Kuromeido ( 黒メイド) II
11 O Retorno Liselotte
Notas iniciais
Alguns meses após nossa lua de mel, minha vida e de Undertaker voltou ao normal. A mesma rotina, os clientes, a correria dos funerais. Enfim, tudo voltou ao que era antes. Mas nas últimas semanas, não tenho me sentido muito bem, algo que preocupa Undy.
— O almoço estava ótimo — diz ele recolhendo os pratos e dando um beijo no topo de minha testa.
— Obrigado — digo me levantando — Eu... — antes que eu possa falar qualquer coisa, corro para o banheiro. Realmente estou cansada de vomitar tudo que como. Minha garganta já está em carne viva, e não tenho mais apetite. Acredito que emagreci muitos quilos também
— Lis — diz ele segurando meu cabelo — Você deveria ir ao médico.
— Eu estou bem — minto — logo passará.
Lavo o rosto e escovo os dentes. Undy vai para a loja, e eu decido tomar um banho. Enquanto me lavo, penso á quanto tempo me sinto assim. Suspiro fundo e me forço a ir no médico. Me seco e coloco um vestido longo de renda. Escovo meus cabelos e escondo uma pequena adaga no interior de meu vestido. Adentro a loja e vejo que Undertaker está atendendo um grupo de jovens barões, que me fitam maliciosamente quando percebem minha presença.
— Decide sair, querida? — diz Undy
— Sim, vou ao médico. — digo dando um beijo em sua bochecha — eu não demoro. Saio da loja e vou para o Submundo. Eles são os únicos que podem me atender.
— Liselotte Knight — digo para uma das balconistas do hospital.
— Oh! Senhorita Liselotte! É um prazer conhecê-la!- exclama ela — Por favor, me siga.
Ela me guia até uma sala médica, onde um médico jovem aguarda atrás de uma mesa.
— Doutor, Senhorita Liselotte está aqui
— Olá! Por favor, se sente na maca. — diz ele se levantando. A balconista sai da sala, e fecha a porta de leve. Eu obedeço o médico, e me sento na longa maca branca.
— Então, o que está sentindo? — pergunta o doutor se aproximando de mim.
— Eh... Dor de cabeça, enjôos, cólicas.
— Você parece cansada, e desidratada. Tem vomitado regularmente? — pergunta ele me fitando
— S...sim. Na verdade, toda vez que como.
— Entendo. Teremos que fazer alguns exames, tudo bem? Esses sintomas regulares não são comuns para nós. — Ele examina meus olhos e garganta minuciosamente. Retira meu sangue, e faz testes de pressão sanguínea e frequência respiratória.
— Senhorita, farei uma pergunta um tanto vergonhosa — diz ele — Teve alguma relação sexual nos últimos meses?
— Sim — digo envergonhada — Com meu marido.
— Tenho boas notícias... Mamãe — Fico confusa com sua frase, e o fito com uma expressão vazia.
— Você está grávida! — diz ele alegremente
— G...Grávida?! É impossível, eu...
— Algumas mulheres engravidam, mesmo com doenças como a sua. Parabéns!
— Mas... — murmuro — Isso.. Tudo que estou sentindo, são os efeitos da gravidez?
— Conclusivamente. E pelo seu estado atual, acredito que sejam gêmeos.
— Gêmeos? — digo alarmada.
— Exato. Calculo que esteja grávida á 5 meses.
— Mas... Como os sinais não vieram antes?
— Estudos apontam que os sinais em nós shinigamis são percebidos meses depois, por efeito de nosso corpo mais forte. Mas não é nada de se alarmar. Os bebês parecem extremamente saudáveis.
— E os enjoos? Irei senti-los até eles nascerem?
— Não, aqui. — ele me entrega uma receita médica — Tome esse remédio até eles nascerem. Diminuirá os enjôos, e deixará a gravidez mais calma.
— Obrigado doutor — digo com um sorriso.
— Volte quando eles nascerem, tudo bem? — ele me entrega um cartão com seu nome e número para contato.
— Obrigado novamente.
— Boa sorte Eles terão uma ótima mãe. — diz ele abrindo a porta. Saio do hospital e volto para o mundo humano.
Fico parada em frente á loja, pensando no que falar para Undy. Suspiro fundo e entro. Ele ainda está atendendo os jovens barões, mas quando me vê entrando, vai ao meu encontro, pousando as mãos em meus ombros finos
— Como foi? — pergunta ele animado
— Estou grávida — sussurro baixinho. Uma expressão animada toma seu rosto, e seus olhos detrás das mechas de cabelo se esbugalham.
— I...Isso... É... Eu estou sem palavras.. Eu vou ser pai? — diz ele recuperando o fôlego. — Quanto tempo? Algumas semanas? Ou... um mês?
— 5 meses. — digo — Gêmeos.
— Gêmeos? — exclama ele — isso...
— Podemos conversar depois, querido? Não faça esses senhores esperarem por minha causa
— T...Tudo bem... Descanse tudo bem? — ele me dá um beijo suave nos lábios. Vejo que os homens ainda me fitam maliciosamente quando atravesso a loja, e me sinto desconfortável com isso.Entro no compartimento interno, troco de roupa e me escondo debaixo das cobertas.
Pego no sono rapidamente, e sou acordada horas depois por Undy, que me dá um beijo de leve na testa. Olho para ele sonolenta, e balbucio algumas palavras sem nexo.
— Me desculpe, eu te acordei... — diz ele acariciando meu rosto.
— Tudo bem — digo — Não terminamos de conversar...
— Eu disse que você conseguia querida. Você não deveria questionar sua capacidade.
— Eu sei... Mas, tirando isso... Como cuidaremos de duas crianças? Ainda estamos pagando a lua de mel.
— Nós daremos um jeito, sempre damos.
— Eles vão nascer em 4 meses, não temos muito tempo. Onde eles irão dormir? Onde irão estudar?
— Podemos transformar o quarto de hóspedes. Escola é o de menos. Me preocupo com o fato de você se sobrecarregar cuidando de duas crianças.
— Eu consigo! Eu sei que consigo!
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