Kisetsu
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Numa certa tarde de verão, após colocar o lixo para fora, Takanori pensou profundamente sobre sua vida.
E, realmente, se a vida tinha o que todos chamam de “ordem natural das coisas” é porque aquilo era um fato e sempre funcionou para todo mundo. Pelo menos na teoria e inclusive na prática algumas vezes – o que era o fator mais importante, como ele já havia aprendido anteriormente. Como por exemplo, a morte de seu peixe. Era a ordem natural da vida morrer, ou como sua irmã engravidara após se envolver com um garoto no colégio. Era a ordem natural da vida se reproduzir. E devia ser a ordem natural da vida também o pai não assumir o filho, afinal, o seu próprio pai não tinha assumido. Takanori ficou arrepiado com o pensamento que um dia ele teria que ser pai e teria que abandonar seus filhos.
Por isso ele decidira nunca se envolver com uma garota.
O que acabou sendo verdade mais tarde, já que acabou se tornando gay.
E foi no fim do verão que Takanori se deparou com um garoto desajeitado que trabalhava numa lanchonete para conseguir pagar seu aluguel e fingir ser um aluno dedicado na faculdade quando todo mundo sabe o contrário. Universitários só gostavam da diversão.
Não foi o boné ridículo ou a cara entediada que atraíram Takanori. Foi o invisível aos olhos.
Foi a expectativa de Takanori que fez o outro parecer tão interessante. De fato, ele não sabia como o outro loiro era, mas gostava de imaginar como era sua vida, porque Suzuki Akira (como ele descobriu depois escrito no crachá) poderia ser alguém interessante se ele pensasse que era. E no resto dos dias de verão Takanori usou toda a sua imaginação até o dia em que Akira decidiu falar com o menor.
A imagem do punk, radical, violento e animal Akira, possuidor de uma iguana e vocalista de uma banda foi quebrada.
Era a ordem natural da vida, concluiu.
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