Kurt Hummel, O Mediador.
25 Capítulo 25
Notas iniciais
25
– Ele ta respirando? – Perguntei a Sebastian que havia ido até Blaine.
– Sim, mas muito fraco. – Ele se virou para mim. – Seres humanos comuns não conseguem suportar uma viajem desse porte, Kurt.
– Eu matei Blaine, pela segunda vez. – Eu me ajoelhei ao seu lado e comecei a chorar como um bebê.
Não me importei de Sebastian ver, ou o que ele ia pensar. Eu só conseguia imaginar o quão idiota eu fui. O que eu fiz? Eu estraguei tudo. Agora eu não iria ter Blaine algum. Resolvi ligar para a única pessoa que poderia me ajudar.
– Alô?
– Sue, você precisa me ajudar.
Ela pediu para que levassemos Blaine até o hospital. Sebastian foi dirigindo enquanto eu estava no banco de trás, abraçando Blaine e me culpando cada vez mais. Ele estava completamente apagado. O Blaine fantasma também não deu as caras.
Será que ele sumiu assim que eu trouxe o vivo para o presente?
Quando chegamos ao hospital logo encontramos Sue, ela deu um jeito de internar Blaine, inventou qualquer situação que o tenha deixado desse jeito e logo começou a providenciar a documentação.
Sebastian ligou para Quinn, que acabou trazendo a família toda. Nós estavamos na sala de espera enquanto o Blaine passava por uma bateria de exames. Quinn tentava me confortar, mas ela não era muito boa nisso.
– Kurt, talvez seja até melhor ele não voltar. – Ela apertou minha mão. – Ele não vai lembrar de você, nem de nada disso. Imagina o susto que vai ser acordar em uma época diferente?
– Eu não preciso que me digam isso agora, Fabray, por favor. – Continuei olhando para a entrada da sala, esperando um médico aparecer.
Ele não apareceu e o nó em minha garganta só aumentava. Ninguém da minha família entendia o que estava acontecendo. Girafa queria saber de onde Blaine havia surgido e o que ele era meu.
– Finn, deixe seu irmão em paz. – Carole disse séria.
Ela mandou Girafa e Quinn buscarem cafés para todos. Enquanto eles estavam fora meu pai sentou-se ao meu lado, pegou minha mão e ficou quieto por um tempo. Eu sabia o que ele estava fazendo. Sendo compreensivo do mesmo jeito que foi quando minha mãe morreu.
– Não sei de onde esse garoto surgiu, se é seu namorado ou o que... – Eu lhe cortei.
– É só um amigo.
– Não minta para mim, Kurt. – Eu o olhei e então não consegui segurar as lágrimas. Ele apenas me abraçou e agradeci por ter um pai como ele. – Eu vou te ajudar em todas as suas escolhas, lembra?
Eu não respondi, e ele sabia que não era necessário. Ele apertou o abraço e eu fiquei naquele conforto por mais algumas horas. Foi quando Sue entrou na sala, com uma pasta em mãos que eu resolvi falar.
– Conseguiu? – Perguntei e ela respondeu com um aceno.
Ela me alcançou a pasta e eu vi a identidade falsa de Blaine Anderson, 21 anos, nascido na Califórnia, descentente de franceses. Ali tinha tudo o que era necessário para a estadia dele em um hospital, até mesmo um plano de saúde.
Nunca duvide do poder de uma diretora.
Quando o médico entrou no local eu ainda estava olhando os papeis. Meu pai me deu um leve cutucão e eu me pus de pé. Ele olhou para a prancheta, provavelmente querendo ganhar um tempo antes de dizer as boas novas.
– Algum familiar do Sr. Anderson? – Ele perguntou olhando para todos nós.
– Não, mas eu sou a tutora dele. – Sue se prontificou ao meu lado.
– Pois bem, o Sr. Anderson está em uma situação critica. Não sabemos o que aconteceu com ele, só sabemos que ele esta em coma e não tem previsão alguma de quando vai acordar, se é que vai. – Minhas pernas falharam e eu teria caido se não fosse pelo meu pai.
Ele passou o braço pela minha cintura e disse para o médico prosseguir.
– Se ele chegar a acordar não sabemos como ele vai estar. Pode estar sem memória, com alguma sequela. Não sabemos. – Ele curvou os ombros e me olhou. – Sinto muito.
Ele deixou a sala, mas antes avisou que eu poderia ver Blaine assim que ele fosse tranferido para o quarto. O que não demorou muito. Logo eu já estava ao seu lado, segurando sua mão e sussurrando milhões de desculpas.
Era horrível vê-lo assim. Inerte. Impossibilitado. Praticamente morto.
Havia, mais ou menos, uma hora que eu estava ali quando senti um frio na espinha. Uma mão se pôs no meu ombro. Fria. Eu conhecia o toque e também conhecia a voz rouca que veio a seguir.
– O que você fez, ma belle? – Olhei para Blaine, o fantasma, e ele estava pasmo olhando para si mesmo.
Eu me levantei as pressas e lhe abracei. Uma corrente fria passou através do meu corpo, mas eu nunca me senti tão confortável. Ele não havia desaparecido. Eu ainda tinha o antigo Blaine pelo menos.
– Me desculpe, e-eu não queria... – Ele me interrompeu.
– Tudo bem, ma belle. – Ele apertou ainda mais o abraço. – É estranho me ver assim, sabe.
Quando nos separamos ele continuou olhando para seu corpo imóvel na cama. O que ele devia estar sentindo? Eu enlouqueceria se estivesse em seu lugar. Só de imaginar fico enjoado.
O que eu vou fazer se o outro Blaine acordar? Deixa-lo? Eu tenho essa opção?
Eu fiquei afastado enquanto Blaine se aproximava da cama. Completamente atônito. Ele nem percebeu quando Quinn entrou no quarto e ficou ao meu lado, só percebeu quando ele me olhou e sorriu, e em um segundo sua expressão se tornou assutada, e então ele desapareceu.
– BLAINE!
Eu gritei querendo impedir de que fosse, para onde quer que tenha ido. Era tarde demais. Foi como tentar segurar o vento, literalmente o vento. Eu o chamei outras vezes e ele não voltou. Eu sabia que ele não o faria, dessa vez foi direfente, foi como se ele tivesse sido sugado por alguma coisa.
Quinn me envolveu em seus braços quando as lágrimas teimaram em cair novamente. Eu estava cansado de todo esse chororo, de todos esses problemas. Justo quando achei que minha vida estava melhorando. Isso é tudo culpa de Sebastian. Por que ele tinha de se meter conosco?
– ma belle? – A voz ecoou no quarto. Rouca demais, perto demais e viva demais.
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