Klon

8 Um despertar complicado


Notas iniciais
Demorei para fazer esse capítulo, porque estava planejando os próximos capítulos até o final da história e tive de refaze-lo porque tinha ficado mt ruim, agora ficou melhor, aproveitem a leitura

Sofia acordou a luz atravessava a vidro do quarto onde ela estava por isso ela demorou para ajustar a sua visão em meio aquela luminosidade. Quando seus olhos se acostumaram ao ambiente ela reparou que dormia num leito, sua mão esquerda estava enfaixada e estava em meio às mãos de outra figura que dormia num banco ao seu lado.

A figura tinha cabelos castanhos escuros e respirava profundamente, tão profundamente que Sofia deixou a mão repousada lá com medo de que o movimento a acordasse. Algo latejou na sua cabeça, mais precisamente nos seus olhos.

A adolescente passou a mão nos olhos, mas o esquerdo estava enfaixado e não era possível tocar o olho, mas o comichão e a dor ainda estavam lá por isso ela começou a retirar as faixas brancas até que elas acabassem.

Assim que ela retirou a última faixa ela levou a mão livre para o olho que ela não conseguira tocar, mas o tato do dedo parecia engana-lo porque onde era para estar o olho agora só restava um... buraco.

Os pensamentos foram fluindo para sua cabeça, que foi forçada a funcionar devido a tantos questionamentos, e como resultado daquele processo as memórias foram revividas, a Marcha, a igreja, a biblioteca, Tamires, a torre, suas malas e por fim os dois homens.

Na sua mente a cena dos dois homens com a peixeira e as facas foram tão reais que ela sentiu a dor que a abatera naquela hora novamente, esquecendo-se da condição da mão esquerda ela levou as mãos para os braços para se controlar. Felizmente a dor foi momentânea.

A figura no banco ao seu lado começou a levantar a cabeça “acordei-a” e se demorou alguns segundos piscando e coçando os olhos como se aquilo fosse uma ilusão.

–Tamires, eu estou aqui, não é nenhuma miragem, Tamires respondeu com um abraço que deixou Sofia sem ar.

–Ainda bem que vo-você está bem, hunf.

“Ela está chorando” Sofia não entendia porque, mas resolveu ir na onda e a abraçou de volta.

–Quem você acha que eu sou? Haha.

Tamires não largou Sofia até que ela abriu os olhos e deu de cara com a cara de Sofia então a largou rapidamente e foi se sentar no banco desviando o olhar. Sofia não a culpava ela também imaginava que aquele buraco no olho iria assusta-la se os papéis fossem invertidos, por causa disso ela se apressou em cobrir a “coisa” com bandagens novamente.

–Quanto tempo eu fiquei desacordada Tamires?

–Quase 3 dias, você está em Alta Tempestade, o Alberto veio com você até aqui.

–O Alberto médico? Nem sabia que ele estava conosco na Marcha. Tenho que agradecer a ele depois.

–Só tem um problema...

Tamires não conseguiu terminar a frase porque três pessoas bateram a porta a esquerda do quarto, eram dois homens e uma mulher, um deles era Alberto com seu característica avental médico, os outros dois eram seu pai e sua mãe, Antônio e Laura.

Laura foi a primeira a falar sua feição era de alguém preocupada, as rugas já se formavam debaixo dos olhos.

–Sofia nós ficamos tão preocupadas quando soubemos do que aconteceu, como você está?

Sofia ficou confusa, pois as palavras e o abraço que se seguiram foram direcionados para Tamires. Foi então que Antônio se pronunciou, com aquele tom formal e indiferente que só seu pai sabia fazer.

–E você Tamires, gostaria de contar o que aconteceu? Ou será que vai se mostrar mais uma inutilidade.

Aquelas palavras doeram no coração porque eram direcionadas para Sofia e ela sempre pensara que o pai as distinguiria mesmo sem as pulseiras, então ela foi tomada por algumas palavra que ressoaram na mente “troque as pulseiras”, ali ela olhou para a pulseira no pulso direito e entendeu a situação.

–Eu salvei Sofia, nós fomos abordados por dois homens lá na Cidade Antiga.

Dessa vez foi a vez de Tamires fazer uma cara confusa e trocar olhares com ela, Antônio deixou os olhares passarem despercebidos e se retirou da sala para falar com Alberto.

–Não ligue para seu pai, o importante é que “você” está bem.

“Eu não estou bem, me falta um olho e a minha mão dói” ela se resignou. A farsa planejada por ela seguia bem até que Tamires resolveu abrir o bico.

–Mas Tamires não está bem, ela ficou sem um olho, por minha causa.

–Isso não importa, o que importa é você Sofia, você é a minha filha.

Infelizmente aquela era a verdade para Laura e para a maioria das pessoas em Alta Tempestade, Sofia já sabia disso e a afirmação só reforçou seu conhecimento, mas Tamires não aceitou aquilo, era óbvio pela cara dela o que viria a seguir “idiota”.

–Pois saiba que eu sou a Tamires.

–O que você está dizendo filha? Não estou entendendo.

–É isso mesmo! A menina sem olho que você não se importa é minha Original e eu sou a Klon!

A mãe de Sofia olhou para Sofia procurando alguma resposta para aquilo, mas ela só acenou em confirmação as palavras de Tamires. O choque foi tão grande que ela ficou alguns segundos sem saber como reagir, por fim ela decidiu abraçar a verdadeira filha.

–Como eu não reconheci você? Mil desculpas.

–Não se preocupe mãe, eu não me importo com isso, eu mesmo confundiria.

Mesmo tentando aliviar a raiva de ser enganada ainda sobraram rudes palavras para Tamires.

–Não pense que você vai se livrar disso Tamires, não se esqueça que é sua culpa que ela está sem olho. Vou mandar alguém prende-la bela apólice.... e Laura saiu em passos altos da sala.

Tamires engoliu em seco as palavras que ela não deveria ter dito, mas agora estava tudo feito, e não havia mais nada a fazer a não ser esperar pelo julgamento, Sofia pensava que iria ser leve “considerando que eu falei para ela fazer isso”.

–Ai, ai, você realmente não sabe ficar quieta.

–Mas você viu o que ela falou, disse que não se importava com você, que se dane esse sistema de Klon, eles também são humanos.

–Eu não disse que você está errada, só que você deveria saber ficar calada, você já pensou que eles vão punir você por isso? Porque eles realmente vão.

–Mas... Ela fez um bico com o lábio “teimosa que nem eu”... Não é justo.

–Eu sei que não é, mas vamos fazer o quê, são as regras.

No fundo Sofia percebeu que Tamires não mudara, só estava falando o que pensava agora “é por isso que eu gosto de você”. Naquele momento ela não sentiu a confirmação de que aquela troca entre um olho por Tamires fora a melhor coisa que ela fizera.

Notas finais
Obrigado por lerem, eu estou planejando já no fim da história, então se você gostou comente e se não gostou comente tb para eu saber no que melhorar.