Klon

7 Volta perturbada


Notas iniciais
Já disse que não sei e tb nunca treinei diálogos, por isso me perdoem, apreciem a leitura apesar disso!

–Ei, o que vocês vão fazer quando voltarem para Alta Tempestade? Eu acho que vou me alistar para os caçadores. Disse Rodrigo perguntando aos 4 jovens ao seu lado.

–Sei lá, que tal a gente marcar pra viajar de novo só nós cinco, ai a Tamires pode levar a sua Klon, sugeriu Scarlet.

–Quem sabe a gente não vai para o Sul, ouvi dizer que eles têm neve o inverno inteiro, respondeu Joseph.

–Ou quem sabe para o mar? Eu sempre quis ir para o mar, o velho Tom diz que a paisagem mais bonita que ele já viu e olha que ele já andou por bastante lugar, retorquiu Amanda.

Tamires que não estava acostumada a falar sua opinião ficou calada, mas já se configurava uma disputa onde Joseph gritava Sul e Amanda gritava mar.

–E o que você acha Sofia? Perguntava Rodrigo ao seu lado, com o cabelo um pouco mais arrumado do que quando ela o conheceu.

–Eu... Bem... Não sei... Mas eu já fiz uma promessa de ir para o mar, então acho que eu iria para lá. Amanda esfregou a vitória na cara de Joseph, mas eles logos estavam conversando normalmente.

Desse jeito ela passou o primeiro dia da Marcha de volta, ela nem passou algumas horas com aqueles adolescentes, mas eles já a consideravam sua amiga, e ela também. De resto não houve muito coisa a se comentar sobre o dia porque a paisagem que Sofia admirara tanto no caminho de ida, não impressionava muito Tamires, muito principalmente porque quando ela não estava conversando ela divagava sobre o pesadelo da noite passada.

E assim a noite caiu, Tamires só percebeu quando o guia gritou que eles parariam, Tamires estava exausta e desabou no chão, como ela não tinha saco de dormir ela pegou emprestado um cobertor de Scarlet e se encostou à árvore mais próxima.

Era a mesma clareira que eles haviam acampado no caminho de ida, algumas pessoas buscavam galhos para alimentar a fogueira no centro do acampamento, Tamires estava desgastada tanto de não descansar na noite anterior quanto de andar aquele dia inteiro por isso ela tentou pegar no sono.

Mas uma preocupação veio à tona, ela se lembrou do pesadelo e teve medo, ela não queria sonhar de novo e esse temor superou o desgaste físico do seu corpo, então quando todos, menos os vigias, dormiram ela se aproximou da fogueira e tirou seu livro da parte interna da blusa.

O livro não estava molhado, mas estava todo amassado, com orelhas nas páginas e a capa já havia desbotado, “é o conteúdo que importa”. O livro tinha o título de “diário de uma guerreira” e tratava das dificuldades de uma garota num mundo fictício em poder ser uma guerreira.

Tamires achava o livro fascinante e se identificava com ela, não porque ela era mulher, mas porque a condição de uma Klon era idêntica aquele preconceito contra mulheres. Em Alta Tempestade, que tinha quase 2000 habitantes, praticamente metade deles eram Klons e não podiam fazer nada como, por exemplo, sair para caçar, ou sair da habitação. Tamires ouvira falar em vilas mais ao Sudeste que eram mais liberais e outras que não tinham Klons, como isso era possível, ela não sabia.

Ela leu a noite inteira para afugentar os pesadelos e os pensamentos de preocupação que pareciam persegui-la. Durante a noite fez frio, muito frio “ainda bem que estou perto da fogueira”.

De manhã o sol raiou, mas a neblina o encobriu e mesmo assim eles continuaram a caminhada, o sentimento de chegar a casa, em seus lares, fazia-os progredir firmemente. De acordo com o livro o lar era o lugar que se relaxava e descansava, para ela até agora o lar fora um lugar de obediência e controle, “quem sabe o que uma pulseira pode mudar tudo”.

O grupo dela seguia na frente, eram os mais animados, todos os cinco conversando abertamente, Tamires via e sentia os maus olhares dos outros, afinal os dois casais ao lado dela eram “klonholics”, porém eram as melhores pessoas que ela convivera até agora, tirando é claro Sofia.

