Knee Socks – Interativa
4 Elastic Heart
Capítulo 4
But there were so many red flags
Now another one bites the dust
Yeah let's be clear I'll trust no one
Sia, Elastic Heart.
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Quartel General da Niwa, Distrito 4.
7:32 | 16 de Dezembro de 2014.
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― Hey, Prim. Tenho notícias da Frau. ― Primel ouve Azami dizer, porém ela já havia percebido a presença da menina de cabelos negros. Hima sempre dizia que Prim tinha um tipo de sexto sentido ghoul, sendo que ela praticamente sentia a pressão do corpo das pessoas no ambiente. Não era verdade, obviamente; Prim simplesmente tinha uma boa audição. Ela conseguia ouvir os passos, os suspiros... Era um talento útil, muito obrigada, e fora isso que tinha feito ela se tornar Leiter. Além de que, é claro, o fato de que a Frau simplesmente a considerava sua irmã e que confiava nela mais do que confiava em si mesma. E isso vindo de Himawari era tão raro quanto encontrar uma fina agulha em um palheiro.
― Boas ou ruins? ― Brevemente, Prim hesita. Rezara a noite anterior toda para que sua "irmã-mãe" estivesse viva. Todavia, parecia um sonho impossível; Himawari era perigosa, um ghoul com um poder daquelas proporções estava na lista negra do CCG. Sentada naquela cadeira de couro que outrora pertencera à Hima, Prim olha para as pinturas dos chefões anteriores em busca de coragem. Todos os anteriores a Hima eram homens; Herren poderosos que tornavam a Niwa uma organização temida e conhecida pelos humanos, mas que por um infortúnio a tornaram propensa a um golpe. Traidores, ladrões, mafiosos, ghouls... E o maior medo de Prim era ser a próxima naquele hall dos horrores. Himawari parecia ser a única pessoa que tinha o perfil para isso, enquanto Prim era apenas uma garota-ghoul de 14 anos idiota que tivera a má sorte de sofrer um acidente.
― Bem... Tem uma boa e uma ruim, para ser sincera.
― Comece pela boa, Azami. Não estou no humor de receber notícias ruins a essa hora da manhã.
― Eh... Bem, a Frau está viva. ― O peito de Primel se esvazia em um longo suspiro de satisfação e alívio; suas preces foram ouvidas e a Frau estava viva, possivelmente bem. Não havia mais o risco de subir na hierarquia da Niwa e ela poderia, finalmente, queimar o quadro ilustrando o rosto sorridente e pomposo de Himawari que ela mesma fizera caso acabasse morrendo precocemente.
― Ótimo. ― Prim simplesmente diz, com um mínimo sorriso.
― Mas... ― Azami hesita. Prim percebe que ela estava pensando em como lhe dar a notícia ruim sem que a Leiter se irritasse, mas a garota estava calma o suficiente para receber a bomba. Se Hima estivesse bem, Prim estava bem. ― O Senhor... O Senhor Ayato está morto.
Choque é o que passa pelos olhos rosados de Primel, que pisca várias vezes como se estivesse tentando processar a notícia. Ayato estava morto? Impossível; ele era um dos ghouls mais fortes que Prim conhecia, e sua morte parecia tão ridícula aos olhos de Prim que ela se controlou para não rir da afirmação. Mas então ela percebeu ao olhar nos olhos de Azami ao virar sua cadeira. Ela estava falando sério, o que significava que Ayato realmente estava... Morto.
― Me perdoe, mas não é meramente possível que o Senhor Ayato esteja morto. Possivelmente você recebeu uma informação falsa ou algo do tipo, Azami.
― Leiter Primel, é verdade. O corpo dele foi encontrado nos portões do CCG, tanto que apareceu na televisão. Nosso maior aliado na Aogiri faleceu. E...
― E? ― Havia petulância e nervosismo na voz de Prim, o que fez Azami se lembrar de Himawari; se a Frau estivesse ali, seria exatamente como ela agiria diante daquela notícia pavorosa.
― A Frau Himawari Washuu está sob custódia do CCG, vigiada pelo investigador de primeira classe Sasaki Hai... Se...? ― Azami é interrompida pela reação da Prim; ela havia se levantado, sem mais nem menos, da cadeira e começara a correr desesperadamente até a porta em silêncio. Azami nada fez além de segui-la, sabendo exatamente o que Prim iria fazer.
