Kuolema Tekee Taiteilijan
3 The Reign
Notas iniciais
PARIS
19 DE DEZEMBRO
Ele corria, empurrando pessoas por todos os lados e murmurando alguns pedidos de desculpa apressados enquanto procurava o café no qual havia marcado de se encontrar com a moça. Pelas fotos, ela devia ter cabelo castanho, não ser muito alta e ter olhos verdes. E, além de tudo, ter os mesmos interesses que ele. Parecia milagroso ele achar alguém assim naquele momento.
Thomas não mais tinha humor para aguentar encontros aleatórios ou arranjados por seus (poucos) amigos. Desde que sua esposa morrera, ele era solitário. Afastara-se do mundo por tanto tempo que os amigos menos leais dele também desistiram. Poucos ficaram, e estes poucos notavam como a solidão o prejudicara. Estavam um por um casando, tendo filhos e ele ficava. Ele, que sempre parecera que seria o primeiro a se ajeitar. Sonhos destruídos, uma vida destruída por um motorista imprudente. E desde sempre seus amigos tentavam arranjar alguém para ele. Mas não era fácil – ninguém o compreendia e ninguém era bom o suficiente... Ninguém se parecia com Mary. E muitas que pareciam tão capazes a primeira vista de fazê-lo feliz desapareciam como fumaça ao ouvir que ele era viúvo.
Ele conhecera Mary ainda na escola, e depois de muitos meses tentando conseguira levar a garota tímida do interior para um encontro. Na época, ele ainda vivia na cidade grande. Nova York, a cidade que nunca dorme. Era um universo completamente diferente para ela. Ele a levou ao cinema. Mas nada acontecera naquela noite. Ainda assim foi lá, naquele mesmo cinema, na frente de algum filme de romance — que hoje ele admitia que só fora ver por que ela queria – que eles trocaram seus primeiros beijos. Ela fora seu primeiro amor. Não demoraram a casar. Preferiram se comprometer antes de ir para a faculdade, assim a distancia não os prejudicaria. E de fato, não prejudicou quando ele continuou na cidade cursando administração e ela se mudou para cursar medicina. Quando a faculdade acabou os dois finalmente passaram a viver juntos.
Até que um dia, um infeliz dia, ela saíra com destino ao mercado. Ele nem ouvira o que ela queria comprar, distraído com um programa besta na televisão. Estava chovendo, as pistas escorregadias, mas Mary era uma motorista prudente. Ele devia ter pensando que não dependia só dela, ele devia ter ido no lugar dela... Ele devia ter dito que a amava uma ultima vez antes que ela saísse de cada. E se remoía de culpa a todo instante por aquilo. Sabia que a muito deveria ter deixado isso para trás, mas algumas cicatrizes não desaparecem.
Era por isso que ele se inscrevera no site de relacionamentos. Precisava de uma distração, de alguém que pudesse preencher aquele vazio. Ou ao menos alguém que pudesse ignorar suas feridas e trata-lo como ele realmente era.
Ele empurrou mais um turista com uma câmera e murmurou mais alguma resposta ao telefone.
- Sarah, relaxe. Eu sei. Sim. Escute, os investigadores disseram que tentariam liberar o prédio mais cedo, eu tenho contatos na polícia também, vou pedir para agilizarem o processo. Nós vamos ter que correr um pouco mais, mas nada impossível. Já tive situações bem piores. Sim, escute, eu tenho... Uma reunião agora, eu tenho que ir, está bem? Sim, te vejo amanha. Tchau.
Ele suspirou. Mudara-se para Paris há cinco anos em busca de novos ares, de paz e agora um assassinato complicava sua vida. E ele pensou que aquelas coisas só o podiam assombrar na grande Nova York de sua adolescência...
Avistou por fim o café no qual deveria se encontrar com a moça. Era bem próximo a torre Eiffel, o que explicava a grande movimentação. Ele olhou a sua volta, procurando-a. Estava atrasado.
- Thomas? – ele ouviu a voz atrás de si, e se virou bruscamente.
Por um segundo ele a encarou, sorrindo. Ela se parecia tanto com... Péssima hora para se lembrar da ex-mulher, Thomas – pensou. Os cabelos castanhos curtos, a franja presa... Os olhos assustadoramente claros o encarando com curiosidade e o doce sorriso nos lábios dela, tudo o hipnotizava.
— Oi! Elizabeth, não é? – ele se inclinou para apertar a mão dela. Ela era realmente muito mais baixa que ele.
— Sim, sim! Ahm... Bom te conhecer.
Ele riu com a estranheza do momento, mas não era a primeira mulher que ele conhecia através de sites de relacionamento.
- Hey, olhe, estamos usando gorros iguais! – ela apontou, rindo. – Temos bom gosto, no mínimo. Lã é bem quente, e está cada dia mais frio.
- Fora o azul, que ressalta nossos olhos – ele riu zombando de novo. Aquela conversa não o estava ajudando. Ele comprara aquele gorro há muitos anos, poucos dias antes de... De se casar com Mary. — Quer ir pegar um café? – ele apontou para dentro da pequena loja. Ela assentiu.
- Melhor.
‘’I'll move on to another place
From my memories unmade
I'll hold on and my heart will find you there
Love will shine free forever’’
Notas finais
Depois... Bom, acho que é só... as coisas vão começar a esquentar por aqui HAHAHA
Um beijo,
Ju
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