Klon

4 Por Tamires


Notas iniciais
Pareço até um escritor compulsivo,kkkk. Lembram que eu prometi a ação no capítulo então ai está ela, espero que gostem

Novamente estava Sofia a caminhar em direção à torre, o dia anterior fora decepcionante, mas ainda sim a torre prometia algo que ela não sabia dizer direito o que era. Tamires andava ao seu lado, dando passos como uma pessoa feliz, mesmo carregando parte das malas.

A torre já não estava a 500 metros de distância, já era possível ver toda sua silhueta, devia dar uns 40 metros verticais de metal que era retorcido fazendo uma espiral formando a estrutura circular, “é magnífico” pensava Sofia.

Envolta do prédio havia outros, mas de menor porte e mais feios dando destaque para a torre.

Vendo de perto era uma grandiosidade enorme “nisso eles acertaram”, Sofia observava e contava quantas janelas haviam por andar quando foi interrompida por uma pergunta:

–O que nós viemos fazer aqui? É bonito e grande, mas...

Sofia não esperava aquilo, mas em sua cabeça ela já havia decidido que iria para o topo da torre, era uma questão de orgulho, se não fosse Sofia sabia que iria se arrepender depois.

–Eu não sei, só sei que eu me sinto atraída por isso, você não quer ver uma paisagem de 40 metros de altura?

Tamires concordou com isso e ambas entraram no edifício, a porta era giratória de vidro, mas ainda não havia sido destruída, parecia um tipo diferente de vidro, mais resistente. O saguão da estrutura tinha dois balcões, um a direita e outro a esquerda, mais atrás dos balcões havia duas portas de metal enfincadas na parede. Elas se aproximaram.

–O que é isso Sofia?

–Eu não sei muito bem, mas eu li num livro que isso funciona como uma máquina, te leva pra baixo ou pra cima.

–Será que ainda funciona? Pouparia um bom tempo e esforço.

–Tenta acionar aquele botão, Sofia aponto para um botão que ficava na parede entre as portas. Havia um botão com seta para baixo, e outro no sentido contrário, Tamires apertou ambos.

Elas ficaram esperando para ver se algo acontecia, mas nenhum barulho foi ouvido, o jeito era subir pela escada. Elas deixaram as malas atrás de um dos balcões, o mais perto da porta que levava a escada, e subiram a longa espiral.

A espiral era segmentada a cada cinco andares, para alguém não cair direto do último andar provavelmente. O ambiente ao redor era fechado, e o ar ali era pesado, parecia um forno recém-aberto. A subida foi longa, mas não o suficiente para deixa-las sem fôlego.

A vista do terraço era privilegiada, era magnífica, era espantosa, era mais do que se pode colocar em palavras, se você já viu algo assim você deve saber como é. Sofia e Tamires ficaram paralisadas com aquela visão, quando elas conseguiram quebrar o feitiço elas correram e olharam em todas as direções.

A direita da saída colocava-se um morro enorme, capaz de encobrir a visão, só atravessado por um túnel que já jorrava terra para fora, um desabamento de muito tempo atrás.

A esquerda estendia-se um rio que cortava a cidade, inundando-a, elas não haviam reparado do morro de onde elas haviam entrado na cidade, mas havia uma parte rebaixada inundada ficando submersa, os edifícios submersos refletiam a luz solar graças à cristalina água, formando um verdadeiro paraíso de luz, que incidia na superfície da água e formava possivelmente a visão mais bela que elas já haviam visto.

Nas costas do prédio estava um restinho de cidade, mas que acabava rapidamente e a visão seguia o rio, e se você forçasse a visão era possível vê-lo desaguando no mar. Sofia soltou uma promessa quando viu aquilo.

–Um dia nós iremos ver o mar, é uma promessa.

Tamires parecia mais feliz do que nunca estivera, parecia que tudo que ela vira até então fora cinza, mas depois do livro e daquela paisagem era impossível ver o mundo com os mesmo olhos.

