Kyodai - The Awakening Of Chaos (Interativa)
81 71 - Luminous soul
Kyodai, mais uma vez, cenário de guerra. Os membros do governo chegaram a um consenso e decidiram que os humanos avançados deveriam ser tratados como cidadãos comuns, mas através de ferramentas diferenciadas. Em outras palavras, os humanos avançados terão os mesmos direitos que as outras pessoas, mas caso cometam algo de errado, deverão ser punidos de maneira diferenciada. Afinal de contas, não são exatamente como as pessoas “normais”.
Por outro lado, Edward Strauss e Grade Lark conseguiram convencer a todos os envolvidos nessa decisão de que os relacionados com Kyodai são uma ameaça em potencial e que devem ser combatidos de maneira tal. É o que justifica, no momento, a invasão de agentes do governo no colégio.
– Isso é excelente. – pensa Grade Lark, sorrindo, dentro de um carro, um pouco distante da entrada de Kyodai.
Ao longe, ela observa os carros do governo – que vieram até aqui justamente por suas e por ordens de Edward – ao redor do colégio. Os agentes, armados, continuam saindo dos veículos – bem reforçados que utilizam – e adentrando as dependências da instituição de ensino. São dezenas, todos preparados para combater os humanos avançados de Kyodai caso esses resistam.
– Tudo está indo como o planejado. – ela mentaliza, analisando a cena, ainda contínua, da invasão. – Em breve, Kyodai será arrasada. E todos os que aqui estão, únicas ameaças para nossos planos, cairão para jamais se levantarem novamente...
– Por que tudo isso? – indaga Fênix, ao lado direito da mulher, assentado como ela no carro de luxo.
Grade, ficando séria, volta sua face para o ruivo. Encarando-o, suspira, articulando:
– Sossegue. Você está do nosso lado, mas só terá os privilégios que almeja nos obedecendo como se deve.
Fênix, após uma conversa direta com Edward e Grade, decidiu aliar-se a eles por ter sido tentado e seduzido pela proposta de adquirir todos os poderes dos humanos avançados em Kyodai. Segundo a dupla, ele poderia tomar para si as habilidades de um por um após a captura de todos – captura qual seria executada, e agora está sendo, pelos agentes do governo. Em outras palavras, o ruivo estará agindo por debaixo dos panos e, de certa forma, manipulado por Edward e Grade.
– Espero que não me considerem como um fantoche com o qual fazem o que bem entendem. – recomenda ele, olhando com firmeza nos olhos de Grade. – Até porque não vejo razão, inicialmente, para me terem como aliado. O que, na realidade, querem que eu faça por vocês?
Grade sorri, encarando-o com uma expressão maquiavélica. Suspirando, determina:
– Nos obedeça e, em breve, entenderá seu verdadeiro papel em nossa empreitada. Até lá, sua meta não poderá ser concretizada.
– E por qual razão eu devo permanecer quieto aqui quando posso, agora mesmo, ir até esses estudantes e tomar para mim o que desejo? – questiona o ruivo, arqueando sua sobrancelha esquerda. – Passar por cima de você não será uma tarefa tão complicada. Pelo contrário, me daria até mesmo habilidades muito úteis... As suas!
– Não seja tolo, nem se faça como tal. – sugere a mulher, desviando sua face para a janela, passando a observar os últimos agentes invadindo Kyodai. – Já foi detido uma vez por estes jovens. Desde aquilo, eles cresceram muito e se desenvolveram bem, além de terem recebido reforços. Não pense que, mesmo adquirindo possíveis poderes novos, você conseguiria sair ileso. Seria, outra vez, detido. Ou até mesmo exterminado.
– Eu sou imortal.
– Será que é mesmo? – questiona ela, com um provocante tom de voz. – Sugiro que não queira colocar em prova essa sua imortalidade. Não estamos lidando com quaisquer pessoas e sim com humanos avançados poderosos. Precisamos incapacitá-los para que, apenas depois, sirva-se das habilidades especiais que eles carregam consigo.
A mulher, suspirando, se mantem em silêncio por alguns momentos. Mas, logo depois, completa:
– A droga que a minha equipe de cientistas desenvolveu consegue anular os poderes especiais de humanos avançados. – e sorri confiantemente. – É o fim deles e escapatória não há!
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No interior da instituição, em um dos seus corredores...
Yukino, Gingamaru, Sayuri e Kenny. Juntos, eles caminham com bastante pressa. O objetivo do quarteto é deter a invasão que, cada vez mais rápida, está abatendo a escola.
– Então uma medida dessas foi mesmo aprovada? – questiona a diretora, para Kenny, se referindo ao ataque à Kyodai, dentro da lei, de agentes do governo.
