Kyodai - The Awakening Of Chaos (Interativa)
80 70 - Invisible destinations
Um novo dia, mas velhas preocupações. Andando somente com seu exótico animal em seus braços, Nagashi Swords passa por uma das ruas menos movimentadas de Konton, qual fica bem próxima de Kyodai. A loira, com todo o peso em sua mente, decidira “arejar as ideias”, relaxar um pouco.
– Até quando esse clima pesado será mantido sobre nós? – pergunta-se, em seus pensamentos, caminhando com calma. – É tão complicado manter a tranquilidade quando sabemos que o governo pode vir com tudo contra todos...
Enquanto pensa – e caminha –, a loira suspira profundamente. Ao longe, vê uma outra garota vindo em sua direção. É uma jovem que anda como quem vive sem rumo, de cabeça baixa e olhar perdido. Sua expressão, inclusive, comprova o quanto está abatida. Nagashi percebe isso, mas não se incomoda e continua seu caminho.
– Que garota estranha... – imagina a loira, seguindo seu rumo.
Quando elas cruzam caminho, uma passa do lado da outra. É Alaska Snow, que fugira do laboratório secreto da equipe de Edward Strauss e, desde então, ficou nas ruas. Por não ter encontrado um lugar para viver e por não ter mais nenhuma perspectiva, caiu na situação em que está agora.
Repentinamente, a loira que carrega Ai para de andar. E, com meia volta, direciona-se outra vez para Alaska: isso quando já está a alguns passos de distância dela. Sem se incomodar com a presença da desconhecida, a fugitiva, sem muitas forças, prossegue seu caminho cabisbaixa.
– Eu não escuto os pensamentos dela... – imagina Nagashi, surpresa, olhando para a tal garota. – Quem é ela?
– Uma peça importante para os eventos que estão a seguir, Nagashi... – declara uma firme, mas suave, voz.
Nagashi, surpresa, vira-se para trás. E se depara com Andrômeda, a bela donzela angelical, agora trajando um uniforme de Kyodai. Dando de cara com tal realidade, a Swords fica ainda mais impactada: e sem palavras.
– Explicarei tudo posteriormente. – determina a jovem de longos e belos cabelos. – Eu avisei que nos encontraríamos em uma nova oportunidade e este momento chegou.
“Não está longe o momento em que nos reencontraremos. Saiba que quando isso acontecer, será o prelúdio da última e mais dolorosa das batalhas. Entretanto, tenha em mente que o Sol sempre brilha após a tempestade.”: Nagashi Swords, de imediato, se lembra de tais palavras. Foram os dizeres finais que Andrômeda determinou quando se encontraram.
– Então o que está acontecendo é mesmo a verdadeira batalha que devemos vencer. – fala Nagashi.
– Sim, sem sombra de dúvida. – confirma Andrômeda, fitando-a com um olhar calmo e suave.
A donzela, voltando seu rosto para a cada vez mais distante Alaska, faz com que sua ouvinte olhe para a “sem rumo” também. Suspirando, Nagashi nada diz, somente permanece observando o afastar da tal garota desconhecida. É quando Andrômeda completa:
– Você precisa ir atrás dela. Faz parte do seu destino. Isso, é claro, se acredita em destino...
Nagashi toma dois passos para frente. Séria, permanece firme com Ai em seus braços. Parecendo estar decidida a ir atrás da desconhecida Alaska, fala para Andrômeda sem olhar para trás:
– Não acredito em destino, não mesmo. Acredito é nas consequências dos nossos atos.
A loira começa a andar com suavidade, mas continua a falar, mantendo seu tom imponente:
– Tenho a convicção de que são nossas decisões que criam o caminho que se forma à nossa frente. Portanto, não pense que irei atrás dessa garota somente porque mandou. Pois, se insiste em falar de destino, tenha em mente que o meu quem faz sou eu.
Ela aperta o passo para se aproximar o mais depressa possível de Alaska. A Snow, por sua vez, dobra uma esquina e sai do campo de visão da loira. Sorrindo, Andrômeda pensa:
– A certeza dela se tornou uma lâmina afiada, mas uma lâmina que não somente corta e destrói, mas que também protege e salva. A espada do coração de Nagashi Swords, hoje, é o mais poderoso dos escudos...
Andrômeda tem consciência de tudo o que ocorreu no passado de Nagashi. Aliás, ela tem consciência de tudo o que aconteceu nas vidas de todos os envolvidos com Kyodai. Agora que um grande perigo se aproxima, a “conhecida” de Senshi Yujo decidiu deixar de ser uma mera espectadora que vez ou outra entra em cena para participar ativamente dos acontecimentos que estão se dando. E sua interação com a Swords foi sua primeira medida. Inclusive, se apresentou com o uniforme de Kyodai porque pretende entrar no colégio e assumir o papel que quer adotar desde o início de tudo.