As duas então voltaram a sua atenção para a frente do prédio, o morro de onde ela viu a torre pela primeira vez estava lá, cheio de cabanas. Sofia identificou as casas pequenas na base do morro, a igreja, a biblioteca, tudo parecia tão pequeno. Tamires foi até a beirada e declarou:

–Realmente, parece que o mundo ganhou novas cores, dizia Tamires com uma voz inocente, tudo é pequeno, até as pessoas.

“Com certeza fora o livro que a transformara”, mas alguma coisa não fazia sentido. “Pessoas? Que pessoas? Talvez as da marcha” Sofia olhou para lá, mas não via ninguém, por isso perguntou a Tamires:

–Que pessoas?

–Aquelas ali em baixo, disse ela apontando para baixo, lá na entrada do prédio.

Sofia foi para a beira do edifício, onde Tamires estava, lá embaixo, 40 metros abaixo para ser mais exato, haviam dois pequenos pontos que estavam parados em frente ao prédio.

Era muito distante para distinguir qualquer coisa neles, mas ela sabia que poderia ser perigoso, “talvez eles não nos tenham visto, se nós esperarmos aqui, tudo vai certo, as malas-“.

–Nossas malas! Estão lá embaixo, no saguão.

–É só nós pegarmos, o que é que tem?

–Tamires, aquelas “formigas” são pessoas, você não tem nenhum censo de perigo não?

–Eles podem só estar só vendo a torre, como nós, podem até serem da Marcha.

“Não adianta discutir com ela”

–Porque nós não fazemos o seguinte então, vamos lá pegamos nossas malas e nos escondemos até eles irem embora, que tal essa ideia?

Ela acenou positivamente, “sério, como ela podia ser tão diferente de mim” pensava Sofia.

Ambas correram escada abaixo, o tempo que eles ficassem fora do campo de visão delas, poderia ser crucial e elas nada veriam, por isso em um minuto pulando dois degraus de cada vez, já estavam atrás da porta da escada do saguão.

O coração palpitava alto no peito de Sofia, embora a porta não tivesse rangido quando elas entraram, ela ainda se preocupou com isso, e a abriu lentamente, muito lentamente e espiou pela fresta.

As pessoas eram dois homens idênticos, carregavam quase uma peixeira no cinto, e no peito traziam um colete, enquanto ela observara o sol batera no colete e revelara objetos reluzentes “facas”. Tamires que espiava em cima dela deixou de ser sonhadora e cochichou para Sofia:

–Você sabe quem são eles?

–Não faço à mínima ideia, nem quero descobrir, mas não podemos deixar nossas coisas lá, se eles por acaso vissem, iriam saber que estamos aqui dentro.

–Então a gente pega as malas silenciosamente e se esconde, certo?

Sofia percebeu que Tamires tremia e por isso se candidatou para pegar as malas.

–Há você também treme. Sofia percebeu que era verdade, mas ainda sim foi pegar as malas.

Os homens olhavam um para dentro e o outro olhava para a rua, “sem brecha”, ela percebeu que o homem que olhava para dentro, tinha alguma coisa na boca, ela já ouvira falar naquilo, era papel enrolado com fumo dentro, por causa disso ela esperou ele pegar outro quando acabasse, ou talvez quando ele se virasse para taca-lo na rua.

O homem fazia círculos no ar com a fumaça que saia da boca, ele não dava nenhuma brecha, parecia que esperava alguma coisa “não, não me lembro de ter sido sendo seguida” Sofia pensou. Os homens conversavam sem retirar a vigia. O fogo no papel demorou uma eternidade para queima-lo, poderiam ter sido apenas 5 minutos, ou uma hora, ou até 30 segundos, mas ela teve certeza de ser o período mais tenso que seus ombros passaram.

Então assim sem mais nem menos o homem se virou para pegar outro papel enrolado na mochila que seu gêmeo carregava e para acendê-lo, nesse meio tempo Sofia segurou a respiração, que ela tinha a impressão que fosse avisar o homem que ela estava ali, e engatinhou até o balcão onde ela deixara as malas, por sorte o balcão era alto o suficiente para mantê-la fora do campo se visão deles.

