Knee Socks – Interativa
2 Chandelier
Washuu Himawari está extraordinariamente irritada com aquela situação toda. Obviamente a viagem à Enfermaria do CCG, no Distrito 1, foi bastante calma. Sasaki Haise tentava puxar papo com ela e contar piadas, mas a mulher o ignorava completamente. Algo lhe dizia que aquilo estava sendo uma péssima ideia e que seria melhor voltar para a sua cela no Distrito 23, onde ela não precisaria passar meses aturando piadas idiotas e arriscando a vida simplesmente porque Kaneki era seu colega de classe.
Claro que Kaneki era mais do que um colega de classe, mas desde que ele morrera, Hima não se sentia a vontade lidando com as pessoas que mataram seu melhor amigo. Não era certo, e Primel não concordaria em ver sua "nee-chan" fazendo isso. A garota suspira enquanto Sasaki, novamente, tenta conversar com ela a caminho da Enfermaria.
— O seu nome significa "girassol", não é? — Ele pergunta, curioso.
— É o que parece.
— Girassóis são bonitos.
— São.
Algo dizia para Himawari que Sasaki está incomodado com aquele silêncio todo. Ela sente que Haise não está confortável com o fato dela ter pedido para morrer, mesmo que ele não tenha protestado no momento. Talvez ele quisesse que ela desistisse daquela ideia idiota e escolhesse outra coisa, mas Hima estava decidida. Não tinha nenhum motivo para continuar vivendo, e sua morte seria o tiro de largada para Primel subir na sucessão da "Niwa", organização associada à Aogiri que Himawari liderava. E tudo que Hima queria era que sua "kouhai" se tornasse a líder perfeita que Himawari não tinha sido em vida.
— Chegamos. É aqui. — Sasaki diz, um pouco nervoso. Hima levanta seus olhos escuros para ele. A diferença de altura entre eles era de apenas 3 centímetros, mas Himawari sentia que era muito mais. Estranhamente, ela gostava de olhar para o cabelo bicolor dele. Era estranho e interessante; exatamente como ela via o rapaz. — Por favor, seja gentil com a Hime-san. Ela é uma pessoa um pouco... Difícil.
— Hm. — Hima faz, abrindo a porta da Enfermaria sem fazer cerimônia. Imediatamente ela se depara com uma garota ruiva se surpreendendo com a ação. Ela é alguns centímetros menor que Himawari, magricela e baixinha. Como dito anteriormente, é ruiva e seu cabelo tem cor de água-de-salsicha, liso até os ombros. Seus olhos são azuis e ela é pálida de tão branca, além de que usa um casaco de médico que a deixa mais branca do que realmente é. A garota dá um sorriso gentil enquanto Hima lê a plaquinha com seu nome: "Dr.ª Iwasaki Otohime".
— Sasaki-san! Como vai? — Otohime rapidamente vai até o rapaz, sorrindo. Himawari dá de ombros; odiava ser ignorada. — Você cuidou daquele ferimento antigo?
— A-Ah! Sim, sim. — Havia mentira na voz de Sasaki, e Hima logo percebeu; Otohime não sabia que ele era, assim como a mulher ao seu lado, um ghoul. — Já sarou completamente, Hime-san.
— E você é? Namorada do Sasaki-san, imagino?
— Não! — Haise rapidamente diz, um tanto precipitado e com o rosto levemente tingido de rosa. Hima revira os olhos e cruza os braços, negando veementemente com a cabeça.
— Ele não tem tanta sorte. — Ela diz, interrompendo Haise antes que ele dissesse alguma coisa. — Meu nome é Hanashi Himawari, Investigadora de Primeira Classe. Fui transferida da Rússia, doutora. — A mentira saiu tão normal dos lábios de Hima que ela se surpreendeu momentaneamente, mas logo retornou a utilizar seu olhar amedrontador para Haise. Quase como se suas mentes fossem ligadas, ele percebeu que a mulher estava dizendo "Vou bater em você se mais alguém disser que somos um casal".
— Washuu-san, não precisa mentir para a Iwa--
— Não me chame de "Washuu-san", seu incompetente. Você vai ter que trabalhar para ter o direito de me chamar de "Washuu". — Himawari diz, puxando a bochecha de Sasaki enquanto ele ria nervosamente. Otohime se sente solitária enquanto os dois se resolvem; Hima parece ser uma possível futura Dama de Companhia perfeita para uma Rainha como Hime.
