Klon

2 Brincando de exploradora


Notas iniciais
Eu coloquei um tom de aventura no capítulo, espero que gostem.

Ela foi acordada por Tamires, sua Klon, que a cutucava delicadamente, a Klon assim como ela estava com o cabelo todo bagunçado, mas isso não era um problema para Sofia, ela preferia dormir a acordar cedo para arruma-los, eles eram castanhos claros mas pareciam escuros se ela não os lavasse.

Os caras de jaqueta verde grifa texto estavam acordando os outros participantes da marcha, eles demoraram uns 5 minutos para por todos de pé, depois o líder deles que fora falar com ela antes da jornada assoviou novamente e disse para todos:

–Escutem aqui, a partir daqui vocês estão por sua conta, se dividam, fiquem juntos, façam o que quiserem, explorem a cidade a seu bel prazer, matem suas dúvidas e curiosidades, nós não iremos estar com vocês, por isso vocês tem 48 horas para sobreviverem e voltar para esse lugar e nós voltarmos.

Os murmúrios que vieram na sequência de jovens mimados, covardes, desesperados ou ainda surpresos a incomodaram, que já via aquilo como natural e previsível, por isso ela começou a caminhada pela trilha que parecia levar para a cidade colina abaixo.

“É natural que eles nos ensinem a ser independentes, veja a civilização anterior, ela visava a dependência por dinheiro e a especialização do trabalho, que dependia de muitos outros”, visto desse ponto de vista frio isso parecia óbvio para Sofia o porquê disso ser ensinado desde criança a eles e o porquê da ruína da antiga civilização.

Conforme ela descia o morro na qual as pessoas ainda se aglomeravam ela começava a perceber a cidade com uma visão melhor, a parte central dela onde provavelmente antes passava um riacho, agora estava toda alagada, só restavam as partes direita da cidade que devia alagar visto que era plana e a parte esquerda que era mais elevada, portanto não corria esse risco.

A torre que ultimamente era seu objetivo principal ficava no meio da parte esquerda da cidade, portanto era necessário atravessa-la para chegar a ela.

As primeiras casas que surgiram não eram nada além de tijolos e cimento sobrepostos, até a cor deles continuava com o laranja original, as casas eram muito pequenas por fora e menores ainda por dentro, ela se aglomeravam formando estreitas passagens de ruas, não parecia em nada com o resto da cidade.

Ela tentara entrar numa dessas ditas casas, mas ela e sua Klon mal conseguiram se locomover lá dentro, havia uma divisão simples de quarto, cozinha e sala. No quarto ficava uma enorme estrutura de madeira onde deveriam ficar as rupas, a cozinha era ocupada por um forno e também uma mesa que mal deixava passagem, na sala só havia uma grande tela em forma cubículo, eram o que eles chamavam de TV.

–E eles ainda defendem que esse sistema era o melhor, engraçado não é, Tamires?

Sofia não era muito de conversar com ela, até porque isso só a tornava mais humana e maior seria seu sofrimento depois, mas ela queria ter alguma opinião diferenciada.

“É terrível o que acontecia com eles, mas facilitava não conversar com eles”.

–Eu não saberia dizer, era assim que ela agia normalmente, indiferente a tudo, parecia melhor para ela se distanciar do que quer que esteja ocorrendo.

Elas continuaram a caminhada através daqueles amontoados de casa, elas não passaram por nenhum, mas a distância era possível ver barrancos que desabaram sobre dezenas de casas.

Quando elas continuaram dali para uma parte mais organizada, as ruas já não eram estreitas e tinham espaçadas calçadas, e as casas ainda que cinzas conservavam um pouco a tonalidade que outrora tiveram. A grama crescia pelas calçadas e também pelo asfalto, rachando-o.

Eram casas mais abastadas e mais enfeitadas, tinham seres de plástico com chapéus pontudos nos jardins e aqui e ali era possível ver pequenas casas destinadas aos seus animais de estimação.

“Pode até não parecer certo, mas mesmo assim é notável conseguir domesticar populações inteiras de animais selvagens”.

Ela resolveu entrar numa daquelas casas, as plantas já dominavam uma parte dela que se destinava a um jardim. Por dentro era uma casa mais espaçosa, e tinha muitos cômodos, havia três quartos, uma cozinha e duas salas, “muito diferente da igualdade defendida por eles”, ela riu. Praticamente todos os cômodos eram enfeitados por quadros belíssimos, mas inúteis.