Sofia pegou a mala de Tamires e aguardou algum sinal, para saber se ela podia ir, mas a parceira não demonstrava nada, “que hora para ela não fazer nada” exclamou mentalmente Sofia. Ela ainda tremia, e sentia isso, talvez por isso ela tenha pegado a sua faca, em sua mala, “só pra ter certeza, só pra ter certeza...” repetia ela na cabeça enquanto segurava a faca firmemente.

O sinal veio e ela foi até Tamires, lhe entregou a respectiva mala, e voltou para detrás do balcão para pegar sua mala.

Ela seguia ainda com a faca na mão, e já ia em direção à porta novamente quando Tamires ordenou que ela parasse, ela parou e um calafrio correu pela sua espinha, ainda não dava para vê-la atrás do balcão, mas só a possibilidade a assustou.

Novamente a espera foi cruel, mas pareceu mais rápida do que a outra, e novamente Tamires soltou o sinal, mas alguma coisa aconteceu que um dos homens gritou:

–Ali!

Mesmo assim Sofia já estava no meio do caminho, “eu vou conseguir, pelo menos até atrás da porta” ela pensou, mas na fração de segundo seguinte um objeto cintilante passou ao lado dela, cortando parte da orelha, mas ela não sentiu a dor e só viu uma faca repousando na parede ao lado da porta. Ela parou em choque.

–Não se mova jovem, vire-se lentamente para nós.

Ela virou o corpo lentamente e observou à cena, o homem que conversava com ela segurava a peixeira na mão, e o outro logo atrás segurava duas facas, uma em cada mão, as mesmas que estavam fincadas na parede.

–Ora, ora, é uma jovenzinha, no meio da cidade, agora larga a faca e chuta ela pra cá. Sofia largou a faca que ela antes segurava firmemente, os braços ascenderam para o alto e a perna chutou a faca para frente com o máximo que ela conseguiu o que não era muito considerando seu estado mental, mas o suficiente para deixar o homem satisfeito.

–Agora, onde está sua Klon?

Sofia ficou em silêncio, não era justo Tamires ser pega também, parecia traição.

–Onde está seu Klon?

Ela continuou em silêncio, mas os sons de algo caindo atrás da porta da escada falaram por Sofia e condenaram Tamires.

O homem com a peixeira fez um gesto para o outro, e passou ao lado dela, olhando para a porta, ele a abriu, mas não viu ninguém lá e olhou para o parceiro em tom de dúvida.

Mesmo assim de onde antes não havia ninguém, surgiu alguém, “detrás da porta”, e apunhalou o homem com algo pontudo, era Tamires, mas ela não viu que o homem atrás de Sofia já direcionava a faca para ela, que ficara parada depois do golpe.

Sofia raciocinou num milésimo se segundo, e não esperou seu bom senso deixar cair à ficha, ela ficara cansada de esperar.

A menina avançou na direção do homem e dois passos adiante ela abaixou para pegar a arma que ela deixara cair e chutara, dois passos foi tempo suficiente para o homem arremessar a faca passando zunindo por cima da jovem que se abaixara.

Ela avançou em seguida, em linha reta, sem ligar que o homem possuía outra faca na mão esquerda, dessa vez a faca foi em direção precisa a sua cabeça, mas a adrenalina permitiu que ela botasse a mão para prevenir a faca, que passou pela sua mão que nem margarina e deixou a visão esquerda enegrecida, mas não havia tempo para pensar em nada e ela continuou avançando, mais um, não, dois passos e o homem já caía no chão com o rosto surpreso e uma faca no ventre.

Sofia olhou para trás e viu Tamires, correndo ao mesmo tempo fazendo uma cara de horror para ela, ela então olhou para a mão e distinguiu a faca que quase a atravessara, na ponta da faca havia alguma coisa branca, ou um pedaço dela, era como uma pasta.

Então a dor veio, era insuportável, mais que isso, fazia ela se contorcer de dor, a visão que não estava enegrecida só viu o teto e a cabeça de Tamires, só restaram forças para dizer ”troque sua pulseira” antes de Sofia desmaiar...

Notas finais
Gostei bastante desse capítulo, mas eu sou o escritor e tem coisas que eu nem percebo, então se você gostou comente e se não gostou, comente também!