– Sim! – declama ele. – E já está sendo colocada em prática nesse momento!
– Eles foram mais espertos. – pensa Yukino, preocupada e séria, na frente do restante do grupo. – Preciso fazer alguma coisa o mais depressa possível!
No momento, todos eles estão bem aflitos. Há pouco, Kenny passara todas as informações, para seus companheiros, que adquirira ao se infiltrar no Congresso Nacional. A verdade é que Yukino estava mesmo se preparando para uma situação dessas, mas nem mesmo ela esperava que algo assim eclodiria do nada. Essa é a grande surpresa.
– Preciso proteger a todos! – imagina a diretora.
Repentinamente, vários agentes do governo surgem, vindo ao encontro dos quatro. Eles mal têm tempo de reagirem e já são colocados como alvos das avançadas armas tecnológicas que eles carregam: é um grupo composto por sete homens.
– Meu Deus!! – exclama Sayuri, em seus pensamentos, cessando seus passos assim como os demais humanos avançados presentes no local.
Gingamaru se coloca na frente da flautista e Yukino tenta fazer o mesmo por Kenny, mas acaba sendo tarde demais. Os homens do governo, com voracidade, atiram vários dardos, contendo a droga desenvolvida pela equipe de cientistas de Edward Strauss e Grade Lark. Um dos dardos atinge o pescoço de Kenny, mas os demais acertam mãe e filho. As regiões onde Gingamaru e Yukino são atingidos, por outro lado, desfazem-se em água, inutilizando os dardos que caem ao chão.
– Maldição! – pensa Kenny, irritado.
O grande amigo do ausente Yuki Arima, com sua mão direita, tenta retirar o dardo em seu pescoço. E consegue, mas quando puxa Sayuri para si e tenta se teletransportar, não consegue.
– O que foi? – pergunta Yukino, enquanto seu corpo volta à forma natural, direcionando sua face para ele.
– Não estou conseguindo ativar a minha habilidade. – revela ele, perplexo.
Tanto Yukino quanto Gingamaru e Sayuri, ouvindo isso, ficam espantados. É quando, redirecionando seu olhar para os agentes do governo, a diretora de Kyodai questiona:
– O que tem nessas coisas que atiraram contra nós?
– Uma droga que cancela habilidades de humanos avançados, mas temporariamente. – revela o líder do grupo de agentes. E pensa ele: – Não poderíamos eliminar seus poderes por completo, já que Grade-sama e Edward-sama precisarão deles...
Gingamaru, com alguns passos para frente, se coloca ao lado direito da mãe. Os dois se entreolham e, posteriormente, voltam sua atenção total para os agentes. Parecem estar furiosos.
– Não preciso nem das minhas habilidades para notar o quanto eles estão irados. – imagina Sayuri, pouco atrás, junto de Kenny, observando os dois pelas costas.
– Não pensem que vão se safar dessa. – garante o filho mais jovem da diretora. – Vão pagar caro por ameaçarem os meus amigos, que brilham muito mais que o Sol para mim.
Os agentes, sem dizerem mais nenhuma outra palavra, “abrem fogo” contra os dois, atirando vários outros dardos contra eles. Contudo, todos que atingem Gingamaru e Yukino apenas se perdem nos feixes de água formados por seus corpos. Na sequência, o garoto estende sua mão esquerda e sua mãe estende a mão direita. Aproximando suas palmas, eles, sérios, criam uma grande onda de água, qual ataca os inimigos. Os agentes, sem o que fazer, apenas gritam em meio ao desespero aquático. E são lançados para longe, sem consciência.
– Impressionante! – pensa Kenny, tão fascinado quanto Sayuri.
A flautista presente, suspirando, sorri de leve. Não consegue conter a maravilhosa sensação que tem presenciando a união de mãe e filho. Desse modo, pensa:
– Você havia dito que nós dois, juntos, somos luz, Ginga-kun... Porém, é inegável o fato de que, ao lado da sua mãe, você é capaz de brilhar mais, muito mais que qualquer um...
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Em outro ponto da escola...
Senshi, Tsubaki, Daniel, Sherry, Yuki, Sugaku, Reiko, Sanford e Marin: todos, aqui, presentes.
– Poderei ser quem quiser? – repete Sherry, emocionada. – Poderei pintar meu futuro com a cor, qualquer cor, que meu coração pedir? É isso mesmo?
– Exatamente. Como eu disse, irei apagar para sempre a marca que lacra parte dos seus poderes de humana avançada. – confirma Sugaku, perante a loira, reafirmando o que havia dito para ela antes.
A professora suspira. Alternando seu olhar entre os demais presentes, declara:
– Todos vocês, com exceção de Daniel, saiam daqui.
– Sair? – indaga Senshi. – Por quê?