Ela iria planejar uma invasão ao Centro do CCG.
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Centro do CCG, Distrito 1.
7:32 | 20 de Dezembro de 2014.
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Se há uma única coisa que Himawari gosta em Haise é que ele se cala rápido.
Sua segunda noite no apartamento do Esquadrão não fora tão ruim quanto a primeira, visto que dessa vez não precisaria dividir o quarto com Sasaki ou tomar todo o cuidado possível para que não fosse descoberta. Sua colega de quarto temporária, Saiko, não lhe fazia muitas perguntas e se concentrava mais em seu jogo do que nela, e isso agradava Hima. Além disso, ela se sentia mais confortável em dividir o quarto com outra mulher; aquilo lhe lembrava as noites que passara trabalhando com Prim, ensinando-a sobre investigação criminal e jogando qualquer jogo disponível. O último era uma das coisas idiotas que Hima adorava fazer simplesmente porque aquilo incomodava Prim, já que ela quase sempre perdia. E mais: Saiko parecia ser o tipo de pessoa com quem Himawari se daria bem, mais cedo ou mais tarde, já que ambas gostam do mesmo tipo de jogo.
― Recebemos autorização do aeroporto para investigar a cena do crime. Aparentemente, eles nem mexeram na "obra digna de Da Vinci". ― Haise diz, entrando na sala onde os investigadores e Hima se concentravam. Ao menos, eles se concentravam; a mulher estava muito ocupada jogando Candy Crush no celular de Sasaki.
― Hm. ― Hana faz, desinteressada. Ela sempre estava desinteressada, então isso não surpreendia a ghoul.
― Ah, Sasaki. Encontrei um padrão dos ataques. Todos os ferimentos se concentravam no centro do torso, na direção do coração. Além disso, todos eram mulheres. ― Otohime diz entregando uma papelada para Haise, que sorri. Hima odiava quando ele sorria, porque aquilo a lembrava da maneira que Kaneki costumava sorrir para Touka, e aquilo a irritava. Muito.
― Alguma novidade, Hima? ― Ela sabia que ele iria perguntá-la sobre alguma coisa; era típico dele. Haise sempre perguntava aquilo, independente do horário ou ocasião. Para Hima, era a forma que ele encontrara de perguntá-la como ela estava.
― Não. ― "Só o fato de que eu acabei de bater o seu recorde, cara de sapo." Hima quase diz aquilo, mas não queria ouvir risadas logo naquele horário. Estava de péssimo humor, e aquilo era visível. ― E não me chame de Hima.
Haise sorri, um tanto envergonhado ("como sempre", Hima acrescenta mentalmente), e continua a ouvir os investigadores. Himawari detestava Sasaki. Realmente o odiava. Odiava a forma como ele tentava conversar com ela. Odiava o quanto ele se esforçava na investigação. E principalmente odiava o fato de que ele a lembrava tanto Kaneki, que chegava a ser assustador. Até mesmo o cheiro era parecido. E isso a fazia se irritar ainda mais com o homem de cabelos bicolores.
"Estúpido" Ela pensou, furiosamente apertando as teclas do celular que também tinha aquele cheiro. O quanto mais ela tentava esquecer do passado, mais ele a perseguia. Era detestável.
Hima se levantou da cadeira uma hora depois, simplesmente porque iria para o tal galpão da cena do crime. Estava de péssimo humor, mas aquilo não atrapalhava em nada suas habilidades de investigação. Tinha um trabalho a fazer, sendo que sua recompensa seria finalmente esquecer de tudo; dos ghouls, dos humanos, do CCG, do Anteiku, de Kaneki... Talvez em uma vida nova, ela fosse mais feliz. Entrando no carro, ela percebeu que a bateria estava acabando; o que significava que ela seria obrigada a "socializar" com alguém, coisa que Hima não tinha a mínima vontade de fazer.
― Onde está o tal Ibara? ― Com uma expressão carrancuda, Himawari pergunta para Sasaki enquanto observa os outros investigadores e o Esquadrão se afastando, indo na direção do galpão de aviões. Lugar estranho para um crime, mas Hima não se importava muito.
