Notas iniciais
KLAINE

Todos continuamos recebendo visitas, meu pai e Carole voltam. Finn traz Rachel para me ver. Todos os Warblers recebem visitas.

Menos Blaine, Hunter e Sebastian.

Eu entendo que esses dois não recebam visitas. Que tipo de psicopata tem amigos? Sim eles estavam nos Warblers, mas ninguém viria ver um cara que violentava garotos e outro que fez sei – lá o que.

Blaine nunca me pareceu tão desanimado. Conseguia estar mais deprimido e isolado que Jeff (O pai e avo de Jeff vinham sempre pra lhe entregar fotos ou algum bolo estranho de banana.)

Apresento-o para meu pai e Carole, Finn e Rachel. Rachel e Carole se apaixonam por Blaine desde o primeiro momento. Meu pai me parece desconfortável mas sorri em aprovação para ele.

Finn parece realmente incomodado.

Tenho que apertar a mão de Blaine por debaixo da mesa quando ele esta perto de falar demais. Não quero que fiquem sabendo sobre Pavarotti ou sobre meu diagnostico.

“Temos uma ótima noticia para você.” Diz Carole, não consigo pensar em algo que aconteça de bom lá fora me ajude aqui dentro.

“Eu e Rachel estamos noivos.” Rachel sorri quase que metade do próprio rosto e me deixa ver o anel. A única coisa que digo é felicidades e depois mando eles embora.

“Esta irritado.” Blaine afirma, penso no que ele diz, estou mesmo irritado ou só com inveja?

“Sei lá. Eles dirigem ate aqui pra me contar algo que podia ser dito no telefone.”

“Você não poderia ter visto o anel de Rachel se tivesse sido por telefone.”

“Também não teria que ver o sorriso insuportável da Rachel.”

Blaine me encara por um momento, como se estivesse tentando me dizer alguma coisa que eu já deveria saber.

“Ei, vocês.” Os Warblers estão sentados na sala de TV. “Como foi com as suas visitas?”

“As visitas eram só para o Kurt.” Blaine se senta mas não olha mais para mim.

E é então que a ficha cai.

Ninguém nunca vem visitar Blaine. E eu tenho que expulsar as minhas na frente dele.

“E como foi com eles, Kurt?”

“Meu meio irmão vai se casar.”

“Parabéns, cara.” Eles aplaudem. E Blaine continua na dele.

“Blaine Anderson.” Chama a enfermeira.

Ele já tinha me contado o sobrenome dele antes, mas ninguém chamava ele pelo nome completo aqui. Ainda é um choque quando as enfermeiras insistem em dizer tudo.

“Que foi?” Ele esta de frente para mim e de costas para a enfermeira, David esta dando tapinhas no joelho dele.

“Visita para você.”

Nunca vi uma pessoa ficar tão pálida quanto Blaine ficou. Serio mesmo, ele ficou paralisado. Os Warblers comemoravam, mas eu sabia que tinha algo errado.

“Vai Blaine! Vai Blaine!” Eles gritavam. As pernas de Blaine tremiam quando ele caminhou ate a enfermeira, ela o levou ate uma mesa. Não conseguia ver direito que estava sentado do outro lado, parecia jovem, mais ou menos da nossa idade.

“Ah essa não.” Diz Wes olhando para a visita de Blaine. “ É o Eli.”

“Quem é o Eli?”

“Namorado de Blaine. Ou era, ate ele ser mandado pra cá.” Sinto um aperto dentro de mim, saber que Blaine tem namorado. Um namorado que visita ele.

Sou um babaca invejoso.

“Por que ele esta aqui, então?”

“Sei lá. Ele só veio aqui duas vezes. Não gosto dele.”

Nem eu, penso.

Vejo Blaine sorrir, isso me machuca muito mais, ele pega na mão de Eli e o traz ate nos.

“Este é Eli.” Seu sorriso luminoso esta de volta.

“Ele quem?” Diz Jeff, se voltando para mim.

“Ele não, seu retardado. É ELI!” Sebastian fala, totalmente irritado, com a maior cara de ciúmes.

Talvez a maior depois da minha cara de ciúmes.

“Esta tudo bem.” Ele diz, “Só passei pra dizer oi e conhecer os amigos de Blainey.”

Que apelido mais estupido, Blainey.

“Hey, Eli, Já ligou para o tele-sexo?” Diz Wes.

David sorri e pergunta. “Quer cheirar meu cabelo? Só lavam ele duas vezes por semana.”

Thad entra na brincadeira. “Já arranquei todas as minhas unhas. Olha que bonito.” Ele mostra as faixas enroladas na ponta de seus dedos. Eli estremece.

Então Hunter e Sebastian começam a latir, como cães ferozes e raivosos, Eli se afasta de nos, assustado.