— C-como eu ia dizendo, a Iwasaki-san sabe de tudo. Ela vai mudar a sua aparência para você ficar parecida com a Hanashi verdadeira. — Sasaki diz, mostrando a foto da verdadeira Hanashi Himawari para Washuu Himawari. Hanashi é... Feia. É isso o que passa pela mente de Himawari quando ela olha para aquela garota que parecia ser o cúmulo de uma "workaholic": cabelo preto e curto com uma franja, um olhar mal-humorado e sem um pingo de maquiagem.
— Ela me dá medo.
— Ela vai ser você em breve, Hicchan! — Himawari nada diz; ela apenas fita Otohime como se ela tivesse falado a coisa mais estranha que a garota já tinha ouvido na vida. Sasaki dá um sorriso nervoso, mentalmente rezando para que Hima gostasse — mesmo que um pouquinho — daquele apelido, senão Hime estaria em maus bocados.
— Espero que você não mude a minha cara.
— Não, não! Só vou cortar e pintar o seu cabelo.
— Não sabia que tínhamos entrado num aqueles programas que mudam o estilo da mulher. Por acaso a mamãe ganso aqui vai começar a dançar e cantar a abertura do programa agora?
— O quê... O que você quer dizer com isso...
— Então. Olha, Otohime, não é porque eu não gosto de você ou alguma coisa assim. Você me parece legal, mas eu não estou afim de mudar nada no meu rosto agora. Eu gosto muito dele do jeito que está. — Hima diz e era verdade. Afinal, fora Primel que havia lhe ensinado a fazer trança; se tivesse cabelo curto, não poderia fazer uma trança longa e Primel ficaria chateada. Isto é, se Primel resolvesse procurá-la e acabasse reconhecendo-a, o que era extremamente provável.
— Mas Wa-- Himawari, isso é necessário. Você vai trabalhar não só com o Esquadrão Quinckes e os outros investigadores, mas como o CCG inteiro. O seu pai pediu que essa missão fosse completamente sigilosa e que ninguém a reconhecesse, nem o seu irmão. — Ah, ele havia tocado na parte sensível de Hima; Yoshitoki, seu querido irmão mais velho que a odiava desde o dia que ela nascera. Ele traria problemas se a reconhecesse e demitiria Sasaki e Iwasaki, coisas que faziam o estômago da garota revirar.
— Tá, okay. Tudo bem. Mas se ficar ridículo, faça macumba para que volte a ser o que era antes. — Otohime ri, mas Haise fica um pouco incomodado; eles se separavam ali, e deixar Himawari lhe parecia uma péssima ideia. E se ela acabasse comendo Hime? É claro que a ghoul havia lhe dado a palavra de que não comeria ninguém e faria tudo o que ele quisesse, mas mesmo assim ele tinha um pé atrás com ela. Talvez por Himawari saber exatamente como deixá-lo irritado.
— Ahn... Eu já vou. — Ele diz com um mínimo sorriso. Hima faz o sinal de que ele vá embora, com um olhar um tanto estranho. Ela parecia estar um pouco... Triste? Novamente, Sasaki não sabia. — Vejo você em breve, Hanashi-san. — Haise dá um sorriso sincero para a garota, que inusitadamente o retribui.
— Vejo você em breve, Sasaki-san. — O sorriso dela também é sincero, fazendo Haise sentir um frio no estômago. Ele balança a cabeça várias vezes e se retira da sala, enquanto Hima e Hime iniciam uma conversa sobre quinques.
Andando pelo corredor, Haise começa a pensar em como iniciar aquela investigação. Ele havia tido a permissão de "pedir ajuda" a outros investigadores, porém apenas uma garota chamada Schlüter Hana e um rapaz chamado Hanabusa Ibara tinham se apresentando a ele naquela manhã. Além disso, Urie não parecia nada interessado na investigação atual, o que irritava o homem de cabelos bicolores ainda mais. Até mesmo Saiko parecia mais disposta a trabalhar naquilo do que Kuki, e Mutsuki até mesmo tinha pedido para acompanhá-lo até o Distrito 23, mesmo depois do ocorrido com o Padre. O garoto não parecia se importar se aquilo era importante para seu superior ou não, e isso fazia com que o "pai" se afastasse cada vez mais do "filho". É claro que Urie sempre fora o mais afastado do Esquadrão, mas ultimamente ele lhe parecia... Estranho.
Haise bufou, logo entrando na sala de Akira. Precisava ter uma conversa com alguém que não ficasse xingando-o ou ignorando-o o tempo todo.
Afinal, aquele seria um longo primeiro dia de investigação.
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