― Na cena do crime. Você poderia me dizer por que está tão irritada? ― Himawari não responde de imediato, apenas olha para o outro lado. Anos antes, Kaneki tinha feito aquela mesma pergunta, numa manhã como aquela, com aquele mesmo tipo estúpido de preocupação. Como se houvesse a possibilidade de que ele se importasse com o bem estar dela.
― Não é da sua conta.
― É claro que é da minha conta, Himawari. ― "Idiota" ela pensa, e coça o nariz com a manga da camisa. Haise não tira os olhos dela nem por um milésimo de segundo, e aquilo faz com que uma minúscula parte dela se sentisse constrangida. ― Eu estou responsável por você; eu tenho que saber disso.
― Você não é meu dono, Sasaki Haise. ― Ela diz o nome dele com cautela, lentamente. Era uma clara ameaça disfarçada da ex-Chefe da Niwa, especialista naquele tipo de coisa. Ela era uma assassina, afinal de contas, e a melhor em sua área. ― E convenhamos; você não tem nada a ver com a minha vida pessoal.
― Me diga. ― Ele a interrompe antes que Hima se afaste, e ela o olha de maneira ameaçadora. ― Qual é o seu problema comigo?
Era uma pergunta simples e fácil de responder. Hima havia tido essa discussão mentalmente várias vezes, e em todas elas Haise se afastava e a deixava só. Mas, na vida real, era ainda mais difícil com os olhos dele suplicando por uma resposta. Talvez uma parte dela gostasse dele, mesmo que minimamente, porque ele era como Kaneki; um idiota que insistia em se tornar seu amigo. Era o que ela odiava e amava sobre Haise.
― Nenhum. ― Há hesitação em sua voz, e Sasaki percebe isso rapidamente. Ela estava constrangida e mentindo, senão não tiraria seus olhos do chão. De alguma forma, ele sabia disso. ― Eu só... Estou sofrendo de mal humor matinal. Nada demais. Tchau.
Enquanto Himawari se afasta, Haise nota que deixara algo importante naquela conversa passar. Algo que possivelmente explicaria aquele ódio profundo e inexplicável que a garota de cabelos negros tinha por ele.
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Décimo Galpão, Aeroporto Internacional de Tóquio, Distrito 11.
8:47 | 20 de Dezembro de 2014.
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Ibara não conhecia quase ninguém que estava cooperando no caso que aceitara. Estava no CCG há um ano e nunca tinha ouvido falar de Schluter, Iwasaki e muito menos de Hanashi. Bem, talvez já tivesse ouvido algumas pessoas falarem da aparência assustadora de Schluter, mas ele nunca imaginaria que ela seria tão excentricamente assustadora quanto lhe fora descrito.
Ele gostava de Iwasaki, porém não confiava nela. A ruiva tinha se apresentado para ele com tanta educação e com tantos sorrisos, que parecia que algo errado tinha acontecido. Schluter tinha apenas o cumprimentado com a cabeça, afastada de todos em um canto. Iwasaki brevemente tinha lhe dito que Hana nunca fora o tipo de pessoa sociável desde seu acidente, mas a mulher não lhe deu mais informações. Talvez Hana não queria que falassem sobre isso, e Otohime tinha concordado em manter silêncio. Ibara preferiu não incomodá-la.
Ibara estava mais incomodado com o que Shuniya havia lhe dito duas horas atrás. Ele se cansado de esperar pelos outros e saíra sozinho em direção ao matagal que circundava o galpão, para procurar pistas. Mas até agora Shinimaru não tinha retornado com notícias, o que podia significar que ele tinha se perdido ou que estava morto. Mas as duas probabilidades não combinavam com o perfil que Ibara tinha de Shuniya; ele tinha uma ótima memória, então se lembraria do caminho; Shuniya era conhecido no CCG como Shinigami, e matá-lo seria quase impossível. Então o que tinha acontecido com Shinimaru?
― Então? O que encontraram? ― Uma voz pergunta e Ibara rapidamente reconhece Haise. Ele havia acabado de chegar ao galpão junto com uma mulher que possivelmente tinha sua idade, e o olhar dos dois indicavam que eles tinham discutido momentos antes.
― Nada, Sassan. ― Shirazu diz. Ele era o único além de Tooru e Saiko que estava ali, já que Urie havia dito que tinha "coisas mais importantes" para fazer. Aquilo indicava parte do mal-humor de Haise, enquanto a outra estava exatamente ao seu lado. ― Estávamos esperando você chegar.