Eu me levando e começo a imitar um macaco. Não sei bem por que, talvez a conspiração dos macacos que Wes me contou esteja ainda me perturbando.

Austin e Nick começam a uivar, eu bato com punho fechado no meu peito como um gorila. Jeff parece mais perdido que nunca.

Nunca vi Blaine tão zangado.

Vou ate ele, imitando andar de macaco, Eli se afasta de nos quando chego perto. Começo a percorrer os cachos do cabelo de Blaine, procurando pulgas. Ele sussurra entre dentes.

“Para com isso.”

“Uh uh uh. Parar com o que, Blaine Warbler?” Imito mais sons de macaco. Estamos todos imitando animais agora. Jeff imita algum tipo de ave e sacode os braços.

As enfermeiras vêm nos levar para nossos dormitórios. Levam Blaine também, sem deixar se despedir de Eli.

Essa noite, Blaine não vem dormir na minha cama. E Wes não ajuda nada não conseguindo ficar calado sobre o quanto fui genial como King Kong.

No dia seguinte, Estamos todos no refeitório menos Blaine. Sinto um bocado de culpa.

Ele vem da sala das enfermeiras. Ele ficou falando no telefone por 20 minutos.

“Quem era?” Pergunta David com a boca cheia de manteiga e geleia.

“Eli.” Ele senta do meu lado. Tenho medo que ele me soque.

“E ai?” Pergunta Nick, passando sal em sua torrada com mel. Fico um pouco impressionado.

“Ele terminou comigo.” Lamenta, olhando para o prato de comida que peguei para ele. ” O que é isto?” Ele pergunta para mim.

“Ovos mexidos.” Respondo. “Sinto muito pelo Eli.” Sinto nada.

“Não, tudo bem. Acho que terminaríamos mesmo, somos muito diferentes.”

“É mesmo?” Sorrio, ele acena e da um sorriso tímido.

“Você achara alguém melhor.” Diz Sebastian com aqueles dentes de cavalo a mostra, sinto a vontade de imitar um gorila e esmagar o crânio dele.

Não voltamos a falar mais nada. Apenas comemos.

O bloco C não é nada ruim. Menos deprimente que o bloco B, mas não me identifico com nenhum dos doentes de lá. Esse não é meu lugar.

O novo medicamento me deixa mais do que sonolento. Como se estivesse me esvaindo em fumaça pelos corredores ao invés de andar.

“Gostando do Bloco C?” Blaine esta do meu lado, não senti ele chegando, não sinto nada.

“É maravilhoso.” Sorrio com os dentes todos enfileirados. Isto é pior que maconha.

“O efeito disso passa lá pela segunda ou terceira dose.” Ele me avisa, passa a mão pela minha cintura para me ajudar a andar.

“Não quero que isto acabe nunca.” Reclamo como uma criança de 5 anos. Chegamos ao dormitório, não tem quase ninguém no corredor.

Não tenho forca para quase nada. Mas dou o melhor de mim para pressionar Blaine contra a porta e sussurrar em seu ouvido.

“Já não consigo dormir sem você do meu lado, sem você encostando em mim.” Minhas palavras saem embaralhadas. Blaine ri.

“Você esta bem chapado hoje.”

“Estou apaixonado! Sim, estou mesmo. Dane-se Eli, dane-se Sebastian. Dane-se meu pai. Eu quero só você.”

Ele continua sorrindo e olha para baixo, suas bochechas ganham cor.

“Não sei se isso aconteceu com a morte de Pavarotti ou se foi quando Eli veio te ver, mas eu-eu não sei. Eu só preciso de você.”

Não digo mais nada, me inclino sobre ele e o beijo na boca. O beijo é bagunçado e desesperado ao inicio, Blaine corresponde depois do choque, sinto o gosto de remédio passando de um lábio para o outro. É estranho.

É perfeito.

“Vem, ta na hora de dormir.” Ele rompe o beijo, mas eu desço minha boca para o seu queixo, e seu pescoço.Ele passa a mão pelos meus cabelos.

“Vem dormir na minha cama.” Tento fazer a voz mais seduzente que consigo, ele ri de novo.

“Seria uma honra, Senhor Hummel.” Ele abre a porta e eu o abraço por trás. Wes nos olha confuso. Escuto Blaine dizer algo, e depois os dois riem. Ele me empurra na cama, caio de braços abertos. Ele se acomoda do meu lado, meus sentidos ficando cada vez mais fracos.

Sinto vontade de lhe dizer para tirar nossos pijamas, para mandar Wes dar uma volta no hospital e me deixar fazer amor pra ele uma ou duas vezes.

Ao invés disso, durmo feito uma pedra, totalmente chapado ao lado de Blaine.