Knee Socks – Interativa
3 Serial Killer
Capítulo 3
Baby, I'm a sociopath,
Sweet Serial Killer,
On the warpath,
'Cause I love you
just a little too much,
I love you just
a little too much.
Lana Del Rey, Serial Killer.
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A noite está fria e sombria, envolta em uma estranha névoa misteriosa. Como na noite de um filme de terror psicológico, do tipo que Primel havia visto várias e várias vezes com Himawari. A mais velha gostava de assisti-los porque era uma das poucas oportunidades que poderia passar um tempo normal com Primel, rindo de como aquilo era "idiota e fora da realidade". A menor se perguntava como era possível Hima rir de uma coisa como aquela; mesmo tendo maturidade de uma pessoa de 20 anos, Prim ficava tensa quando o "monstro" aparecia.
— Sentindo falta da Frau, Prim-chan? — Hasu pergunta, se intrometendo nos pensamentos da garota de 14 anos.
— Não. Vamos continuar a busca. — Primel friamente diz, se levantando do banco da praça onde estavam, com a voz cheia de mentiras. É claro que ela sentia falta de Himawari. A cidade estava calma, já que eram três da manhã de Domingo. Porém Prim estava com a mente nas alturas; onde raios Frau Hima tinha se metido? Ela sabia que Himawari era complicada, mesmo que fosse um gênio quando se tratava de liderar a Niwa; ela estudava política desde que nascera. Mas Himawari era um imã para problemas, e isso deixava Prim preocupada; se Hima morresse, o que seria dela? Não, o que seria da Niwa? — Hakonuma-san, diga para a Azami procurar uma mulher chamada Hori Chie. Qualquer que seja o pagamento que ela deseja em troca do paradeiro da Frau, aceite sem pestanejar. Se for preciso, a ameace.
— Mas e se a Frau estiver morta--?
— A Hima nunca me deixaria! — Prim praticamente grita, sem se virar para encarar Hasu. O olho sonolento esquerdo cor-de-rosa da garota se transforma no kakugan; assim como a Frau, Prim era uma ghoul de um olho só. Primel respira profundamente, pois percebera que havia gritado e isso alertaria quaisquer inimigos próximos, e o kakugan some. — Escute. A Frau é uma idiota, mas ela é uma idiota que se importa conosco. Então se os Doves mataram ela, — Há dor na voz de Prim quando ela diz a palavra "mataram" — possivelmente a Hori vai saber. Porém, vamos apostar todas as nossas fichas de que a Frau esteja viva, certo? Agora vá.
Hasu obedece sua superior sem dizer uma única palavra. Leiter Primel Dinter poderia ter 14 anos, mas ela havia aprendido com Frau a mostrar seu "olhar de demônio" — como Hasu costumava dizer para irritar Himawari — melhor do que ninguém. Aquele seria um longo dia para o Führ Hakonuma e para Azami.
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Centro do CCG, Distrito 1.
8:46 | 15 de Dezembro de 2014.
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Himawari não estava acostumada a ter a companhia de um homem da sua idade. Hasu não contava como "homem da sua idade" simplesmente porque, diferente de Sasaki, Hasu parecia uma garotinha chata. Além de que ele era gay, não vamos nos esquecer disso. O problema era que Haise provocava aquilo nela; era como se ele fosse de outro planeta, um extraterrestre bizarro que era obrigado a persegui-la. E sim, Himawari detestava aquilo em Sasaki.
— Você ficou mais bonitinha com cabelo curto, Hanashi. — O rapaz sinceramente a elogia, mas Himawari o ignora. Ela sabia que ele estava tentando ganhar a confiança dela e se tornar seu amigo, porém mesmo assim ela tinha um pé atrás com o Investigador. A garota fica com cara de paisagem enquanto Haise lhe dá um sorriso amigável. — Hima, você me ouviu?
— Hm. — E Hima tinha que concordar com Haise. Ela tinha gostado do cabelo curto e escuro; reduzia o trabalho e era fácil de cuidar, além de que sua taxa de flertadas na rua havia reduzido consideravelmente. O problema era que ela ainda precisava enxotar os que haviam ficado. — Vamos ver a Hana hoje?
— Hana...? Você quer dizer a Schluter?
— É.
— Como você a conhece? — Haise pergunta, surpreso. Não se lembrava de ter dito nada para Himawari a respeito de Hana ou Ibara, sendo que a garota não deveria conhecê-los até o tal dia. Fazer surpresa, talvez? Sasaki estava disposto a fazer Himawari abrir uma brecha e deixá-lo ser seu amigo. Nem que fosse preciso virar o "Sasério" para isso. Haise não entendia o porquê de gostar tanto da companhia de Himawari; ela o socava por qualquer coisa e o xingava, e aquilo o irritava demais. Porém, ele independentemente continuava a ficar ao seu lado sem ele mesmo souber a razão. Era como ele estivesse disposto a torná-la uma de seus "filhos".