– Estou mesmo tentando entrar na mente dela, mas não consigo. Está em branco, totalmente em branco. – imagina Nagashi, logo após dobrar a esquina, mas sem encontrar Alaska em seu campo de visão: apesar disso, sabe onde ela está, por estar sentindo um fraco sentimento de angústia em um ponto bem próximo. – Ela não foi muito longe...
Repentinamente, Alaska, onde está, grita. Nagashi se surpreende com isso e, então, toma somente mais alguns passos pela desértica rua. Em uma esquina, está a garota que procura.
– Me soltem... – pede Alaska, com seu pulso esquerdo seguro pela mão direita de um homem forte e alto.
São três sujeitos que agora cercam a garota. Ela, na verdade, está tão fraca que sequer consegue ativar sua habilidade especial com eficiência, qual exige esforço e concentração, o que Alaska não pode oferecer no momento. Os desconhecidos, por outro lado, sorrindo ameaçadoramente, estão aqui para se aproveitar da jovem assim mesmo à luz do dia.
– Vamos fazer você gemer, boneca. – fala o homem que está segurando o braço de Alaska, jogando-a com força para o chão.
– Asquerosos. – articula Nagashi, ficando brava com a atitude deles.
De uma hora para a outra, outros dois homens, do mesmo grupo que os que estão em torno de Alaska, cercam Nagashi. Olhando para ela, um desses dois questiona:
– Tá na companhia daquela bonitinha ali? Acho que vai se ferrar como ela...
Nagashi arregala seus olhos, sentindo uma forte e estranha sensação tomar conta da sua mente. Enquanto isso, o que está segurando Alaska deita sobre ela, segurando os pulsos da garota contra o chão e passando sua língua pela porção direita do rosto da jovem.
– Socorrooooooooooo!!! – grita ela.
– Cala a boca, cadela! – grita o homem, dando um tapa forte com sua mão esquerda na cara da jovem, sorrindo lascivamente. – Nós cinco vamos te usar como nossa vadia preferida! Acabamos de te achar e não vamos abrir mão de você, delícia!
Lágrimas brotam dos olhos de Alaska. Usando a mesma mão que a feriu para tapar a boca da garota, o forte homem usa a outra para rasgar as já em frangalhos vestes da jovem, deixando-a totalmente nua – no laboratório, como cobaia, ela não estava com roupas íntimas. E tenta se atracar com ela, mas a imponente voz que sai da boca de Nagashi Swords chama a atenção de todos os cinco:
– Posso entrar em ação, Nagashi? – e a garota direciona sua face para a esquerda, pois quem assume agora é a “Swords original”. – Nem pensar. Quero ter o desprazer de estar na presença desses sujeitos.
– Ixi, será que é uma maluca? – indaga o outro da dupla que está cercando Nagashi. – De qualquer forma, você vai ter que nos divertir.
– Sinto muito. – e as pálpebras da garota se fecham. – Mas de mim nada terão. Até porque a simples presença de pessoas do seu tipo me enoja.
– Vagabunda, cala a boca! – exclama ele, tomando dois passos para se aproximar mais ainda dela.
Com seu punho esquerdo, o sujeito tenta golpear a loira, mas ela simplesmente se vira – com exímia velocidade – e para a investida dele com somente o seu dedo indicador, sem ainda abrir seus olhos. E quando os abre, libera algo de seu corpo que faz seus cabelos esvoaçarem: rajadas de vento que, na verdade, parecem mesmo é a personificação da legítima fúria em seu interior.
Firme, a garota declara:
– Fique quieto. E permita-me mostrar a vocês o que acontece quando se metem com a garota errada...
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Longe dali, na sala de direção de Kyodai...
– Fico feliz por vocês. – fala Yukino, assentada na sua cadeira, sorrindo para os dois que estão diante de seus olhos: Gingamaru e Sayuri. – Voltei mesmo há pouco tempo e ainda não tive muitas oportunidades de conhecê-los bem como gostaria, mas sei que o sentimento que está se manifestando é real. E não é preciso nenhuma habilidade empática ou semelhante para ter essa certeza.
Há pouco, os dois vieram falar para Yukino que estão namorando. Na noite anterior, Gingamaru pediu a flautista em namoro e, hoje, veio até aqui falar co, a primeira pessoa que gostaria de contar a novidade.
