Kurt Hummel, O Mediador.
21 Capítulo 21
Notas iniciais
21
Eu tinha aulas importantes naquele dia, mas quem disse que eu conseguia me concentrar? Tudo levava a conversa que teria à noite com Blaine. E se ele resolvesse que era melhor ir embora, e deixar que eu tenha uma vida normal?
Mercedes, a única amiga que tive desde que cheguei aqui, notou que eu estava preocupado com alguma coisa e tentou me animar. Sem sucesso. Minha cabeça girava a mil, e ter Sebastian na mesma sala que eu não ajuda nem um pouco.
A manhã pareceu se arrastar, o tempo voltou ao seu modo econômico.
Mercedes me convidou para tomar um café em uma cafeteria à beira da praia. Eu aceitei. Precisava me distrair um pouco. Ficamos lá até o Sol começar a se por e o céu ser tomado por aquele tom de laranja. Aquilo sempre clareava minhas ideias, então eu simplesmente peguei o carro e dirigi até a casa de Sebastian.
Eu queria gritar com ele, e dizer que ele não pode simplesmente chegar e dizer que meu namorado não poderá me dar uma vida comum. Tudo bem que ele esteja certo, mas se ele pensa que destruindo Blaine fará com que eu fique com ele. Ah, ele está terrivelmente enganado.
Não demorei muito para chegar até a casa de vidro no topo da colina. Estacionei o carro ao lado do porsche prata de Sebastian. Desliguei o rádio, fechei os vidros e saí. Dirigi-me até a porta, toquei a campainha e esperei.
Uma das empregadas abriu a porta e sorriu. Ela me disse que Sebastian tinha companhia, mas que não teria problemas eu subir. Então eu fui. Subi as escadas e segui o corredor até o quarto de Sebastian. A porta estava entreaberta e eu ouvi uma voz bem, bem familiar.
– Não... – Sussurrei e continuei atrás da porta, ouvindo.
– Sebastian, já disse pra deixar pra lá. Kurt nunca vai ficar com você. – A dona da voz parecia estar cansada.
– NUNCA! – Sebastian gritou. – Eu te trouxe aqui para me ajudar, Fabray, não para ajudar o Gasparzinho.
E então eu cometi um erro, eu me escorei na porta e caí. Caí feio.
Os dois foram pegos de surpresa e ficaram sem reação. Só depois de alguns segundos que Quinn se ofereceu para me ajudar a levantar. Eu encarei os dois, completamente pasmo, sem saber o que dizer.
– Vocês... – Eu levei a mão à boca.
– Kurt, deixa eu... – Sebastian cortou Quinn.
– É isso mesmo o que pensa, Kurt. – Ele encarou Quinn. – Eu trouxe essa aqui de volta, mas ela é uma inútil. – Sebastian deu um tapa no rosto da Fabray, o que fez com que ela caísse.
– C-Como? – Falei, olhando Quinn no chão.
– Não presta atenção no que digo, Kurt? – Ele sorriu. – Almas podem ser recolocadas em corpos. – Ele apontou para a ruiva. – Foi exatamente o que fiz. Eu fiquei sabendo que ela era uma vadia, que descontava seu ódio em todos e que foi um espirito raivoso, ainda mais com você.
Quinn se levantou e se pôs ao meu lado. A mão no rosto onde Sebastian havia batido. Ela tinha a respiração acelerada e o cabelo completamente bagunçado.
– Me desculpe. – Ela sussurrou para mim.
Durante um tempo o silencio reinou no local. Sebastian encarava Quinn como se quisesse a cabeça dela em uma bandeja. E não duvidaria, nem ficaria surpreso se realmente quisesse isso. Eu me coloquei em frente a ruiva, de uma forma protetora.
– Vai proteger essa aí? – Sebastian riu com desdém.
– Ela provou estar ao meu lado, não? – Disse. – Você é ridículo.
– Vamos ver se sou tão ridículo quando fizer seu amiguinho sumir. – Aquele maldito sorriso irônico.
– Se você exorcizar ele, eu o trago de volta. Já fiz isso uma vez. – Disse determinado.
– Exorcizar? Isso é coisa de iniciantes, — Ele sorriu e baixou o tom de voz. – como você.
Ele apontou para mim e falou como se eu fosse uma criança.
– Se prestasse atenção no que lhe ensino, saberia exatamente o que irei fazer. – Ele sorriu mais uma vez, pegou um dos livros e apontou para um tópico. – Quarta dimensão lhe diz algo?
Sim. Eu entendia o que ele ia fazer e minhas pernas ficaram bambas só de pensar na hipótese de ele conseguir. Ele iria viajar através da quarta dimensão. Ele iria volta no tempo. Ele não precisava me dizer para qual tempo, eu sabia. Ele ia voltar para a noite em que Blaine foi morto, e iria salvar sua pele.
– Bela tentativa, mas você precisa de algo daquele tempo para poder viajar. – Disse, minha voz tremula.
– Isso é questão de tempo. – Ele riu com o trocadilho.
Eu comecei a tremer, não só de medo, mas de raiva.
– Você não pode fazer isso, é desumano. – Minha voz saiu mais fina do que o normal.
– Ah, e a sua ideia é humana, Kurt? – Ele largou o livro. – Acha que eu não sei o que pretendia? Colocar a alma de Blaine no meu corpo? Para que vocês tenham um final lindo e feliz? – Ele socou a mesa ao seu lado. – ISSO NÃO É UM CONTO DE FADAS, KURT!
Eu dei passos para trás até bater em uma Quinn completamente assustada. Ela também estava tremendo e seu olhar mostrava o pavor. Será que ela prefere o inferno a isso tudo?
– Você é doente. – Puxei Quinn pela mão até o corredor.
Ainda podia ouvir Sebastian gritar e bater nas coisas. Eu precisava ir embora dali, urgente. Nós estávamos chegando nas escadas quando um homem em cadeira de rodas surgiu na nossa frente. Quinn abafou um grito. Era o avô se Sebastian.
– Tenha cuidado com o meu neto, garoto. – Ele me olhava nos olhos, parecia mais lúcido que um jovem de 18 anos. – O que ele lhe ensinou não é certo. A viajem através da quarta dimensão é perigosa, pode causar danos no seu cérebro. Para sempre. – Quinn apertou minha mão.
– Obrigado pelo conselho, mas por que não diz isso ao seu neto? – Passei ao seu lado, chegando ao inicio da escada.
– Eu já tentei
Eu dirigi o mais rápido que pude até em casa. Entrei no quarto correndo e chamei Blaine. Não teríamos tempo para a nossa conversa de casal, precisávamos pensar em algo para conter Sebastian. Minha cabeça estava prestes a explodir se pensasse mais um pouco.
– Ma belle, fique calmo. – Ele me segurou pelos ombros. – Não tem como ele ir até lá. Ele precisa do tal objeto, e eu não vou o deixar conseguir.
– Promete? – Sussurrei olhando para o chão.
– Prometo. – Ele segurou meu queixo, fazendo com que olhássemos um nos olhos do outro. – Apenas relaxe, ma belle. – Ele me deu um beijo. – E eu até não me importo de ter beijado Sebastian, pois você só suspira com ele, mas comigo, Jesus...
Eu lhe dei um tapa e ele riu.
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