Knightmares
2 Carta
Notas iniciais
"Eu estava andando, tranquila, no meio de uma floresta. Até que eu ouvi uma voz. Ela gritava "Socorro! Eu não consigo sair!". Eu corri para tentar ajudar. Corri, corri, mas... parecia que eu não saía do lugar. Parecia que eu estava sob um esteira porque o cenário era sempre o mesmo. Aquelas árvores, aquela estrada. De repente, tudo ficava cada vez mais longe, até que eu resolvi fechar meus olhos bem forte. Quando eu os abri, estava de frente para uma mansão e havia um casal e vários tipos de... empregadas? Sim. E eu vi ele. O menino. Estava de terno, e não com a bermuda e chinelo de antes. Até que ele começou a falar "Socorro, não consigo sair." Era a mesma voz que eu havia ouvido na floresta. Ele ficou repetindo essa frase várias vezes e cada vez que ele falava, ele aumentava mais o tom de voz. Até que as empregadas sacaram várias pistolas e o casal sacou um fuzil. E ele começou a chorar, gritando a mesma frase. Eu gritei e pedi para que eles não atirassem e corri. Mas aconteceu a mesma coisa que houve na floresta. O cenário não saía do lugar, até que um momento, saiu. E eu corri. Quando eu estava perto de tocar a mão dele para puxá-lo dali, eu ouvi o disparo, e acordei."
– Ai!
Helena se levanta, respirando forte. Estava surpresa, chocada com o que havia sonhado. Não conseguia entender o por quê daquele sonho. Por quê uma mansão? Para quê as armas? E por quê o menino de terno no meio daquele casal? De qualquer forma, ela não conseguia mais dormir, pensando naquilo tudo. E ainda eram 3 horas da manhã. Ela resolveu levantar devagar para não acordar seu Jerônimo e seus irmãos. Pegou o uniforme de todos e os passou. Depois pegou as mochilas e arrumaram com tudo. Primeiro as dos irmãos e depois do seu pai. Helena viu que a mochila estava empoeirada e resolveu sacudí-la. Quando ela fez isso, caiu dois papéis. Ela os pegou do chão e os olhou. O primeiro papel era uma fotografia de sua mãe, que faleceu quando seu irmão Mateus completou 2 anos de idade. Ela olhou aquela foto. Se lembrava de como sua mãe era gentil, amável com todos e de como ela se esforçava para nunca ver seus filhos morrerem de fome. De um lado, a morte dela trouxe seu lado bom. Seu Jerônimo parou de gastar dinheiro nos bares, arrumou emprego e luta para sustentar praticamente sozinho toda a família. Ela colocou a foto com cuidado de volta na mochila de seu pai e pegou o segundo papel. Um pedaço de papel surrado, amassado, rasgado e velho, que parecia ter mais de vinte anos. Aparentemente, era uma carta ou telegrama. Estava tudo manchado com a tinta da caneta, mas havia uma parte intacta. Um nome.
"Mercedes Knightmare"
Helena franziu a testa.
– Hein? Mercedes Knightmare? Que tipo de nome é esse? Parece nome de... — Helena olhou para os lados e falou baixinho. — Parece nome de prostituta. Esses nomes esquisitos que elas inventam quando ficam ricas. Hum... Ah, mas isso parece ser de anos atrás. Até que Helena se lembra do que seu professor disse. Que ela deveria levar objetos e documentos antigos. Ela coloca dentro da sua bolsa e joga algumas roupas para que seu pai não perceba.
– Desculpe, pai. Mas eu vou precisar da cartinha da "Mercedes Knightmare".
Quando deu seis horas, ela acordou seu pai.
– Paizinho? Seis horas. O café está pronto e você tem que ir.
Seu pai acordou, como uma criança prestes a ir a um passeio. Tomou um banho rápido, pegou o café, que estava em um copo de plástico, pegou sua mochila e saiu correndo.
– Tchau filha, tchau crianças.
– Mas as crianças ainda não acordaram. — Disse Helena rindo. — Mas está na hora de acordar duas delas.
Helena acordou Lorena e João.
– São seis e meia!
Lorena acordou, já bocejando.
– Graças a Deus moramos perto da escola. Podemos acordar uma meia horinha antes.
– Sim.
Então, os irmãos acordaram e fizeram a mesma coisa que o pai. E saíram. E assim foi até Helena acordar Mateus. Quando todos já haviam ido para a escola, Helena pegou o papel dentro da bolsa e leu novamente aquele nome. Tomou um banho rápido e saiu para a casa do seu professor.
– Quem será?
O professor ouve as batidas da porta e vai em direção, com a xícara de café nas mãos. Quando abre a porta, tem uma surpresa.
