Kurt Hummel, O Mediador.
20 Capítulo 20
Notas iniciais
20
Rachel estava arrumando suas malas quando cheguei da casa de Sebastian. Eu continuava indo para as aulas particulares, mas sem beijos dessa vez. Ele soube se controlar e eu o obriguei a ficarmos na sala, onde volta e meia aparecia um serviçal.
Sebastian me contou que nossa alma ou espírito, chame como quiser, não estão exatamente presos aos nossos corpos. Claro que eles têm uma ligação, mas é possível tirar a alma do corpo. Eu já sabia disso, já que tinha sido exorcizado e mandado para outra dimensão.
Ele explicou que os mediadores tem mais facilidade com isso. Assim que ele falou da tal transferência de alma, ele disse que era possível colocar minha alma no corpo dele por exemplo. Sem nenhum esforço significativo. Mas enquanto o meu corpo estivesse próximo a minha alma, ela lutaria para retornar.
Rachel passou em direção ao banheiro e parou em frente ao quadro das fotos, ela sorriu. Logo quando acabamos o jantar, no dia em que consegui a foto de Blaine, ela me perguntou quem era. Eu lhe expliquei tudo e ela disse que ele era gostoso pra caramba, e era uma pena ser do outro time, ou estar morto, que seja.
Quando as malas estavam prontas, descemos e ela se despediu de meu pai e de Carole. Girafa iria conosco até o aeroporto, pois ele não podia perder a oportunidade de ganhar um beijo de Rachel. Quinn também iria nos acompanhar, por livre e espontânea pressão minha. Não queria ficar sozinho com o casal mel.
Bem, eles não eram um casal, mas Girafa dava tanto em cima dela, e ela deixava, e gostava, e era nojento, muito nojento. Eu tive de prometer fazer um trabalho gigantesco para Quinn, para que ela me desse a honra de sua companhia.
O aeroporto não estava tão cheio quanto eu imaginei. Com o fim das férias era de se esperar que estaria transbordando gente. Precisei me lembrar que Rachel estava indo com duas semanas de atraso, só porque um certo fantasma derrubou uma estante sobre ela.
– Ai, vou sentir muitas saudades, Kurtie. – Rachel me abraçou e começou a chorar.
– Você pode vir quando quiser. – Sorri.
– Cala a Boca, Hummel, ela vem mesmo. – Quinn me cutucou com o cotovelo.
– Vou vir sim. – Ela olhou séria para Quinn. – Assim que der uma folga lá.
– Ótimo. – Quinn resmungou.
– Eu também vou adorar suas visitas. – Girafa sorria bobo.
– Tenho certeza que vai. – Ela ficou na ponta dos pés e lhe beijou a bochecha.
Ela me deu mais um abraço e pegou sua bagagem de mão e foi em direção ao portão de embarque. Quinn se virou para mim e começou a falar da graça de Deus que era ela finalmente ter ido. No momento em que Quinn disse.
– Até nunca mais, Nariguda. – Num tom sarcástico, Rachel apareceu atrás dela e riu.
– Até parece. – Rachel pegou a mão de Quinn e também lhe beijou a bochecha.
Porém, diferente de Girafa, Quinn ficou em um vermelhidão e completamente sem jeito. Nunca tinha visto ela assim. Eu comecei a rir e ela me encarou, mas dessa vez ela não era nem um pouco intimidadora.
– Eu também gosto de você, Fabray. – Rachel sorriu e foi mais uma vez em direção ao portão.
Dessa vez ela não voltou. A única coisa que fez foi olhar para trás e acenar e mandar um beijo com a mão. Levaria um bom tempo para que eu visse Rachel Berry mais uma vez. E por mais que ela tenha ficado poucas semanas, ela levou consigo dois corações.
Assistimos o avião decolar e logo Girafa saiu em direção ao carro. o caminho de volta foi completamente silencioso. O por do Sol já era visível, e o céu tomava sua cor vermelho alaranjada de costume. Aquele céu, que eu aprendi a apreciar e que me ensinou a ter paciência. Ensinou-me que por mais que as coisas demorem a acontecer, por mais que o dia tenha sido cruel, o final é magnifico. Eu espero que toda essa merda que vem sendo a minha vida melhore no fim. Que meu final seja tão belo quando um por do Sol a beira mar.
