Kurt, Interrompido
33 É o que os amigos fazem.
Notas iniciais
Meus dedos doem o dobro pelo frio que se instalou em Ohio desde novembro, bato até minhas juntas ficarem brancas contra a madeira da porta, já que a campainha não funciona.
E assim como o frio, sou inesperadamente encarado por Elliot assim que abre a porta, olhando perplexo para mim.
“Achei que tinha me dito pra ficar longe de você.” Vem ressentimento em sua voz, mas também hesitação, insegurança.
“Eu preciso de sua ajuda.” Uma das ultimas coisas que podia me ver fazendo era parado na porta de alguém implorando por ajuda, mas para completar o pacote não deixo que ele feche a porta e seguro firme, ”Por favor.”
Ele olha diretamente em meus olhos, a barba dele crescendo desde a ultima vez que o vi. “Entra” ele abre espaço para passar, e a casa dele é um nevoeiro de maconha e mais fumaça de sei lá o que.
“Não me diga que engravidou.”
“Não seja ridículo.”
“Por que mais estaria aqui?”
“Preciso da sua ajuda.”
“Você já disse isso. Mas por quê?”
“Preciso de uma carona para Nova Iorque.”
“Eu escutei bem ou...” Ele não parece estar com raiva, mas ironia dói do mesmo jeito.
“Olha, eu sei que fui grosseiro com você depois de termos... Enfim, preciso mesmo estar em Nova Iorque até terça.”
“Para que?”
“Encontrar o irmão do Blaine. Preciso que ele assine um documento para mim.”
“Documento de que?”
“Não é da sua conta.”
“Mas a caminhonete pra te levar até Nova Iorque é minha, sim.”
Maldito, penso.
“Vou tirar o Blaine da Dalton.”
“Já é perigoso o bastante terem deixado você sair. Agora quer que te ajude a libertar o Teco?”
“Olha, só preciso que me leve até Nova Iorque, se quiser sumo da sua vida depois, mas por favor.”
“Olha, Kurt. Eu transei com você porque estávamos bêbados e sinceramente você é gostoso. Mas foi só isso, entendeu? Não queria interferir na amizade.”
Ele pode ter dito cerca de 5 coisas ofensivas nessa frase, mas seguro a minha mao de ir em encontro de seu rosto e digo “Eu sou doido, não precisa perguntar meus motivos.”
“Não esquenta, eu estou a par da situação. Por falar nisso, você não parava de gemer o nome dele.”
“Ok, chega! Cala a boca” Digo entre dentes, é difícil me conter de bater nele, “Você vai me levar ou não?”
“Consigo deixar o carro pronto em meia hora.”
“Obrigado, Elliot.”
“Não esquenta.” Ele diz, não sei porque minha confiança vai e volta tão rápido, “Quer um baseado por enquanto?”
K&B
Não expliquei exatamente aos meus pais que ia sumir por alguns dias para ir até Nova Iorque. Mas deixei o recado com o Finn e ele não esta em posição de me impedir. O documento é a única coisa que levo comigo, minhas mãos congelando pelo frio, não importa quanto as esfregue.
“Por que você não fecha a janela?” Pergunto, dentes batendo de frio.
“Estou dirigindo faz horas, se eu me aquecer posso cair no sono.” Ele diz, subo o casaco até cobrir meu rosto desde o nariz para baixo. “Pegar um avião teria sido mais fácil.” Ele diz, e tenho que concordar, é quase impossível chegar até Nova Iorque de carro.
“Não posso viajar sem o meu passaporte.”
Ele faz um barulho do fundo da garganta, o frio continua. Não sei se o Cooper vai estar no lugar combinado, ele não tem porque estar, bom, eu disse que Blaine tinha concordado de sair da Dalton para viver com ele. Mas é só uma mentirinha.
“O que diz no documento?” Ele volta a perguntar.