– Ao menos, percebo que coisas boas sempre podem acontecer em meio a uma situação tão conflituosa. – completa a nova diretora do colégio.
Os dois permanecem em silêncio, mas sorridentes. Estão com as mãos dadas perante a mulher.
– Mãe, é importante para mim a sua benção. – articula o garoto, chamando a atenção de Sayuri. – Pode estar sendo meio brega o que estou dizendo ou, talvez, a minha atitude também. Mas...
– É essencial para você. – pensa Sayuri.
– É essencial para mim. – completa ele, elevando o próprio sorriso.
– Compreendo perfeitamente. – diz ela. – Tenha certeza de que tudo o que quero é a felicidade da minha família. Agora que os céus me concederam uma nova chance, vou guiar não somente ela como todos os jovens deste colégio a um destino brilhante. Isso, é claro, considerando a existência desse tal “destino”...
– Tanto faz, na verdade. – opina o garoto, rindo. – Afinal, mesmo com tantos problemas, estou disposto a fazer o que for preciso para construir um melhor futuro para todos.
Repentinamente, Kenny surge na sala, surpreendendo os três, pois não estavam esperando por isso. Desesperado, e ofegante, o grande amigo de Yuki Arima encara a nova diretora. Ela, preocupada, questiona:
– O que foi, Kenny? Aconteceu algum problema?
– Ainda não. – nega ele, tentando recuperar seu fôlego. – Mas um grande problema, ou melhor, uma catástrofe está para acontecer!
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Próximo dali...
Quatro pessoas caminham por um corredor: Senshi, Tsubaki, Daniel e Sherry. Lado a lado, nessa ordem, estão conversando há alguns bons minutos. O assunto é o possível paradeiro do pai da Fontaine, que desaparecera sem deixar rastros. Nem mesmo Amaya, que os ajudara na busca, conseguiu achá-lo em algum lugar.
– Estou começando a ficar realmente preocupada. – fala Sherry. – Com tudo o que anda acontecendo, nada de bom pode ter ocorrido com o meu pai.
– Infelizmente, acho que vou ter que concordar. – opina Daniel. – Mas seja lá o que tenha acontecido, vamos ter esperança de que encontraremos ele, Sherry.
A loira suspira, fechando seus olhos por alguns instantes. Não está com o menor interesse em esconder sua preocupação com o paradeiro de seu pai. Considerando tudo o que aconteceu nos últimos dias, ela não consegue descartar as piores possibilidades. E são essas possibilidades que estão assustando-a, deixando-a cada vez mais desesperada. Não pode perder mais ninguém, não, não pode mesmo!
– Garotos... – fala Yuki, surgindo da outra ponta do corredor em que estão caminhando no momento.
Ao lado direito dele, vêm Sugaku. Ao esquerdo, vêm Reiko. Um pouco mais atrás, Sanford e Marin, os ex-integrantes da Gênese. Surpresos, Senshi, Tsubaki, Sherry e Daniel param onde estão. E os recém-chegados se aproximam o suficiente para se colocarem perante os estudantes.
– É um prazer revê-los. – fala Marin, séria, alternando seu olhar entre Senshi e Tsubaki.
– Schneider-san?! – Tsubaki, surpresa. – É você mesmo?!
A mulher passa a olhar somente para a dama das flores. Sorrindo, fala:
– Sim, sou eu. Como vai?
– Desta vez, não somos inimigos. – garante Sanford. – Sugaku e Yuki nos explicaram detalhadamente a situação e decidimos fazer parte desta frota de batalha.
– Como é? – indaga Daniel, confuso.
– Seremos aliados. – determina Marin, ainda olhando para Tsubaki, se divertindo com a surpresa da garota à cada palavra que ouve. – Pela primeira vez, realmente poderemos fazer algo de bom pela humanidade.
– Não estamos somente movidos por um ideal. – ele completa. – Agora estamos, também, tomando as atitudes corretas.
– Se continuarmos assim, temos grandes chances de acabar com tudo. – garante Reiko, chamando a atenção de todos. – O segredo da nossa vitória será a rápida e eficaz tomada de atitude. Precisamos sim estar preparados, mas creio que devemos agir antes que o inimigo o faça.
– Concordo. – articula Yuki. – Porém, minha mãe está pensando com cautela. Não podemos fazer nada que venha a prejudicar Kyodai ou qualquer um ligado à escola. É preciso agir sabiamente.
– Isso é evidente. – garante Sugaku, cruzando seus braços bem abaixo dos seios, contornando-os. – Por outro lado, podemos sim confiar em Yukino.
