Kisetsu

3 Capítulo 3


Notas iniciais
escrito em 3ª pessoa.

Era uma noite de outono quando Ruki percebeu que algo estava seguindo um padrão.

Um padrão não progressivo – como a vida deveria ser – pois ele não via aquilo indo para frente e melhorando de forma alguma.

O que ele via eram círculos, círculos e mais círculos. Era a direção em que ele andava. E isso o frustrava. Ele queria saber o que vinha depois de tudo, mesmo não sabendo o que vinha antes do depois. Ele queria não ser baixinho, feio, burro e tão indeciso. Ele queria saber se iria conseguir sair da casa de seus pais algum dia na vida, se conseguiria ir pro colégio sem ter sua cabeça enfiada numa privada imunda, se iria virar um fracasso quando fosse adulto, se iria conseguir dormir sem ser acordado pelo choro de seu sobrinho, se sua mãe teria dois empregos pro resto da vida para sustentar três bocas e se um dia isso pararia.

Se um dia tudo isso pararia.

Pela primeira vez na vida Takanori contemplou o suicídio. Só para depois descobrir mais uma coisa sobre ele mesmo:

Era muito covarde.

Frustrado por nem conseguir fazer isso direito, deitou no chão, colocou um travesseiro em seu rosto e gritou com toda a força que conseguia para depois ouvir um choro no quarto ao lado e sua irmã gritando com ele por ter acordado o bebê.

Gritar no travesseiro não funciona – fez uma nota mental.

Assim a vida continuava. E o choro também.