Mas ela não tinha entrado ali à toa, ela procurou num dos quartos alguma prateleira de livros, ou alguma coisa assim, que poderia ter algum livro de história ou talvez notícias mais próximas de quando a civilização entrou em decadência, ou ainda um mapa, ela brincava de arqueóloga.

O como da civilização decaíra era um mistério para ela, os adultos faziam pouco caso, ou simplesmente a ignoravam quando ela lhes perguntava por aquilo.

Ela encontrou num dos quartos alguns livros, mas estavam empoeirados e com as páginas roídas, eles pareciam de pelo menos 50 anos e não continham nada do que ela queria.

Ela saiu da casa e decidiu que se aquela casa estava daquele jeito as outras provavelmente estariam do mesmo jeito.

Tamires que até agora só a acompanhava silenciosamente apontou para uma construção no fim da rua, uma construção relativamente grande que ela ainda não notara.

–Talvez lá nós encontremos alguma coisa, ela sugeriu.

Sofia concordou com ela, se era algo material que ela procurava, eles deveriam pelo menos guardar os mais importantes, em algum lugar grande, ela já ouvira aquela palavra num livro em sua infância... Biblioteca.

Mas as expectativas mão deram resultados positivos, a construção no final da rua se abria numa praça, a estrutura tinha duas torres acopladas uma a direita outra a esquerda, e no meio ficava uma estrutura redonda com uma cruz e um homem nessa cruz, sangue estava pintado em suas mãos, pés e em sua testa. Parecia mais algum culto do que uma biblioteca.

“Parece alguma daquelas estruturas religiosas do mundo antigo”, não que ela quisesse entrar, mas Tamires suava e o sol batia diretamente em suas cabeças. A porta frontal estava aberta e por isso elas não demoraram em entrar.

Por dentro havia bancos por quase todo o edifício, e no teto alto assim como nas paredes apareciam pinturas e estruturas em relevo.

–Tamires coloque nossas coisas nos bancos, vamos comer alguma coisa.

Como que robô ela obedeceu sem questionar, Sofia aproveitou para olhar as artes que ilustravam o interior do edifício, algumas traziam a jornada de um homem que fora beijado, preso, teve uma coroa de espinhos colocada na cabeça e por fim foi crucificado, outras imagens mostravam um homem iluminado fincando sua lança sobre um mostro e por fim havia uma onde os animais eram acoplados num grande navio em meio a uma chuva.

Tamires oferecia uma maçã e uma banana para ela, ela comeu rapidamente para sanar a fome.

No fundo do salão o mesmo objeto que estava no topo do edifício ilustrava o homem na cruz. Depois de comer ambas as frutas ela foi para onde estava essa imagem, debaixo dela ficava uma parte elevada com uma mesa de granito, sobre a mesa estava um livro, que parecia ser grosso antigamente, mas estava assim como os outros com as páginas roídas, impossibilitando a leitura.

“Já parece até irreal encontrar um livro em bom estado”, mas ela não perdeu as esperanças, não até achar a biblioteca. Ela reparou numa sala que ficava de trás da parte elevada, ela estava fechada por uma porta de madeira, mas o simples toque dela fez a porta quase desmantelar-se e assim ela entrou.

Na pequena sala não havia iluminação natural, mas havia várias prateleiras com várias caixas nos cantos do corredor, ela passou a mão numa dessas caixas e encontrou velas e uma caixa de fósforos, ela acendeu uma delas.

Agora ela via uma escrivaninha com uma poltrona no final do corredor, em cima da escrivaninha parecia ter uma coisa metálica e em forma de paralelepípedo cheia de pó, mas ela não se importou com aquilo, ela estava interessada nas gavetas, ela as abriu uma a uma procurando qualquer coisa, mas a maioria eram tranqueiras, papéis roídos ou colares com o homem na cruz “que insistência no homem na cruz”, na última gaveta ela encontrou aquilo que a interessava.

Era um mapa, provavelmente da cidade, lá estavam marcados onde ficava a igreja com uma cruz, havia um trajeto traçado em vermelho no mapa que ligava aquela igreja até outra, ela deduziu que era o caminho que eles faziam no culto, o mais importante era que no trajeto havia um paralelepípedo em forma de livro.

“Eureca”

Notas finais
Obrigado por ler, Sofia está quase sendo um veículo dos meus pensamentos nesse capítulo, mas se você leu e gostou comente, se leu e não gostou comente também.