“Só ele comprovando que Blaine não tem doença nenhuma, que ele realmente sofreu bullying por ser gay e enviado a Dalton pela mesma razão.”
Ele deixa de prestar atenção na estrada e se vira pra mim, “E você tem ideia de como vai fazer ele assinar?”
“Não.”
“Tudo bem, só checando.” Ele volta a focar no trajeto e ficamos em silencio, “Por que não trouxe a Rachel desta vez?”
“Não daria tempo de chegar até terça com ela atrasando tudo.”
“Okay.”
“Você por acaso teria uma arma?”
“Ahm... Não. Pra que?”
“Preciso fazer aquele desgracado assinar.”
“Okay.” Ele repete, deixo de falar, porque obviamente é isso que ele quer que eu faça.
“Kurt?”
“Que?” Achei que tinha pegado no sono, mas olhar pra essa paisagem é tao deprimente quanto cochilar no frio.
“Por que você quer tanto tirar o Blaine da Dalton?”
“Eu amo ele.”
“E você acha que o melhor lugar dele é fora da Dalton?”
“Ele não tem nada, Elliot.”
“Como você sabe? Ele já tinha ido naquele bloco A antes de você chegar lá.”
“É diferente, ele é medicado há anos, até eu teria surtado.”
“Ele esta nesse ambiente há anos e você acha que retornar ele ao mundo agora é uma boa ideia?” Ele diz, e já sei que a briga está só começando. “O mundo esta uma merda, Kurt. Você não o ama.”
“Como pode dizer isso? É claro que eu o amo.”
“Você esta sendo egoísta, pensa no que é mais conveniente para você, mas nem sabe o que acontece na cabeça daquele cara, acho que você mal se importa.”
“Para o carro.” Digo, pondo a mão na maçaneta.
“O que?!” Ele diz, a estrada esta cheia de neve e quase vazio, repito aos gritos.
“Para o carro, agora!” Ele mal começa a pisar no freio quando abro a porta, o vento frio entra em choque contra meu resto e rolo pela neve, e não, não é uma sensação boa.
Elliot para o carro completamente alguns metros a minha frente, desce feito desesperado. Eu continuo gritando.
“O que tem de errado com você?” Ele diz me segurando pelos ombros, estou chorando ou algo parecido “Para!”
E então dou um chute em sua boca, bem na boca.
Assim como o sangue do meu pai manchou o tapete. O sangue de Elliot mancha a neve, muito mais fácil, é bem mais cruel, fico olhando a neve.
“Por que fez isso?” Diz ele, esfregando o corte para estacar o sangue.
“Me deixa aqui.” Digo.
“Você vai morrer congelado aqui.”
“Não importa, me deixa aqui.”
“Para de agir feito uma criança de 8 anos e entra no carro!”
Tento bater nele novamente mas ele se esquiva, ele tenta de todo jeito me convencer, mas sempre respondo o mesmo.
“Não.” Digo, mas então ele me puxa forte pelos cabelos e grito, “Seu bixa, me solta.”
“O bixa aqui não te solta até entrar no carro.” Ele mal olha pra trás, um rastro de sangue na neve enquanto avançamos. “Toma.” Ele me entrega uma garrafa com cheiro forte, não é baseado, mas com certeza vai me deixar estático. Tomo tudo quase de um gole só. “Isso, assim.” Ele encoraja.
É mais fácil para ele me empurrar pra entrar no carro e ajustar o cinto de segurança. Não esta mais tão frio, ele fechou as janelas.
“Você não pode dormir.” Eu digo, já zonzo pela bebida.
“O chute que você me deu já acordou o bastante.” Ele diz.
“Desculpa.” Digo, bêbado. “Não sei por que não me deixou lá pra congelar.”
“É obvio que não iria fazer isso.” Ele diz.
“Por que esta me aguentando? Por que esta me levando até lá depois do que fiz?” Digo, perto de chorar.
“É o que os amigos fazem.” Ele diz, e agora sei que estou realmente chorando.
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