditaaaaaaaa!!! Você ainda vai pagar por isso!!!

– Você dormirá para sempre no interior desta rosa que absorve uma pequena porção dos nutrientes do que está em seu interior para se renovar constantemente. Ela será tão imortal quanto você. – narra. – Um dia, se o seu coração se arrepender verdadeiramente, a rosa o libertará. Pois eu acredito sim no lado bom de todos os corações vivos neste mundo...

Desse modo, a rosa segue seu caminho, fechando-se por completo. No longo túnel criado por sua trajetória, surgem galhos e raízes que, na superfície, são cobertos por uma camada de pétalas brancas comuns. Tsubaki observa tal cenário por alguns segundos até seus olhos voltarem à coloração natural. Tranquila, ela pensa:

– Descanse em paz... E que essa mesma paz cerque todas as vidas que você, um dia, destruiu...

/--/--/

O homem misterioso que, há pouco, observava Nagashi Swords, agora, caminha. Está pensando sobre algo.

– Fênix parece ter sido detido por Tsubaki Seijitsu, como eu já esperava. – pensa ele, com sua face ainda oculta. – De qualquer modo, os poderes dele estavam com os dias contados devido o confronto que teve com a Lendária... Tudo o que ele fez foi adiantar a sua ruína.

De repente, um forte foco de luz surge diante do sujeito, o que o faz parar. Sério, observa tal brilho ganhar cada vez mais proporções até um corpo físico tomar forma. Os pés de Andrômeda, com suas asas visíveis, tocam o chão.

– Olá. – ela o saúda.

– Andrômeda. – cita ele.

– Vejo que me conhece. – conclui a donzela. – Poderia descobrir a sua face e apresentar sua identidade de bom grado para mim?

– Mas é claro. – ele aceita, usando suas mãos para retirar o capuz sobre sua cabeça.

O homem, com isso, apresenta a pele parda do seu rosto, os olhos verdes e os cabelos loiros curtos, de fios caídos sobre a testa. Sua expressão indica que tem, aproximadamente, uns 20, 25 anos, no máximo. Andrômeda já o conhece.

– Já sabia que era eu, não é? – pergunta ele.

– Sim. – garante ela, sorrindo. – Porém, não sei como está a sua gama de poderes.

– Aos poucos, eles estão despertando em mim. – revela ele. – Há pouco, minha habilidade sensorial empática e a de supercomunicação voltaram à ativa. Pude, inclusive, sentir o momento em que Tsubaki enterrou Fênix como se eu estivesse lá assistindo a tudo. Por outro lado, antes de realizar minha verdadeira meta, tenho que tomar certas precauções.

– O preço, então, não foi tão alto quanto julgara... – ela conclui, tendo ciência do local de onde ele veio.

– De fato. – concorda o sujeito. – Mas enfim... Tem algo importante para falar comigo?

– Tenho. – garante ela. – Suponho que você estava indo até Kyodai, não é?

– Sim. – corresponde ele. – Meu alvo é Yukino Arima. Sei o que houve com a Yukino deste tempo, mas também sei que aquela mulher não morre fácil. Ela vai voltar cedo ou tarde, mas o ideal é que seja cedo...

– Sua intenção é contar com a ajuda dela?

– Pode-se dizer que sim. – define o sujeito. – Yukino é necessária para a conclusão de tudo isso.

– Sendo assim, troquemos de tarefas. – sugere.

– Trocar de tarefas? – pergunta, confuso, arqueando sua sobrancelha direita.

– Eu iria até onde está Nagashi Swords. Acompanharia o reencontro dela com Senshi Yujo. Porém, devemos inverter nossos papeis. – ela explica.

– Por quê?

– O encontro entre aqueles dois revitalizará todos os seus dons avançados de uma só vez. Afinal de contas, vocês três são...

– Entendo. – ele a interrompe, sério. – Farei conforme você diz. Sendo assim, você toma por responsabilidade a Yukino Arima?

– Mas é claro que sim. – garante Andrômeda. – Estamos trocando tarefas e não sobrecarregando um enquanto o outro ficará livre. O cenário pode estar tranquilo após tanta destruição... – e analisa o local arruinado por alguns instantes, retomando seu olhar para ele logo depois. – Mas o pior ainda está por vir...

– A ressureição completa de Alfarion ainda é possível?

– Infelizmente... – conceitua. – Creio que sim, é possível. Portanto...

– De comum acordo. – ele a interrompe de novo, dando suas costas para ela. – Farei conforme você disse, Andrômeda. Retornarei ao local onde a Lendária está e aguardarei o momento do reencontro entre aqueles dois.

– Certo. – se pronuncia novamente, ainda sem nenhuma expressão além da serenidade. – Façamos desse modo, então.

– As peças desse jogo já estão sendo movidas. – comenta ele, ainda sem dar nenhum passo sequer para afastar-se daqui. – Tsubaki Seijitsu e Fênix não são os únicos a se chocarem. Em breve...

– Estou ciente. – garante ela, sendo quem se vira desta vez. – Agora já é hora...

Com isso, cada um começa a dar passos, afastando-se um do outro. Ele, rumo ao local onde está Nagashi Swords. Ela, rumo a Kyodai, para resolver o assunto “Yukino Arima”. Por alguns minutos, o sujeito caminha normalmente. Isso até, ao longe, ver alguém vindo em sua direção. Alguém que ele já esperava encontrar, mas não tão breve.

– Tsubaki Seijitsu... – comenta ele, enquanto um se aproxima do outro. – É você...