Kuromeido ( 黒メイド) II
12 Notícias By: Undertaker
Notas iniciais
Na manhã seguinte, eu acordei antes de Lis, e preparei o café da manhã para nós dois. Depois de arrumar tudo, volto para o quarto e me deparo com o quarto vazio. Não a encontro no banheiro, nem escondida nas cobertas. — Amor? – digo num tom mais alto.
— Querida, onde você está? – saio do quarto e a procuro na loja.
Nada. Nem na sala de chá, nem no escritório. Entro na Sala das Bonecas, e a vejo ajoelhada em frente à uma das jaulas, murmurando alguma coisa para a boneca, que está mastigando um pedaço de carne. Liselotte não nota minha presença, e continua falando com a boneca. Ela está falando uma língua que não compreendo, provavelmente grego. Lembro-me que foi dito algo que ela e seus irmãos foram criados falando grego, por conta do pai, e aprendeu nossa língua atual ainda adolescente.
— Lis? – digo me aproximando
— Undy … – ela se vira, e me encara com seus olhos verdes penetrantes.
— Você está bem?
— S...Sim... Eu... Apenas queria esfriar um pouco a cabeça. Desculpe, eu sei que você não goste que eu fique aqui sozinha. Eu só... – abraço-a com força, o que a faz suspirar fundo e relaxar.
— Está tudo bem, tudo dará certo. – digo – Por que não vamos tomar café? Eu preparei tudo.
— Você não precisa me mimar tanto – ela me lança um sorriso de canto e se levanta.
Após a refeição, abrimos a loja e atendemos os clientes. Há uma quantidade significativa de pessoas entrando na loja. Liselotte me ajudou a atender os clientes também, sendo impressionantemente gentil com as pessoas, algo incomum vindo dela.
— Disseram que a esposa do funerário está gravida – cochicha uma senhora do outro lado da loja usando um vestido azul.
— Pois é. Mas ela parece tão mais nova que ele. Com certeza é casamento por interesse ou algo do gênero – cochicha de volta uma mulher ao seu lado, que veste um vestido bege claro.
— Na verdade senhoras, temos a mesma idade – interrompe Liselotte séria – E se não se importam, poderiam evitar falar do que desconhecem quanto ao meu casamento? É um tanto deselegante para mulheres de classe como as senhoras.
— Querida, algum problema? – digo intervindo, após atender o último cliente restante – Necessitam de mais alguma coisa senhoras?
— Tão atencioso – suspira a mulher de azul. – Me diga, como conseguiu uma esposa tão bela e gentil?
— Maria! – exclama sua amiga.
— O destino apenas me deu uma trégua, e a trouxe até mim – digo tirando a cartola, deixando à mostra meus olhos.
As duas mulheres ficam surpresas com minha real aparência, e se apressam a sair da loja, cochichando sobre o quanto o funerário é bonito.
— Você faria muito sucesso com as mulheres humanas se deixasse à mostra toda a sua beleza. Elas até desejariam morrer para serem tocadas por você – diz Liselotte fitando meus olhos.
— Acha mesmo? – digo – E você chama a atenção de todos os barões de Londres. Ouvi muitos deles falando o quão bela minha esposa é. E todos tinham um tom malicioso na voz.
— Com essa altura, pareço mais sua filha – diz ela emburrada.
— Então, você é minha filhinha – digo erguendo-a no ar. A seguro na minha altura e beijo seus lábios com delicadeza.
A noite cai, e preparamos nosso jantar juntos. Enquanto comemos, conversamos, como o habitual.
— Precisamos decidir os padrinhos dos bebês – digo
— Padrinhos? Mas eles ainda nem nasceram!
— Eu sei, mas quero decidir logo. Tudo bem pra você?
— Hã... Está bem. Eu gostaria que Julietta fosse madrinha de um deles, juntamente com...
— Ciel – completo – Tenho certeza que ela irá concordar. — Tudo bem. Eh... Eu outro eu gostaria que fosse o Kim e..
— Grell. Eles irão dar bons padrinhos, e o Grell irá amar ser “madrinha”.
— Totalmente de acordo – diz ela sorrindo.
Convidamos todos os padrinhos escolhidos e mais alguns amigos para virem até a funerária, para contá-los a notícia. Todos que convidamos compareceram: Julietta, Ciel, Kim, Grell, Fred, Nyani, Agni, Soma e Levi.
— Agradecemos a presença de todos – digo – Chamamos todos vocês aqui pois temos uma notícia, e eu gostaria que todos soubessem de uma vez. Lis está grávida. Todos arregalam os olhos, e sorrisos formam em seus rostos. Fred se levanta e abraça Liselotte com força.
— Você vai ser vovô – murmura ela com lágrimas percorrendo seu rosto delicado.
Fred a solta e Jully a abraça. Depois que todos nos parabenizaram, anunciamos os padrinhos, que vibraram e aceitaram de braços abertos. Conversamos mais um pouco, e as pessoas vão indo embora aos poucos. Fred fica um pouco mais, conversando com Liselotte. Me junto à eles, e ouço em silêncio sua conversa.
— Lis... Eu... Estou tão feliz por vocês – diz Fred segurando as mãos de Lis – Sua mãe teria orgulho de você! Deveria falar com ela.
— Não quero que meus filhos saibam que a avó deles é maluca. – murmura ela.
— Lis querida. Eu sei que guardas rancor de sua mãe, mas tente falar com ela. Tenho certeza que ela sente sua falta.
— Fred, esse é seu único ponto fraco. Acredita demais nela. Eles não se importam comigo, desde sempre. E começaram a me odiar quando fui presa. Ainda não sei como não me desertaram.
— Lis, Lis. Você nunca vai mudar. Mas vejo que pelo menos fez as pazes com seu irmão. Percebeu que não é a única a sofrer pela morte de March?
— Nem me lembre isso. O fato é que eu sentia muita falta do Levi, mesmo que não admitia. Mas Fred... Desculpe por você não ser Padrinho. Eu sabia que era arriscado.
— Está tudo bem, querida. Seria um problema para todos nós. Eu não me importo.
— Afinal, vai ser avô. – diz Lis sorrindo.
— Liselotte Não se engane. Você sabe que não sou seu pai. Por favor, não minta para si mesma.
— Mas... Fred...
— Eu preciso ir. Até mais. Lis – ele dá um beijo em sua testa com carinho. – Cuide bem dela, tudo bem? – diz ele para mim. – Confio em você.
— Fred.. Eu...
— Ame eles querida. O destino pode não te agradar, mas ame o que você tem. – ele vai embora, deixando a funerária quieta novamente.
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