– Helena? Nossa. Olá, eu nunca pensei que você viesse na minha casa.
Helena estava envergonhada, passando a mão nos cabelos negros e lisos.
– Pois é, professor. Acontece que...
– Por favor, Helena. Na minha casa você não precisa me chamar de professor. Me chama de Rodrigo.
– Ok, Rodrigo. — Helena riu, mas se conteve. — Então, achei uma coisinha antiga do meu pai.
– Entra, por favor.
– Obrigada.
Helena ficou admirada com a casa de seu professor. Era toda bem arrumada, com móveis tão bem cuidados que pareciam novos. Ele a levou para o seu escritório.
– Não repara na bagunça, Helena. Estava trabalhando.
– Que isso, profe.. é... Rodrigo.
– Então, senta aí. O que você achou?
– É uma espécie de telegrama ou carta antiga. Parece que tem mais de vinte anos. Deve ter data e tudo, mas tá tudo manchado. Só tem um nome que tá intacto. Olha. Rodrigo pegou a carta e a viu. Quando ele leu o nome que estava escrito, ele arregalou os olhos.
– Knight... KNIGHTMARE?!
Helena se assustou com o olhar do seu professor.
– O quê? Você sabe alguma coisa sobre essa mulher?
– Olha Helena, sobre essa mulher, eu não sei. Mas Knightmare é uma família de elite da cidade de Winchester, na Inglaterra. Hoje em dia restaram poucos membros da família, basicamente 5 pessoas. Um casal sem filhos e um outro casal com uma filha. O patrimônio dessa família chega a ser mais de 900 milhões de euros! E a herdeira legítima é a filha do casal, Lauren Knightmare, que está noiva de um outro cara que também é rico. Só quando ela se casar, claro, terá direito ao dote, que é cerca de 30% da herança. Mas também é uma família que causou um certo impacto negativo. Tudo começou cerca de 1890, quando surgiu um cara no Parlamento inglês, Henrisson Benz. O cara por onde passava, causava medo na população de Winchester, porque andava sempre sob escolta de soldados. Quem ele achava indigno, ele mandava os soldados espancarem, prenderem ou até matarem. Geralmente eram os estrangeiros, negros e pessoas de classe baixa. Ele fazia de uma tal forma que ninguém do Parlamento sabia dessas chacinas. Ele era tão frio e cruel que ficou conhecido como "Nightmare", que significa "pesadelo" em inglês. Até que um jornalista local, teve seu irmão morto e sua mãe espancada por serem mexicanos. Ele divulgou na manchete do jornal do qual trabalhava e foi o exemplar mais vendido de todos. Até que esse mesmo jornalista foi assassinado no dia seguinte pela manchete e teve seu corpo amarrado em uma praça da cidade. Ele inventou para os parlamentares que ele havia estuprado uma criança e por isso, recebeu pena de morte. Mas a mãe desse jornalista reuniu todos os feridos por Nightmare e foram até o Parlamento protestar. Muitos levaram exemplares do jornal. Não eram poucos os que Nightmare ordenou que espancassem, e o pior: dentre todos eles, haviam três espancados que eram parentes de parlamentares, mas que Nightmare mandou espancar por serem colombianos. Os soldados foram condenados à prisão perpétua e Nightmare foi executado. Mas ele havia deixado um herdeiro na barriga de sua esposa, que estava em Cambrigde, onde seus pais moravam. Ela, para preservar o legado do seu marido, que pensava ela que era um homem bom e que mataram-o injustamente, deu o nome do seu filho de Andrew Knightmare Benz. Com o passar dos anos, a história foi sendo revelada e contada em todos os lugares. Quem limpou completamente o nome da família, foi o sucessor de Andrew, Logan Knightmare, que se tornou Parlamentar e fez ao contrário do seu avô e salvou muitas vidas da morte, deu oportunidades a quem não tinha. E assim, a pequena cidade de Winchester cresceu considerávelmente. Fazendo os necessitados ganharem dinheiro, Logan recebeu de volta como recompensa, e foi guardando tudo que ganhava até a chegada do seu filho, Charlie, avô da Lauren. Charlie estudou na melhor escola da Inglaterra e estudou na melhor faculdade também e seguiu o mesmo legado que seu pai. Aquela família se tornou elite bem rápido. Mas aparentemente, são diferentes dos outros da elite inglesa.
Helena se levanta.
– Olha, Rodrigo. Não tem a possibilidade de alguém dessa família conhecer meu pai. Ele é um peão de obras. Não acredito que tenha sido um deles. Na minha opinião, isso é algum nome artístico.
– Podemos investigar. — Diz Rodrigo, com um sorriso. — Sabia que dá para ler o que tem nessa carta?
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