— Você é um idiota, Sasaki. — Himawari bufa e Haise dá uma curta risada nervosa. — Eu conheci a Hime. É claro que ouvi falar da Hana. — Schluter Hana era possivelmente a melhor amiga que alguém como Otohime poderia ter, visto que a garota havia falado sobre ela tanto que Hima tinha se cansado do nome de Hana. Himawari cruza os braços, um tanto irritada. A ghoul estava começando a achar que estava virando uma tsundere, se incomodando com tudo e xingando pessoas. — Então? Quem são os investigadores envolvidos além da Hana?
— Ah, tem o Esquadrão e o Ibara.
— Só isso?
— Também tem o Shinimaru...
— Quem é esse cara?
— Ele é uma das pessoas com mais possibilidades de se tornar alguém como o Arima-san, o problema é que o Shinimaru-san é um pouco... Sádico. Além de dizer que ele tem uma espécie de obsessão pela Ceifadora, uma ghoul que apareceu no Distrito 4 há alguns anos. Conhece?
— Já ouvi falar. — Himawari se limitou a dizer mais algo sobre a Ceifadora. Naturalmente ela conhecia a Ceifadora melhor do que ninguém; afinal, Azami era uma de suas subordinadas favoritas e membro dos Führungskraft — os mais fortes da Niwa, depois da Frau e da Leiter. Se dissesse que a conhecia, isso poderia comprometer os negócios da Niwa com a Aogiri devido as perguntas que Sasaki lhe faria. Hima precisava ficar atenta.
A sala em que Haise e Hima esperavam o grupo de Investigadores era relativamente pequena. Haviam vários papéis jogados numa de uma das mesas, fichas de ghouls e de humanos suspeitos. Também tinha um computador ligado, mostrando a caixa de emails de Sasaki cheia, sendo que a mensagem que mais chamara a atenção de Himawari fora um email do eBay, informando a compra de vários action figures. Uma tela branca estava presa na parede, cheia de fotos e palavras espalhadas — possíveis teorias sobre o Décimo Quarto Massacre. Himawari estava sentada em uma cadeira, com as pernas jogadas em cima de uma mesa enquanto jogava Candy Crush no celular roubado de seu companheiro de time, que lia um livro emprestado ao mesmo tempo que mantinha os olhos cravados na mulher.
— Que dia é hoje? — Repentinamente Haise a questiona, fazendo Himawari finalmente levantar seus olhos e olhá-lo. Tinha pausado o jogo, já que não queria perder a pontuação que lutou para ter.
— Quinze.
— Da semana?
— Segunda, por que a pergunta?
— Estava pensando sobre o Massacre agora. Já fazem 13 dias desde que ocorreu e nenhuma pista até agora. Sei que somos os únicos envolvidos nisso, mas é estranho. Ninguém se interessou muito pela morte de 20 investigadores...
— De Terceira Classe. Novatos, você quer dizer. Geralmente, nós, ghouls, escolhemos atacar doves desse tipo porque eles não dão problema, já que a maioria fica apavorada com a nossa presença. Porém, matar vinte deles sem nenhuma razão não é só curioso, mas como também me parece coisa de psicopata.
— Você quer dizer que o culpado pode ter esse problema?
— Há essa possibilidade.
— Isso só piora as coisas. Caso ele seja realmente um psicopata com tendências de serial killer, será muito difícil encontrá-lo. Não há nenhuma pista cena do crime, nenhuma mordida nos cadáveres ou DNA. Iwasaki-san fez a necrópsia de uma das vítimas e não encontrou nada além de restos que indicam que o culpado é um ghoul, além de que nenhum dos fios que ligavam os corpos no teto tem resquício de impressões digitais.
— Nem impressões das vítimas?
— Nada além do sangue dos investigadores.
— Hm... Nós poderíamos começar a investigação por lá. Ouvi dizer que os corpos foram encontrados em um galpão de aviões, estou certa? — Sasaki assente e Himawari continua. — Então isso significa que há a possibilidade de que o culpado tenha acesso livre ao aeroporto e aos galpões, ou talvez uma relação com uma das pessoas que trabalham lá. Já que, certamente, é impossível trazer 20 corpos sem ser visto pelas câmeras.
— Com licença. — Uma pessoa diz, entrando na sala de repente.
