Kurt, Interrompido

32 Sempre o mesmo.


Notas iniciais
Oi, oi, oi, oi. Tem algo mais ridiculo do que zombar dos outros por defeitos físicos? N? Pse. Enfim, espero que gostem.

Parece ser uma sabotagem do meu corpo para não me deixar dormir. Fico escorregando pra fora da minha cama quando estou perto de cair no sono ou me machuco propositalmente em algum ponto da noite, desta vez, levanto a minha perna e a deixo despencar contra a borda da cama. Urro de dor, me dando conta do que fiz.

“Merda!” Digo entre dentes, seguro os dedos do meu pé que bateram contra a madeira “Merda. Merda. Merda. Merda” Continuo dizendo, esperando que a dor diminua, mas só sinto meu dedos latejarem quando os solto. Solto a respiração quando bato a cabeça contra o travesseiro e fico olhando para o teto, não consigo mais dormir.

“Blaine!”

“O que foi, Kurt?”

“O que é isto?”

“Ahm, você encontrou isso aonde?”

“No bolso do seu casaco.”

Lembro de quando achei o corpinho de Pavarotti no bolso de Blaine, e depois disso enlouqueci, mas não lembro exatamente o que mais eu fiz.

“Por que fez isso?”

“Você mereceu!”

“Doeu, Kurt.”

“É? Bom, eu não dou à mínima.”

“Para com isso Kurt, para, serio.”

Quando entrei em pânico, comecei a bater em Blaine. E ele não fez nada pra impedir, até chamar a atenção dos outros caras.

“O que está acontecendo?”

“Faz o Kurt parar, Wes!”

“Austin! Chama o Sebastian.”

“Qual é o numero da Dalton?”
“Porque vai ligar para a Dalton?”

“O Kurt surtou, que nem o Jeff!”

“Ele estava batendo no namorado, não jogando fezes por aí. Não é o mesmo que Jeff”

“Olhem pra ele!”

Por incrível que pareça. Não voltei a chorar desde que o Blaine me pediu pra sumir da vida dele (o que não significa que eu não esteja completamente deprimido), mas chorei feito um desgracado quando lembrei do jeito que tratei Blaine antes de voltarmos a Dalton de nossa viagem a Nova Iorque.

Levanto a minha perna esquerda e o barulho da batida contra a madeira se mistura ao meu grito de dor.

“Merda!” Repito o palavrão, é o que mais ajuda. “Merda, merda, merda...”

“Kurt!” Finn entra no meu quarto e acende a luz, se apoiando em um bastão de basebol (o qual nunca usamos já que meu pai era o único que sabia jogar baseball) “O que aconteceu?!”

“Nada. Só bati o dedo.”

“Ah.” Ele suspira. “Então, posso ir pro meu quarto? Ou você quer que fique aqui mais um pouco?”

Olho pra ele com as sobrancelhas juntas “Que historia é essa?”

Ele dá de ombros “Não sei o que o antigo Finn faria.”

“Não existe antigo Finn, Finn. Só tem um e é você!”

“Hã?”

“Por Deus, Finn! Você perdeu a memoria, mas continua o mesmo, entendeu?”

“Mas não sei o que eu faria se tivesse memoria. Se devia ficar aqui ou ir dormir...”

“O que você acha, Finn?”

“Eu quero ir pro meu quarto.” Ele esfrega os olhos “São tipo, 4 da manha. “

“Isso mesmo, se ficar na duvida só faça o que quiser.”

“Tudo bem.” Ele suspira, coloca o bastão de baseball por cima do ombro e fecha a porta atrás de si.

Massageio a têmpora com a ponta dos dedos por um momento. Minha cabeça esta pesada demais com as lembranças do que fiz em Nova Iorque, mas não consigo nunca pegar no sono, aí lembro de algo que me faz gritar novamente.

“Finn!” Grito, depois de alguns segundos ele aparece de supetão, o bastão erguido no ar como se já estivesse preparado para descer na cabeça de alguém.

“O que foi?!” Os olhos dele estão totalmente abertos, a imagem me faz gritar novamente. “Onde está? Cadê?!”

“Finn. Finn! Chega! Não tem nada!”

Ele solta o ar dos pulmões, abaixa o taco de baseball mas os olhos continuam arregalados e sua respiração forte. “O que foi?” Pergunta ele, de modo mais calmo agora.

“Tive uma idéia.” Digo, e ele faz menção de me pedir para continuar, “De como tirar o Blaine da Dalton.”

“Desculpa, o que?”

“O irmão do Blaine disse que ele tem esquizofrenia. Mas Blaine disse que não é verdade, se isso estiver certo podemos abrir um processo contra a Dalton!”

“Hein? Processo pelo que?”

“Eles trancaram o Blaine alí porque ele é gay!”

“Quem é Blaine?” O Finn sem memoria é mais chato do que o antigo.

“Te explico depois, agora preciso fazer um telefonema.”

“Poxa, tinha que me chamar pra isso?”

Lanço um olhar frio na direção dele e entende o meu recado “Foi mal.”

“Pode ir dormir agora, Finn. Não vou mais te incomodar.”

“Se eu conseguir dormir de novo depois do susto.” Ele resmunga e jogo outro olhar, “Tá bem! Tá bem! Foi mal.” Ele diz, fechando a porta atrás de si.

Me sento na cama e procuro pelo cartão com o telefone de Cooper, minha bolsa está bagunçada, não olho dentro dela há meses (E sim, homens podem ter bolsas com revestimento de couro preto)

Os números estão amassados no papel, mas o importante é que consigo ler. Eu desejo no fundo da minha alma que Blaine não tenha mentido para mim.

A porta se abre, tenho medo que seja o meu pai irritado pelo barulho, mas é Finn novamente.

“Eu não gritei.” Digo, ainda analisando os números e anotando-os na minha agenda.

“Eu sei. É só que...”

“O que foi?” Levanto os olhos pra ele, Finn coça a nuca e diz meio sem jeito.

“Você costumava me trazer leite quente... Fiquei um pouco acostumado. E já que você me acordou...”

Solto ar com impaciência e me coloco de pé. “Ok, Finn. Espera aí que eu já trago.”

Finn com ou sem memoria, é sempre o mesmo Finn.

Notas finais
Prevejo treta huehuehue nossa, parei. Bjs