– A presença de vocês é dispensável. – determina ela. – Além disso, outros devem estar precisando de ajuda pelo colégio. Seria ideal, até, que se dividissem em dois grupos distintos.
– Isso é mesmo necessário? – questiona Marin, chamando para si a atenção de Sugaku. – Mal sabemos o que está acontecendo por aqui.
– O que sei é que preciso quebrar o selo que está limitando os poderes de Sherry. – conta a matemática. – E preciso somente do auxílio de Daniel Strauss.
– Megumi-sensei sabe o que está dizendo. – argumenta Tsubaki, chamando para si a atenção de todos. – Vamos ouvi-la sem contestar, afinal, agora não é momento para discussões internas. Precisamos estar unidos, pois essa será a nossa força.
– Você está certa. – concorda Senshi. – Eu, Tsubaki e Reiko vamos por esse lado. – determina o garoto, apontando para sua direita. – Yuki-san, Sanford-san e Marin-san pelo outro lado, pode ser?
– Pode sim. – concorda Yuki. – Então vamos!
Todos se separam como sugerira Senshi. Observando o afastar deles, Sugaku fala, sendo observada por Daniel e Sherry, que ainda permanecem aqui:
– Eles estão assumindo seus papeis. Senshi Yujo, Nagashi Swords e Tsubaki Seijitsu...
Os dois ouvintes da professora nada dizem a respeito, mas continuam observando sua face. Ela, por sua vez, redireciona seu olhar para Sherry, imaginando:
– Radiantes como o Sol...
– Você poderia me explicar o que pretende fazer com a Sherry e qual a minha participação nisso? – questiona Daniel, arqueando sua sobrancelha esquerda.
A Fontaine se vira para ele, chamando a atenção do estudante. E, com sua mão direita, abaixa a gola de sua camisa para mostrar parte do seu seio esquerdo. Daniel fica bastante corado, já que não esperava por algo assim, mas logo nota uma marca de meia lua no local que ela está mostrando.
– Essa é a marca que Sugaku quer retirar de mim.
– O que é isso, afinal? – pergunta ele, surpreso.
– Depois ela te explica melhor. – garante Sugaku. – No momento, o que precisamos fazer é quebrar esse lacre.
A loira se volta para Sugaku, séria. Por alguns instantes, elas se entreolham. Suspirando, a professora, olhando profundamente nos olhos de Sherry, indaga:
– Preparada?
– Sim, estou. – garante ela.
– Seu papel aqui é ser o novo limitador de Sherry, Daniel. – garante a matemática. – Esse lacre não foi criado somente porque queríamos usá-la como bem entendíamos, mas também porque Pierre tinha consciência da magnitude dos poderes da filha.
Sherry fica perplexa. Dessa versão da história, nunca tinha ouvido falar. Para ela, desde o começo, aquela marca foi gravada em seu peito, conectada aos bloqueios mentais em sua cabeça, para que não saísse do controle da Carmesim. Ainda assim, Sugaku não para por aí:
– Sem algo que a ajude a se controlar, Sherry pode até mesmo se destruir junto de quem estiver ao seu redor. É por isso que limitamos suas capacidades, mas sabíamos que, cedo ou tarde, seria preciso quebrar esse lacre.
– É verdade tudo o que está falando? – pergunta a loira.
– Claro que sim. – determina a mais velha. – Daniel será uma espécie de limitador natural para você de agora em diante.
– Por quê? – questiona ele, chamando de volta o olhar da mulher.
– Por que o sentimento que há entre vocês dois é capaz de superar até mesmo a grandiosidade dos poderes de Sherry Fontaine. Sendo sinceros um com o outro, tudo se resolverá. – garante ela, fazendo os dois se entreolharem, corados.
– Ela sabe que... – pensa Daniel, interrompendo sua ideia por saber que Sugaku lê pensamentos sem nenhuma dificuldade.
– Chega de papo. – fala Sugaku, fechando seus olhos e colocando suas mãos sobre a cabeça da loira.
O silêncio reina por alguns instantes. Os dois estudantes estão constrangidos demais para falarem algo. Já a professora, focada demais no que está fazendo. Ela tem plena ciência do perigo que é liberar todo o potencial de Sherry uma vez que, praticamente durante toda a vida da jovem, tal potencial foi mantido sobre um “controle artificial”.
– Faça a sua parte também, Sherry. – recomenda Sugaku, ainda de olhos fechados. – Para início de tudo, é necessária a sua força de vontade para superar este obstáculo.
Repentinamente, fortes ondas telepáticas, ativadas por Sugaku, invadem a mente de Sherry, fazendo-a gritar em desespero. Daniel se preocupa de imediato, mas na hora, a professora exclama:
– Está tudo bem, não interfira!
