Klon

9 A punição


Notas iniciais
Terminei esse capítulo muito rápido kkk, mas apesar disso apreciem a leitura

Sofia não recebeu mais nenhuma visita, mas Tamires ficou fazendo companhia para ela, “belas amigas que eu devo ter” ela suspirou, mas uns barulhos de vários passos tiraram-na daquele estado passivo.

Os barulhos pararam em frente ao quarto, entraram dois homens portando camisas brancas e calças pretas, ambos tinham a pulseira verde no pulso direito, no braço trajavam uma faixa com dois braços em punho que se cruzavam “o símbolo da ordem e igualdade, irônico”. Atrás deles estava um homem com uma barba grande para baixo, era o Prefeito, ele era quem anunciava as sentenças, Laura estava ao lado dele com um sorriso triunfante.

Sofia percebeu que Tamires olhava para a janela que estava aberta a pedido dela para sentir uma brisa, “ela não vai conseguir escapar, não desse jeito” por isso ela cochichou em seu ouvido:

–Não importa o que aconteça, não fuja, vai ser pior depois.

O homem de barba se adiantou e começou num tom formal a anunciar algumas referências como o Livro de Leis e Regras, por fim ele chegou à sentença.

–Tamires Amundstêin, por falhar como Klon, por deixar sua Original se ferir por você e por tentar iludir toda a comunidade de Alta Tempestade eu a sentencio a morte.

“O quê? Morte? Por causa de um mal entendido?” Tamires seguiu o conselho de Sofia e não tentou resistir enquanto Sofia se dardejava de indignações e via a cena de boca escancarada, Sofia esperava que se ela falasse com a mãe alguma coisa poderia ser feita e algum minutos depois só restou da cena ela e Laura.

–Mãe, você não acha que exagerou um pouco? Ela ainda é minha irmã!

–Ela é um Klon, não é ninguém. Você esqueceu que foi por causa dela que você vai ficar desse “jeito” para o resto da vida.

–Mãe o que eu fiz foi voluntário, não fui obrigada por ninguém, eu sabia o que eu estava fazendo e sabia dos riscos.

Laura não parecia querer aceitar aquilo e a partir daquele ponto Sofia soube que não adiantava mais. “Teimosia passa de mãe para filha”, nem mesmo seu pai podia dissuadir sua mãe quando ela se resolvia de algo.

Sofia resolveu argumentar com alguém mais razoável, ela deixou a mãe falando sozinha e saiu do ambulatório, ela ainda usava as roupas brancas que colocaram nela, ela odiava o branco e aquela roupa era desconfortável para uma tarde que prometia ser turbulenta, por isso ela resolveu passar na sua casa.

No caminho as pessoas olhavam para ela que ainda usava a pulseira e viravam os olhos “idiotas” ela pensou. A casa dela tinha o teto todo coberto por captores de luz solar o que permitia certa mordomia para eles, como por exemplo, luz a noite, a casa tinha dois andares e tinha na entrada o nome da família “Amundstêin”.

Sofia entrou, não havia ninguém lá dentro, ela foi para o quarto que se resumia a um beliche um banheiro e um guarda roupa, ela se trocou numa calça moletom, chinelos havaianos e uma blusa xadrez azul e rosa.

Feito isso ela seguiu para a prefeitura “o Prefeito deve ver luz da verdade por trás disso”. O prédio da prefeitura era bastante parecido com o do ambulatório, mas ao invés de ter salas no subsolo como ela já ouvira falar no ambulatório, a prefeitura crescia verticalmente para cima, três andares que pareciam os degraus de uma pirâmide que ela vira num deserto.

A porta da prefeitura continha o mesmo símbolo que os guardas tinham nas faixas nos braços, Sofia entrou e viu que uma mulher estava detrás de um balcão na entrada, ela foi logo perguntando onde estava o prefeito.

–Ele está ocupado no momento, você não pode vir mais tarde.

–Eu espero aqui mesmo, fala pra ele que o assunto é urgente.

Sofia se sentou numa das várias cadeiras de madeira que faziam uma sala de espera enorme e não desistiria até que pudesse falar com o Prefeito. Ela se lembrou de que alguma vez na infância ela já visitara com o pai a prefeitura, o pai era um dos poucos engenheiros na Aldeia e fora ver alguns problemas de rachadura.

No primeiro andar ficava aquela sala de espera e algumas outras salas que lidavam com papelada, no segundo andar era o escritório do prefeito assim como seus aposentos, além da sala de reuniões, já no terceiro andar ficava um armazém, ela não chegara a subir até lá.

–Menina, o Prefeito já está disponível, pode subir.

Ela subiu pelas escadas que ficavam atrás do balcão e passou pelo doutor Alberto na escada, Sofia parou para agradecer a ele.

–Dr. Alberto, muito obrigado por salvar minha vida.

–Meu trabalho é esse, falsa Klon.

Sofia ficou nervosa com aquele comentário, mas engoliu a raiva e continuou escada acima, lá em cima ela nem teve que inclinar a cabeça para os lados a fim de encontrar a sala porque o próprio recinto no qual ela subira era o escritório do prefeito.

–Ora, ora Sofia meu bem, que você quer comigo? Falou um homem de barba longa sentado numa cadeira detrás de uma escrivaninha. Ela se virou para enxerga-lo, já que a visão ficaria parcial dali para o resto da sua vida.

–Você sabe o que eu quero com você.

Ele deu um suspiro profundo e começou a alisar a barba antes de responder.

–Se for pela sua Klon, já vou adiantou que não tem nada a se fazer por ela.

–Como assim? Se eu falasse que ela fez tudo sob ordens minhas não faria nenhuma diferença? Não seria eu a responsável então?

–Não, você é uma humana com apólice e ela é apenas mais um Klon.

Sofia bateu na mesa dele e explodiu, aquilo era mais do que inaceitável, era irracional, era perturbador, simplesmente não fazia sentido, o Prefeito estava de birra.

–Que se dane ela ser uma Klon, isso não a torna menos humana, ela chora como nós, ela ri como nós, ela anda como nós, ela ouve como nós, ela lê! Ela lê com brilho nos olhos assim como nós, ela vive conosco. Por que você insiste em afirmar que ela não é humana.

–Porque ela é uma Klon e ela tentou sair do seu estado de Klon e tentou se passar por você.

–Isso não importa, eu pedi para ela se passar por mim. Eu deveria ser responsabilizada, não ela.

–Essa não é a questão, você tem apólice e isso é o que o seus pais quiseram e puderam comprar, e se sua apólice não funciona nós temos que faze-la novamente.

–Apólice? Apólice? Tudo que você me diz é essa tal de apólice e não me explica o que isso é!

–A apólice é uma forma de garantir que nossa espécie prospere e mantenha sua qualidade de vida, é a quem nós recorremos quando estamos doentes, perdemos um braço ou uma mão ou um olho.

Foi quando a ficha de Sofia caiu e ela entendeu a situação por completo, mas aquilo significava algo muito pior, não, não podia ser...

–Não... Isso não pode ser... Diga-me que não é isso, por favor.

–Sua Klon é sua apólice e ela será executada por causa disso.

Notas finais
Novamente se você gostou ou se não gostou comente para o autor saber o porquê. A história já adianto que está chegando no fim, acho que no final do feriado já vou ter terminado-a!