O resto do dia não teve muitas novidades. Jantar comum. Sono comum. Agora meu quarto tinha apenas duas camas, estava mais fácil para me locomover. Eu ajustei o despertador para alguns minutos antes. Comecei a ir cedo para a escola, apenas para ter a oportunidade de ver Blaine. Quinn não aprovou muito a ideia, então começou a ir com Girafa para a escola.
Acordei e fiz o que sempre faço. Banheiro. Guarda roupas. Cozinha. Garagem. Escola.
Exatamente essa a minha ordem pela manhã. O Sol já estava brilhando n horizonte quando saí de casa. Dirigi até a escola, entrei e fui até o saguão, completamente vazio. Não deu nem um minuto e Blaine apareceu. Não falamos mais do que “oi, tudo bem?” e já começamos a nos beijar.
Não pense que estávamos bem no meio do saguão, não éramos tão burros assim. Arriscar que alguém me veja beijando o ar? Nem pensar. Estávamos mais para o canto, próximo a um pequeno vazo de flores. Porém nosso esconderijo não foi bom o suficiente.
– Vocês não respeitam nem um lugar sagrado? – Eu dei um pulo quando ouvi a voz de Sebastian.
– O que você quer, Sebastian? – Blaine se colocou na minha frente.
– Nada, só confirmar com Kurt nossa aula de hoje a tarde. – Ele sorriu e Blaine me olhou com uma sobrancelha arqueada.
– Lembra quando ele nos ajudou a sair daquele lugar e eu disse que teria aulas com ele? Então. – Expliquei e Blaine se virou para ele.
– Acha que vai me chatear com isso, Sebastian? – Blaine sorriu e cruzou os braços.
– Não, claro que não, essa não era minha intenção. – Sebastian sorriu torto. – Posso lhe perguntar algo, Blaine?
– Claro. – Blaine pegou na minha mão.
– Kurt também suspira quando te beija? – Minha boca se abriu quando Sebastian disse aquelas palavras.
Senti a mão fria de Blaine escorregar pelos meus dedos e se soltar. Ele me olhou incrédulo e pude ver a mágoa em seus olhos. Eu estava prestes a começar a me desculpar, a explicar que não era a minha intenção quando...
– Você não deve culpa-lo, Blaine. – Ambos nos viramos para Sebastian. – Ele não pode resistir a tentação de beijar alguém vivo. Alguém que lhe de calor e prazer.
– Cala a boca, Sebastian. – Gritei e fechei os punhos. Blaine colocou o braço na minha frente.
– Eu entendo, Sebastian. E por mais que você tenha o beijado, ele me escolheu, não é? – Blaine sorriu. – E respondendo a pergunta, ele suspira sim. Agora eu tenho uma para você. Ele geme quando te beija? Ele diz que te ama em meio a sussurros?
– O que? – Falei olhando para Blaine.
– Você faz isso, ma belle. – Blaine riu.
Sebastian nos encarou, ainda com sorriso torto no rosto.
– Se você realmente o ama, deveria deixa-lo ir. Sabe que não poderá dar uma vida normal para ele. Nunca. – Eu peguei na mão de Blaine e a apertei firme.
Eu podia sentir seus músculos rígidos. Ele não tinha como responder a isso, porque era a verdade, não é? Blaine jamais poderia me dar uma família, mas eu não me importava.
– Qual é, Blaine, você quer mesmo passar por isso de novo? – Sebastian sorriu. – Você acha possível viver assim? – Blaine continuava parado, como se tivesse congelado. – Você já viu sua família morrer, Blaine. Você se lembra da dor. – Ele apontou para mim. – Quer revivê-la vendo Kurt morrer desta vez?
– Blaine... – Sussurrei, mas ele continuava estático.
Sebastian gargalhou e então vimos pessoas entrando em direção ao saguão. Aquele sorriso torto e sarcástico ainda estampava seu rosto, ele viu a movimentação e foi embora, com um leve aceno.
– Blaine, eu... – Tentei começar, mas ele me interrompeu.
– Aqui não, conversamos à noite, ma belle. – Ele me deu um beijo na testa e sumiu.
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