– É verdade. – opina Marin. – Aquela mulher, além do poder que possui, é uma líder capaz e uma mente brilhante. Ela, sem dúvida, é a figura perfeita para assumir a direção deste colégio.
– Não é a toa que, no meu futuro, ela se tornou quem se tornou. – argumenta a espadachim viajante do tempo.
Senshi, em silêncio, somente observa a face de Sugaku, estudando os sentimentos da mesma. E percebe que nela se encontra uma sólida segurança. A instabilidade sentimental que existia na mulher antes do momento de sua morte – qual sofreu alterações por Reiko – desapareceu completamente. Chega, até mesmo, a parecer ser outro alguém. E, por ver isso, o garoto se sente feliz por ela. Mesmo ciente da dor que ela tem pela ausência do filho, sabe que a professora, que suportou tantos espinhos em sua jornada até aqui, é capaz de manter-se de pé por muito mais.
– Algo de errado está acontecendo! – exclama o garoto, ao desmanchar o sorriso em sua face.
Todos os presentes olham para ele. E Daniel é o primeiro a questionar:
– O que foi? O que está sentindo?
– Presenças agressivas! Presenças extremamente agressivas! – determina o garoto. – E estão se acumulando aos montes pela escola, surgindo e se espalhando de uma forma muito estranha.
Sugaku arregala seus olhos, espantadíssima. E, com um passo para trás, alerta:
– Estou captando vários fluxos de pensamentos! – exclama. – Isto é uma invasão!! – e suspira, pensando: – Sendo assim, não terei escolha...
– Invasão? – indaga Sherry, perplexa.
Sugaku, realmente preocupada, se volta para a loira. Observando, atenta, os olhos da jovem, percebe que é a melhor oportunidade para fazer algo que sempre quis fazer, mas que nunca pôde. E, decidida, a professora de Matemática determina, acalmando-se:
– Acho que chegou a hora, Sherry.
– Chegou a hora? – pergunta a estudante, sendo alvo dos olhares dos demais presentes. – Está falando do que exatamente? Algo relacionado a essa tal invasão?
– Seja lá quem esteja invadindo o colégio e para que fim... – comenta Daniel.
– Não. – nega Sugaku. – Estou me referindo ao que eu deveria ter feito antes de me aproximar da morte mais do que nunca. Se Reiko não tivesse voltado no tempo para me salvar, o que farei agora jamais poderia ser feito.
Reiko direciona seu olhar para a professora, que fica fitando-a por alguns instantes. Apesar da situação preocupante, Sugaku consegue ficar ainda mais calma. Serena, volta sua face para Sherry, pontuando:
– Logo, fica evidente para mim que há males que vêm para o bem. O mal de interferir no espaço-tempo, agora, causará uma série de consequências positivas que, com toda a certeza, criará um futuro ainda melhor do que aquele que almejamos.
Sherry, em silêncio, permanece observando a expressão da professora, tentando entender com exatidão do que ela está, de fato, falando. Sugaku percebe que a mesma ainda está confusa. Por isso, olhando profundamente nos olhos da Fontaine, a telepata proclama:
– Você sempre se viu como um pássaro preso na gaiola. Não é mesmo?
“Nós não nascemos para ter sentimentos. Não nascemos para pensar, para idealizar ou para ter qualquer outro tipo de postura que nos dê destaque dentre os demais.”: são as palavras que, um dia, a própria Sherry disse para seu irmão ao conversar com ele sobre sua conexão com a Carmesim. O seu coração acelera quando entende que é disso que Sugaku está falando.
– É chegada a hora de apagar a marca que sela as suas habilidades, Sherry Fontaine. – declara Sugaku, vendo o arregalar dos olhos de sua ouvinte. – Terá agora a liberdade de usar seu poder para construir seu próprio caminho. Terá a oportunidade de escolher o que seguir ao invés de apenas aceitar o modelo que sempre lhe foi imposto.
“Por mais que eu e você tenhamos o destino de sermos manipulados e usados como ferramentas por ‘ideais superiores’, temos sentimentos. Por mais que tentemos fugir deles, fracassaremos sempre. Pode ser que eu apenas sofra com o que estou fazendo agora, mas é ainda mais insuportável fingir sempre ser quem não sou.”: mais uma vez, Sherry se lembra de suas próprias palavras, na mesma conversa do passado que teve com seu irmão.
Sugaku sorri. Com alguns passos, se aproxima mais ainda da garota. Colocando uma mão em cada lado da testa dela, sorri, articulando:
– De agora em diante, você poderá ser quem quiser... E pintar o seu futuro com a cor que pedir o seu coração.
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