Ele, que já estava preparado para se aproximar de Sherry, fica onde está, apenas assistindo. Por outro lado, sua preocupação não diminui em nada. Tanto ele quanto a loira ainda não chegaram a admitir, mas nutrem sentimentos fortes um pelo outro. Sentimentos que vão além da amizade.
– Eu poderei ser livre de verdade. – pensa Sherry, enquanto ainda grita, cerrando seus olhos. – Sendo assim, vale a pena passar por este sofrimento!
Repentinamente, ela se lembra do que acabara de ouvir, sobre as verdadeiras razões da existência do lacre que contem suas habilidades. No fundo, é bom para Sherry saber que seu pai, na verdade, aceitou o lacre em sua filha por amor.
– Se prepare. – pensa Sugaku, lançando tal pensamento na cabeça da loira. – A partir de agora, sua alma poderá brilhar com toda a luminosidade que é capaz de produzir...
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Enquanto isso, em outro local...
Nagashi Swords e Alaska Snow. Diante delas, apenas homens feridos e inconscientes, todos caídos ao chão. Os olhos da segunda, no caso, Alaska, ainda tremulam. A cena que presenciou foi forte demais para que pudesse acreditar. Afinal de contas, como uma garota da sua idade poderia ser capaz de nocautear todos aqueles sujeitos fortes e viris?
– Ridículos. – comenta a loira, de costas, de pé perante Alaska, quem se encontra assentada sobre as próprias pernas: e perplexa.
Ai está nos braços da estudante de Kyodai. Com maestria, usando somente seus potentes chutes, a garota nocauteara todos eles com apenas um golpe para cada. E agora, após completar seu “serviço”, se vira para Alaska, encarando-a por alguns instantes.
– Obrigada. – agradece a garota, ainda bem impactada.
– Não há de quê. – corresponde a Swords. – Espero que esteja bem.
– Ficarei, eu acho... – comenta Alaska. – Mas... Eu pensei que eu era a única.
– Única o quê? – questiona Nagashi, arqueando sua sobrancelha esquerda.
No caso, a loira parece saber que Alaska se refere ao fato de ter habilidades especiais. Porém, a amada de Senshi Yujo quer ouvir da boca da outra a maneira como a tal vê isso.
– Única diferente. – diz, abaixando sua face. – Bem, pelo menos eu pensava até pouco tempo atrás. Todas as pessoas sempre acabavam fazendo o que eu queria. Desde que descobri a minha estranha habilidade, nunca encontrei alguém que me dissesse “não”. E, de certo modo, usei isso como uma armadura, para me proteger da dor e do medo.
– Errar é o que nos faz ser humanos. – garante Nagashi, chamando para si o olhar de Alaska. – Você errou no passado por tentar fugir do sofrimento que vem com essas habilidades e também do sofrimento que toda pessoa, sendo humana avançada ou não, corre o risco de viver. No passado, eu também tentei me flagelar e me culpar por tudo ao meu redor.
A garota suspira, dando uma pausa em suas palavras. Fechando seus olhos por alguns instantes, Nagashi ergue sua face para aproveitar a visão do belo céu. Enquanto isso, retoma seus dizeres:
– Mas, ao lado dos meus amigos, descobri que todas as pessoas têm o direito de errarem e de, mesmo assim, lutarem pelo que é chamado de felicidade.
Alaska fica ainda mais impressionada. Como, afinal de contas, além de tão fora do comum, a desconhecida garota poderia dizer palavras tão profundas? Não sabe explicar, mas Alaska sente que cada palavra de Nagashi navega em seu coração de uma maneira arrebatadoramente inexplicável. É uma euforia de sensações que toma conta do seu ser, de tal forma que a Snow sequer sabe como reagir. Apenas, então, permanece ouvindo.
– Viver é maravilhoso. – alega a loira, esboçando um radiante sorriso em seu rosto, voltando-o para sua ouvinte. – É uma dádiva luminosa!
– Luminosa... – pensa Alaska. – Você é luminosa...
Nagashi estende sua mão direita para a Snow, que, com tal ajuda, se levanta do chão. A loira dá meia volta e vai andando, falando:
– Você, venha comigo...
Alaska a acompanha. E, enquanto o faz, continua imaginando, sem deixar de olhar para os belos e esvoaçantes cabelos da loira:
– Como um Sol que nunca deixa de brilhar, a alma dela parece ser capaz de incendiar qualquer um com uma ardente vontade de viver. É uma pessoa digna de admiração.
Ao longe, Andrômeda as observa. E, parada em um determinado ponto, suspira. E fala para si mesma:
– Que elas se preparem... Para o cenário de caos que encontrarão em Kyodai!
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