A tarde já foi possível visualizar a distância Alta Tempestade: o seu lar. Ela reconheceu as casas à distância, a maioria simples e de madeira, ao redor delas as árvores foram cortadas para afugentar animais e fora construída uma espécie de muro de um metro de altura, com guaritas.

–Ei Sofia está vendo aquela lá na frente, a primeira, aquela é minha casa, ahh como é bom chegar em casa, não é Amanda?

–É ótimo.

Assim que eles se aproximavam era possível distinguir os detalhes que diferenciavam uma casa da outra, uma varanda maior, umas casas com dois andares, algumas até com vidro importado. E no meio da aldeia, meio que de onde nascera Alta Tempestade estavam às instalações enormes que compunham uma enfermaria, uma espécie de escola e também a prefeitura.

O sol já estava quase posto quando o grupo chegou, Scarlet e Amanda se despediram dela com um abraço de urso e um beijo na bochecha, característicos de cada uma. Logo depois Tamires se despediu dos gêmeos e correu para a enfermaria.

A comunidade era dividida em quarteirões quadrados, tudo planejado, nas portas das casas e nas sacadas era possível ver uma espécie de lâmpada que utilizava a energia solar de painéis em cima delas.

A enfermaria era um conjunto de casa acopladas num quadrado de madeira enorme, nada sofisticado por fora, a entrada tinha uma cruz vermelha na porta assim como uma lâmpada. Ela entrou correndo querendo ver Sofia e trombou com uma pessoa que saia de lá.

Com ambos ao chão ela reconheceu o homem que estava de avental branco: era Alberto, o homem que levara Sofia.

–Ahh, ahh, quem foi o...

–Como ela está?

–Ah, é você, vejo que vocês chegaram, bem a tempo...

–Como ela está? Repetiu Tamires, ela repetiria quantas vezes fosse necessário.

–Sua Klon né? A dentre algumas coisas e outra ela está bem, se é assim que você pode chamar inconsciência de bem.

–E onde ela está?

–Na sala 4, mas eu aviso....

Tamires não esperou Alberto terminar e foi verificar sua Original. “Sala 4, sala 4” repetia ela, mesmo que as salas estivessem em ordem, “sala 1, sala 2, sala 3, sala 4”. Era numa porta que indicava emergências.

Ela entrou não ligando para a visão, Tamires devia pelo menos isso a Sofia, na cama estava uma pessoa com umas roupas brancas, com bandagens nas mãos, na orelha e no olho “não está tão ruim”. O cabelo estava limpo revelando sua cor: o castanho escuro, no pulso dela estava um tubo que se ligava a uma máquina que parecia gotejar alguma coisa, no outro pulso estava a pulseira, ela ainda estava desacordada. Tamires respirou em alívio.

O quarto era iluminado pelas por uma lamparina que fazia que a luz não batesse diretamente nos olhos das pessoas, “deve ajudar a não acordar o paciente”.

–É não havia muito que nós podíamos fazer muito por ela, mesmo a medicina ser um dos conhecimentos que sobreviveram a queda das Antigas Civilizações, mas felizmente os ferimentos na mão e na orelha não foram graves, porém o olho...

–O olho, ela engoliu em seco antes de fazer aquela pergunta a Alberto, o olho o que?

–Veja você mesma.

Ele foi até a paciente na cama e removeu parte da bandagem quadrada que protegia o olho de Sofia, o que Tamires viu ficou encravado em sua mente, era para ser um olho, mas no lugar estava um buraco escuro, não havia vestígios do olho, era possível ver também toda a córnea ocular. Ela vomitou.

–Arg! Ahh!

Saíra o pouco que ela comera durante a Marcha da sua boca e caiu no chão da sala, Alberto deu umas palmadas nas suas costas, e ela melhorou, Tamires olhou para ele com medo da visão de Sofia, mas Alberto já tampara o olho novamente.

–Eu já mando alguém limpar isso aqui.

A adolescente foi para perto da sua Original e nem ouviu Alberto e muito menos a moça que entrou e limpou o chão com vômito, ela só continuou a lembrar do pesadelo enquanto segurava com a maior força que conseguia a mão de Sofia, as lágrimas caiam fazendo um ritmo sonolento que a deixaram dormir.

Ironicamente ela não teve pesadelos naquela noite.

Notas finais
Obrigado pela insistência na leitura da minha história, se você gostou comente e me conte o porquê e se não gostou comente também e me conte o porque!