É uma garota, e ela bate perfeitamente com a descrição que Hime havia dado a Hima. A possível "Hana" tinha uma aparência doentia; pele um tanto esverdeada e descascando, além de profundas olheiras embaixo nos olhos quase brancos de tão azuis e sem pupila. Seu cabelo preto era cortado de forma irregular, curto. Ela era extremamente magra, como se não tivesse muita carne no corpo, e absurdamente baixinha. O uniforme cinzento de Investigadora lhe parecia muito grande, mesmo que possivelmente aquele fosse o menor numero que eles tinham.
— Meu nome é Schluter Hana, Investigadora de Primeira Classe.
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Restaurante Big Girl, 20º Distrito
9:32 | 15 de Dezembro de 2014
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— Olá, Hakonuma-san, Akura-san! — Hori diz, cumprimentando os dois ghouls que "apreciam" dois grandes sanduíches. Azami suspira várias vezes, tentando ignorar o gosto horrível da comida humana em seus lábios. Não gostava de missões "chatas", mas Prim havia pedido para que ela e Hasu trabalhassem em equipe para arranjar informações sobre a Frau, e Azami não conseguia dizer "não" para Primel. Entediada, a garota assente com a cabeça enquanto Chie se senta, sorrindo. — Depois daquele probleminha que a Frau-chan teve, pensei que vocês nunca mais iriam buscar meus serviços!
— Tá, tá. Vá falando o que sabe.
— Em troca do quê?
— Dinheiro. Temos muito dinheiro. — Azami diz, sorrindo e entregando uma maleta escura para Hori. A baixinha rapidamente a pega, curiosa para saber o quanto receberia, porém ela é impedida pela senha. — Nananinanão. Você só vai receber o seu pagamento depois de nos dizer o que sabe. E estamos sendo bonzinhos; há outros informantes melhores que você que adorariam receber essa grana.
— Tá, tá... Vocês me pegaram. Eu conto. — A mulher mais baixa dá um suspiro derrotado, entregando várias fotos para Azami e Hasu. São um conjunto de seis fotos, sendo que Azami fica com três e Hasu também. Uma delas é a foto de Frau sendo levada para o Centro de Detenção Ghoul, sorrindo e calmamente andando. A outra é de Himawari novamente, porém ela está em plena avenida andando ao lado de um rapaz que Azami não reconhece. A outra foto está borrada, porém é possível ver uma mulher de cabelo curto andando. — A primeira foi tirada há duas semanas atrás.
— Bate com a época que a Frau está desaparecida. Quer dizer que ela está presa? — Hasu pergunta, fitando a foto, sem entender direito. Himawari era uma ghoul perigosíssima; por que a deixariam viva?
— Estava. A segunda foto parece ter sido tirada recentemente, olhe. — Azami entrega a foto para Hasu, que concorda com a cabeça. Ela percebe que era exatamente isso o que Chie iria dizer segundos antes.
— Quem é o cara? — Hasu pergunta, curioso; Frau era conhecida por detestar a companhia de homens.
— Sasaki Haise. Ele é Investigador de Primeira Classe, chefe do Esquadrão Quinckes. — Chie responde prontamente, e Azami percebe que ela estava correta; os cabelos bicolores de Haise eram inconfundíveis. Hasu se remexe na cadeira; havia tido um problema com o Esquadrão dias atrás. — Ele anda sendo visto muito com a Frau-chan, sabe?
— Isso é estranho. A Frau nunca foi o tipo de pessoa que gosta de sair em público, nem o tipo de pessoa que gosta de se relacionar com homens. Será que ela está sendo obrigada a alguma coisa?
— Talvez eles achem que a Frau tem algum tipo de informação crucial. Ela é a que mais conhece o lado negro dos distritos; se tem uma pessoa que conhece o mundo Ghoul, é a Frau.
— Mas porque a prenderiam? Talvez eles...
— Talvez os Quinckes estão querendo arrumar briga com a Niwa?
— Não. O CCG não tem conhecimento da identidade da Frau-chan como chefe da Niwa e associada a Aogiri Tree; eles pensam que a Hima-chan é apenas a Equidna, uma ghoul qualquer e que só sabe demais.
— Hm... Ren, o que você pretende fazer? — Azami pergunta para seu parceiro; ele era o mais forte do Führungskraft e superior dela, que era a segunda. — Prim-chan vai ir atrás do CCG?
— Não... A Primel é inteligente e sabe não teria chances contra o CCG sozinha, então ela pediria ajuda para a Aogiri. Mais especificamente, para o Ayato e para a Hinami. Resgatar a Frau vai ser mais difícil do que eu pensava.
— Ué. Vocês não sabem da notícia? — Chie repentinamente pergunta, desentendida.
— Notícia...?
— O Ayato foi encontrado morto no Centro do CCG.
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