― Os incompetentes deveriam ter começado logo. Temos que terminar isso o mais rápido possível, já que, se vocês não perceberam, isso significa o futuro do CCG. ― A mulher desconhecida diz, com os braços cruzados.
Ibara sente que vai adorar ter aquela pessoa trabalhando junto com ele. Irritá-la deve ser tão fácil quanto tirar doce de uma criança. O cabelo dela era escuro, com várias mechas; vermelho-vinho, preto e castanho-escuro. Era curto, mal chegando a metade do pescoço, simétrico e com uma franja longa que deixava seu olhar ainda mais intimidador. Um típico chanel com franja que terminava de repente nas pontas, alinhado. Apesar de serem da mesmíssima cor de um ônix, eles exalavam ódio, sendo extremamente expressivos. Ela era pouca coisa mais baixa que Sasaki, e seu casaco de Investigador preto estava impecavelmente arrumado e limpo. Ibara não podia negar ― ela era muitíssimo bonita.
― Meu nome é Hanashi Himawari. Não gosto de risadas nem de piadas idiotas durante a investigação, e não estou aqui para ficar de conversinha com maricas como vocês. Então façam seu trabalho e não falem comigo, seus idiotas. ― Ibara mentalmente se corrigiu. Ela podia sim ser bonita, mas depois daquilo, ele percebeu que ela era assustadora.
O lugar era bem simples. Um galpão fechado e escuro, com paredes de metal e um pé direito muito alto. Porém, o que realmente importava eram os corpos presos no teto como se fossem bailarinas. Com finos fios vermelhos prendendo os corpos um ao outro, as mulheres despidas exibiam poses dignas de um balé do Bolshoi. O sangue escorria pelos cadáveres, formando um lago de sangue embaixo do "espetáculo". Haviam restos de material RC nos corpos, tapando os órgãos sexuais de quase quarenta mortos.
― Você só pod... ― Otohime é bruscamente interrompida por um barulho.
A explosão destruíra uma das paredes do galpão, revelando um grupo de três pessoas usando máscaras e uniformes militares negros.
A Niwa tinha destruído a cena do crime.
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Centro do CCG, Distrito 1.
Menos de 24 horas atrás.
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― Você o conhece? ― Hana pergunta, mas a mais velha não chega a prestar atenção. Diante dela, estava o corpo adormecido de um ghoul. Ela sabia que ele não estava morto; os aparelhos diziam que seus sinais vitais estavam baixos, mas ele estava vivo. Estado vegetativo, segundo o que suas habilidades médicas lhe diziam. As respirações do rapaz eram lentas e quase imperceptíveis, e seus batimentos cardíacos eram tão baixos que ele poderia ser dado como morto se seu cérebro ainda não funcionasse. Ele se regenerava a cada hora que se passava, lentamente, mas os ferimentos eram profundos; demorariam dias até que ele acordasse.
― Não. ― Hime responde, sem demonstrar nenhuma emoção. Algo lhe dizia que ela não deveria matar aquele ghoul, não agora. Precisava fazer algumas pesquisas que possivelmente se mostrariam úteis e, no futuro, interrogá-lo. Aquele rapaz adormecido seria sua cobaia, então ela precisava que ele ficasse lá.
― Então por que você vai deixá-lo aqui?
― Preciso dele.
― Hime, ele é da Aogiri.
― Vamos deixá-lo aqui, Hana. ― Ela diz autoritária, para a garota mais baixa. Hana se cala, porém ela não parece satisfeita com a ideia. Os olhos azuis de Hime estão cheio de superioridade, como se ela que estivesse no comando. Ela estava prestes a perder o controle de seu lado Hime quanto Hana se retirou da sala, deixando a ruiva sozinha com o garoto.
Com um suspiro, Hime consegue retornar a ter controle sobre si mesma. Ela olha fixamente para o possível membro da Aogiri, pensando no que deveria fazer. Matá-lo ou deixá-lo ali? O que sua mãe faria em seu lugar? Possivelmente, Jun o deixaria viver. Mas Hime era diferente. Ela sempre fora diferente da mãe, mas algo dentro de si dizia que ela tinha que fazer algumas pesquisas. Tinha que descobrir quem ele era, qual era seu propósito e o porquê de estar ali.
Eram tantas perguntas e tão pouco tempo para responde-las.
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